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F-250 recebe tração integral para bater a RAM


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- A ameaça da Dodge RAM e a desvalorização do dólar fizeram a Ford se mexer para não perder terreno num território que tem sido dela há um bom número de anos: o de picapes grandes. Depois que a GM desistiu de fabricar a Silverado no Brasil, a outra gigante americana ficou com a exclusividade do mercado, dando-se inclusive ao luxo de não oferecer tração nas quatro rodas para a F-250. Com a chegada da concorrente, fabricada no México e trazida ao país sem imposto de importação, a empresa do oval azul resolveu se mexer. E se mexeu bastante.

Em primeiro lugar, atendeu aos pedidos de muitos dos consumidores-alvo da picape: incorporou a ela a tração nas quatro rodas. Isso porque não se vê uma máquina dessas na cidade, mas sim no campo, onde as estradas nem sempre são boas e chuvas e riachos as tornam ainda piores.

Atender ao consumidor foi extremamente conveniente para a Ford. Primeiro, porque preencheu uma lacuna que não precisava ter ficado tanto tempo vazia, ainda mais considerando que a empresa exportava uma versão com esse tipo de tração para a Austrália. Segundo, porque essa mesma exportação caiu demais devido à valorização do real diante da moeda norte-americana, transformando o modelo fabricado em São Bernardo do Campo em um negócio menos atraente. Se o mercado externo não compra, o interno sempre quis comprar.

Na linha 2007, apresentada na belíssima Serra Gaúcha, as novidades se mostraram ainda maiores do que apenas a tração. Outra mudança importante foi de motor, ainda que ela possa não agradar a todos os compradores. Em vez do 4,2 litros MWM de seis cilindros, entrou um 3,9-litros Cummins de quatro cilindros, 16V e a injeção de diesel por galeria única, mais conhecida por common-rail.

Em números absolutos, a troca parece bastante vantajosa. São 203 cv a 2.900 rpm e 56 kgfm de torque a 1.500 rpm, contra os respectivos 180 cv a 3.400 rpm e 51 kgfm a 1.600 do MWM. A velocidade máxima é, segundo a Ford, limitada em 160 km/h por questões de segurança. O peso bruto total de todas as versões da picape vai de 3,99 a 4,05 toneladas.

A limitação pode parecer estranha, já que as relações de marcha também foram todas aumentadas e o diferencial passou de 4,11:1 para 3,55:1, tanto na frente quanto na traseira, o que tanto favorece o consumo quanto a velocidade máxima. Aqui é que vem a explicação do possível desagrado de alguns consumidores: por ter quatro cilindros, o motor Cummins gira menos que o MWM.

Isso é, inclusive, a forma como a Ford conseguiu limitar a velocidade máxima da picape. Em quinta marcha, a picape atinge os 160 km/h a pouco mais de 3.000 rpm, quando a injeção é cortada para evitar que o motor ultrapasse o limite de giro. A faixa vermelha de rotação surge a partir dos 3.000 rpm, enquanto o motor anterior girava fácil até os 4.500 rpm. Por conta disso, o Cummins tem de fazer o mesmo que o antigo fazia numa rotação bem mais baixa.

Pode ser que alguns não gostem, mas o perfil típico dos compradores, que apreciam um carro que gaste pouco e seja silencioso, será perfeitamente atendido. Além de gastar menos, o novo motor é menos rumoroso e tem uma autonomia de até 1.000 km em estrada, segundo a Ford. O tanque contribui para isso: passou de 98 litros para 110 em todos os modelos.

Na apresentação da picape, a Ford declarou que 82% das vendas são dos modelos mais equipados, da versão XLT. Ainda assim, a empresa não pretende oferecer câmbio automático, que existia na versão RHD righ-hand drive, ou com direção do lado direito, exportada para a Austrália. Considerando que o mercado gosta de modelos luxuosos, o fato de a empresa não oferecer essa opção para a F-250 é como entregar à RAM de bandeja os compradores que fizerem questão deste conforto. A Ford justifica dizendo que o consumidor considera os engates manuais mais seguros, mas, se fosse assim, ela também se preocuparia em oferecer o engate da tração 4x4 e da reduzida por alavanca. Na nova F-250, ele é eletrônico, por meio de um seletor no painel, igual ao da Ranger. O sistema é motivo de queixa para muitos compradores, que o consideram mais frágil. A verdade é que a empresa não tem uma escala que justifique o desenvolvimento de um câmbio automático para a F-250.

A capacidade off-road da picape é boa. Na versão cabine dupla ela tem ângulo de ataque de 31º e de saída de 26º. O que pode atrapalhá-la é o longo entreeixos, de 3,97 m, e o vão livre de 210 mm, relativamente pequeno. Os pneus, Pirelli Scorpion STRa, de medida 265/75R16 na versão XLT, são de uso misto e não ajudam muito a ter aderência na terra. O ideal, para quem comprar a picape, é verificar em qual situação ela será mais utilizada e comprar pneus lameiros se houver necessidade. Com tração 4x4, a F-250 é capaz de atravessar trechos de até 90 cm de altura de água.

Ao volante

Feitas as apresentações, nos dirigimos ao lugar mais importante da picape: o volante. O acesso, para pessoas baixas, não é dos mais tranqüilos, mas há elementos para ajudar na subida à cabine, como um estribo na porta e uma alça no teto. O painel, também renovado, é bem completo e traz marcador de carga de bateria, de temperatura de água e de nível de óleo, além dos instrumentos indispensáveis, como hodômetro e conta-giros. Apesar de também renovados, os bancos são um tanto duros.

O sistema de direção é por esferas recirculantes, mais resistente que o por pinhão e cremalheira utilizado na maioria dos carros, mas muito menos sensível. Isso deixa a condução da F-250 4x4, ainda mais alta do que a versão 4x2, ideal para quem gosta de ver tudo de cima, mas um tanto incômoda para quem aprecia um veículo mais na mão.

Apesar de ser capaz de fazer curvas com competência e de ter um bom acerto de suspensão, a picape desencoraja qualquer atrevimento por sua posição de dirigir e a baixa sensibilidade ao volante. Tanto melhor. Um veículo de mais de quatro toneladas não se presta a arroubos esportivos, apesar de ter potência para tanto. Afinal, ele acelera que é uma beleza, mas para frear...

A percepção de ruído na cabine é muito curiosa. Ao volante, a picape é extremamente silenciosa, mas quem se senta no extremo oposto ao do motorista, ou seja, no banco traseiro mais à direita, tem a sensação de que a picape é mais barulhenta. Culpa da proximidade com o escapamento. Como a F-250 tem torque de sobra, é comum o motorista deixar a quarta marcha engatada a 120 km/h, o que incomoda esses passageiros, já que o giro fica mais alto e o barulho, também.

As vendas da linha 2007 da F-250 só se iniciam em maio. Por conta disso, a Ford não forneceu os preços das novas picapes, apenas uma estimativa: R$ 93 mil para a versão 4x2 cabine simples, R$ 110 mil para a versão 4x4 da mesma carroceria e R$ 120 mil para a 4x4 cabine dupla.

Gustavo Henrique Ruffo viajou a convite da Ford.
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