O Fiat Palio não é o carro mais potente de sua categoria. Também não é o mais econômico. Está longe de ser o mais seguro e bonito. Isto é, o novo campeão de vendas do Brasil não ocupa o primeiro lugar em quase nenhum dos quesitos passíveis de avaliação do consumidor, mas também não faz feio neles. É aquele tipo de jogador que não faz nada de espetacular, mas encaixa bem em todas as posições.
O WM1 voltou a avaliar a antiquada versão Fire a fim revisar as qualidades e os defeitos do novo líder de vendas do mercado brasileiro. A configuração corresponde à metade dos emplacamentos do modelo (cerca de 92 mil carros no acumulado de 2014), de acordo com a Fiat.
VINTAGE
É impossível não ter a sensação em rodar num carro da década passada. Plásticos rústicos por todos os cantos e acabamento simples dão o tom do carro. O painel de instrumentos e, principalmente, o rádio ampliam esta noção pela austeridade.
Para quem tem desapego por modernidade e tem dinheiro contado para comprar um carro zero-quilômetro, o modelo se adequa bem. Talvez o item mais contemporâneo do veículo seja a conectividade USB do rádio, este, que é opcional por R$ 1.499 em kit com componentes pormenores.
Aliás, o que não falta são opcionais para o modelo que, pelado e com quatro portas, sai da concessionária por R$ 27.560. Ressalta-se que além dos consumidores com pouca grana, o foco está nos frotistas. Com todos os itens disponíveis, o carro sai por R$ 34.901. Os equipamentos extras são direção hidráulica, ar-condicionado, vidros dianteiros e travas elétricas, rodas de liga leve de 14 polegadas, faróis de neblina e o já citado rádio.
LEMBRA DO ECONOMY?
A estratégia para baratear o carro que não à toa levava a alcunha de Economy foi manter o motor 1.0 de 73 cv (g) e 75 cv (e) a 6.250 rpm. Ele tem consumo médio de até 15 km/l com gasolina e na estrada. Com etanol, em perímetro urbano, o propulsor alcança 8,8 km/l. Nada mal.
Em matéria de desempenho, no entanto, o bloco de 9,5/9,9 kgf.m a 4.500 giros é bem tímido. Tarda 13,8 segundos para chegar aos 100 km/h quando abastecido com gasolina. Em suma, é o clássico motor 1.000 ocioso em retomadas e subidas, mas que anda bem quando o motorista guia sozinho (coloque nesta conta as bagagens).
O porta-malas, aliás, suporta 290 litros. O entre-eixos é de 2,37 metros para um comprimento total de 3,82 metros. Nada muito confortável, mas superior ao Uno, o que faz o Palio destacar-se perante o irmão menor.
Falando em corforto (ou falta dele), talvez o maior problema ao guiar o modelo seja a ergonomia. A falta de ajuste de altura de direção e bancos torna a viagem um pouco desagradável ao motorista, ainda mais levando em consideração que o público alvo do Palio Fire são os clientes de centros urbanos. Ficar muito tempo no anda e para é oneroso, ainda mais com a caixa de câmbio de cinco marchas um pouco molenga e imprecisa.
PONTO FRACO
A maior bola nas costas do modelo, entretanto, é o índice de reparabilidade. Isto é, o custo e a facilidade de manutenção do Palio Fire são fatores negativos. Segundo levantamento do índice Car Group do Cesvi, o hatch compacto é o último colocado (12º) de sua categoria em eficiência na reparação.
O preocupante é que não houve evolução do Fire para a última geração do Palio, que é apenas o 11º colocado.