- A Ford resolveu traçar uma nova estratégia para o Edge no Brasil. E para isso aproveitou o face-lift do crossover médio-grande, que estreou em fevereiro lá fora e agora chega ao mercado brasileiro. A marca norte-americana transformou a até então versão única, a SEL, em configuração de entrada. E por um preço de R$ 122.100, bem “mais camarada “ que os R$ 150 mil pedidos no lançamento. Aliás, nesta época o Edge já começava por aqui de forma conturbada. O modelo foi lançado no meio da crise financeira de setembro de 2008, mas só começou a ser vendido por aqui, de fato, em janeiro de 2009. Essa equação se reflete nas vendas até hoje: apenas 60 unidades mensais.
Obviamente, a Ford não tem ilusões em alcançar um volume importante com o seu requintado utilitário esportivo canadense. Mas a mudança, pelo menos, trouxe o veículo para a realidade. E o aproxima de versões top de crossovers médios a gasolina. O Edge SEL pode disputar mercado com modelos como o Hyundai ix35 GLS 2.0 4X4, Jeep Cherokee Limited, Mitsubishi Outlander 3.0, Suzuki Grand Vitara 4WD 3.2 e Volkswagen Tiguan 2.0 TSI – com preços entre R$ 115 e R$ 130 mil. Já a nova top Limited, por R$ 133.910, briga com rivais “originais”, como Toyota Hilux SW4 SRV V6, Kia Mohave EX 3.8 V6 e Mitsubishi Pajero Full HPE 3.8 – de R$ 135 mil e R$ 150 mil.
Para buscar maior competitividade, a marca aposta na robustez tradicional do Edge, que ganhou um ar levemente mais arrojado no face-lift. Na frente, o crossover recebeu capô elevado e com uma protuberância ao centro, que o deixou ainda mais imponente. O conjunto frontal refinou um pouco o estilo Bold, tendência de design dos veículos da marca para o mercado ianque, como o Fusion, e até adotou elementos do estilo Kinetic – a escola europeia da marca, com o New Fiesta e o Focus. Os faróis trocaram o estilo horizontal e retilíneo por contornos pontiagudos e irregulares. A grade dianteira ficou ainda mais agressiva, com barras horizontais inclinadas e mais separadas. Na traseira, poucas mudanças: o spoiler ficou mais saliente, as lanternas ganharam seções de luzes mais limpas e perderam as molduras cromadas e uma barra cromada na parte superior da tampa traseira dá sustentação à logomarca da Ford incrustada ali.
Na parte de equipamentos, o Edge sofreu um up-grade. Só que quase tudo reservado para a versão top. O quadro de instrumentos na Limited dispõe do MyFord Touch, composto de telas de LCD configuráveis. Ou seja, através de botões no volante ou por comando de voz, o motorista define as informações que serão exibidas nas duas telas de 4,2 polegadas, ao lado do velocímetro analógico. Na segurança, o crossover mais completo ganhou sensor de ponto cego e alerta de tráfego cruzado – que alerta para carros que se aproximam perpendicularmente. Ao mesmo tempo, a linha ganhou chave MyKey, que permite configurar o carro caso outra pessoa vá usá-lo, como limitar velocidade e até o volume do rádio.
O modelo mantém a lista de equipamentos farta, que inclui o sistema multimídia Sync com tela sensível ao toque, duas entradas USB, SD card e Bluetooth, ar dual zone, direção elétrica, trio, seis airbags, controles de estabilidade e de tração, ABS e EBD, alarme, monitoramento dos pneus, controle de cruzeiro, bancos dianteiros com regulagens elétricas, sensor de obstáculos, entre outros. A versão Limited ainda incorpora um sistema de áudio da Sony com 12 alto-falantes e 390 W de potência RMS. O sistema de abertura e fechamento automático da tampa do porta-malas, que antes vinha de série na SEL, agora é exclusiva da derivação top. A Limited traz ainda sistema de partida sem chave, rodas aro 20, sensor de chuva, memória para os bancos e detalhes diferenciados no acabamento. Com o único opcional, o teto panorâmico, vai a R$ 142.610.
Sob o capô, o motor 3.5 V6 recebeu aprimoramentos. Ganhou comando duplo variável de válvulas na admissão e no escape e a potência saltou de 269 cv para 289 cv a 6.500 rpm. O torque máximo passou de 34,6 kgfm para 35,7 kgfm a 4 mil giros. A unidade de força trabalha em conjunto com a mesma tração integral e com a mesma transmissão automática de seis velocidades, agora com opção de mudanças manuais sequenciais na alavanca do câmbio.
Primeiras impressões: interagir é preciso
São Paulo/SP – Antes mesmo de apertar o botão start que aciona o motor, a interatividade da versão Limited do Ford Edge já exige atenção. As diversas configurações possíveis extrapolam, e muito, as clássicas regulagens de posicionamento de volante, banco, espelhos. No Edge, opta-se também por características do ambiente. Tudo feito de forma bastante intuitiva. No caso do quadro de instrumentos, por exemplo, pode-se definir que informações ficarão expostas. Pode ser o consumo instantâneo, através de um pequeno gráfico, o conta-giros, temperatura exterior ou até informações do som.
No renovado sistema multimídia Sync, a conectividade do Edge 2011 fica ainda mais em evidência. A tela de touch screen aumentou para 7 polegadas e nela é possível manusear diversas funções agrupadas por cores: verde para informações sobre o carro, azul para o sistema de ar-condicionado, vermelho para o entretenimento e amarelo para o celular e o viva-voz Bluetooth. As funções são muitas, é verdade, o que demanda algum tempo para o condutor se acostumar. E peca pelo comando de voz ainda não disponibilizar o sistema em português – apenas em espanhol, francês e inglês. Um outro destaque ainda na vida a bordo do Edge em sua nova configuração top é o sistema de som da Sony, com acabamento em black piano e células de toque. Ou seja, basta encostar o dedo no comando, sem a necessidade de apertá-lo.
Depois de se entreter, é possível desfrutar do desempenho do Edge. Os 20 cv a mais no motor V6 do crossover canadense aumentaram a disposição do modelo, principalmente nas arrancadas. O SUV responde bem às investidas no pedal do acelerador e o câmbio de seis velocidades muito bem acertado entrega uma performance sem delays ou buracos entre uma marcha e outra. O test drive feito no trânsito pesado da cidade de São Paulo não permitiu uma maior avaliação quanto ao comportamento dinâmico. Já o conforto é garantido pelos bancos espaçosos e pelos assentos dianteiros com ajustes elétricos. O acabamento na versão Limited ostenta um couro mais claro, que reforça o requinte, e os materiais e forrações agradam ao toque e aos olhos.
Também não foi possível avaliar o isolamento acústico, um dos pontos fracos do crossover, mas a Ford garante que melhorou este quesito com a adoção de espumas nas caixas de rodas, para-brisa e vidros laterais acústicos e novas forrações no carpete e no teto que prometem filtrar melhor os ruídos de fora. No consumo, a Ford afirma que o Edge 2011 está 10% mais econômico devido a melhorias no conjunto mecânico, como cortes de combustível mais rápido nas desacelerações, pneus de baixa resistência e redução da marcha lenta de 620 rpm para 600 rpm, entre outros. No test drive bastante congestionado, o computador de bordo do modelo testado anotou média de 6,3 km/l no tráfego intenso, enquanto a Ford fala em uma média combinada de 10,1 km/l.
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