Mustang Mach1 No Velocittà

Ford Mustang Mach1 na pista: um sonho realizado!

Aceleramos a nova versão do muscle car que custa R$ 523.950 e tem dinâmica de carro de corrida, com luxo e exclusividade

    • Desempenho
    • Desempenho
    • 56,7/4900 kgfm/rpm
    • Consumo Gasolina
    • Consumo Gasolina
    • Cidade: 5,9 km/litro
      Estrada: 8,9 km/litro
    • Consumo Álcool
    • Consumo Álcool
    • Cidade: N/A
      Estrada: N/A
    • Porta Malas
    • Porta Malas
    • 328 litros
    • Câmbio
    • Câmbio
    • N/A
9.5

Overview

Muscle car passa a ser vendido no Brasil somente na configuração Mach1, que homenageia a versão de mesmo nome dos anos 1960 e tem motor V8 mais forte.


  • + Apelo
  • + Design
  • + Exclusividade
  • + Tecnologia
  • + Dinâmica de carro de corrida
  • - Preço
  • - Espaço interno traseiro
  • - Porta-malas
 
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Hoje vou descrever para vocês um sonho. Sabe aquela história que os amantes de automóveis têm o desejo de vivenciar para poder contar para os netos? Foi isso que vivi no começo desta semana ao guiar o novíssimo Mustang Mach1 no autódromo Velocittà, em Mogi Guaçu (SP). Entre comigo nesta emoção e se prepare para os 10 minutos mais alucinantes da minha vida.

Sou suspeito para falar de Mustang. Sou suspeito para falar de muscle cars de modo geral, como muitos sabem, até pela coluna sobre o tema que tenho aqui no WM1. Sou apaixonado por esse tipo de carro desde que me entendo por gente. Mas fui escalado para cobrir esse lançamento, então agora vocês aguentem meu amor e toda a admiração que tenho pelo esportivo da Ford.

Vocês têm noção do que eu fui fazer no interior de São Paulo? Exatamente, fui guiar o Ford Mustang Mach1 em uma pista homologada pela FIA! A nova versão, que chegou ao mercado brasileiro em abril para substituir a antiga configuração Black Shadow, custa hoje R$ 523.950, grana que faz o carro ser ainda mais exclusivo - o principal rival, Chevrolet Camaro, vale atualmente cerca de R$ 400 mil.

Ford Mustang Mach1, a origem

O sobrenome Mach1, para quem não se lembra, representa uma das versões mais emblemáticas do Mustang em toda a sua história - o nome remete à velocidade do som, de exatos 1.234 km/h. Essa alcunha surgiu pela primeira vez em agosto de 1968, como linha 1969, durou até 1978, reapareceu entre 2003 e 2004, na quarta geração, e retorna agora em 2021.

Aliás, o grande barato do Mach1, desde o modelo clássico, era justamente a ampla possibilidade de personalização. Naquela época o comprador podia ajustar o esportivo à sua maneira e escolher vários tipos de equipamentos - como se fosse o "monte o seu" que a gente vê hoje em dia nos sites dos fabricantes, só que de um jeito muito mais analógico...

 

Mas o que explica esse aumento de preço do Mustang Black Shadow 2020 para o atual? Além da oscilação cambial, uma das coisas que justifica é o fato de que o Mach1 é o que podemos chamar de carro de colecionador, o que certamente aumenta bastante o interesse que há sobre ele - a edição será limitada até a Ford definir qual será a próxima variante a ser importada.

Tem mais: a Ford diz que o muscle car é uma "ponte" entre o Mustang GT tradicional e as versões preparadas pela Shelby, as GT350 e GT500, justamente por utilizar vários equipamentos desses modelos mais nervosos. E além de tudo é mais forte que o próprio Black Shadow - que tinha 466 cv e custava perto de R$ 380 mil. Vou listar agora para você todas as diferenças.

Mustang Mach1 No Velocittà
Mustang Mach1: nunca vou esquecer do dia em que acelerei o muscle car em um autódromo homologado pela FIA
Crédito: André Deliberato/WM1

Black Shadow e Mach1: o que muda mecanicamente

Vamos começar pelo motor: V8 Coyote, clássico, tradicional, aspirado e dianteiro, tem agora 483 cv, e não mais 466 cv. O torque é o mesmo, de 56,7 kgf.m, mas para aguentar a potência maior uma série de componentes foram trocados.

Anote aí: a caixa de câmbio automática de dez marchas recebeu novo conversor de torque; o sistema de indução de ar veio do Mustang Bullitt, que usa esse mesmo motor; há novos radiadores de motor e câmbio, além de inéditos corpo de borboleta e coletor de admissão - todos vindos do Shelby GT350; e o sistema de escape, difusor traseiro, e braço e a bucha da suspensão traseira vêm do Shelby GT500.

Para muita gente isso que falei são meros número e dados quase que insignificantes. Mas como eu disse, tive a oportunidade de realizar um sonho e testar isso na prática. É hora de pisar fundo!

Ford Mustang Mach1
Mustang Mach1 tem motor V8 de 483 cv e 56,7 kgf.m de torque e caixa de câmbio automática de dez marchas
Crédito: Divulgação

Como anda o Mustang Mach1

Hora de afundar o pé. Acelerador no talo na saída dos boxes do Velocittà e na primeira arrancada o Mach1 já me leva a 167 km/h. Freio, diminuo a intensidade e entro na primeira curva. Estou a 123 km/h, mas pareço estar a 60 km/h. Vou um pouco mais adiante, entro na segunda curva à esquerda a sensação se repete. Fica o aviso: na próxima vez que passar por aqui, posso entrar mais forte.

Chego perto da primeira curva à direita e preciso diminuir o ritmo devido a uma chicane criada pela turma da Ford. Passo devagar, faço a curva a uns 50 km/h, avanço mais um pouco e afundo o pé na primeira curva de subida, à esquerda. É nesse momento que sinto bastante duas coisas: a primeira é a tendência do Mustang de escapar de traseira, perfeitamente controlada pelos sistemas eletrônicos de tração e estabilidade; a segunda é a sensação de segurança que esse conjunto oferece.

Embora o Mach1 seja um devorador de asfalto graças ao V8 voraz e ao câmbio extremamente bem encaixado, os itens de segurança comandam com maestria a trajetória do carro na pista.

Mach1 é um meio termo entre a versão GT tradicional e a linhagem mais esportiva da Shelby
Crédito: Divulgação

Afundo o pé na subida, mas uma chicane e depois uma curva em flat à direita - flat é o termo que pilotos e automobilistas usam para o caso de curvas com o pé socado no acelerador, sem que seja necessário frear antes. Nessa subida, o Mach1 chega à 150 km/h de maneira visceral. É muito rápido, como pede a filosofia dos muscle cars, com a diferença de que esse carro sabe fazer curva.

Mais uma chicane lá em cima, outra curva à esquerda a uns 80 km/h, tendência de sobresterço totalmente controlada pelos computadores e chega a hora da primeira descida, com mais uma chicane lá no final. Alcanço 200 km/h antes de frear forte e acionar os freios ABS, que têm pinças da grife Brembo e são extremamente eficientes.

Faço a chicane e desço o "S" na parte final do autódromo de maneira mais pacata. Curva para a esquerda e depois mais duas para a direita, sempre em velocidades próximas à 80 km/h, até terminar o traçado e chegar à reta principal - o único lamento é ver a chicane sobre a linha quadriculada, o que impediu que o Mach1 ultrapassasse 240 ou até 250 km/h - a velocidade máxima é de 300 km/h.

Como a maior reta do Vellocittà foi dividida em duas, deu para chegar à 170 km/h nos dois trechos.

Modelo tem mudanças visuais quando comparado ao Black Shadow: repare como a traseira é mais invocada
Crédito: Divulgação

Primeira volta finalizada, hora da segunda. Resolvo abusar e entrar mais forte em todos as curvas para ver até onde o carro consegue chegar - e pode ter a certeza de que os sistemas de segurança trabalham em todas elas, porque em pelo menos duas ou três, principalmente na de antes da subida, dava para sentir a traseira do esportivo com vontade de passar à frente da dianteira.

Faço uma volta ainda mais nervosa e tenho comprovação de que o Mustang Mach1 é, hoje, um carro totalmente viável para as pistas e para as ruas: além de superesportivo, é macio, confortável e super equilibrado, por mais que esse equilíbrio não seja transmitido pelo visual. Depois aproveito a última volta para conferir os features internos.

Design e detalhes da versão especial

Visualmente, os vincos da carroceria são contornados por adesivos em cores diferentes, dependendo da pintura do Mach1. Na frente, dois círculos na parte de dentro da grade reforçam o apetite do carro por velocidade, ainda que sejam apenas estéticos - são, também, homenagens aos primeiros Mach1 dos anos 1960. Para-choques e rodas também são novos, assim como saias e spoilers.

Na traseira, há saídas duplas de escapamento maiores e cromadas (no Black Shadow elas eram menores e pretas) e o logo "GT" dá lugar ao símbolo da série "Mach1", que é numerada. A asa traseira que era mais alta foi trocada por uma integrada à tampa do porta-malas e os bancos também são inspirados no Mach1 dos anos 1960, com couro frisado e uma listra colorida no topo do acabamento.

Muscle car tem o mesmo formato de painel que as outras versões, mas essa edição é limitada e numerada
Crédito: Divulgação

O carro é lindo, invocado e tem um ronco maravilhoso, que pode ser controlado por meio da central multimídia. São quatro intensidades: silencioso, normal, esportivo e pista, além de sete modos de condução. Como sei disso? Quando minhas quatro voltas acabaram, fiquei pelo menos uma hora "namorando" o Mach1 lá nos boxes.

O carro não é apenas insano de guiar, mas também é super moderno: oferece sistemas semi-autônomos de condução em um estágio mais avançado e vem de série com assistente de permanência em faixa com corretor automático, detector de fadiga, alerta de colisão com detecção de pedestres e sistema de frenagem de emergência.

Fora isso, traz uma série de equipamentos que um carro de meio milhão precisa ter, como sensor de ponto cego, de chuva e crepuscular; oito airbags; câmera de ré; sensor de monitoramento da pressão dos pneus; assistente de partida em rampa e farol alto automático.

Dentro, vem com quadro de instrumentos digital com tela de 12 polegadas configurável para cada modo de condução (com medidor de tempo de volta, torque, potência e arrancada de 0 a 100 km/h) e ainda traz a excelente central multimídia com tela tátil e o Sync de última geração, que também pode espelhar a tela do celular via CarPlay e Android Auto e recebe comandos de voz.

Esportivo traz os mesmos bancos frisados com faixa colorida no topo que o modelo dos anos 1960
Crédito: Divulgação

Conclusão

No fim do dia, sinto saudades de guiar o carro antes mesmo de ir embora do autódromo. E fico pensando: o preço de R$ 524 mil parece intimidador, mas certamente não assusta o público alvo do carro, que é fiel e já emplacou mais de 115 unidades desde a estreia do modelo por aqui, em abril.

Quem é fã de Mustang sabe do que esse carro é capaz e não mede esforços financeiros para levar uma unidade para casa. Acha caro? Pois saiba que R$ 525 mil, hoje, é investimento... Já que daqui alguns anos esse carro vai valer muito mais. Para outros tipos de fãs, como é o meu caso, ele não deixou de ser um sonho. E uma história incrível que contarei para meus filhos e netos.

Ancora: Conclusão Score

Ficha Técnica

FORD - MUSTANG - 2021
5.0 V8 TI-VCT GASOLINA MACH 1 SELECTSHIFT
R$ 523950

Motor / Desempenho / Consumo +

  • Cilindrada (litros)
  • 5.0
  • Cilindrada cm³
  • 5037
  • Disposição dos cilindros
  • V
  • Número de cilindros
  • 8
  • Taxa de compressão
  • 12:1
  • Número de válvulas por cilindro
  • 4
  • Comando de Válvulas
  • DOHC
  • Comando de válvulas variável
  • Sim
  • Alimentação
  • Aspirado
  • Nomenclatura do motor (comercial)
  • Coyote
  • Potência (cv/rpm)
  • 483/7250
  • Torque (kgfm/rpm)
  • 56,7/4900
  • Velocidade máxima (km/hora)
  • 250
  • Aceleração 0-100 km/h (segundos)
  • 4,3
  • Consumo cidade (km/litro) - Combustível 1
  • 5,9
  • Consumo estrada (km/litro) - Combustível 1
  • 8,9
  • Fonte consumo
  • INMETRO

Transmissão +

  • Transmissão
  • Automática
  • Número de marchas
  • 10
  • Nomenclatura da transmissão (comercial)
  • SelectShift
  • Localização do câmbio
  • Console
  • Modo manual (p/ AT)
  • Sim
  • Tração
  • Traseira

Freios / Suspensão / Direção +

  • Freios dianteiros
  • Disco ventilado
  • Freios traseiros
  • Disco sólido
  • Freio de estacionamento
  • Manual
  • Suspensão - Dianteira
  • McPherson
  • Suspensão - Molas dianteiras
  • Helicoidal
  • Suspensão - Traseira
  • Multilink
  • Suspensão - Molas traseiras
  • Helicoidal
  • Direção - Assistência
  • Elétrica
  • Direção - Ajustes
  • Altura e profundidade

Dimensões e Capacidades +

  • Comprimento (mm)
  • 4783
  • Largura (mm)
  • 1915
  • Altura (mm)
  • 1382
  • Entre-eixos (mm)
  • 2720
  • Capacidade tanque de combustível (litros)
  • 60
  • Capacidade do porta-malas (litros)
  • 328
  • Peso bruto (kg)
  • 1783
  • Carga útil (kg)
  • 330

Tecnologia / Conectividade +

  • Sistema de áudio - Tipo
  • Multifunções
  • Sistema de áudio - Nomenclatura (comercial)
  • Sync 3
  • USB
  • Sim
  • AUX-in
  • Sim
  • SD-Card
  • Sim
  • Bluetooth
  • Função Streaming
  • Comando de voz
  • Sim
  • Tela de entretenimento - Tamanho da tela (pol.)
  • 12
  • Tela de entretenimento - Espelhamento com smartphone
  • Apple CarPlay + Google Android Auto
  • Tela de entretenimento - Navegação (GPS)
  • Via espelhamento (smartphone)
  • Controle de áudio
  • No volante
  • Alto-falantes - Quantidade
  • 12
  • Alto-falantes - Subwoofer
  • 1
  • Concierge - Segurança
  • Sim
  • Concierge - Emergência
  • Sim
  • Concierge - Navegação
  • Sim
  • Concierge - Diagnóstico técnico
  • Sim

Rodas e Pneus +

  • Tipo de roda - Tipo de roda
  • Liga leve
  • Dianteira - Aro (pol.)
  • 19
  • Dianteira - Pneus (largura/perfil/aro)
  • 255/40
  • Traseira - Aro (pol.)
  • 19
  • Traseira - Pneus (largura/perfil)
  • 275/40
  • No Bolso7.3
  • Tecnologia9.6
  • Vida a bordo8.6
  • Desempenho9.8
  • Opinião do repórter9.9
  • + Apelo
  • + Design
  • + Exclusividade
  • + Tecnologia
  • + Dinâmica de carro de corrida
  • - Preço
  • - Espaço interno traseiro
  • - Porta-malas
 
9.5

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