De São Paulo à Porto Alegre de Volkswagen Amarok

Rodamos mais de 1500 km com a picape da Volks pelas mais belas estradas do Brasil


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Quanto você conhece do seu país? Já parou para pensar nisso? Sem firulas, meu objetivo com este relato é que você faça essa pergunta a si mesmo e se dê a chance de descobrir um Brasil deslumbrante, de carro. Fomos convidados pela Volkswagen para participar da Amarok Experience, uma expedição que a montadora bolou para que alguns (poucos) jornalistas pudessem comprovar a valentia de sua representante no segmento de picapes médias, a Amarok. Para mim, mais que isso, os 1.500 km que rodei pelo sul do Brasil serviram para resgatar minha essência aventureira e, quem diria, um patriotismo esquecido no fundo da gaveta. Vale muito a pena conhecer o Brasil.

Companhia ponta firme

Viajar de carro é conhecer de perto não só as estradas, mas lugares e pessoas que não estão no cronograma quando você fecha um pacote de viagem com uma operadora de turismo. É primordial que o veículo seja confiável e esteja em dia com a manutenção para manter a segurança e fugir de surpresas desagradáveis. No trecho de São Bernardo do Campo (SP) à Porto Alegre (RS), passei por rodovias com boa pavimentação, estradas esburacadas, estradas de terra que pareciam não ter fim, balsa, serras - incluindo uma de paralelepípedos -, peguei um temporal daqueles e também comi poeira.

Felizmente, eu estava muito bem acompanhada. Minha parceira nos três dias de expedição foi a Amarok Dark Label, edição especial que se posiciona entre as versões Trendline e Highline. Resumindo, uma picape cabine dupla, turbodiesel, com tração nas quatro rodas e pronta para o que der e vier.

Dia 1 – São Bernardo do Campo (SP) a Balneário Camboriú (SC)

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Um comboio de quatro picapes Amarok deixou a fábrica da Volks, em São Bernardo do Campo (SP), por volta de 9h30. A trupe incluiu seis jornalistas, o guia, o assessor de imprensa da Volkswagen e o fotógrafo, que registrou todo o percurso. Caímos direto na Rodovia Anchieta rumo ao litoral, com o tanque quase cheio e 680 quilômetros de estrada pela frente até Balneário Camboriú (SC).

Na Rodovia dos Imigrantes já foi possível sentir o vigor do motor de 2 litros, 4 cilindros e 16 válvulas, dotado de sistema de injeção direta e alimentado por dois turbocompressores. São 180 cv de potência entregues aos 4.000 rpm e torque máximo de 42,8 kgf.m, já aos 1.750 giros. A desenvoltura do câmbio de oito marchas merece elogios, com trocas rápidas e muito suaves. Depois de percorrer a Pedro Taxi, passando Peruíbe, encontramos a BR-116.

Nossa primeira parada para esticar as pernas foi em Registo, ainda no estado de São Paulo. Abastecer? Nem pensar... Mesmo com o tanque incompleto, a Amarok daria conta de percorrer o trecho diário e, dependendo da empolgação do pé direito de quem está dirigindo, a autonomia da picape beira os 1.000 km com um tanque de diesel (80 litros).

O ponto alto deste dia foi a Rodovia PR-410, vulga Serra da Graciosa, que interliga Curitiba às cidades de Antonina e Morretes. Com curvas fechadas, pavimento em paralelepípedo e uma vasta variedade de plantas e flores, sem dúvida, é uma das estradas mais bonitas do Brasil. Especialmente porque ela atravessa um trecho de Mata Atlântica muito preservado, declarado pela Unesco como Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.

Logo na entrada da serra desviamos por um “atalho” de terra, onde pudemos experimentar o “ABS off-road” que vem de série na Amarok. Em velocidades até 130 km/h, o sistema otimiza a ação do ABS em solo solto. Além da tração integral (todas as versões são 4x4), há controle de tração e bloqueio eletrônico de diferencial.

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Após descermos a serra, a parada foi em Morretes, para matar a fome com o prato regional mais famoso do local. Tivemos uma verdadeira aula sobre o Barreado, cujo preparo inclui um ritual de mais de 300 anos! Resumindo, trata-se de carne bovina de segunda muito bem temperada e cozida até desmanchar. No prato, farinha de mandioca – mistura-se tudo até virar uma massa -  e banana da terra. Certamente, o preparo foi adaptado, mas o sabor...

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De volta à Amarok, restavam mais de 250 quilômetros de estrada até Balneário Camboriú. Pós almoço, em uma picape com um belo isolamento acústico, não seria tarefa das mais fáceis. Por dentro, a versão Dark Label conta com acabamento dos bancos em couro Alcântara, o volante é multifincional e possui regulagem de altura e profundidade, há piloto automático, vidros elétricos, computador de bordo, entre outros itens.

Nosso exemplar estava equipado com o sistema de entretenimento com GPS integrado - um auxílio interessante para qualquer aventura. Vale lembrar que, se equipado com tal sistema, o rádio não conta com entrada USB. Nesse caso, a dica é levar um adaptador de entrada USB – há duas tomadas de 12v na cabine – para carregar o celular. Afinal, pode-se emparelhar o celular via Bluetooth para ir ouvindo seu som predileto na viagem, mas não há bateria que aguente.

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Após passarmos por Matinhos, na PR-508, cruzamos a balsa de Guaratuba. Uma chuva de vento e o friozinho típico do Sul nos deram as boas vindas. Após entrarmos no estado de Santa Catarina, voltamos à BR-101 e seguimos nela até Balneário Camboriú. Chegamos ao destino era quase 22h, após abastecer as picapes, nos abastecemos de cerveja gelada na orla de Balneário (merecida!).

Dia 2 – Balneário Camboriú (SC) a Cambará do Sul (RS)

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Deixamos Balneário Camboriú (SC) às 9h30 e continuamos descendo a BR-101 até a cidade de Palhoça (logo após passarmos a ilha da magia, Floripa), onde viramos à direita na BR-282. Ali começaria nossa aventura. Passamos por três cidades neste trecho, Santo Amaro da Imperatriz, Águas Mornas e Bom Retiro. Cidades pequenas e interioranas que escondem verdadeiras surpresas. Eu não fazia a menor ideia que Águas Mornas, por exemplo, é muito famosa por suas águas termominerais (que estão entre as melhores do mundo). Suas águas quentes - 39°C o ano inteiro - atraem muitos turistas em busca de tratamento para diversas doenças.

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Infelizmente, não pude experimentar as piscinas pois a cidade de Urubici nos aguardava com um entrecôte saindo da brasa no restaurante Santo Antônio. Veio a calhar, pois o frio já estava na casa de um dígito apenas. Urubici é uma cidade de praticamente uma rua só, que esconde rios, cachoeiras e paredões para se fazer rapel. Apelidada de “Terra de Tesouros” a cidade é um dos principais destinos de aventura de Santa Catarina.

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Após o almoço, a Serra do Corvo Branco (SC-370) nos aguardava com sua beleza misteriosa. Sim, misteriosa, porque a neblina é tão intensa que só conseguimos enxergar o que a natureza nos deixa ver. Encantadora, a serra com curvas fechadíssimas em formato de cotovelo, conta com o maior corte trincheiro rodoviário do País. Os 90 metros de rocha basáltica removidos para a estrada passar deram lugar a duas paredes forradas de vegetação. Pelas plantas incrustadas nas paredes verte muita àgua, o que contribui também para que ocorram deslizamentos. Por conta de alguns deles, a serra estava interditada, por isso, percoremos um trecho apenas. O final da serra dá na pequenina cidade de Aiuré, próximo ao Parque Estadual da Serra Furada.

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Voltamos à Urubici para termos acesso à Rodovia SC-416 até a cidade de Cruzeiro, para depois cairmos na SC-390 até outra serra, desta vez a famosa Serra do Rio do Rastro. No caminho o sol abriu e nos presenteou com um entardecer gelado e maravilhoso, digno da Serra Catarinense. Chegamos ao mirante do Rastro era mais de 17h e fomos recebidos por dezenas de simpáticos (e esfomeados) quatis. Os termômetros marcavam 5°C e enquanto aguardávamos a névoa que encobria a serra dispersar, nos distraíamos com os quatis. Um vacilo com a porta da Amarok aberta e quase que levamos um quati conosco para o resto da expedição.

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Essa serra é considerada uma das mais espetaculares do mundo. O mirante fica no município de Lauro Müller, a 1.421 metros de altura. A névoa deu trégua apenas para que pudéssemos observar o morro da Ronda, a sudeste, que tem um enorme planalto esverdeado de frente ao cânion. 

Quase congelamos e a neblina não foi embora. No mirante, a dica é experimentar o chocolate quente da cafeteria Mensageiro da Montanha e, caso o clima esteja encoberto, você pode apreciar o visual que está perdendo por um grande painel bem ao lado da cafeteria.

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Descemos um trecho apenas da serra, que deixou um enorme gosto de quero mais. Prometi voltar lá de jipe ou de moto em uma próxima oportunidade. E se você está pensando que o dia acabou, se enganou. Dali, voltamos pela SC-340 até uma entrada à esquerda em uma estrada de terra (SC-440). Até nossa pousada teríamos mais 130 quilômetros pela frente, por uma estrada de terra! Na pausa para o xixi (no mato), aproveitamos para olhar o céu. Nada que eu escrever aqui irá descrever o momento tão bem como a foto do fotógrafo Pedro Danthas:

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Entramos no Rio Grande do Sul pela RS-020, já era tarde da noite. Passamos pelas cidades de Silveira, São José dos Ausentes e Ouro Verde. A estrada é de terra e parecia ser muito bonita, por isso, indico que este trecho seja feito durante o dia.

Chegamos à charmosa pousada Parador Casa da Montanha Ecovillage, em Cambará do Sul, já passava das 23h. Imagine um lugar frio... A pousada é tão charmosa, que impressiona, com barracas térmicas inspiradas em lodges africanos e bangalôs com diárias que igualmente impressionam (algumas ultrapassam os R$ 1.500). O interior quente e aconchegante ostenta uma bela decoração. Todavia, só consigo me lembrar da sopa de feijão que nos serviram e do javali com polenta mole e queijo gorgonzola. Hum.

Neste dia, percorremos 564 quilômetros. Caso você tenha tempo, aconselho fazer este percurso em dois dias, para aproveitar melhor as paradas e curtir mais os lugares maravilhosos por onde passamos.

Dia 3 – Cambará do Sul (RS) até Porto Alegre (RS)

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Acordei no paraíso. Abri a porta de meu bangalô e me deparei com um cenário de conto de fadas. Para o café da manhã, pães quentes e geleias frescas. Enquanto admirávamos a paisagem, os hóspedes do Parador admiravam as picapes. Esta edição especial da Amarok diferencia-se das demais pelo visual. Sóbria e bem equipada, ela chama atenção pelo santantônio, estribos laterais, vidros laterais traseiros e lanternas escurecidas, além do adesivo lateral com o nome da versão. As rodas são de liga leve de 17 polegadas, calçadas com pneus 245/45 R17.

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Deixamos a pousada por volta das 9h e o percurso até o Cânion Fortaleza foi feito pela mesma estrada que viemos (RS-020). Chegamos ao local e, por coincidência, havia uma família em outra Amarok. A picape é fabricada na Argentina e pelas estradas do sul do país contei muitas delas passando por nós, em diversas versões (ao todo são oferecidas sete).


Estacionamos as picapes e caminhamos alguns metros até a borda do cânion. Lá do alto, uma imensidão de verde e o único som era o da água correndo lá embaixo. Novamente, as fotos falam por si.

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O cânion é considerado um dos mais exuberantes da região (há outros, como o Itaimbezinho). São 7,5 quilômetros de paredões que parecem verdadeiras muralhas (daí o nome Fortaleza), com 2.000 metros de largura e altitude de 1.240 metros acima do nível do mar. Ali, mais um nativo nos fez uma visita. Um lobinho, ou cachorro-do-mato, ou guaraxaim, como preferirem, passou um tempo conosco enquanto o fotógrafo registrava a paisagem.

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Dali, seguimos mais 250 quilômetros rumo à Porto Alegre, onde terminaríamos a expedição. Antes, porém, paramos na linda cidade de Canela para visitar a Catedral de Pedra. Canela é coladinha a Gramado, outra cidade turística da serra gaúcha. Paramos em uma fábrica de chocolates, mas na região há muito a se fazer. Uma sugestão é esticar alguns dias no local, especialmente se crianças estiverem no passeio.

Descemos a serra sentido à capital Porto Alegre com a sensação de dever cumprido e 1.500 quilômetros rodados com muita segurança. Além de toda tecnologia embarcada, muitos itens de convêniencia e comportamento de carro de passeio, a Amarok provou que é possível fazer um passeio longo como este e conhecer mais do seu país, sem sair da zona de conforto. 

Chegamos à Porto Alegre por volta das 17 horas e, por mim, dirigiria mais tranquilamente. Na versão Dark Label, limitada a 1.000 unidades, a Amarok custa R$ 148.900 – sem os opcionais (GPS integrado ao painel, sensor de chuva, retrovisor eletrocrômico, engate e rodas aro 18 pintadas de preto). Foram apenas duas paradas para abastecer  durante toda a viagem e ainda sobrou diesel no tanque. 

Precisava, Volkswagen?

As capacidades da Amarok são inquestionáveis, mas o balde de água fria chegou após a viagem, quando veio à tona um escândalo envolvendo a montadora – a Volks fraudou testes de emissões de poluentes e a Amarok equipada com o motor a diesel EA 189, vendida no Brasil, tem grandes chances de estar envolvida. A empresa está sob investigação e ainda não foi confirmado que a picape vendida aqui utiliza o software que engana os testes de emissões. Caso seja confirmado, a Volkwagen do Brasil terá de arcar com uma multa de R$ 50 milhões, além de chamar os veículos envolvidos para recall.

Deixando esta parte chata de lado, a Amarok Experience foi uma experiência e tanto para constatar que o Brasil tem muito de bom a oferecer. Minha sugestão, especialmente nesta fase econômica difícil em que vivemos - na qual o dólar ultrapassou os R$ 4 -, é que agora é a oportunidade de deixarmos um pouco de cobiçar a grama de nossos vizinhos e passarmos a valorizar nosso próprio jardim. 

 

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