Ford Fusion

Bom preço e muito espaço se fundem


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- Logo que começou a ser importado, o Mondeo conquistou um bom número de fãs, mas mudanças tarifárias e de aparência não fizeram bem ao sedã, diminuindo sua participação de mercado até os níveis atuais, bem abaixo dos que a Ford poderia ter. E justamente na geração mais bonita até agora, penalizada por um motor fraco para o peso do veículo e por um câmbio automático de quatro marchas de respostas lentas. Para resolver a questão, a fabricante americana resolveu fundir um preço competitivo a uma oferta de espaço melhor que a do Mondeo. O nome do novo carro não poderia ser melhor: Fusion lê-se fíugian, fusão, em inglês.

No que se refere a preço, o do Fusion rompe a barreira da inacessibilidade: R$ 79.990,00. Não é nem um valor que assuste aos interessados nas versões mais sofisticadas do Chevrolet Vectra R$ 84.159,00 na Elite e do Toyota Corolla R$ 78.060,00, a SE-G nem significa que o sedã seja um carro básico, muito pelo contrário. O Fusion tem um nível de equipamentos de série equivalente e até superior, em alguns casos, ao dos concorrentes. Estão incluídos condicionador de ar, direção hidráulica, acendimento automático dos faróis, seis airbags frontais, laterais e de cortina, para motorista e passageiro, bancos com regulagem elétrica e revestimento em couro, freios ABS, computador de bordo, câmbio automático, toca-CD com leitor de MP3 e capacidade para seis discos e controlador de velocidade, para ficar nos itens principais. O único opcional é o teto solar. Com ele, o preço pula para R$ 84.890,00.

Mas é quando chegamos ao quesito espaço que o Fusion se destaca. O carro tem 4,83 metros de comprimento e um entreeixos de 2,73 m, apenas 1 cm menor que o do Honda Accord, cuja versão LX 2-litros concorre diretamente com ele – sedãs médio-grandes, enquanto o Corolla é um médio-compacto; o Vectra tem entreeixos de médio-grande, mas comprimento de médio-compacto.

No porta-malas do novo Ford, o maior entre os concorrentes, há espaço para 530 litros de bagagem, quatro a mais do que o do Vectra, e o banco de trás acomoda três passageiros com conforto. Isso mesmo quando o motorista tem mais de 1,80 m e faz questão de ajustar seu banco da maneira mais confortável possível.

Os dados apontam uma superioridade evidente do novo sedã diante da concorrência, mas nada disso importaria se não viesse num pacote vistoso. E foi isso que a Ford conseguiu: criar um carro muito bonito de se ver, ainda mais ao vivo. As fotos transmitem só uma vaga idéia do que é o Fusion. É o contato pessoal que dá a dimensão do belo desenho das rodas de liga-leve de aro 17, fazendo pares com os pneus 255/50 da Michelin, também de série, da grade cromada, da linha de cintura alta e do estilo moderno e imponente do carro.

Apesar de grande, o novo Ford é fácil de manobrar. Seu capô é longo, mas ainda assim permite que o motorista tenha completa visão do que acontece à sua frente, diferentemente do que ocorre com o Peugeot 407, por exemplo – que apesar do belo desenho, tem a dianteira muito longa e a linha do pára-brisa muito alta, o que atrapalha em manobras.

Em movimento, o Fusion desliza com elegância. No lançamento, ele contou com o asfalto bem cuidado da cidade de Florianópolis para mostrar ótimo comportamento, mas alguns trechos calçados com paralelepípedos permitiram notar o bom acerto de suspensão, com excelente compromisso entre conforto e sensibilidade do volante. Independente nas quatro rodas, a suspensão traz na dianteira braços assimétricos sobrepostos e a moderna configuração multibraço na traseira.

O mais surpreendente é que o Fusion não sofreu alterações para vir para o Brasil, ou seja, a suspensão não foi elevada, nem houve reforços na estrutura. Afinal de contas, ele teve um desenvolvimento conjunto realizado por engenheiros brasileiros, americanos, japoneses e mexicanos. A única mudança em relação aos carros vendidos no Canadá, no México e nos EUA foi a recalibração do sistema de injeção eletrônica, para lidar com os 20% de álcool misturados à nossa gasolina.

A parte japonesa do carro se deve à Mazda, que desenvolveu a plataforma que o carro utiliza, a mesma do Mazda 6, e a transmissão automática, de cinco marchas muito bem escalonadas. Simplificado, o câmbio traz apenas os comandos básicos de qualquer automático P, N, R e D e mais um, L de low, ou baixa, que pode ser usado em trechos que exijam marchas mais reduzidas para poupar os freios, como numa descida de serra. Na avaliação, essa opção se mostrou desnecessária.

No curtíssimo trajeto de avaliação do veículo, que infelizmente vem se tornando uma tradição em eventos deste tipo, não houve nenhuma situação em que, ao ser exigido, o câmbio tenha demorado a responder. As reduções de marcha ocorreram em seu devido tempo, sempre obedientes ao comando de kick-down. De todo modo, a melhor avaliação é sempre aquela realizada em condições familiares ao motorista, o que faremos tão logo a Ford disponibilize o carro para testes.

Ainda que rapidamente, o Fusion conseguiu mostrar que o câmbio de cinco marchas está muito bem casado com o motor de quatro cilindros, 2,3-litros 16V de 162 cv a 6.500 rpm, o mais potente da categoria. O do Accord, um quatro-cilindros de 2 litros, rende 150 cv, a mesma potência que a Chevrolet conseguiu extrair de seu 2,4-litros com álcool que equipa o Vectra. O torque é de 20,7 kgm a 4.500 rpm, rotação alta característica comum a motores multivalvulados, mas que não afeta a agilidade deste sedã de 1.523 kg em ordem de marcha.

O bloco de alumínio e a concepção moderna do propulsor também o tornam muito econômico, segundo a fábrica, que indica um consumo de 9,8 km/l na cidade e de ótimos 14,6 km/l na estrada. Aliado ao tanque de 66,24 litros de gasolina, o Fusion poderia ter uma autonomia de quase 1.000 km em estrada, mas a Ford, realista, aponta que ele chega a andar 800 km com um tanque cheio. Autonomia é o ponto mais fraco do Vectra, que tem um motor de concepção mais antiga, um tanque pequeno e é mais beberrão.

O desempenho é bom para o carro. O Fusion acelera até os 100 km/h, partindo da imobilidade, em 10,3 segundos, chegando à velocidade máxima, limitada eletronicamente, de 180 km/h. Sem a limitação, segundo a fábrica, ele chegaria aos 207 km/h. Interessante é que, mesmo com esses números, o novo sedã da Ford dá a impressão de que poderia andar mais.

O carro está em regime de pré-vendas, mas as primeiras unidades só serão entregues em junho. A Ford afirma que o lançamento foi feito com toda essa antecedência porque o consumidor deste tipo de veículo deve ser trabalhado, saber que vantagens o novo produto oferece, mas pode-se aliar a essa explicação a preocupação com o próximo lançamento da Honda, o novo Civic, a ser realizado nos próximos dias. Antecipando-se a ele, a Ford consegue uma atenção maior para seu novo veículo de luxo. Cá para nós, o Fusion merece toda a atenção daqueles que estiverem dispostos a gastar R$ 80 mil em um novo carro, sob pena de arrependimentos futuros.

Gustavo Henrique Ruffo viajou a convite da Ford

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