Kia Cerato só não ameaça Honda Civic porque é importado

Sedã médio a preço de compacto premium terá volume de importação menor do que demanda


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Gustavo Ruffo
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Mogi das Cruzes, SP - Quando a Kia deixou de produzir a Besta, muita gente previu tempos difíceis para a marca no Brasil. Mas o que aconteceu foi exatamente igual à fábula do monge que jogou a única vaca de uma família pobre no precipício. Na história, isso tirou as pessoas de uma estranha zona de conforto e permitiu que elas enriquecessem. O sacrifício da Besta teve o mesmo efeito para a marca coreana. As vendas andam melhorando a cada dia e a nova linha de produtos tem se mostrado vitoriosa, como é o caso do Kia Soul, que vendeu bem mais do que se esperava. Outro que promete repetir a receita é o Kia Cerato. E pelas mesmas razões.

Além da garantia de cinco anos, uma das maiores do Brasil, o carro teria uma economia de combustível bastante interessante a Kia fala em algo de mais de 19 km/l em ciclo rodoviário, segundo o Inmetro, a comprovar, traz um estilo mais do que agradável e um preço que só não fará tremer os competidores, como o Honda Civic, porque a Kia não vai conseguir trazer uma quantidade de carros suficiente para atender à demanda. A fábrica da Coreia do Sul está em greve. Mesmo que não estivesse, outros mercados, atualmente maiores do que o Brasil, andam comprando o Soul e o Cerato em grandes quantidades.

Por R$ 49,9 mil, ele é maior, mais espaçoso e tão completo quanto o Honda City de entrada, mas bem mais barato o City custa R$ 56,21 mil. Completo, com ABS, EBD, freio a disco nas quatro rodas, transmissão automática com opção de trocas manuais com quatro marchas, ar-condicionado digital, toca-CD com MP3, entrada auxiliar e USB, computador de bordo, dois airbags dianteiros, encostos de cabeça ativos, que evitam o efeito-chicote que danifica a coluna, e rodas de liga-leve de aro 16”, sai por R$ 57,9 mil, pouca coisa a mais do que a versão básica do sedãzinho da Honda e bem menos do que o Civic básico, vendido a R$ 64.365, pela tabela. Apesar de ser encontrado com desconto, o Civic ainda é mais caro que o Cerato.

Além do belo pacote de equipamentos e do preço extremamente competitivo, o Cerato também conta com a ajuda do imponderável, do subjetivo. Subjetivo, que, no caso dele, é quase unânime, o que poderia resvalar para a famosa frase de Nelson Rodrigues “Toda unanimidade é burra”, mas não acreditamos nisso: as linhas do novo sedã são muito agradáveis. Os adjetivos variam de “lindo” a “legal”, mas feio é algo que não se ouve em nenhuma roda.

O estilo ajuda o Cerato inclusive diante do público feminino, que tende a rejeitar sedãs por serem conservadores e “grandes demais”. Apesar de ter 4,53 m de comprimento, o Cerato parece ser muito mais compacto, sem que isso implique em um interior apertado ou desconfortável.

Com um motorista de 1,85 m, um passageiro da mesma altura consegue viajar com conforto, sem encostar os joelhos no banco da frente. No banco traseiro, dois adultos viajam com tranqüilidade, mas um terceiro adulto tende a andar espremido por conta da largura do carro.

No porta-malas, a medida de 415 l seria menor que a do City, que tem 506 l, e do que a de sedãs médios, como o Civic, mas, segundo a Kia, o método de medição do espaço entre Honda e Kia é diferente. Numa inspeção visual, o porta-malas do Cerato parece mais raso, mas mais fundo do que o do City. O acesso ao compartimento é melhor no Kia do que no Honda.

Por dentro, os instrumentos e comandos apresentam a mesma boa aparência do exterior do carro. Não chegam a exalar sofisticação, mas são bem feitos, sem rebarbas e com encaixe preciso. Nas versões mais sofisticadas, o interior em dois tons se mostra acertado, ainda que haja um certo excesso de plástico, como nos painéis das portas, que poderiam contar com painéis revestidos em tecido.

Ao volante

Achar a melhor posição de dirigir não é tarefa complicada. O banco tem ajuste de altura e pode ficar bem baixo, exatamente como gosta o motorista que aprecia a condução esportiva. O volante, com regulagem em altura, também permite a melhor visualização do painel de instrumentos, mas poderia ter ajuste de distância. Uma facilidade ergonômica é a presença dos comandos do rádio no volante. Ajuda a dirigir com mais segurança, sem desviar os olhos da estrada.

Seria bom se o acionamento do computador de bordo também fosse tão simples. Ele só pode ser manipulado por uma tecla, “Trip”, que fica à direita do painel de instrumentos. Ela estaria melhor se fosse colocada nos comandos-satélite ou mesmo no volante.

Outra coisa quase essencial seria o controle da luminosidade do painel de instrumentos. Ele não existe, mas a iluminação diminui quando se acende os faróis. Para quem usa faróis baixos ligados durante o dia, fica impossível ler os mostradores do computador de bordo, do ar-condicionado digital e do rádio.

Tivemos a oportunidade de guiar o Cerato tanto com câmbio manual quanto com automático. E o carro nos surpreendeu positivamente, em termos dinâmicos, nas duas situações.

Quem gosta de motores grandes provavelmente não acreditará que um motor 1,6-litro pode ser bom de dirigir, mas isso só até saber que esse motor 1,6-litro tem 126 cv e 156 Nm. É evidente que o papel aceita tudo, mas tivemos a chance de sentir o que esses números significam. O Cerato tem força para acelerar e para chegar e manter velocidades mais altas sem grande esforço. A 120 km/h, o motor está a 3.500 rpm, com câmbio manual.

Se não tivesse força em baixas rotações, o que acontece, o motor do Cerato pelo menos teria o mérito de subir de giro com disposição. Não chega a ser um Civic SI indo dos 6.000 rpm aos 9.000 rpm, mas isso também seria pedir demais. O isolamento acústico do Cerato não é o melhor que já tivemos a chance de experimentar. Um pouco mais de material isolante não faria mal nenhum ao carro, ainda que não se possa acusá-lo de ser barulhento. Não chega a tanto.

Descendo a serra de Mogi das Cruzes à Riviera de São Lourenço, o câmbio automático se mostrou ágil, com respostas prontas. É tudo que se pode esperar de uma transmissão de quatro velocidades fora que ela tivesse mais uma marcha, como a do Honda Civic. Na subida de serra, de todo modo, houve quem reclamasse de uma certa hesitação do câmbio entre uma marcha ou outra. Daí a vantagem de um câmbio com opção de trocas manuais.

Vale ressaltar, contudo, que a transmissão faz a troca sozinha quando se atinge 6.500 rpm. Outros modelos mantêm a rotação alta, evitando que o motor saia de giro por meio de corte de ignição.

Em termos dinâmicos, o Cerato mostra boa adaptação ao péssimo piso brasileiro. Não aderna nas curvas e permite que o motorista se atreva um pouco mais do que em sedãs mais voltados ao conforto. A suspensão traseira com eixo de torção não é tão sofisticada quanto a independente que está no Honda Civic ou no Ford Focus, mas cumpre seu papel.

Como todo veículo, há muitas coisas em que o Cerato poderia ser melhor, mas todas elas se tornam pequenas diante do fato de que o carro é bom, bonito e barato para um modelo de sua categoria. Essa é a tríade de letras “B” que normalmente coroa carros campeões em vendas. Pena é a Kia não ter uma fábrica no Brasil para garantir seus volumes de venda. Duvidamos que isso se mantenha assim por muito tempo. Depois de mandar a Besta para o brejo, a Kia, mais rica, certamente vai querer reformar sua casa no Brasil.

Gustavo Henrique Ruffo viajou a Mogi das Cruzes a convite da Kia Motors
FICHA TÉCNICA – Kia Cerato

MOTORQuatro tempos, quatro cilindros em linha, transversal dianteiro, quatro válvulas por cilindro, com comando variável de valvular CVVT, refrigeração a água, 1.591 cm³
POTÊNCIA126 cv a 6.300 rpm
TORQUE156 Nm a 4.200 rpm
CÂMBIOManual de cinco velocidades ou automático de quatro
TRAÇÃO Dianteira
DIREÇÃOHidráulica, por pinhão e cremalheira
RODAS Dianteiras e traseiras em aro 15” ou aro 16”, em liga-leve. Opção de aro 17”
PNEUS Dianteiros e traseiros 195/65 R15 ou dianteiros e traseiros 205/55 R16 opcionais 215/45 R17
COMPRIMENTO4,53 m
ALTURA1,78 m
LARGURA1,78 m
ENTREEIXOS2,65 m
PORTA-MALAS415 l
PESO em ordem de marcha1.223 kg manual e 1.248 kg automático
TANQUE52 l
SUSPENSÃODianteira independente, do tipo McPherson; traseira com eixo de torção
FREIOSDianteiros com discos ventilados e traseiros com tambores na versão de entrada e com discos sólidos nas restantes
CORESPrata, Preto Ébano, Branco, Vermelho Pimenta, Azul Santorini, Cinza Grafite e Cinza Titânio
PREÇOSR$ 49,9 mil E.201, R$ 52,9 mil E.202 e R$ 57,9 mil E.252


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