Indiana avalia Tata Nano

O carro mais barato do mundo, na opinião de quem tem um


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Carro nascido entre mantras e mudras. Carro mais barato do mundo. Carro ex-promessa para o Brasil. Carro cujo destino quase se incendiou em unidades explosivas e que está renascendo das cinzas. Eu não estava com as malas prontas para ir à Índia pelo Tato Nano; mas, uma vez lá, por que não testá-lo? A boa ideia, entretanto, não agradou a assessoria de imprensa da fabricante. Depois de informar os dias em que poderia ir a Mumbai para avaliação, não obtive mais respostas aos meus e-mails. Pena. Quando uma porta se fecha, porém, se abre uma garagem. E lá estava ela, com dois Nanos, uma amarelo, outro vermelho, brilhando diante de meus olhos, no prédio residencial onde me hospedei. Minha sorte estava definitivamente melhorando. A proprietária do exemplar amarelo, Akanksha Chatrath, bem mais receptiva que a Tata Motors, aceitou contar suas impressões sobre o Nano após um ano de convivência com o modelo.

Retrospectiva

Em janeiro de 2010, nove meses depois do lançamento do Nano, passei trinta dias na Índia e não vi um único exemplar nas ruas. Explica-se: das 203 mil reservas feitas até maio de 2009, apenas 26.985 unidades tinham chegado às ruas até fevereiro do ano seguinte. Parte do péssimo resultado, segundo a Tata, ocorreu devido à falta de capacidade de produção da fábrica; outra, à desastrosa publicidade causada por cinco Nanos que pegaram fogo.

Dois anos depois, a fabricante mudou sua estratégia de marketing. De volta à Índia para mais 30 dias, em março último, vi outro panorama. Para melhorar as vendas do Nano, a fabricante está oferecendo financiamento e preço especiais para seus funcionários; para clientes comuns, financiamento de até 90% do valor do veículo, garantia de quatro anos ou 60 mil km e está investindo em publicidade. Nas estações de metrô de Nova Delhi, por exemplo, painéis anunciam o caminho mais rápido para se libertar do transporte público: Nano por menos de 3 mil rúpias ao mês cerca de R$ 91 em 36 vezes. As ações têm dado resultado. O modelo bateu o seu recorde em abril, com 10.012 unidades vendidas.

Nano para ir ao mercado

A bela e tímida Akanksha Chatrath, de 20 anos, estudante de comunicação, tem um pé na tradição ela terá um casamento arranjado pelos pais e outro na modernidade revelado no uso do jeans em vez do sári. Botar o pé no acelerador do Nano, entretanto, assim como o seu futuro casamento, não foi uma decisão pessoal. “Ganhei o carro de presente do meu tio”.

Antes de responder a seguinte e mais importante pergunta, “qual é sua opinião sobre o Nano”, Akanksha quis saber: “posso falar francamente?”. O receio se explica. Isenta da passionalidade que se estabelece entre aquele que deseja e seu objeto de desejo – lembrem-se, ela não escolheu o carro – Akanksha sentia-se em condições de apontar as qualidades e defeitos do caçula da Tata.

Falta vitamina Cv

Com 3,1 m de comprimento, 1,5 m de largura e 1,6 m de altura, o espaço externo e interno quem diria é, na opinião da jovem, o ponto forte do modelo. Segundo a Tata, ele tem 21% mais espaço que “um carro caro”, isso por causa de o motor ser traseiro. Akansha concorda: “ele parece pequeno por fora, mas é bem espaçoso por dentro. Quatro pessoas podem ser transportadas com conforto”. Se o espaço é uma vantagem, entretanto, o mesmo não se pode dizer da força. Apesar de a maioria dos indianos ser magra e de baixa estatura, Akanksha não arrisca abusar do motor traseiro de dois cilindros, 35 cv de potência a 5.250 rpm e torque de 48 Nm 4,9 kgfm a 3.000 rpm do urbaninho. “Se dou carona para mais de duas pessoas, ele anda devagar demais e fica barulhento”, reclama.

Para a estudante, o carro é uma boa opção para quem faz trajetos curtos e planos. “Uso o Nano apenas para ir ao mercado e à estação do metrô, ambos a menos de três quilômetros de minha casa”. Vale ressaltar: Akanksha não precisa encarar subidas no caminho. Para ir à faculdade, ela estaciona próximo ao metrô e pega o trem. Segundo suas impressões, embora não seja um carro potente, o Nano é fácil de dirigir e de manobrar. “Ele é uma saída inteligente e muito conveniente para o tráfego pesado de Nova Delhi”.

A economia, de acordo com Akanksha, é outro ponto forte do modelo. Ao encher o tanque com capacidade para 15 l, ela garante fazer 24 km/l. “Até me esqueço de abastecer”. Pudera, são 354 km de autonomia.

O Tata Nano atinge a velocidade máxima de 105 km/h, mas Akanksha conta que nunca arriscou pisar tão fundo. “Acima dos 70 km/h, ele faz tanto barulho que chega a assustar. Parece um tuk-tuk espécie de triciclo coberto que faz um ruído metálico ensurdecedor”. As autoestradas, diz a estudante, é outro ponto a se evitar. Os 600 quilos do modelo e o centro de gravidade elevado dão uma forte sensação de instabilidade. Ainda assim, para muitas famílias na Índia, o Nano é opção mais segura que as motos algumas chegam a levar cinco pessoas ou preferível a andar pendurado fora do carro.

Para vê-lo em ação, entretanto, só mesmo indo à Índia. Por não atender aos padrões de segurança exigidos no Brasil, os planos de trazer o modelo para cá foram abortados.

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