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Grand Cherokee: de volta à trilha

Modelo de 4ª geração recorre à tecnologia para recuperar o prestígio

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Na década de 1990, ter um Jeep Grand Cherokee na garagem dava status. O utilitário americano era uma das grandes estrelas automotivas pós-abertura das importações. Na época, antes da febre dos SUVs na indústria, havia meia dúzia de modelos do gênero no mercado. Quando chegou a segunda geração do “jipão”, em 1999, o segmento já estava superpovoado e as vendas do modelo despencaram no mundo todo. A terceira geração, surgida apenas cinco anos depois, não teve melhor sorte. A quarta e atual geração do Grand Cherokee, no entanto, mostra-se capaz de mudar o rumo dessa história. Ela foi construída sobre a plataforma da Mercedes-Benz Classe M – direito herdado da época da DaimlerChrysler – e traz a bordo da uma forte combinação de luxo e tecnologia. Quando desembarcou no Brasil, em dezembro de 2010, a ideia da Chrysler era conseguiu vender 700 unidades no ano inteiro. Errou o cálculo. Até maio, foram emplacadas nada menos que 842 Grand Cherokee.
A profunda renovação, além de requinte e recursos eletrônicos, incluiu ainda uma nova motorização e um capricho especial no acabamento. A Jeep oferece no Brasil duas versões: a de entrada Laredo, por R$ 154,9 mil, e a Limited, por R$ 174,9 mil. Surpreendentemente, a variante mais cara é a que melhor vende por aqui. Os R$ 20 mil a mais embarcam teto solar, sistema de entretenimento com tela de DVD traseira, ajuste elétrico do volante, detector de obstáculos dianteiros e traseiros, câmara de ré, retrovisores antiofuscantes, detalhes em madeira no painel e memória para banco do motorista, estações de rádio e posição do volante e dos retrovisores externos. Hoje, a Limited responde por 60% das vendas e a Laredo por 40% – novamente contrariando as expectativas da Chrysler, que apostava em um mix oposto.
Seja em que versão for, o Grand Cherokee não decepciona no visual. As linhas mesclam esportividade e robustez. Na dianteira, destaque para a tradicional grade frontal em cromado brilhante com sete aberturas verticais. O novo conjunto ótico retangular, com faróis bixênon de dupla parábola, é bem mais estreito e forma um degrau em relação à grade. O para-choque frontal é cravejado por duas luzes de neblina redondas e, logo abaixo dele, há uma entrada de ar coberta por uma tela em formato de colmeia. Na parte inferior, fica visível a borda cromada do peito de aço. Na lateral, a fabricante foca na proposta de luxo com diversos detalhes em cromado: barra na parte inferior da porta, maçanetas e todo o contorno da área envidraçada. Na traseira, há duas faixas cromadas. Uma fica na base da tampa do porta-malas e outra liga as lanternas horizontais. Ela têm forma de trapézio invertido e são bem altas.
Sob o capô está o estreante Pentastar 3.6 V6. Este motor desenvolve 286 cv a 6.400 rpm e 35,3 kgfm de torque a 4.300 rpm. Todo em alumínio, ele trabalha com uma transmissão automática de cinco velocidades. O conjunto leva o SUV de 2.191 kg da inércia aos 100 km/h em 9,7 segundos. As novas linhas do modelo também contribuem para uma boa performance. É que, segundo a marca, o Cx de 0,37 representa uma redução de 8,5% no arrasto, comparado ao modelo anterior.
O novo motor impressiona pela agilidade, mas o grande destaque do Grand Cherokee é sua vasta lista de equipamentos. O SUV da Jeep traz a segunda geração do sistema de tração 4X4, chamado de Quadra-Trac II com dispositivo Selec-Terrain. Ele configura motor, transmissão e demais sistemas dinâmicos de acordo com o terreno selecionado – pode ser lama/areia, pedra, neve, esportivo ou automático. O carro ainda está bem recheado de recursos de segurança: controle eletrônico de estabilidade, sistema antirrolagem da carroceria, freios ABS nas quatro rodas com detecção de pisos irregulares, partida do motor à distância, além de encostos de cabeças ativos, airbags dianteiros, laterais, do tipo cortina e de joelhos para o motorista.
Nesta quarta geração o Grand Cherokee também cresceu. São 4,82 metros de comprimento, 1,93 m de largura, 1,76 m de altura e uma distância entre-eixos de 2,91 m. Isso representa um crescimento de 5 cm em comprimento e 7,6 cm em largura em relação a geração anterior. Só a distância entre-eixos aumentou em 13,5 cm. No interior, também chama a atenção o painel frontal redesenhado, a utilização de materiais com “soft-touch” – macios ao toque – e os diversos detalhes cromados pelo habitáculo. Tudo para tentar devolver ao Grand Cherokee o antigo glamour de modelo premium.
Instantâneas
# A primeira aparição do Grand Cherokee no Brasil foi no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro de 2010.
# Nos Estados Unidos, o Jeep Grand Cherokee Laredo 4X4 mais barato parte de US$ 32.215, o equivalente a R$ 51 mil. Por aqui o mesmo modelo sai de R$ 154,9 mil.
# A Chrysler conta com 32 revendas em todo o território brasileiro.
# Desde que foi lançado, em 1993, o Grand Cherokee vendeu mais de 4 milhões de unidades em todo o mundo.
# Além de ser usada na Classe M, a plataforma da Grand Cherokee é também usada em outros modelos da Mercedes-Benz, como Classe R e Classe GL e ainda no SUV Dodge Durango.
Impressões ao dirigir
A Jeep caprichou para cumprir o objetivo de recuperar o velho prestígio do Grand Cherokee. Logo de cara, é o design que chama a atenção. São linhas equilibradas, que denotam esportividade, requinte e robustez. O resultado é um Grand Cherokee moderno, mas com o estilo clássico dos “jipões”. Além de materiais nobres, encaixes precisos, texturas “soft-touch” e muitos detalhes em cromado e madeira. O material usado na parte inferior do painel é de plástico duro e a alavanca da caixa de marchas demonstra certa fragilidade. Já a vida a bordo é das melhores. Todos os ocupantes contam com espaço de sobra para pernas e cabeça e o motorista ainda tem a seu dispor alguns “mimos”, como ajuste elétrico da direção e dos bancos – com memória.
O responsável por mover o carro é o motor Pentastar 3.6 litros V6. As primeiras investidas no acelerador mostram que o câmbio trabalha um tanto “perdido” nas marchas iniciais. Mas o fôlego do propulsor de 286 cv e 35,3 kgfm de torque é elogiável. Apesar das mais de duas toneladas do “jipão”, foram necessários razoáveis 9,7 segundos para atingir os 100 km/h. Na estrada, o modelo chegou com facilidade aos 170 km/h e ainda apresentava disposição para mais – a marca fala em uma máxima de 206 km/h. Apesar do torque de 35,3 kgfm só estar disponível em sua totalidade aos 4.300 rpm, o Grand Cherokee demonstra arrancadas vigorosas – auxiliado pelo comando variável de abertura das válvulas.
O utilitário esportivo da Jeep tem boa estabilidade, independentemente dos vários dispositivos de segurança. Mesmo as curvas em alta velocidade são “vencidas” com decisão – e possíveis abusos corrigidos pelo sistema eletrônico de estabilidade. Méritos para a nova suspensão, capaz de controlar os movimentos da carroceria sem abrir mão do conforto. Já nas freadas bruscas, a traseira joga o peso para a frente e o modelo mergulha um pouco, mas nada exagerado. Neste momento entram em ação os freios com ABS e EBD para ajudarem a manter o SUV na trajetória e sob controle.
O Jeep Grand Cherokee se mostra um veículo muito agradável e capaz de conquistar um bom espaço no disputadíssimo segmento de utilitários esportivos de luxo. A evolução do modelo fica clara pelas vendas acima da média, mesmo apesar do preço “salgado” de R$ 174,9 mil da versão Limited.

Ficha técnica
Jeep Grand Cherokee Limited
Motor: gasolina, dianteiro, longitudinal, 3.604 cm³, seis cilindros em V a 60º, quatro válvulas por cilindro e comando duplo no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: câmbio automático com cinco velocidades à frente e uma a ré com opção de mudanças manuais sequenciais atrás do volante e na manopla. Tração integral, com reduzida. Controle eletrônico de tração e cinco configurações para os dispositivos dinâmicos.
Potência máxima: 286 cv a 6.350 rpm.
Torque máximo: 35,3 kgfm a 4.300 rpm.
Diâmetro e curso: 96,0 mm x 83,0 mm. Taxa de compressão: 10,2:1.
Suspensão: dianteira independente com braços curto e longo, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos de duplo efeito e barra estabilizadora. Traseira independente multilink, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos de duplo efeito, braço de controle inferior em alumínio, braços superiores independentes e barra estabilizadora. Controle eletrônico de estabilidade.
Freios: discos ventilados na frente e discos sólidos atrás. ABS com EDB de série. Carroceria: Utilitário esportivo em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,82 metros de comprimento, 1,94 m de largura, 1,78 m de altura e 2,91 m de distância entre-eixos. Airbags dianteiros, laterais, do tipo cortina e para joelhos do motorista.
Peso: 2.191 kg em ordem de marcha, com 758 kg de carga útil.
Capacidade do porta-malas: 782 litros.
Tanque de combustível: 93,5 litros.
Produção: Detroit, Estados Unidos.
Lançamento desta geração: novembro de 2010.
Lançamento no Brasil: dezembro de 2010.

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