Honda Civic EXS X Chevrolet Vectra Elite

O que é melhor: um carro em sintonia com o que é feito no mundo ou um projeto genuinamente nacional? Veja a resposta aqui


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- Um dos duelos mais esperados do ano aconteceu. De um lado está o Chevrolet Vectra, carro lançado em 2005 que acabou se tornando rapidamente o líder entre os sedãs em sua mesma faixa de preço, como o até então primeiro colocado Toyota Corolla e o Honda Civic, que já havia ocupado o mesmo posto algumas vezes. Mas desde o ano passado o mercado esperava ansiosamente o lançamento da nova geração do modelo da Honda, que, ao contrário do Vectra, estaria em compasso com o que é feito no exterior.

Durante meses o Vectra reinou quase absoluto nesse segmento, mas o primeiro round, com a chegada do Civic, o deixou em franca desvantagem: o Honda vendeu, com ágio de quase R$ 5.000 em sua versão mais cara, 3.959 unidades em maio. Os números de junho ainda não foram divulgados. O Vectra, por sua vez, ficou em 2.566 unidades, batido inclusive pelo Corolla. Mas, afinal de contas, o que tem o Civic de tão especial?

O primeiro fator, certamente, diz respeito a sua atualidade e ao desenho moderno. Mantendo sua identidade visual, o carro ficou com um pára-brisa mais inclinado, uma dianteira mais ousada, com faróis bem afilados, e ganhou em entreeixos, o que, agora, o coloca na mesmíssima categoria do Vectra, a de sedãs médio-grandes, tecnicamente falando. Com 2,70 m, os dois estão empatados nesse quesito.

O Vectra continua agradando a muitas pessoas em desenho, mas é mais conservador, como a faixa cromada no porta-malas ressalta muito bem. Ele também teve origem em um projeto que pode ser visto sob duas óticas: uma que orgulha os brasileiros, por ser nacional, e outra que nos dá um sentimento de desprestígio, já que o Chevrolet também pode ser considerado um Astra em dimensões mais generosas, mas não um veículo à altura do Vectra europeu.

Sobre o primeiro aspecto, há que se tirar o chapéu para a engenharia da General Motors, que fez um belo trabalho com o que a empresa lhe ofereceu como limites orçamentários. Com um motor ultrapassado e uma plataforma muito boa, mas também antiga, ela criou um veículo chamativo, com desenho que as pessoas mais aprovam que recriminam. A questão é que o tempo não perdoa ninguém, nem os carros, e o Chevrolet já não tem o viço de novidade.

Neste embate direto, WebMotors avaliou as versões mais sofisticadas dos dois automóveis, ou seja, o Chevrolet Vectra Elite e o Honda Civic EXS. Como em toda boa compra, o que mais pesa é o preço e o que seu pagamento traz de benefícios ao comprador. Nesse quesito, ponto para o Civic EXS, que custa R$ 77.600,00 e só é oferecido com pinturas perolizadas preto, verde e azul. O preço básico do Vectra Elite é R$ 84.159,00, com pintura sólida. Se ela for perolizada, como a do Civic, o Vectra Elite passa a custar R$ 85.406,00, uma diferença de R$ 7.806,00.

Como base comparativa, no modelo 2-litros do Vectra o pacote com aviso de cinto destravado, airbags frontais, laterais, ABS, EBD, computador de bordo, sensor de chuva, volante com comandos do rádio e o rádio com CD e toca-fitas representa R$ 8.250,00 a mais no preço do carro. Desses nove itens, o Civic só não tem dois: o sensor de chuva e os airbags laterais, que dificilmente explicam a diferença de preço do Honda para o Vectra.

Para quem não liga para a diferença e quer um carro mais completo, o Vectra oferece três opcionais: rodas de aro 17", regulagem elétrica do banco do motorista e teto solar, não disponíveis no Civic, que tem rodas de aro 16" e não oferece nenhum opcional.

Com as rodas de 17 polegadas e o banco com regulagem elétrica, que não são vendidos separadamente, o preço do Vectra sobe para R$ 87.257,00; se o teto for incluído no pacote, será preciso desembolsar R$ 90.570,00. Não é possível comprar o teto solar sem as rodas maiores e o banco. Desse modo, a diferença de preço atinge R$ 12.970,00.

Para quem a diferença de preço pesa, a Chevrolet poderia argumentar que o Vectra oferece de série airbags laterais. Em contrapartida, o Civic tem câmbio automático de cinco marchas o do Chevrolet tem só quatro com comando por borboletas atrás do volante, ou paddle-shift, como é chamado em inglês, sistema semelhante ao usado nos carros de Fórmula 1. Os airbags dianteiros para motorista e passageiro são de série nos dois veículos.

Se o Vectra tem um motor 2,4-litros de 146 cv com gasolina e 150 cv com álcool a 5.200 rpm, o 1,8-litro do Civic tem 140 cv a 6.300 rpm, o que mostra seu melhor rendimento e a atualidade do propulsor: são 77,8 cv por litro, contra 62,5 cv com álcool e 60,8 cv com gasolina do da GM. O Chevrolet se beneficiaria do maior torque, de 23,1 kgm com álcool e 23,7 kgm a 4.000 rpm, se não tivesse o câmbio de quatro marchas e se não fosse mais pesado que o Civic 1.405 kg contra 1.260 kg. Apesar de ter uma relação peso/potência pouca coisa mais favorável, o Vectra é penalizado por sua transmissão.

Além de ter concepção mais antiga, o motor do Vectra é beberrão: seu computador de bordo marcou, em percurso urbano, 5,6 km/l de álcool. Aliado ao tanque pequeno, de 52 litros, sem possibilidades de expansão, esse consumo resulta numa baixa autonomia 291,2 km com um tanque com o combustível vegetal.

O Honda Civic, nas mesmas condições, mas com gasolina, fez 7,5 km/l. Seu tanque é ainda menor, comportando apenas 50 litros, mas ele pode se dar a esse luxo devido ao motor mais eficiente – equipado com o sistema i-VTEC de variação de válvulas, que proporciona o “melhor dos mundos”, economia em baixa rotação e alto rendimento em maiores regimes. A autonomia chega a 375 km.

Para o segundo semestre, o Civic virá com a capacidade de consumir etanol, segundo a Honda, o que eliminará uma das principais vantagens do concorrente da Chevrolet. É possível que, com seu sistema de comando de válvulas variável, ele obtenha um consumo dos melhores com o combustível vegetal, mas isso será objeto de um novo comparativo.

Conforto

Fora a flexibilidade, o Vectra também conta com o porta-malas generoso para tentar convencer o consumidor a optar por ele e não pelo Civic. A nova geração do Honda ficou com um espaço para cargas menor que o do modelo anterior, que já não era grande. Antes, o Civic podia levar 402 l; agora, são 340 l, bem menos do que os 526 l que a Chevrolet informa para seu modelo. Quem carrega muita bagagem encontra no Vectra um companheiro de viagem mais disposto.

Internamente, ambos oferecem bastante espaço tanto para os ocupantes da frente quando para os de trás, com vantagem para o Civic, que não tem um túnel central para dividir as pernas de um eventual quinto ocupante.

Em termos de acabamento, o Civic se apresenta bem mais sofisticado, com superfícies emborrachadas e uma combinação de texturas de muito bom gosto. O que mais chama a atenção é o painel, com velocímetro separado do conta-giros, alinhado com a parte mais baixa do pára-brisa. É um recurso excelente, que permite ao motorista quase não desviar os olhos da pista para verificar em que velocidade está.

Também cabe dizer que o Civic, inexplicavelmente, não dispõe de fechamento automático dos vidros quando se trava as portas pelo controle remoto das chaves, mal que também acomete o sedão maior da Honda, o Accord. Por se tratar de mera programação da central eletrônica do carro, fica a dúvida: por que a marca não oferece essa comodidade ao consumidor? Pode não parecer, mas o Civic tende a perder compradores preciosos pela falta dessa funcionalidade.

O freio de mão, este sim, se parece com um manche de avião, o mesmo que dizem do Renault Mégane Sedan, mas o freio de mão do modelo francês, na verdade, se parece com um manete. Interessante é que os dois modelos se inspiram em aeronaves para garantir um estacionamento seguro.

O Vectra, apesar de ter um bom acabamento e até pretender uma sofisticação maior, com apliques que lembram madeira, se ressente de usar materiais de aparência mais barata, com encaixes menos precisos. E é, em tudo, mais convencional, com um painel de fácil visualização, completo, um computador de bordo e um toca-CD com capacidade para seis discos, mas sem leitor de MP3 oferecido no Civic, em que o aparelho também admite 6 discos. Para compensar, traz um toca-fitas, o que pode ser interpretado, mais uma vez, como uma característica conservadora, talvez voltada a um público com o mesmo perfil.No asfalto

Acelerar esses carros é uma experiência prazerosa, mas o Civic, também nisso, se sai melhor. Em primeiro lugar, por seu excelente câmbio automático de cinco marchas. Em modo normal, ele responde exemplarmente aos comandos do acelerador que é pivotado no assoalho e, na hora de retomar velocidade, não atrapalha o motorista, como acontecia com o finado Mondeo, da Ford.

As borboletas para troca de marchas são muito eficientes, mas só se justificam para quem toca o carro de forma esportiva, com o motor girando alto o tempo todo. Se não for usado assim, basta ao Civic o velho e bom kick-down pisão no pedal do acelerador para reduzir marchas, também de respostas muito ágeis. De todo modo, elas são melhores que os sistemas seqüenciais por acionamento da alavanca, já que o motorista não precisa tirar as mãos do volante para nada.

Outros fatores que indicam uma veia mais nervosa do Civic são a direção, de aro pequeno e relação bastante direta, e a suspensão, firme na medida certa para não comprometer o conforto e não assustar quem gosta de pisar no acelerador. Sua visibilidade também é excelente, melhor que a do Vectra. O porta-malas maior cobra seu preço no tamanho menor do vidro traseiro.

Suspensão é algo em que o Vectra não fica a dever ao Honda. Muito bem acertada, apesar de menos sofisticada que a do Civic, ela também convida a uma condução esportiva e responsável, vale dizer, mas o câmbio de quatro marchas não ajuda. Suas trocas até são rápidas, mas não tanto quanto as do concorrente. No Chevrolet, a suspensão dianteira, como no Civic, é independente, tipo McPherson, mas na traseira é por eixo de torção, que embora o Vectra tenha conseguido levar a novos limites igualando o Corolla em eficiência, ainda é inferior à configuração independente do Honda, que utiliza braços triangulares superpostos.

Na cidade, os dois carros são altos o suficiente para não raspar em lombadas ou valetas, com vantagem para o Civic, cujas rodas dianteiras ficam mais próximas das extremidades de sua carroceria. Além de favorecer sua estabilidade, esse aspecto faz com que a frente do Civic dificilmente raspe no chão.

O resultado desse comparativo, como fica claro, é amplamente favorável ao Honda, provando que estar em sintonia com o que é oferecido em outros países beneficia não apenas a empresa que age assim, mas, principalmente, seus consumidores.

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