Hyundai Azera cobra caro por luxo e conforto

Azera oferece tudo que se espera de um sedã de luxo. Mas vale R$ 167.990?


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Quando o Hyundai Azera chegou à nossa redação, não esperava nada mais do que um sedã grande, espaçoso, luxuoso e irritantemente confortável. Mas o preço de R$ 167.990 deixava o gosto de “quem chamou ele pra festa?”. Um Ford Fusion Titanium, por exemplo, sai por R$ 137.600 e tem conjunto mecânico mais moderno. Se compararmos com o Honda Accord V6, a diferença aumenta graças à etiqueta de R$ 147.900 do japonês. Mas antes de qualquer preconceito, precisamos saber: o Azera vale tudo que cobra?

Entrando nele já se percebe que ali dentro você deve relaxar e aproveitar o tempo da viagem. O sistema keyless não faz questão que a chave saia do bolso para destravar as portas, o banco do motorista se afasta e a coluna de direção se retrai para abrir mais espaço para o condutor, enquanto o cluster te recebe com um “welcome” – bem-vindo, em inglês – e uma vinheta toca no sistema de som. Já acomodado, aperte o botão da ignição e o banco de ajuste elétrico com memória se ajusta automaticamente como você gravou antes de desligar o carro pela última vez.

Mesmo com 4,92 m de comprimento e 1,86 m de largura, o porte do sedã não assusta no trânsito. Rapidamente já se acostuma e ele parece até ágil no tráfego, sem temer que a qualquer momento seu retrovisor seja levado por uma sola de sapato no corredor de uma avenida mais apertada. No painel, a central multimídia com tela sensível de 8 polegadas é nova – chegou com a atualização para a linha 2015 do modelo, no começo do ano. Ela foi redesenhada visando priorizar a ergonomia e, embora esse objetivo tenha sido alcançado, a interface ainda não é muito inteligente. O navegador, por exemplo, exige muita paciência para ser programado – eu não consegui, no caso. Já para conectar seu smartphone via Bluetooth, a coisa fica mais amigável.

Ainda por dentro, o Azera quer te conquistar de qualquer forma oferecendo vários tipos de conveniência. O teto solar é panorâmico e se abre quase todo, os bancos dianteiros se aquecem em dois estágios assim como o volante (!). O ar-condicional é de duas zonas e digital, enquanto para os passageiros do banco de trás, os 2,84 m de entre-eixos garantem espaço para se esparramarem nos bancos. Se o sol te atrapalhar, as janelas traseiras possuem uma cortina de acionamento manual. No vidro traseiro, o acionamento é elétrico por um botão no console central.

Mecânicamente, o Azera não deixa a desejar. O motor V6 de 3 litros produz 250 cv a 6.400 rpm e 28,8 kgf.m a 4.700 rpm com gasolina. O desempenho é satisfatório: ele não dá patadas e é progressivo na aceleração – até para acelerar é suave. O problema está no atraso do conjunto. O câmbio automático de seis marchas trabalha bem, mas ainda está alguns passos atrás de um DSG, como o do Volkswagen CC – que traz o ótimo 2.0 TSI de 211 cv. O reflexo do atraso vem no consumo: de bom humor, não se crava mais de 5 km/l rodando na cidade. Na estrada, agradeça se registrar algo perto dos 8 km/l.

A suspensão também merece atenção pelo acerto que claramente prioriza o conforto. Ao entrar em uma curva com mais fôlego, a sensação de rolagem da carroceria é instantânea. Não é nada incomum, mas está na cara que ele não está na sua zona de conforto. A direção hidráulica contribui para melhorar na dinâmica, embora ela não seja o ideal para o que o carro se propõe. Nas manobras de estacionamento ela pesa demais, e um sistema elétrico cairia bem ali.

Por fora, o design chama atenção, como não poderia ser diferente. As rodas são de 18 polegadas e com a atualização da linha 2015, os parachoques foram levemente redesenhados e a dianteira ganha moldura dos faróis de ilha mais encorpada com linhas cromadas na grade e nos faróis de xenônio.

Resumindo, o Hyundai Azera é um ótimo carro. Pena que a CAOA sabe disso e não tem cerimônia em cobrar. Por R$ 167.900, ele fica para trás. Mesmo com o interior mais bem acabado e refinado do que o Accord, o GPS e os três airbags a mais – seis no Honda, nove no Hyundai - os R$ 20 mil a mais não se justificam.  No Fusion, o pacote se iguala, mas o desempenho e o consumo é superior no Ford que ainda oferece tração integral.

O objetivo do Azera talvez seja o Volkswagen CC que, mesmo partindo de R$ 160.100, só se iguala com os equipamentos do Hyundai quando acrescentamos cerca de R$ 15 mil reais em opcionais como teto panorâmico, sistema keyless, central multimídia e câmera de ré. Comparando desempenho e consumo, no entanto, é mais uma derrota para o Hyundai.

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