Fiat Stilo 2008 conta com câmbio Dualogic para vender

Apesar de mais caro que o Easytronic, da Chevrolet, sistema, no Stilo, sai por menos


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- Como se sente o dono de um carro novo em folha que não chama a atenção dos vizinhos? Em alguns casos, bem, se a intenção for de discrição. Esse não parece ser o perfil dos compradores do Stilo, pelo menos não dos que a Fiat pretende atrair com o argumento de que ele mantém a vocação esportiva com o câmbio manual automatizado Dualogic. Afinal, uma das qualidades de um modelo esportivo é atrair olhares. E o Stilo 2008 não desperta a menor curiosidade nas ruas.

O aspecto positivo disso é que, ainda que contrarie as intenções da marca, esse jeitão discreto casa bem com a verdadeira força de vendas do carro, a de um modelo já conhecido do público que, agora, oferece a facilidade de um câmbio com trocas automáticas. Cá para nós, quem procura um modelo com câmbio automático ou manual automatizado quer mesmo é o conforto de uma perna sem cãibras no fim do dia, depois de encarar o tráfego pesado das grandes cidades. Basta que o câmbio não seja lerdo nas trocas.

O Stilo tem nisso sua maior vantagem: ele é, hoje, a opções mais em conta do mercado com câmbio manual automatizado. Apesar de o sistema Easytronic, da Chevrolet, ter preço alegado de R$ 2.000, a Meriva Premium sai por R$ 54.314. A opção mais barata do Stilo com câmbio Dualogic, que acrescenta R$ 2.490 ao valor do carro, sai por R$ 53,76 mil.

Isso é mérito do preço do Stilo, não do câmbio, que poderia custar menos. O Easytronic é importado e custa menos, mas também não é nenhuma pechincha. Quando o sistema Free Choice, da Magneti Marelli, foi apresentado, estimava-se que seu preço não iria além de R$ 1.000. O Dualogic se baseia nele. Podia se basear também em sua estimativa de custo.

Vale lembrar que há opções mais baratas, como o Peugeot 206 Automatic, que sai por R$ 49,1 mil, seguido pelo Honda Fit LX CVT, vendido por R$ 50.375. Do Peugeot se diz que seu câmbio de quatro marchas penaliza o desempenho do carro, o que tem todo o jeito de ser verdade. Do Fit, que a segunda geração chega ainda este ano, o que é certeza. Em todo caso, para quem quer ou precisa de um automático, são opções a considerar.

Além do câmbio Dualogic, o Stilo, pelos R$ 53,76 mil, traz também ar-condicionado de duas zonas, computador de bordo, sistema de direção elétrica Dual Drive com modo City, My Car Fiat, toca-CD player com MP3, controlador de velocidade, rodas em liga-leve de aro 16”, Super Lock fecha e abre todos os vidros e o teto solar de uma vez, vidros dianteiros elétricos com anti-esmagamento, travas elétricas nas portas, faróis de neblina, volante com regulagem de altura e profundidade, revestimento interno em veludo, banco traseiro bipartido, banco do motorista com regulagem de altura e duplo porta-luvas sendo o superior refrigerado. A quantidade de itens de série, excelente, será outro fator de sedução do consumidor.

Em termos de aparência, as maiores mudanças dizem respeito aos detalhes cromados nos borrachões das portas, os retrovisores com repetidores de direção, o novo párachoque dianteiro, vincado, a nova grade dianteira, vermelha e chamativa, na versão Sporting e as lanternas diferentes. Só os realmente apaixonados por carros notam as diferenças.

A sutileza das mudanças evidencia que o investimento nelas foi comedido. Bom sinal: se a Fiat tivesse empetecado muito o Stilo, isso poderia significar que o hatch teria de agüentar muito tempo no mercado pela chegada do Bravo. Como mexeu pouco nele, a espera pelo novo modelo deve ser breve. Amém!

Em movimento

Com isso em vista, o que o carro traz de mais significativo em relação ao modelo anterior é realmente a oferta do Dualogic. Repisando no assunto, que já tratamos tantas vezes por aqui, o Dualogic é, na verdade, um câmbio manual automatizado. Isso significa que ele tem embreagem, mas não tem pedal. Que tem trocas de marcha convencionais, mas sem alavanca de câmbio.

Para quem dirige, a interface é quase igual à de um câmbio automático. Todo o processo é feito por um sistema eletrônico que aciona a embreagem e engata a marcha adequada, quase como se realmente houvesse um robô responsável pela tarefa. No caso do Dualogic, o atuador é eletro-hidráulico. O do Easytronic, fabricado pela Luk, é puramente elétrico.

Ambos têm cinco marchas e dois modos de condução: totalmente automático e manual. Basta um toque para a esquerda, na alavanca, para que o motorista possa selecionar que marcha ele quer. As trocas seguem um sentido inverso: enquanto as reduções, no Easytronic, são para trás, no Dualogic elas são para a frente. Uma diferença sutil, que a Fiat quis ressaltar como uma grande vantagem de seu sistema.

É no “modo de agir”, digamos assim, que eles se distanciam. O Dualogic não oferece um modo manual verdadeiro. Se a rotação do motor cai, ele reduz. Se sobe muito, o câmbio não vai para a marcha seguinte. Como ocorre com o Easytronic. A marcha selecionada pelo motorista se mantém o tempo inteiro. Se o giro subir, ele simplesmente corta o motor, mantendo-o na rotação máxima. É evidente que existe o risco de alguma criatura dirigir o tempo todo em primeira marcha. Honestamente, azar dela. Modo manual é manual e pronto. Para trocas automáticas, basta uma puxadinha na alavanca.

As trocas no Dualogic se assemelham às do Easytronic: são suaves quando a aceleração é suave, mas perceptíveis quando se pisa fundo. A sensação é que o carro dá uma cabeçada no intervalo entre uma marcha e outra. Nada incômodo. Apenas um novo tipo de reação do carro para aprender.

O restante das percepções de direção é mais ligado ao Stilo, em si, que ao Dualogic. Para um carro com pretensões esportivas, o hatch da Fiat tem banco muito alto e com regulagem muito limitada, ou seja, não é possível baixá-lo além de um determinado ponto. Se agrada às mulheres, pela maior visibilidade no trânsito, incomoda os mais altos, que ficam com a cabeça muito perto do teto. Fora isso, as outras questões de ergonomia, como volante regulável em distância e altura, são bem resolvidas.

A direção é leve e meio anestesiada, algo muito ligado ao sistema de assistência, elétrica, mas permite reações adequadas. Poderia ser mais “comunicativa”, dando ao motorista uma dimensão melhor do piso e das condições de rodagem, mas nada que comprometa.

Em suma, o Stilo se tornou mais interessante com a oferta do câmbio Dualogic, mas isso ainda não é suficiente para enfrentar a concorrência, que vem se renovando com mais agressividade. Este ano chegam o novo Ford Focus, o Renault Mégane hatch e o Citroën C4 quatro portas; para os próximos, há promessas, como a do VW Golf de sexta geração. A Fiat tem o Bravo na manga. Resta saber quando vai colocá-lo na mesa.

FICHA TÉCNICA – Fiat Stilo 2008


MOTORES Quatro tempos, quatro 1.8 e cinco 2.4 cilindros em linha, transversais, duas 1.8 e quatro 2.4 válvulas por cilindro, comando simples 1.8 e duplo 2.4 no cabeçote, flexível em combustível 1.8, refrigeração a líquido, 1.796 cm³ 1.8 e 2.446 cm³
POTÊNCIAS114 cv álcool/112 cv gasolina a 5.500 rpm e 167 cv a 5.750 rpm 2.4
TORQUES 18,5 kgm álcool/17,8 kgm gasolina a 2.800 rpm e 22,8 kgm a 3.500 rpm 2.4
CÂMBIOS Manual de cinco velocidades e manual automatizado Dualogic de cinco velocidades só para o motor 1.8
TRAÇÃODianteira
DIREÇÃO Com assistência elétrica, por pinhão e cremalheira
RODAS Dianteiras e traseiras em aro 16” ou 17”, de liga-leve
PNEUS Dianteiros e traseiros 205/55 R16 ou 215/50 R17
COMPRIMENTO 4,25 m
ALTURA 1,54 m
LARGURA 1,76 m
ENTREEIXOS 2,60 m
PORTA-MALAS 350 l a 430 l, com os bancos traseiros recuados
PESO em ordem de marcha 1.230 kg a 1.330 kg
TANQUE58 l
SUSPENSÃO Dianteira independente, tipo McPherson; traseira com eixo de torção
FREIOS Discos na dianteira e tambores na traseira nos 1.8 e discos na traseira no 2.4
CONSUMO Consumo urbano 1.8 de 8,2 km/l álcool/11,2 km/l gasolina e 2.4 de 10,6 km/l; consumo rodoviário de 1.8 de 12 km/l álcool/16,3 km/l gasolina e 2.4 de 13,8 km/l
PREÇOR$ 51,27 mil 1.8 Flex; R$ 53,76 mil1.8 Flex Dualogic, R$ 59,44 mil 1.8 Sporting Flex; R$ 61,93 mil 1.8 Sporting Dualogic Flex; R$ 90,2 mil Abarth


Colaborou Rodrigo Samy
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