Ford Fiesta 1.0 Flex

Esqueça a gasolina, leitor; o Flex da Ford gosta é de álcool


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- Quem leu a reportagem Ford Fiesta 1.0 Flex, escrita no lançamento do motor 1-litro flexível em combustível da Ford, em agosto deste ano, tem a certeza de que o melhor combustível para ser usado com o novo motor é a gasolina. Afinal, era a essa conclusão que a reportagem levava. Pois esqueça os cálculos frios, leitor. A verdade é que o Fiesta 1.0 Flex só gosta de álcool. E é com ele que o carrinho se dá bem.

Isso significa que a reportagem anterior está errada? Não. Os cálculos apresentados por ela, sobre que combustível oferece a melhor relação entre custo e benefício, se baseiam nos números de consumo fornecidos pela fábrica. Então seriam os números que estariam errados? Também não. Eles foram obtidos segundo métricas bem estabelecidas, normatizadas, ou seja, são confiáveis de um ponto de vista científico.

A questão é que esses números seguem condições de laboratório, com uma altitude específica nível do mar, uma velocidade definida e constante e outros requisitos que precisam ser seguidos para que os resultados sejam validados. Só que o dia-a-dia é bem diferente do que essas normas de consumo estabelecem. E foi isso que esse teste comprovou.

Segundo os números divulgados pela fábrica, com álcool o Fiesta anda, na estrada, apenas 61,64% do que andaria com gasolina. Na cidade, essa relação cresce para 66,67%. Trocando em miúdos, se na estrada o Fiesta fizesse 10 km/l com gasolina, com álcool ele faria 6,16 km/l; na cidade, se o Fiesta andasse a mesma coisa com combustível fóssil, com o vegetal ele chegaria a 6,66 km/l.

Mas, como diz o ditado, na prática a teoria é outra. Avaliado pelo WebMotors em circuito misto, ou seja, na cidade e na estrada, o consumo do Fiesta se mostrou bem melhor com álcool. Usando gasolina, foi gasto um tanque inteiro, ou 45 l, para percorrer 250 km. E gastando até a última gota. O consumo, neste caso, ficou em 5,5 km/l. Para percorrer os mesmos 250 km, utilizando etanol, o Fiesta gastou três quartos de tanque, ou cerca de 34 l, o que daria uma média de consumo de 7,4 km/l.

E por que isso aconteceu? Simples: com gasolina, o Fiesta tem um desempenho que obriga o motorista a treinar a gentileza no trânsito. Afinal, até ele embalar todos os carros que estão em volta já conseguiram entrar em sua frente.

Quem não se conforma muito com a situação tem de andar com o motor, no mínimo, acima dos 4.000 rpm. As trocas de marcha, com gasolina, têm de se dar sempre em 5.500 rpm ou mais e não é raro passar do limite de giro do motor e senti-lo engasgar com o corte de injeção. O preço é um consumo de carro com motor V8 com desempenho inferior ao de um bom 1-litro.

Em movimento, o Fiesta com gasolina dá permanentemente a sensação de que está com algum defeito ou com combustível de má qualidade, o que não era o caso, visto que ele usava gasolina fornecida pela própria Ford.

Nas acelerações, o motor rende menos do que deveria ou dá a impressão de falhar. Não se trata de falha, mas de ajuste no ponto de ignição, ordenado por conta de todos os sensores com que o carro é equipado, em especial o “knock sensor”, ou sensor antidetonação. Com gasolina, a taxa de compressão de 12,8:1 motivaria batidas de pino, e a quebra do motor, seguidas vezes sem os tais sensores.

Em subidas, a embreagem sofre por conta do giro alto a que o motor tem de ser submetido para reagir e é bem capaz de ter de ser trocada prematuramente, bem antes dos 60 mil km regulamentares, se o combustível utilizado for o derivado de petróleo.

Terminado o tanque, o reabastecimento é feito com álcool e, cerca de 10 km depois, parece que o Fiesta foi trocado por outro carro. Apesar de 1-litro, ele passa a se comportar direitinho, dentro daquilo que se pode esperar dele: sobe ladeiras sem maltratar a embreagem, acelera, ultrapassa e passa confiança ao motorista.

E é só então que se nota as boas qualidades do carro, como a suspensão bem acertada, o bom espaço interno e o excelente porta-malas, de 305 l, o maior de sua categoria. Com os bancos rebatidos, é possível carregar objetos grandes, como uma máquina de lavar, em seu interior. E, com etanol, sem medo de que o carro possa deixar o motorista para trás.

Com o álcool também é possível treinar a urbanidade, mas de forma voluntária. Se o folgado voltar a aparecer, pode deixá-lo para trás, tentando furar a fila na frente de outro motorista qualquer.

Mesmo em lugares onde o álcool custa caro, como os estados da região Norte, não vale a pena encher o tanque do Fiesta 1.0 Flex com gasolina, apesar dos números de consumo fornecidos pela Ford.

Faça você mesmo os cálculos de consumo com cada combustível, de acordo com seu estilo de direção, e avalie como seu carro anda com cada um, para tirar a prova. Talvez seu estilo de dirigir lhe traga melhores resultados com gasolina, especialmente se sua cidade for absolutamente plana e se você utilizar o carro sempre vazio, sem passageiros ou carga. Em qualquer outra situação, podemos apostar: em nome do prazer ao dirigir, você certamente optará pelo etanol. Seu bolso, e a natureza, agradecerão.

DERRAPAMOS: Ao contrário do que dizíamos, o sensor antidetonação atua no motor atrasando ou adiantando o ponto, não na injeção de combustível. O texto já foi corrigido


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