Citroën C4 VTR

Nova opção a quem não quer investir seu dinheiro num hatch médio


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- Uma semana depois de ser apresentado o novo Audi A3, que agora será importado e custará mais caro, é lançado no Brasil o Citroën C4 VTR, modelo que quer ocupar o espaço deixado pelo A3 nacional. A idéia, a princípio estranha, é reforçada pelo discurso de Sergio Habib, presidente da marca francesa no Brasil. Segundo Habib, o Audi deixou vários consumidores “desamparados”, já que o modelo novo custará aproximadamente R$ 40 mil a mais do que o fabricado no Paraná. Nesse espaço surge o C4 VTR, cuja proposta é ser um modelo de nicho, oferecendo, por R$ 69.800,00, uma nova opção a quem não quer investir seu dinheiro num hatch médio como Chevrolet Astra, VW Golf ou Fiat Stilo, tampouco em um sedã Toyota Corolla, Honda Civic.

O presidente da Citroën brasileira apresentou pesquisa segundo a qual o consumidor brasileiro se assemelha ao italiano – ao escolher um carro novo, a maioria 39% prioriza o desenho; 37% optam pelo carro mais confortável; e 24% escolhem pela potência. O C4 seria, então, a melhor opção para quem compra carro na faixa de preço entre 60 e 80 mil reais e busca um modelo “diferente”. Mas nesse contexto o desenho inusitado da traseira do Citroën pode ser seu calcanhar de Aquiles. As opiniões estão longe de ser unânimes e há quem considere aquela parte do C4 seu ponto fraco, destoando da bela frente, que tem linhas semelhantes à do C5.

Sergio Habib deu justificativa semelhante às apenas três opções de cores oferecidas para o C4 – preto, prata e vermelho. “Sem dúvida, é melhor para o concessionário ter apenas carros pretos e prata, que vendem mais; outras cores representam muito pouco das vendas”. Talvez essa “facilidade” seja motivada justamente pela escassez de opções, gerando esse círculo vicioso e descolorido.

As estimativas de vendas são modestas - 400 unidades por mês -, o que de certa forma justifica a estratégia da Citroën. Também colabora para essa tese o fato de o C4 ser oferecido apenas na versão VTR, com 3 portas. A de 5 portas virá ano que vem, depois do sedã – apontado por Habib como o “verdadeiro modelo para ganhar mercado” –, ambas deverão ser fabricados na Argentina. O modelo apresentado nesta segunda-feira 11 de setembro vem da França.

Fabricado sobre a mesma plataforma do Peugeot 307, o C4 também compartilha com seu "irmão" o motor, um quatro-cilindros de 2 litros de cilindrada, 16 válvulas, potência de 143 cv a 6.000 rpm e 20,4 kgfm de torque a 4.000 rpm. Essa unidade possui comando de válvulas variável na admissão, o que lhe confere elasticidade e proporciona agradável dirigibilidade ao C4.

Destaca-se pela quantidade de equipamentos de série outro apelo a ocupar o lugar do A3. Traz 6 airbags; toca-CD com leitor de arquivos MP3; computador de bordo; sensores de auxílio ao estacionamento; freios a disco nas quatro rodas com ABS e assistência à frenagem; controles de tração e estabilidade; sensores de luminosidade e de chuva; travas, retrovisores e vidros elétricos com comando um-toque. Entre os opcionais há faróis de xenônio com fachos direcionais; rodas de liga leve e revestimento de couro para os bancos. Há, também, um “aromatizador de ambiente”, aparato instalado ao lado do difusor central direito. São nove fragrâncias disponíveis em cartuchos, que têm duração estimada de 45 dias, para a média de utilização diária de 3 horas.

O acabamento do C4 pode ser apontado como um dos impedimentos para a realização dos planos da Citroën. Em comparação ao A3, modelo citado como referência, o francês fica devendo. Os materiais que revestem painéis de portas, console e painel não têm a mesma qualidade do alemão. É um carro bem cuidado, mas inferior àquele que pretende “substituir”. Porta-malas tem apenas 314 litros, o menor entre os concorrentes, mas traz um prático divisor do interior, que auxilia ao acomodar a bagagem. Há vários porta-objetos pelo interior, incluindo porta-copos no descansa-braço do banco traseiro.

Com 2,6 metros de distância entre eixos, o C4 oferece razoável espaço interno, acomodando bem passageiros no banco de trás, ainda que altos. Posição de dirigir é adequada, auxiliada pela regulagem de altura e profundidade do volante – que traz a novidade de ter móvel apenas o aro, sendo fixo o seu cubo. Com isso, segundo a Citroën, foi possível adotar um airbag maior em relação aos utilizados em volantes convencionais e colocar vários comandos: rádio, computador de bordo, controle automático de velocidade e reciclagem do ar interno. Também no volante estão alocados os LEDs indicadores de direção e luzes. Estes, no entanto, possuem visualização dificultada se há luz incidente. Melhor seria tê-los dispostos junto ao conta-giros, que fica pouco acima do volante – de fácil leitura e cuja cor de fundo muda do âmbar para o vermelho ao atingir-se regime de rotação excessiva.

No centro do painel está colocado o conjunto de instrumentos digital, com velocímetro, nível de combustível, temperatura do líquido de arrefecimento, nível de óleo, hodômetro e funções do controle de velocidade. Abaixo fica o mostrador do computador de bordo. Na região inferior está o ar-condicionado, também digital, que possui duas zonas de resfriamento.

Ao volante o C4 mostrou ter bom conjunto de motor, câmbio e suspensão. O 2-litros de 143 cv é elástico e permite retomadas sem trocas de marcha. Isso graças ao comando variável, que permite a entrega de 85% do torque máximo, ou 17,3 kgfm, a apenas 2.000 rpm, de acordo com a Citroën. O câmbio teve a relação do diferencial encurtada em 15%, comparada à versão européia. Cruzando a 120 km/h, o motor está trabalhando a 3.600 rpm a 140 km/h, está a 4.100 rpm, bom regime tanto para menor consumo quanto para o baixo nível de ruído – outro aspecto a ressaltar no C4, mesmo rodando a velocidades mais altas. Ponto negativo para o descansa-braço central, que é alto, próximo da avalanca e atrapalha operar o câmbio. Aliás, em um carro com caixa manual esse item deve ser de pouco uso. Talvez fosse melhor não tê-lo ali, ou utilizar outra forma para acomodar CDs, sua função secundária.

A direção é rápida e colabora para a agilidade do C4, oferecendo assistência eletroidráulica regressiva, sensível à velocidade. O acerto está na medida. Rodando devagar é macia para facilitar manobras; andando rápido torna-se firme e segura. O volante, no entanto, poderia ter melhor empunhadura.

Mais alto 10 mm em relação ao modelo europeu, o C4 vendido no Brasil tem suspensão independente na dianteira, tipo McPherson, com eixo de torção na traseira. É uma configuração comum em nosso mercado, utilizada na maioria dos concorrentes do C4. O que não significa ser a melhor, entretanto. O conjunto, devidamente adaptado à condição de ruas e estradas brasileiras, absorve bem as irregularidades do solo, sem “isolar” o motorista, garantindo sensibilidade. Permite esportividade, com bom controle de inclinação da carroceria, mas prioriza o conforto, para o que concorrem os pneus Michelin 195/65 em rodas de 15 pol.

Colocadas as cartas da Citroën à mesa, resta saber se os consumidores "órfãos" da Audi trocarão o alemão pelo francês, validando a teoria de Habib.

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