(Rio de Janeiro - RJ) O cerco contra o império do Ford EcoSport está mais fechado. Após a chegada do Honda HR-V, desembarca nas concessionárias da Jeep, em abril, o Renegade, utilitário esportivo compacto fabricado em Goiana, Pernambuco, que custa entre R$ 69.900 e R$ 116.990 – dentro de três meses, uma opção ainda mais em conta será oferecida por R$ 66.900.
Durante lançamento oficial do veículo à imprensa especializada, tive contato com a versão intermediária Longitude equipada com motor 1.8 16V E.TorQ (bicombustível) e transmissão automática de seis marchas, que parte de R$ 80.900. Segundo executivo da marca de origem norte-americana, esta configuração deverá ser responsável por puxar as vendas, com aproximadamente 40% de market share.
A Jeep não revela quantas unidades pretende vender até o dezembro, mas muitos deixam claro que ser líder do segmento, desbancando o EcoSport, é a meta.
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DESAFIANTE PERIGOSO
O Jeep Renegade é um dos principais – se não o principal – lançamento da indústria automobilística brasileira em 2015. Muita expectativa foi criada em torno do modelo, que anunciava inúmeras qualidades, muitas penduradas no DNA off-road consagrado da marca. Porém, sem as qualidades presentes apenas no conjunto representado pelo motor 2.0 turbodiesel de 170 cv e 35 kgf.m de torque, como tração 4x4 (com reduzida) e câmbio automático de nove velocidades herdado do Cherokee, o Renegade se torna um SUV mais comum.
Na opção Longitude avaliada, o motor 1.8 bicombustível é o mesmo do Fiat Bravo, retrabalhado em alguns pontos para gerar um pouco mais de torque e entrega-lo em menores rotações. São 19,1 kgf.m a 3.750 (com etanol), sendo que 80% desta força aparece a 1.500 giros – no Bravo, a força máxima é de 18,9 kgf.m e ela aparece apenas a 4.500 rotações. A potência continua a mesma: 132 cv a 5.250 giros com o combustível vegetal.
No perímetro urbano, este ‘coração’ flex não garantiu ao garoto de 4,23 metros fôlego suficiente para boas acelerações e retomadas vigorosas. A morosidade sempre se fez presente quando afundei o pedal da direita no assoalho. E isso se deve muito a um fator simples: o peso. De acordo com a ficha técnica, esta configuração tem 1.440 quilos. Com álcool, a aceleração de 0 a 100 km/h acontece em 11,5 segundos e a velocidade máxima é de 181 km/h.
O câmbio automático de seis marchas consegue entregar conforto ao modelo, com trocas suaves. Mesmo com os leves trancos é mais agradável que a insossa caixa CVT (continuamente variável) do Honda HR-V ou a ‘velha’ de apenas quatro marchas do Renault Duster. Perde, porém, para a transmissão Powershift de dupla embreagem do EcoSport. Na realidade, este câmbio do Renegade parece ser muito para o motor. Talvez um propulsor mais moderno daria conta do recado.
Ponto positivo para o ajuste da suspensão. Com sistema independente nas quatro rodas e um setup focado na rigidez sem ser desconfortável, entrega rodar suave mesmo em trechos mais esburacados, e segurança em curvas e frenagens mais acentuadas, evitando as inclinações da carroceria.
ESPAÇO APENAS OK
Pensando em um comportamento urbano – lembrando que esta opção tem tração 4x2 (dianteira) -, as medidas do Renegade são bem interessantes. A sensação ao volante, muitas vezes, é de estar em um hatch anabolizado e não em um SUV compacto. Com 2,57 metros de distância entre os eixos, pessoas com 1,70 metro de altura viajam sem problemas no banco traseiro. Com cinco grandalhões, as coisas mudam de figura e um leve incômodo será sentido – ponto positivo para os encostos de cabeça e cinto de três pontos para todos os ocupantes, como será obrigatório para todos os carros fabricados no Brasil a partir de 2018.
A capacidade do porta-malas também peca. São somente 260 litros, menor, por exemplo, que do Renault Sandero, que carrega 320 litros. Como ponto de comparação, o HR-V leva 431 litros e o Duster, 475 litros. A equipe que carregava equipamentos de filmagem teve que abrigar parte das bagagens na cabine. Portanto, esqueça viajar ‘de galera’ para qualquer lugar – vai faltar espaço: fato!
Com regulagens de altura e profundidade da coluna de direção, além de ajuste de altura do banco do motorista, encontrar a melhor posição ao volante é fácil. O volante multifuncional também tem excelente empunhadura, os comandos estão à mão, e todas as informações transmitidas pelo painel de instrumentos ou pela tela da central multimídia têm fácil visualização. A direção elétrica agrega ainda mais comodidade, já que as manobras são feitas sem qualquer esforço.
Destaque para o design do interior, que consegue agregar modernidade mesmo mantendo muitas características de um legítimo Jeep. Os materiais utilizados também são de excelente qualidade e os encaixes das peças são precisos, sem apresentar folgas ou rebarbas. É um acabamento superior aos do Duster e do EcoSport, e está em pé de igualdade ao HR-V.
CUSTO-BENEFÍCIO
Quando a Fiat adquiriu o Grupo Chrysler, formando a FCA (Fiat Chrysler Automobiles), a expectativa era que houvesse um cross de know-how entre as duas marcas, sendo que a Fiat tornaria os carros da marca norte-americana com custo-benefício mais interessante. E no caso do Renegade podemos dizer que isso realmente aconteceu, sendo, sim, superior ao do HR-V – aliás, a Honda poderia caprichar um pouco mais nos itens de série de seus veículos.
O Jeep vem, na opção Longitude – lembrando que ela parte de R$ 80.900 -, com freios ABS e EBD (distribuição eletrônica de frenagem), controles de tração e estabilidade, airbag duplo frontal, rodas de liga leve de 17 polegadas (pneus 215/60), ar-condicionado de duas zonas, câmera de ré, faróis de neblina, computador de bordo, freio de estacionamento elétrico, sistema multimídia com telas de 55 polegadas sensível ao toque, GPS, entradas RDS e USB, comando de voz e Bluetooth, isofix, travas e vidros elétricos (one touch nas quatro portas). Ficou faltando os bancos revestidos em couro.
Outro ponto positivo – também herdado da Fiat – é que o Jeep tem uma longa lista de opcionais. E opcionais relevantes, que realmente agregam valor ao carro. O Pack Safety, por exemplo, agrega airbags de cortina, laterais e de joelho para o motorista, além de monitoramento da pressão dos pneus. Já o Pack Tecnology 1 acrescenta Park Assist (vagas transversais e longitudinais), sensor de ponto cego, sensores de chuva e crepuscular, espelho retrovisor interno eletrocrômico e espelhos externos com rebatimento automático. Por fim, o Pack Tecnology 2 tem sistema de entretenimento com tela de 6,5 polegadas (sensível ao toque), sistema de áudio premium da marca Beats, quadro de instrumentos de 7 polegadas com tecnologia TFT, faróis duplo xenônio e regulagens do banco do motorista e lombar elétricas. Teto solar panorâmico e rodas de liga leve de 18 polegadas também estão na lista. Já para quem gosta de mexer no visual, são ofertados 71 acessórios da marca Mopar.
O Jeep Renegade chega com três anos de garantia e a novidade principal é que as revisões serão realizadas a cada 12.000 quilômetros rodados – isso até completar 72.000 km.
BRUTA SIMPATIA
Falar o que é bonito ou feio é muito complicado. Gosto cada um tem o seu. Mas é possível cravar que o Jeep Renegade caiu na graça do brasileiro – e talvez este seja seu mais forte poder de convencimento. O estilo caixote-arredondado chamou a atenção nas ruas do Rio de Janeiro durante a avaliação. Em cores mais chamativas, como vermelho ou laranja, muitos sacaram os celulares para fazer fotos.
A dianteira exala simpatia, com grade frontal com sete barras verticais e faróis redondos – principal característica de um Jeep. O para-choque mais robusto garante um ar mais parrudo ao Renegade. As laterais têm linha de cintura elevada, sem, no entanto, comprometer a área envidraçada. E a traseira, com lanternas quadradas e pequenas com um ‘X’ no meio, tem muita personalidade.
CONCLUSÃO
O Jeep Renegade será um sucesso de vendas. É sim forte candidato a destronar o Ford EcoSport do posto de utilitário esportivo compacto mais vendido do País. Sua principal versão urbana (Longitude 1.8 automática avaliada pelo WebMotors) tem custo-benefício interessante (apesar dos R$ 80.900 iniciais), lista de opcionais recheada e design realmente arrebatador – vai conquistar aqueles que querem ser notados. Derrapa, porém, nos quesitos desempenho e espaço interno, que são os pontos fortes do Honda HR-V e que, na minha opinião, ainda está um passinho a frente de toda a concorrência.
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