Honda Accord LX x Ford Fusion SEL

Muitas semelhanças, vantagens para o consumidor


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- Dia desses um colega me perguntou qual seria minha opção de sedã na faixa de R$ 80 mil. Respondi de bate-pronto: Honda Accord LX. Porque esse sedã médio-grande que vem do México e chega ao Brasil custando R$ 86.190,00 traz o essencial que todo bom carro deveria oferecer. Não à toa foi o importado mais vendido no mercado nacional durante o 1º trimestre de 2006, segundo levantamento realizado pela agência AutoInforme, parceira do WebMotors.

Começa pelo motor, um quatro-cilindros de 2 litros de cilindrada e comando duplo no cabeçote que entrega potência de 150 cv a 6.000 rpm e torque máximo de 19 kgfm a 4.500 rpm. Incorpora o sistema i-VTEC de variação de tempo de abertura e levantamento de válvulas de admissão, o que significa grande elasticidade, com boa potência desde baixas rotações e desenvolvendo bem até altos regimes, tudo isso aliado a economia de combustível.

Depois vem a eficiente suspensão, independente nas quatro rodas por braços triangulares superpostos. Com a mesma desenvoltura que proporciona bom conforto interno, é capaz também de entregar prazer ao dirigir quando submetida a uma condução mais esportiva e garante ao Accord dirigibilidade de um médio-compacto. E seu câmbio automático de 5 marchas pode não oferecer muitos recursos, mas tem funcionamento perfeito sem trancos nas mudanças e realça bem a força do motor.

Finalmente, o Honda oferece um primor de acabamento que se revela até em detalhes como o painel, limpo e sem rebarbas, e o fechar das portas, fácil e silencioso. Nesse aspecto a fábrica japonesa realmente se destaca.

Mas isso foi antes de conhecer o Ford Fusion SEL. Porque esse recém-chegado sedã de naturalidade também mexicana traz o que falta ao Accord – custando menos. São R$ 79.990,00, incluindo bancos revestidos de couro de tecido no Honda; airbags dianteiros e laterais no Accord, só dianteiros; ar-condicionado digital embora o do Honda, convencional, seja mais eficiente na hora de resfriar, uma característica dos carros japoneses; toca-CD com capacidade para 6 discos e leitor de arquivos MP3 conta rápida: ao todo esses discos representam pouco mais de 4 GB de arquivos, ou 1.000 músicas.

No Fusion também estão regulagem elétrica de altura e distância para o banco do motorista no Accord, só manual e comandos remotos de rádio, controle automático de velocidade e até do ar-condicionado ventilador e temperatura no volante. No Honda encontra-se apenas o controle de velocidade. Há travamento automático das portas e computador de bordo. Detalhe: pode-se alterar a configuração deste equipamento entre os sistemas métrico e o inglês, em milhas; o consumo no primeiro caso, no entanto, será sempre o correto, de litros/100 km – ou seja, quantos litros são gastos para se percorrer determinada distância – enquanto no segundo é milhas por galão, equivalente ao nosso km/litro. Por mais R$ 4.900,00 o Fusion vem equipado com teto solar elétrico de acionamento um-toque. Com isso seu preço passa a R$ 84.890,00, ainda R$ 1.300,00 a menos do que o Accord. E a diferença de preço entre eles pode aumentar ainda mais se o comprador quiser revestir de couro os bancos e o interior do Accord, coisa que é feita nas concessionárias e que não sairá por menos de R$ 5.000,00.

O motor do Ford iguala o do Honda em recursos e construção, como bloco e cabeçote em alumínio e duplo comando de válvulas, também com variação angular de válvulas de admissão sem alterar o levantamento, mas traz a vantagem do coletor de admissão variável. Com maior cilindrada, 2,3 litros, gera maiores potência e torque: 162 cv a 6.500 rpm e 20,7 kgfm a 4.500 rpm. Seu funcionamento é pouca coisa mais áspero devido possivelmente à maior cilindrada, mas não incomoda. É, sim, mais bem disposto do que o do Honda, acelerando com mais vigor. A Ford declara 0 a 100 km/h em 10,3 segundos, com velocidade máxima limitada eletronicamente a 180 km/h. Explicação para o limite, já que o carro poderia passar dos 200 km/h: nos EUA, onde também é vendido, tem pneus de código de velocidade S, para até 180 km/h; aqui no Brasil, usa pneus código V como o Accord, de até 240 km/h – ou seja, dispensaria o limite.

De acordo com a fábrica, o Fusion faz 9,8 km/l na cidade e 14,6 km/l na estrada – números que não conseguimos comprovar; medindo pelo computador de bordo chegamos a 7 km/l na cidade e 11,5 km/l na estrada, rodando normalmente. Considerando o tanque de combustível de 66 litros, tem-se autonomia de 759 km. O tanque do Accord comporta 65 litros, mas a Honda, lamentavelmente, não declara seus números de consumo e desempenho. Contudo, pode-se estimar dados próximos aos do concorrente.

As suspensões do Fusion são tão bem-acertadas quanto as do Accord, embora um pouco mais firmes. Na dianteira é independente, com braços triangulares, e na traseira é multibraço. Esta apresenta como característica a colocação dos amortecedores, cujas torres não invadem o porta-malas.

O câmbio do Ford também é bastante interessante. Tem apenas duas posições para a frente: o conhecido “D” drive e um novo conceito de “L” low. Na primeira o funcionamento é normal, passam-se todas as 5 marchas. A segunda posição serve para se obter redução e/ou freio-motor. Muito simples de operar: numa descida de serra, por exemplo, basta colocar em L e será feita a redução para a marcha que o gerenciamento eletrônico da caixa determinar como a mais apropriada para a situação; parando-se de acelerar, e se o declive não for acentuado, as reduções continuam até a 1ª. Também se pode usar o L quando conduzindo rapidamente numa sucessão de curvas, de modo que o motor fique sempre “cheio” – nessa posição o câmbio nunca efetua mudança ascendente. Para subir a marcha, basta retornar a D. Importante salientar que não tem perigo de o sistema engatar marcha inferior com o motor ainda girando alto – há controle eletrônico para isso, e o engate só se consumará quando a rotação permitir.

De acordo com dados das fábricas, o Accord é 83 quilos mais leve do que o Fusion – 1.440 kg ante 1.523 kg. Em tamanho de carroceria são quase idênticos: 4,81 metros no Accord, 4,83 m no Fusion. Igualam-se em entreeixos: 2,73 metros, o que significa generoso espaço interno em ambos. O Fusion vence pelo tamanho do porta-malas: 530 litros, contra 446 litros do Accord, beneficiando-se do estepe para uso temporário e por isso fino, solução de funcionalidade duvidosa. O Ford tem ainda dobradiças pantográficas na tampa, que não roubam espaço uma vez fechada. Mas no Honda há acesso pelo interior do carro portinhola atrás do apoio central no banco traseiro ao compartimento.

No Ford é boa a qualidade de construção, mas fica devendo ao Accord. O acabamento interno é menos cuidadoso no Fusion, sendo percebidos pequenos desníveis nos encaixes de componentes e utilização de plástico nos painéis de portas. O painel de instrumentos do sedã Ford faz lembrar o de outro modelo da marca: o Fiesta. Ponto para o Accord e seu belo quadro com iluminação branca.

O Honda ainda acomoda melhor passageiros no banco de trás, para o que concorrem os apoios de cabeça como no Fusion, apenas dois e não três, o que seria ideal com altura regulável, fixos no Ford. Posição de dirigir é adequada em ambos, auxiliada pela regulagem em altura e distância do volante – que tanto num quanto noutro carro poderia ter diâmetro pouco menor. A direção do Honda é algo mais leve, mas a do Fusion, mesmo pouco mais pesada é tão precisa e sensível quanto a do Accord.

Na hora de manobrar, vantagem para o Accord. Com rodas e pneus menores, porém de perfil mais alto – 16 polegadas, 205/60R16 – frente aos do Fusion 17 polegadas, 225/50R17, o modelo Honda tem diâmetro de giro menor. Entrar e sair de vagas, inclusive em apertadas garagens de prédio, é tarefa mais fácil de executar no Accord do que no modelo Ford. Em ambos faz falta o auxílio de estacionamento, o que facilitaria as manobras, considerando o comprimento dos carros.

No exterior, chamam a atenção as modernas lanternas traseiras do Fusion, que têm iluminação vermelha e não âmbar para os piscas. É um visual, digamos, “tuning”, que agrada o consumidor mais jovem. Esse esquema de iluminação dos Estados Unidos, que inclui pisca e luz de freio na mesma lâmpada, é proibido no Brasil, mas a Ford obteve autorização do Conselho Nacional de Trânsito para mantê-la no Fusion comercializado aqui leia nota abaixo. O mesmo para os faróis, que são de facho baixo simétrico, ao contrário dos assimétricos dos carros nacionais e europeus. No Accord há vantagem pela utilização de LEDs diodos emissores de luz, em inglês, mais eficientes em iluminar.

Se a idéia é não passar despercebido, o Fusion é a opção. O visual imponente do sedã Ford, com as lâminas cromadas da grade dianteira e no pára-choques e seus belos faróis, atrai todos os olhares por onde passa. Quase total inverso do que acontece com o Accord, bem mais discreto e sóbrio – ainda que as alterações de estilo por que passou ano passado tenham conferido mais esportividade à sua traseira.

O Accord traz cabos de corrente elétrica auxiliares – equipamento muito útil, quase essencial para carros de câmbio automático ante a impossibilidade de fazer o motor pegar empurrando o veículo. Ou para ajudar os outros, como num domingo à noite, em que foi possível ajudar um amigo que ficara na rua com a bateria de seu carro descarregada.

São duas ótimas opções, mas pelo que entrega em relação ao que custa, a melhor escolha entre esses sedãs fabricados no México é o Ford Fusion, que tem três anos de garantia de fábrica. Porém, se a opção for pela tradição e qualidade de construção do Honda além de sua maior discrição, o dinheiro será igualmente muito bem investido. Só haverá restrição para a cor: a Ford oferece apenas as opções prata e preto para o Fusion; o Accord tem duas a mais, dourado e cinza escuro.______________________________
E-mail: Comente esta matériaNa apresentação do Fusion, em Florianópolis, SC, circulou a informação de que a Ford teria obtido uma autorização especial junto ao Contran para que o sedã mantivesse no Brasil o conjunto ótico traseiro, que está em desacordo com a legislação local. Na verdade, essa autorização é válida para toda fábrica que opera no México e comercializa seus veículos no Brasil. É uma cláusula de reciprocidade. Segundo nota fornecida pela assessoria de imprensa do Departamento Nacional de Trânsito, "de acordo com ofício expedido pelo Denatran em 2001 fica concedido ao México um ´waiver´ a respeito da regulamentação técnica sobre sistema de iluminação dos veículos. Nesse sentido, fica garantido o Acordo Automotivo, onde os veículos fabricados no México poderão circular no Brasil assim como os de origem brasileira circularão no México". Por isso o Fusion pôde manter as lanternas traseiras e os faróis simétricos.

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