EcoSport – “objeto de desejo” dos consumidores

Lançado há três meses, modelo supera expectativas da marca


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Lançado há pouco mais de três meses, o Ford EcoSport já superou todas as expectativas de vendas dos distribuidores da marca, e tornou-se o novo ‘objeto de desejo’ de uma ampla faixa de consumidores

Por Ricardo Panessa
Fotos Divulgação


O que é, o que é? Tem jeito de utilitário esportivo, conforto de automóvel, altura livre do solo quase igual à de um jipão, ângulos de entrada e saída como de um autêntico 4x4, mas é tracionado apenas nas rodas dianteiras?

Todo mundo já sabe, é claro, que é o EcoSport, o utilitário esportivo tupiniquim que a Ford está produzindo em Camaçari, na Bahia, e que já superou todas as expectativas de vendas dos concessionários.

Apenas para se ter uma idéia, desde seu lançamento, em fevereiro deste ano, até o final de maio, a montadora já comercializou exatas 4.865 unidades do modelo, e tem fila de espera na maioria dos concessionários. Algumas revendas estão demorando até 40 dias para entregar o carro, e muitos consumidores reclamam da cobrança de ágio.

O EcoSport, portanto, provou que caiu no gosto do consumidor, disposto a trocar seu carro, seja sedan, perua, minivan e até picape, pelo, pelo, pelo... mas, afinal, que tipo mesmo de veículo será o EcoSport?

A proposta desse atraente modelo, largamente divulgada pela Ford, é atender consumidores de perfil mais jovem, que gostam de vida ao ar livre, esportes de natureza, viagens de final de semana, enfim, que rodam por caminhos lá não muito bem pavimentados, mas que também utilizam o carro na cidade durante a semana. E para esse tipo de aplicação o EcoSport realmente ‘cai como uma luva’.

Considerado pela Ford como um autêntico utilitário esportivo, ao EcoSport só falta mesmo a mais característica qualidade dos veículos desse tipo, que é a opção de rodar com tração nas quatro rodas. Por enquanto, o EcoSport só roda mesmo com tração dianteira. Mas, convenhamos, tem outras importantes qualidades, que o tornam realmente bastante adequado para utilizações fora de estrada leves.

‘Papai eu quero...’
Além das vendas em si, muito acima das expectativas da Ford, o comportamento do EcoSport no mercado também tem chamado a atenção pelo perfil do consumidor, em geral de idade média mais baixa. Segundo João Carlos Felix Teixeira, presidente da Associação dos Distribuidores Ford – ABRADIF, “o EcoSport está atraindo tradicionais consumidores de picapes, station-wagons, vans e minivans, hatchs compactos e até de pessoas que nunca haviam utilizado um utilitário esportivo antes”.

Líder também entre os usuários de WebMotors que procuram um carro novo, o perfil desses consumidores potenciais comprova os indicativos colhidos pela ABRADIF.

Das 5.392 pessoas que enviaram propostas para comprar um veículo novo através de WebMotors entre março e junho, 1.267 querem um EcoSport, o que torna o modelo, de longe, o mais cobiçado entre os usuários do site. Apenas para se ter uma idéia do sucesso que esse modelo está fazendo, o Toyota Corolla aparece como segundo colocado na lista, com apenas 331 propostas.

Visual atraente
Com desenho jovem e moderno, o EcoSport tem aparência ao mesmo tempo de veículo robusto e esportivo. Alto e imponente, impõe respeito, transmite segurança, oferece maior visibilidade e proporciona ao motorista uma agradável sensação de poder.

Por tudo isso, mas não apenas por isso, o design do EcoSport é um de seus pontos fortes. O empresário Roberto Carlos Dias Tavares, de 38 anos, concorda.
Proprietário de um Ford Focus Sedan, acabou de comprar um EcoSport 1.6 XLS que para ele, além de bonito, tem proposta esportiva, bom espaço para bagagens, recursos técnicos modernos, como ABS e controle de tração, além do compartimento refrigerado no painel, no lugar do air bag do passageiro, que para ele é muito importante, pois roda com o carro cerca de 200 quilômetros todos os dias.

Legião de fãs
O cirurgião Marcello Afonso, de 36 anos, também acha o design do EcoSport um dos seus maiores atrativos. Ele é proprietário de um Honda Civic EX automático, que pretende trocar por um EcoSport 2.0 XLT, o mais completo. Embora transite por trilhas raramente, acha que o ponto fraco do EcoSport é a ausência de tração 4x4.

As advogadas Luciana Rodrigues Carvas, de 33 anos, e Fabíola Ferramenta da Silva, 31, têm a mesma opinião. Luciana já teve uma picape Toyota Hilux 4x4, é atualmente proprietária de um Ford K, e pretende comprar um EcoSport 2.0 XLT que, para ela, é muito bonito, tem cara de jipe e o mesmo conforto de um automóvel. Fabíola, por sua vez, quer trocar seu Vectra pela versão 1.6 XLS do EcoSport, para ela ‘um carro lindo, confortável e gostoso de dirigir’, conforme constatou durante um teste-drive.

A lista de motivos que despertaram o interesse das pessoas na compra do EcoSport vai longe. O sociólogo Paulo Henrique da Silva, de 37 anos, não tem carro mas também quer um EcoSport, que é ‘bonito e tem preço acessível’; Eduardo Bechara de Rosa, estagiário de 20 anos, quer trocar seu Golf 2.0 pelo EcoSport 2.0, que é ‘bom e mais barato’; Dilmo Vidigal, advogado de 53 anos, gostaria de trocar sua picape S10 turbo diesel pelo EcoSport 1.6, mas está esperando o Nissan XTerra, que vai custar mais caro, porém sem ágio, como está ocorrendo com o modelo Ford; o consultor Carlos Alberto, 37, tem um Peugeot 206, mas quer o EcoSport porque gosta de ‘caminhonetes’; Paulo Henrique Pereira Monteiro, médico veterinário de 35 anos, está satisfeito com sua picape Fiat Strada 1.6, mas vai comprar um EcoSport 2.0 XLT para a mulher usar na cidade e para enfrentar os buracos das estradas nos finais de semana; e o economista Valberto Muller, de 33 anos, também gostaria de comprar um EcoSport que, segundo ele, é confortável e tem preço acessível. ‘Feliz’ proprietário de uma Explorer 94, ficou indignado com o preço que os revendores Ford ofereceram pelo veículo na troca pelo EcoSport, desistiu da compra, preferindo continuar utilizando sua fiel Explorer, e ‘desfrutando’ dos R$ 30 mil que manteve em sua conta bancária.

Já o médico Adriano Gi, de 31 anos, que tem um VW Polo 2.0 2003 e uma picape Corsa 99, pretende comprar um EcoSport 1.6 XLT principalmente para ir até a fazenda, cujo acesso é por estrada de terra. “Preciso de um carro com maior vão livre do solo e espaço para bagagens. O EcoSport tem essas características, parece robusto e tem boa relação custo-benefício na versão 1.6”, justifica.

Mas se para muitos consumidores a falta de tração 4x4 no EcoSport não faz falta, para outros é fator determinante para compra. O diretor de TV José Lucas Bueno Mello, de 48 anos, é proprietário de um Vectra e uma caminhonete Sulan, gostou do EcoSport, mas justifica porque não vai comprá-lo: “o EcoSport me pareceu um carro forte e até poderia substituir a minha caminhonete; sob o ponto de vista comercial a versão 1.6 XL é até atraente, mas sob a ótica de utilização prática não serve. Um dos motivos pelo qual não me empenhei muito na compra, foi o fato dele não ser 4x4. Achei um absurdo a Ford lançar esse carro sem tração nas quatro rodas e sem reduzida. Uma versão 4x4 viria ‘tapar um buraco’ que só é preenchido por utilitários importados e muito caros. Equipado com motor diesel, seria melhor ainda”, declara.

Sucesso de mercado
Produzido unicamente na nova fábrica de Camaçari, Bahia, o EcoSport tem índice de nacionalização em torno de 95%, e previsão de exportar parte da produção para os Estados Unidos.

Único modelo desse segmento produzido no Brasil, o Ford EcoSport tem preço mais acessível e melhor relação custo-benefício que os similares importados. Segundo dados do Renavan, até o final de abril já tinham sido comercializadas 2.640 unidades do modelo, o que o torna o segundo veículo mais vendido no segmento de comerciais leves, que além dos utilitários esportivos inclui também as picapes pequenas. Esse desempenho correspondeu à expectativa criada em torno do lançamento e contribuiu para elevar a participação de mercado da Ford para 11,8% em abril, seu melhor resultado mensal nos últimos dois anos.

O maior volume de vendas está concentrado na versão 1.6 L XLS, que vem equipada com ar-condicionado, compartimento refrigerado no painel, farol de neblina, vidros e espelhos elétricos, trava elétrica das portas com controle remoto, luz elevada de freio e bagageiro no teto, entre outros itens de série. O restante das vendas está dividido entre as versões 1.0 L Supercharger e 2.0 L.

O Ford EcoSport representa, no Brasil, o início do mesmo fenômeno mundial de vendas dos utilitários esportivos, um dos segmentos que mais cresce nos principais mercados automotivos, principalmente o norte-americano. Esse segmento, do qual fazem parte utilitários esportivos, veículos multiuso e vans, responde hoje por uma fatia de cerca de 8,4% do mercado nacional e a previsão é que até 2005 supere 14% da produção, com um volume equivalente a 230.000 unidades/ano. E o EcoSport, que, segundo a Ford, também vai oferecer em breve uma versão com tração 4x4, certamente terá papel de destaque nesse cenário promissor.

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