Citroën DS 3 é um hot hatch para ostentar

Modelo se encaixa ao solteirão endinheirado que quer curtir a vida e não faz questão de esconder


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“Para ver e ser visto.” Difícil existir maior clichê do que esse, é verdade. Porém, é a primeira definição a vir à tona ao experimentar o Citroën DS3. Como pensar diferente ao dar de cara com um hatch que, não bastasse estar colorido de amarelo, ainda ostentava adesivos nas extremidades traseira e laterais, além de apetrechos quadriculados no teto? Houve quem comentasse que o carro tinha aparência dos usados em auto-escolas.

Embora pareça, não trata-se de uma crítica. Pelo contrário. Um dos pontos de destaque do modelo é sua capacidade de ser único, uma vez que a DS permite as mais diversas personalizações. Embora causem polêmica, os acessórios são sempre de boa qualidade, o que fica evidente até nos tapetes.

Aliás, a mistura de motor eficiente, design agressivo, mimos luxuosos, acabamento minuncioso e exclusividade formaram uma receita tão receptiva por parte do público que a DS virou submarca.

As duas letras viraram sinônimo de capricho. Analise calmamente a extremidade frontal do DS 3. Note como o conjunto ótico (maior novidade do facelift do hatch) agrega esportividade e luxo ao carro. O mesmo pode ser dito quanto às lanternas traseiras que remetem a um túnel infinito de luzes.

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O toque final é pincelado pela (opcional) caixa de rodas Aphrodite de liga leve de aro 17” diamantadas e na cor preta. Pronto. Você foi visto.

Mas e a experiência que só o condutor vê? Bem, o DS 3 tem o melhor acerto da linha. Pequeno (3,94 metros de comprimento), o hot hatch alcança alcança a máxima de 219 km/h, sendo que os 100 km/h são rompidos em 7,3 segundos.

Os créditos vão para o manjado motor de quatro cilindros de 1,6 litros e 16 válvulas turboalimentado (THP) feito em parceria com a BMW. Utilizado em toda a gama DS, além de quase toda a linha PSA Peugeot Citroën, o propulsor vive seu auge no DS 3.

Seus 165 cv são entregues a 6.000 rpm. Já o pico de torque é sentido já aos 1.400 giros. Em condições convencionais, a força motriz é de 24,5 kgf.m. Com overboost, o número sobe para 26,5 kgf.m.

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Tal poder é transferido para as rodas dianteiras por meio de uma caixa manual de cinco marchas de escalonamento longo – sentir a ferocidade do hatch segurando o motor na segunda e terceira relação é arrepiante.

Embora não seja o foco, o conjunto tem ótimo desempenho em relação a eficiência energética. Segundo o Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro, o DS 3 atingiu consumo médio de 11,3 km/l na cidade e 11,4 km/l na estrada. A performance rendeu nota ‘A’ no levantamento.

O powertrain é completado por suspensão de eixo McPherson com braços triangulares no eixo dianteiro, enquanto a parte traseira carrega travessa deformável. O conjunto é rígido e seguro em altas, mas prejudica as costas em condições de tráfego urbano.

Definitivamente, conforto e DS 3 não podem ser empregados na mesma oração. Os bancos traseiros são dispensáveis porque são capazes de carregar apenas crianças – e, convenhamos, ter filho não é o perfil de um consumidor do hot hatch. Uma vez que a linha DS conta com o hatch médio DS 4, o irmão menor poderia ser muito bem um esportivinho de dois lugares.

Outra mudança estrutural poderia ser empregada no entre-eixos de 1,71 metro. A dimensão poderia ser ainda menor a fim de um porta-malas mais volumoso. Atualmente, ele tem 280 litros.

Além de maior bagageiro, falta também um vistoso teto-solar. Logo a Citroën que exibe o famigerado para-brisas Zenith em diversos modelos, não reservou nenhuma grande estrutura envidraçada para o DS3. Em um carro ostentação, isso faz falta.

O item poderia ser disponiblizado pelo menos em um dos vários pacotes de opcionais do carro. Embora o DS 3 custe R$ 82.490, muita coisa não vem de série – e não estamos falando dos itens de personalização. Exemplos são câmera de ré, faróis de LED com bixenon, sensor de chuva, retrovisores externos elétricos, revestimento em couro e aquecimento dos bancos, além de GPS e tela de sete polegadas.

Saber que tais equipamentos não são padrão de um veículo de nicho superior a R$ 80 mil é totalmente frustrante, o que prejudica o veículo perante a concorrência de Volkswagen Fusca, Audi A1 e Fiat 500 Abarth. Com todos os opcionais, o carro pode chegar a R$ 97.760.

A lista de equipamentos de série inclui direção elétrica, ar-condicionado digital, travas e vidros elétricos, volante com regulagem de altura e profundidade, detecção de pressão baixa dos pneus, controle de estabilidade, seis airbags, soleiras e pedais cromados, além do mimo especial: perfumador de painel.

Por este item é perceptível o papel do DS 3: visa unir o luxo  à esportividade (exatamente nesta ordem). O papel é cumprido com louvor. Embora o hatch fique devendo alguns itens primordiais a um carro premium, o modelo é um foguetinho que satisfaz ao solteirão que quer curtir a vida e não faz a menor questão de esconder isso.

 

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