A versão testada do XJ é a mais completa com este motor a gasolina 5.0 V8 de 385 cv, 56 kgfm e injeção direta de combustível. Com alguns opcionais, o preço inicial do exemplar avaliado passa de 145 mil euros – R$ 325 mil – para 160 mil euros – R$ 356 mil. Mas é verdade que alguns opcionais, como as enormes rodas de 20 polegadas e os vidros traseiros escurecidos, são elementos que fazem o XJ se destacar, além da linha de cintura extremamente alta também, que lhe dá um toque de distinção. Claro que os equipamentos são fartos, mas é preciso lembrar que o BMW 750i consegue oferecer 407 cv partindo de 129 mil euros, R$ 286 mil.
No interior, o novo XJ impressiona pelo vanguardismo. O seletor do câmbio automático é igual ao estreado no XF: um comando circular no console central, que sobe quando o carro é ligado. No volante, borboletas para mudanças sequenciais da transmissão. O quadro de instrumentos é fantástico. Um visor de LCD com 614 mil cores cria, virtualmente, o velocímetro, conta-giros e todas outras informações possíveis e imagináveis. Os dois tetos solares também possuem revestimento em couro, sendo que o só da frente abre, enquanto o de trás é panorâmico. O console central é repleto de botões e deixa bem claro que o XJ usa e abusa da mais alta tecnologia. Ao centro, um display LCD sensível ao toque pode incluir televisão. O ar-condicionado quadrizone tem regulagens independentes e o sistema de som Bowers & Wilkins é um espetáculo à parte: tem disco rígido, dois subwoofers, dois woofers, 20 alto-falantes e 1.200 Wats de potência promete uma fantástica qualidade musical.
Primeiras impressões - Suavidade quase absoluta A bordo do Jaguar XJ, chega a hora de ligar o massageador e o aquecimento dos bancos e desfrutar do propulsor V8. A direção é leve e precisa para responder as reações do motorista, mas não chega a ser excelente. O que não invalida a condução do XJ, que é fluida e suave. O baixo peso do carro – graças ao chassi em alumínio – contribui no comportamento praticamente exemplar para um modelo que mede mais de cinco metros de comprimento. Nas curvas, o novo XJ também faz esquecer a geração anterior, com bastante equilíbrio.
O motor, com os seus 385 cv, lança com convicção os pouco mais de 1.700 kg para velocidades altas em muito pouco tempo. Os 5,7 segundos registrados no teste de zero a 100 km/h mostram bem as capacidades do XJ, que aos mil metros já chega a 220 km/h. Para alcançar estes números, é preciso colocar a transmissão no modo “Sport” e selecionar a opção “Race”, que influencia na gestão da transmissão, da direção, da suspensão e deixa o quadro de instrumentos na cor vermelha. A direção nunca é tão pesada como poderia se esperar, nem a suspensão assume um amortecimento tão firme, mas estas são as afinações mais esportivas do novo XJ. As borboletas para trocas de marcha atrás do volante proporcionam ao motorista executar as mudanças de maneira suave e precisa. A transmissão funciona de forma exemplar e neste modo “Race”, as trocas têm mesmo de ser feitas de forma manual, já que, chegando na faixa vermelha de giros, o sistema não troca de velocidade de forma automática.
O couro que reveste quase todo o interior é de primeira qualidade e os acabamentos mostram a categoria do XJ. As aplicações de madeira junto com o couro extremamente suave geram no motorista uma vontade de permanecer a viagem inteira com a mão sobre o volante. Mesmo assim, o material de alguns botões e a aparência de outros comandos parecem pouco dignos de um modelo de luxo. Ao mesmo tempo, os ruídos que invadem a parte traseira e o fato de o ar-condicionado não ter resfriado o habitáculo como deveria também são detalhes difíceis de explicar. Esteticamente atraente e com atributos que o destacam positivamente, o novo Jaguar XJ convence pela diferença que marca o novo design do fabricante inglês de automóveis de luxo e pela qualidade geral oferecida. Se bem que ainda existem alguns detalhes negativos que precisam desaparecer para conseguir chegar ao requinte e à nobreza de rivais como Audi A8, Mercedes-Benz Classe S e BMW Série 7.
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