Honda City, mesmo bem equipado, não justifica seu preço

Compacto premium da Honda inverte a equação do bom negócio: oferece menos por mais


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Gustavo Ruffo
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- Aqui no WebMotors nós sempre costumamos exaltar algo que vem surgindo cada vez com mais freqüência: carros que oferecem mais por menos. Foi assim com os Renault Logan e Sandero, o Chevrolet Omega e, mais recentemente, com os Kia Soul e Cerato. Estranho é quando essa equação do bom negócio se inverte e vemos um carro que oferece menos por mais. Foi isso que surgiu no lançamento do novo Honda City. Como o posicionamento de preço dele não faz o menor sentido, por concorrer diretamente com o Honda Civic, arriscamos a previsão de que ele tiraria as vendas dos modelos mais simples do sedã médio. Depois de uma semana com o City, podemos dizer que o Civic não tem com que se preocupar. Quem corre o risco de não vender tão bem quanto a Honda espera é o City.

Mas, afinal de contas, o City não tem um estilo interessante? Tem. Não tem um porta-malas grande, de 506 l? Também tem. Não vem bem equipado? Isso nem se discute. A questão é quanto ele cobra por tudo isso.

Por R$ 65.375 ele vem com rodas de liga-leve de aro 16”, com pneus 185/55 R16, ar-condicionado, direção elétrica, vidros, travas e retrovisores elétricos, banco do motorista com regulagem de altura, volante com regulagem de altura e distância, comandos do rádio e do controlador de velocidade, dois airbags dianteiros, toca-CD com MP3, discos nas quatro rodas com ABS e EBD, maçanetas cromadas, retrovisores com luzes repetidoras de direção, faróis de neblina, bancos de couro e sistema de som com tweeter. O Kia Cerato, que é maior e mais bem acabado que o City, oferece bancos de couro a menos e encostos de cabeça ativos a mais. E custa quase R$ 13 mil a menos, ou mais exatamente R$ 52,9 mil.

Os defensores do City dirão que o ar-condicionado é digital o do Cerato também é e que o sistema de som tem entrada USB e auxiliar, para iPod o do Cerato também. Mesmo assim, nota-se que o City é destinado a ser um produto mais barato pela ausência de posições individuais de memória do rádio. Só há dois botões, para cima e para baixo, que servem para procurar uma das 30 memórias de rádio de que o sistema de som dispõe. Quanto mais estações forem armazenadas, mais difícil fica encontrá-las. Seria um fator de distrações não fosse o volante com comandos do rádio, que as evita.

Em termos de estilo, o City é como a menina que puxou da mãe os olhos azuis e os cabelos lisos e do pai, o sorriso aberto e os cabelos pretos. Tinha tudo para ser linda de morrer, mas o conjunto da obra não agrada. No caso do City, ele puxou a bela linha de teto do Civic e a posição de dirigir alta do Fit, assim como seu painel de instrumentos, volante, motor, transmissão, retrovisores e caixa de estepe.

A linha de teto do Civic é baixa, o que conflita com a posição de dirigir alta do Fit. Como ambas estão no City, é difícil visualizar semáforos e placas de trânsito mais altas, algo especialmente verdadeiro para motoristas de maior estatura. O banco do motorista, apesar de abaixar, não fica baixo o suficiente para não comprometer o espaço no banco traseiro. Quanto mais baixo ele estiver, maior a distância que o trilho terá de percorrer para acomodar um condutor mais alto.

O porta-malas, apesar de grande, tem uma abertura apenas razoável, o que deve dificultar o armazenamento de malas maiores, e as tradicionais dobradiças “pescoço de ganso”, que matam uma parte do volume útil do compartimento. Pelo que custa, o City deveria ter dobradiças pantográficas, como o Civic.

Capítulo à parte é a caixa do estepe, que fica aparecendo sob o para-choque traseiro. Ela não é tão ruim quanto a do Renault Symbol, já que não fica recuada, mas o fato de aparecer sob o carro mostra que ela pertence a outro. É do Fit e foi uma das poucas coisas mal adaptadas de um carro para outro. Todo o restante parece ter sido desenhado para o City, o que é um mérito, especialmente em carros visualmente tão diferentes.

Outra coisa que ficou mal adaptada são os bancos traseiros, que têm uma espécie de nicho inferior onde armazenar pequenos objetos. O acesso é péssimo e nem poderia ser diferente: isso é uma sobra do sistema ULT Utility, Long e Tall, ou Utilidade, Longo e Alto, que permite ao monovolume da Honda carregar objetos altos e longos. Só no monovolume. No City, virou um nicho que tende a acumular sujeira e nada mais.

Outra falha de adaptação, mas que pode se mostrar útil, é o vão que existe no cofre do motor. À frente e atrás do motor. Dá para uma criança se esconder nestes vãos, assim como pequenos animais. Se passa uma criança, passa um braço, o que deve fazer a alegria dos mecânicos, que terão espaço de sobra para trabalhar. Para eles, que eram apaixonados pelo VW Gol por conta da mesma facilidade, o City tende a se tornar o novo queridinho das oficinas.

Ao volante

Em termos de dirigibilidade há muito pouco a falar sobre o City. Ele se comporta tão bem quanto o Fit e o Civic. Freia direitinho, faz curvas sem assustar e absorve bem nossos buracos e valetas, mas o teto baixo e o banco alto impedem que o motorista se sinta tão bem quanto nos outros dois veículos nacionais da Honda.

Descontando a questão da ergonomia, o motor 1,5-litro de 116 cv com álcool responde bem aos comandos e as trocas de marcha são suaves e precisas. É um belo conjunto mecânico, que só peca por não ser muito econômico com o combustível vegetal.

Usando apenas álcool, em circuito urbano e com ar-condicionado ligado o tempo todo, o City consumiu o equivalente a 5,1 km/l. Com um tanque de 42 l, a autonomia com etanol é bastante baixa.

É certo que, quando avaliamos um veículo, não nos preocupamos em ser econômicos e sim em andar com o carro em condições que exigem mais de seu motor. Em outras palavras, o consumo que obtemos é o pior que esse veículo, em boas condições mecânicas, poderia conseguir. Mas o consumo alto se deve também ao tamanho do motor, pequeno para o City.

A 120 km/h o motor atinge 4.000 rpm, o que só não o torna muito ruidoso porque o isolamento acústico do carro, apesar de não ser brilhante, dá conta do recado. Fica um pouco mais difícil conversar andando com o City na estrada, fora que, com um giro tão alto, não há combustível que resista no tanque, ainda mais se for etanol.

Some a isso o fato de os carros japoneses com motores flex serem conhecidos por aproveitar muito mal a energia que o combustível vegetal fornece. A taxa de compressão é mantida quase sem alterações baixa até para gasolina, o que se reflete em um ganho quase marginal de potência. No caso do City, a diferença é de apenas 1 cv, com torque exatamente igual. Isso torna os nipônicos mais gastões com álcool.

Sintetizando a história, o City não pode ser chamado de um carro ruim. Pelo contrário: ele goza da boa qualidade construtiva pela qual a Honda é conhecida. Ruim, e bastante, é o preço que estão cobrando pelo carro. Sua faixa de preço ideal seria de R$ 50 mil a R$ 60 mil, no máximo. Com ressalvas, já que o Renault Symbol começa na casa dos R$ 40 mil. Que a Honda sabe fazer carros bons não é nenhuma novidade. A surpresa será ela conseguir fabricar um automóvel com preço tão bom quanto o carro.FICHA TÉCNICA – Honda City EXL

MOTORQuatro tempos, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, refrigeração a água, SOHC i-VTEC, 1.496 cm³
POTÊNCIA115 cv gasolina e 116 cv álcool a 6.000 rpm
TORQUE145 Nm a 4.800 rpm
CÂMBIOManual de cinco velocidades
TRAÇÃODianteira
DIREÇÃO Por pinhão e cremalheira; elétrica
RODAS Dianteiras e traseiras em aro 16”
PNEUS Dianteiros e traseiros 185/55 R16
COMPRIMENTO 4,40 m
ALTURA 1,48 m
LARGURA 1,70 m
ENTREEIXOS 2,55 m
PORTA-MALAS 506 l
PESO em ordem de marcha 1.122 kg
TANQUE42 l
SUSPENSÃO Dianteira com McPherson, amortecedores telescópicos e molas helicoidais, traseira com barra de torção
FREIOS Discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS e EBD
CORES Branco Taffeta Sólido, Dourado Poente Metálico, Prata Global Metálico, Grafite Magnesium Metálico, Cinza Paladium Metálico, Verde Vermont Perolizado, Vermelho Rally Sólido, Preto Cristal Perolizado e Verde Deep Perolizado
PREÇOR$ 65.375 conforme avaliado


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