Fiat Bravo: pela beiradas

Hatch médio começa a consolidar a marca em segmentos superiores


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– O Bravo desembarcou há pouco tempo no Brasil carregado de expectativas por parte da Fiat. Com linhas bonitas, motor potente e lista de equipamentos recheada, o hatch médio poderia ter vendas mais significativas e brigar no topo do segmento – onde estão Hyundai i30 e Ford Focus. No entanto, o carro esbarra em um problema crônico da Fiat: vendas de carros em segmentos superiores. A fabricante italiana vai bem até a faixa dos R$ 50 mil. Mas é só ultrapassar este valor e as vendas encolhem brutalmente. O Bravo chegou ao mercado brasileiro no começo do ano disposto a mostrar o valor da marca nestes segmentos superiores. E a versão Absolute Dualogic, a topo de linha, a partir de R$ 66.480 e responsável por 17% das vendas, é a maior responsável por emplacar alguma imagem de requinte e sofisticação.

Só que, mesmo com apelo visual e um conjunto mecânico moderno, o Bravo não convenceu de cara – talvez justamente pela inequívoca associação da Fiat com os carros populares. Nos primeiros meses não foi possível superar nem seu antecessor, o Fiat Stilo. A situação foi melhorando com o passar do tempo. E hoje o Bravo é um carro consolidado no mercado. As vendas ainda não animam muito, é verdade. Ao menos a média de 1 mil unidades/mês já apaga o "fantasma" do Stilo. A previsão inicial era, no entanto, de 1.500 unidades mensais.

Apesar da diferença de quase R$ 10 mil entre a versão inicial Essence – R$ 56.840 – e a topo de linha Absolute com câmbio automatizado – R$ 66.480 –, ambas são equipadas com o mesmo motor E-torq 1,8L 16V. Esta unidade de força é capaz de gerar 132/130 cv com etanol/gasolina a 5.250 rpm e conta com torque máximo de 18,9/18,4 kgfm alcançado aos 4.500 rpm. Com etanol no tanque, o Bravo cumpriu o zero a 100 km/h em 10,1 segundos. A velocidade máxima, segundo a marca, é de 193 km/h. O hatch médio ainda conta com a versão esportiva T-Jet, equipada com o potente motor 1,4L 16V turbo de 152 cv – o mesmo do Punto e do Linea T-Jet – e câmbio manual de seis marchas.

O Bravo justifica o preço elevado da versão Absolute pela lista de equipamentos recheada. Ao contrário da Essence, esta configuração já sai de fábrica com ABS, ar-condicionado dual zone, maçanetas cromadas com iluminação noturna, rodas de 17 polegadas, sensor de estacionamento traseiro, volante multifuncional em couro, entre outros. Como opcionais da versão "top", há airbags laterais e de cortina, teto solar elétrico, bancos com revestimento parcial em couro, sensor de chuva e retrovisores rebatíveis.

Se as vendas do Bravo já não empolgam, o modelo ainda pode sofrer um golpe maior. É que, vendido na Europa desde 2007, o hatch médio pode deixar de ser produzido por lá para dar lugar a uma modelo mais "radical", como definiu Sergio Marchionne, CEO do Grupo Fiat. O novo carro teria foco mais esportivo para bater de frente com o Focus europeu. A novidade faria bem para as vendas do modelo na Europa, mas a desatualização precoce pode ser um "tiro no pé" para o modelo fabricado em Betim, Minas Gerais.

Impressões do dirigir: médio ligeiro
O Bravo é um carro que dá prazer de dirigir. O motor E-torq 1,8L 16V garante boas respostas ao hatch e seu comportamento dinâmico é exemplar. Contra o modelo só mesmo o câmbio automatizado Dualogic. Justiça seja feita, a caixa de marchas não é mais aquela "vilã" de outros tempos. Mesmo assim, ela ainda não está no "ponto". Com isso, o modelo parece um tanto indeciso em algumas situações e os "soluços" são quase inevitáveis. Passado o câmbio para o modo manual, com borboletas atrás do volante, o motorista evita trancos – principalmente nas primeiras marchas – e, de quebra, ganha um pouco em esportividade.

É na estrada que o Bravo mostra suas maiores credenciais. O hatch médio da Fiat é um verdadeiro "devorador" de curvas. Mesmo em alta velocidade, o carro anda sempre colado ao chão e não faz qualquer menção de desgarrar. Méritos também para a suspensão mais "durinha", que não absorve tão bem as irregularidades do asfalto, mas em contrapartida melhora o comportamento do carro. Ainda assim, seria interessante um sistema eletrônico de estabilidade – disponível apenas na versão esportiva T-Jet. Pelo menos o Bravo conta com ABS e EBD, que o auxiliam na hora de freadas bruscas e deixam o carro sempre nas mãos do condutor.

No interior, o espaço é bom para quem vai nos bancos dianteiros. Já quem viaja no assento traseiro sofre em dobro. Primeiro com o espaço limitado para pernas e segundo pelo caimento acentuado do teto. Bom para o design, ruim para as cabeças. O bem-estar a bordo é garantido pelos materiais emborrachados e de boa qualidade utilizados pela Fiat. Além disso, não há qualquer sinal de rebarba e as peças são bem encaixadas. Achar uma posição para dirigir é fácil, já que o modelo conta com controle de altura e profundidade do volante e diversas regulagens do banco. O motorista ainda conta com a tecla City – herança do Stilo – que, quando acionada, diminui o peso do volante para facilitar as manobras.

As linhas do Bravo não são novas, tampouco uma unanimidade. Mesmo assim, o porte "atlético" do modelo é capaz de impressionar. É claro que o visual lembra um pouco o Punto, mas de uma forma geral o hatch médio é bem resolvido neste quesito. O problema é que o conjunto visual, motor potente e lista recheada de equipamentos parecem não convencer na hora de comprar o hatch médio. É claro que o modelo também é prejudicado na própria concessionária. Afinal, não deve ser fácil compartilhar as vitrines com Uno, Palio e outros carros com apelos mais populares. O Fiat Bravo merecia companhia à sua altura.

As opiniões expressas nesta matéria são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.
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