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GWM Poer P30 Exclusive: e bota bruta nisso!

Diesel e 4x4, essa picape combina pacote completo e preço de caminhonete monobloco. Mas tem um ponto que pode incomodar

por Evandro Enoshita



Não sei você, mas eu gosto muito da sensação de pagar um preço baixo por algo que normalmente é bem caro. Se você é como eu, então a GWM Poer P30 Exclusive pode ser a caminhonete para você.
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Mesmo nessa versão topo de linha Exclusive, a Poer P30 sai por R$ 240.000. Isso com motor diesel, tração 4x4, câmbio automático e pacote completo de equipamentos. Uma pechincha! Tanto que os concorrentes diretos em preço são a espartana Fiat Titano Endurance (R$ 233.990) ou a Ford Ranger Black (R$ 242.600). Bem equipada, mas 4x2.
Mundo perfeito? Bem, nem tanto. Apesar de todos esses atributos, há um ponto que pode pesar contra a sua decisão de comprar a cargueira da marca chinesa. Confira qual é esse ponto nas próximas linhas. E veja se vale - ou não - relevar essa característica da Poer.

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Teste: GWM Poer P30 Exclusive

Picapeira até a alma

A GWM não quis inventar moda com a Poer P30. No lugar de oferecer um produto com visual muito fora do comum, a marca chinesa trouxe uma picape de linhas bem conservadoras.
A versão Exclusive exibe uma grade frontal avantajada - e cromada - e rodas de 19 polegadas, destoando da pegada mais despojada ou esportiva das versões mais acessíveis das concorrentes. Que são as que mais se aproximam em preço dessa camarada aqui.
E por falar em porte, a Poer P30 é até maior que as best-sellers Toyota Hilux, Chevrolet S10 e Ford Ranger. Tem 5,42 m de comprimento, 1,95 metro de largura, 1,89 metro de altura e 3,23 metros de entre-eixos.
O resultado dessas medidas todas é que a picape da GWM tem uma caçamba com capacidade para 1.248 litros - uma das maiores entre as cabine dupla do mercado. E o entre-eixos só não é mais longo que o da Ford Ranger. Já a capacidade de carga é de 1.010 quilos nessa versão Exclusive.
Enfim, algo em que a P30 fica na média do segmento.

Interior de SUV

Se por fora não impressiona, por dentro a Poer P30 tem mais potencial para surpreender.
O desenho do painel aproxima a Poer P30 mais dos SUVs que das caminhonetes, com um quadro de instrumentos de 10,25 polegadas e uma multimídia de 14,6 polegadas e espelhamento sem fio.
Mas, além do layout do painel, outro elemento fora do comum na Poer P30 é o nível de acabamento, que é mais refinado que a média da categoria e lembra muito também o padrão visto nos SUVs derivados de picapes. E digo mais: a cabine da Poer P30 é até mais "classuda" que a do Haval H9.

E com um entre-eixos longo, sobra espaço para as pernas no banco traseiro, que também proporciona uma posição mais confortável que a média e tem até apoio de braço central. Sem querer parecer repetitivo - mas já sendo -,  essa é outra característica que a aproxima a Poer P30 dos utilitários esportivos.
A posição de guiar é boa, com comandos ao alcance das mãos e boa dose de comandos físicos. Mas eu senti falta de um atalho fixo na tela para os controles de climatização.
Outro ponto que eu gostaria que fosse diferente é o cinto de segurança fixo. Isso exige que os motoristas mais baixinhos - com menos de 1,70 m de altura - posicionem o banco em posição mais elevada, algo que não é o ideal para mim. Mas aí é mais uma questão de gosto que um problema em si.

Equipamentos

A Poer P30 tem um pacote de equipamentos completíssimo para uma caminhonete média abaixo de R$ 250 mil.
A versão Exclusive sai de fábrica com frenagem autônoma, câmera 360°, controlador adaptativo de velocidade de cruzeiro, painel digital configurável de 10,25 polegadas, multimídia de 14,6 polegadas, volante regulável em altura e profundidade, ar-condicionado de duas zonas, faróis de LED com acendimento automático, chave presencial e bancos de couro com ajustes elétricos para o motorista.
Os itens acima já estão disponíveis desde a versão de entrada Trail. Mas essa topo de linha tem também a grade frontal cromada, seis airbags, rodas de 19 polegadas, banco do passageiro elétrico, climatização dos assentos dianteiros e pacote ADAS com direção semiautônoma de nível 2+.

Mecânica

A Poer P30 tem apenas uma opção de conjunto mecânico: motor 2.4 turbodiesel de 184 cv de potência e 48,9 kgf.m de torque a 1.500 rpm. O câmbio é automático de nove marchas e o sistema de tração é 4x4, com reduzida.
A suspensão dianteira é do tipo duplo braço oscilante, enquanto na traseira a P30 tem o tradicional eixo rígido com mola de lâmina. Os freios são a disco, nas quatro rodas.
A Poer P30 acelera de zero a 100 km/h em 11,2 segundos e o consumo de combustível é de 9,5 km/l (cidade) e 10,6 km/l (estrada).
Com um tanque para 78 litros, a picape pode rodar, em teoria, até 740 quilômetros no ciclo urbano e 820 quilômetros no ciclo rodoviário.

Como é dirigir a Poer P30?

E como eu falei lá no início do texto, há um ponto que pode incomodar na Poer P30: o comportamento dinâmico.
No meu primeiro contato com a Poer P30, lá em setembro do ano passado, pude dirigir a picape apenas na terra e achei o comportamento ok, com o conjunto filtrando bem as leves irregularidades no piso. Já no asfalto...
Mesmo com o visual mais estradeiro dessa versão Exclusive, no asfalto a suspensão traseira bem firme prejudica bastante o conforto. Com a caçamba vazia, é Poer transmite para dentro da cabine cada mínima ondulação na pista. Em baixas ou altas velocidades.
Me lembrou muito o acerto daquelas picapes rústicas e voltadas para o trabalho que eram mais comuns em anos passados. Mas o mercado mudou. E muita gente já vê essas caminhonetes médias - principalmente nessas versões mais completas - como um veículo mais de lazer do que para a labuta.
Ainda mais com esse pacote visual e de equipamentos da versão Exclusive.

Por outro lado, o motor diesel de 184 cv potência vai muito bem e não parece ficar devendo - tanto - em cavalaria e torque para as caminhonetes médias mais caras. E o mérito disso vai para o câmbio automático de nove marchas.
A transmissão responde rápido aos comandos no acelerador e faz a Poer parecer mais leve que seus 2.223 quilos de peso. E, em velocidade de cruzeiro e rodando a 120 km/h, o câmbio joga as marchas lá para cima e o motor gira abaixo das 2.000 rpm. Isso contribui para o bom nível de silêncio a bordo.
E como fica o pacote ADAS? Apesar de completão, é um daqueles pacotes de assistência de direção que prezam mais pela segurança do que pelo conforto do motorista.
Assim, o controlador adaptativo de velocidade insiste em manter uma enorme distância para o veículo à frente, enquanto o assistente de manutenção em faixa praticamente te força a se manter exatamente no meio da faixa.
E qualquer transgressão aos desejos dos assistentes inteligentes de direção será "punida" com diversos alertas sonoros. Em resumo: a direção semiautônoma da Poer P30 não transmite insegurança ao motorista. Pelo contrário.
Mas, depois de um tempo, você se cansa e vai preferir desativar tudo para guiar "manualmente". Como faziam os astecas. Ou melhor: como faziam os soldados da Longa Marcha lá na China dos anos 1930.

Quanto custa manter a Poer P30?

Fiz aqui os cálculos dos custos de revisão da Poer P30. Com um plano de manutenção que prevê paradas obrigatórias a cada 12 meses ou 12.000 quilômetros, o proprietário da Poer P30 terá que desembolsar R$ 8.792,39 para manter a picape até os 50.000 quilômetros.
Valor mais alto que o cobrado nas revisões até os 50.000 quilômetros da Toyota Hilux (R$ 7.615), Chevrolet S10 (R$ 6.888) e Ford Ranger (R$ 8.291).
A garantia é um dos diferenciais da Poer P30: são 10 anos ou 250.000 quilômetros. Na Hilux, são cinco anos, com renovação automática para mais cinco anos condicionada ao cumprimento do plano de revisões, enquanto na S10 e Ranger são cinco anos de cobertura de fábrica.
E no seguro? Fiz uma simulação no mesmo perfil - homem, 38 anos, casado e morador de São Paulo - comparando a proteção completa para a Poer P30 Exclusive com os valores para as concorrentes na mesma faixa de preço.
O valor do seguro completo para a P30 variou entre R$ 3.187,60 e R$ 6.027,42. Enquanto isso, a proteção completa para a Fiat Titano Endurance variou entre R$ 4.407,94 e R$ 10.099,50. Para a Ford Ranger Black, o valor das propostas oscilou entre R$ 3.231,60 e R$ 7.057,05.

Vale a pena comprar uma Poer P30?

Bem equipada, bem acabada, com boa capacidade de carga e mecânica condizente com a proposta, a GWM Poer P30 pode ser uma bela opção para quem busca uma caminhonete média completa. Ainda mais considerando o preço: nenhuma outra caminhonete média do mercado oferece tanto por tão pouco.
Mas há também o outro lado: a suspensão firme demais sacrifica bastante o conforto de rodagem no asfalto. Algo que tem potencial para incomodar no uso 100% rodoviário e, eventualmente, no uso urbano.
Mas que pode passar em branco para quem se considera um picapeiro raiz. Vídeo relacionado

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