O Leapmotor C10 REEV agrada pelo visual, lista de equipamentos e comportamento dinâmico. Mas fica devendo em desempenho para os híbridos plug-in
O Leapmotor C10 REEV estreou no Brasil no final de 2025 com uma tecnologia quase inédita no mercado brasileiro: um extensor de autonomia a gasolina. Ou REEV, na sigla em inglês para Veículo Elétrico com Alcance Estendido.
No final das contas, essa é mais uma alternativa de eletrificação aos modelos 100% elétricos e também aos híbridos leves, autocarregáveis e plug-in.
Ficou curioso para saber como é rodar com o Leapmotor C10 REEV? Apesar de a própria fabricante tratar esse SUV como um "ultra-híbrido", já te adianto que é diferente de rodar com um automóvel plugado sem o extensor de autonomia. E, também, que não dá para comparar esse SUV aqui com os híbridos plug-in. Confira a seguir!

Antes do C10 REEV, já tivemos no mercado brasileiro um automóvel elétrico com uma tecnologia bem parecida: o BMW i3 REx. Esse i3 REx era um automóvel elétrico equipado com um pequeno motor bicilíndrico de 34 cv de potência - literalmente, um propulsor saído de um scooter -, que tinha como única função atuar como gerador de eletricidade quando a bateria motriz ficava com carga baixa.
Mas esse era um sistema com lógica de funcionamento diferente, mais voltada para emergências do que para o uso cotidiano. Sem contar que o i3 era um carro de nicho, em um tempo em que os elétricos ainda eram um bicho de sete cabeças no nosso mercado.

Antes de contar como é esse C10 no uso, bora falar no carro. O Leapmotor C10 REEV é um típico SUV médio grandalhão. Tem 4,73 metros de comprimento, 1,90 metro de largura, 1,68 metro de altura e 2,82 metros de entre-eixos. Essa é a versão topo de linha do modelo, que sai por R$ 219.990. Ou R$ 15 mil a mais que a versão BEV, sem o extensor de alcance.
Em dimensões e visual, é um típico SUV chinês. Carroceria de linhas arredondadas e espaço de sobra para levar cinco pessoas com muito conforto. Mesmo que sacrificando um pouco o bagageiro, que tem 435 litros de capacidade. Volume apenas razoável para um carro desse porte. E as rodas, de 20 polegadas, têm visual bem esportivo.
Mas eu preciso falar sobre esse sensacional tom verde do carro das fotos: oficialmente chamado de Verde Boreal, parece saído diretamente de um carro britânico e caiu muito bem nesse SUV de desenho tipicamente asiático. Se você não se animou, a Leapmotor oferece também as - monótonas - opções de pintura nas cores branco, preto e cinza na carroceria.
Além dessa opção de cor Verde Boreal - que poderia realmente ser chamada de British Racing Green -, a Leapmotor oferece a um interior caramelo para o SUV. Combinação que transforma esse cidadão da chinesa Jinhua praticamente em um súdito honorário do rei Charles III.
Um casamento esteticamente bem interessante. Felizmente (ou não?) o C10 desse teste tinha o interior preto. Mais apagado, mas que evidencia outros aspectos do interior desse SUV da Leapmotor.
Além do ótimo espaço para os passageiros, o C10 tem uma cabine com acabamento muito caprichado - com materiais refinados, LEDs decorativos no painel e nas laterais de porta - dianteiras e traseiras - e telas grandes, sendo uma de 10,25 polegadas para o quadro de instrumentos e outra, de 14,6 polegadas, para a multimídia.
Os bancos também merecem aplausos. Têm material muito agradável ao toque e são tão confortáveis quando uma poltrona. Além disso, têm ajustes elétricos e climatização. São perfeitos para suportar várias horas no trânsito sem muitos incômodos.
Praticamente sem botões físicos, já que os únicos interruptores são os comandos dos vidros elétricos e os do volante multifuncional, o C10 exige tempo - e algumas consultas ao manual do proprietário - para sacar alguns comandos e configurar os recursos.
Mas esse tempo para dominar os principais comandos nem incomoda tanto. O que é difícil de aceitar mesmo é a bendita chave com cara de cartão de crédito.
Trata-se de um cartão NFC, que precisa ser encostado em um canto específico do retrovisor externo esquerdo para travar ou destravar as portas. E é preciso deixá-la sobre um ponto específico do carregador de indução do veículo. Caso contrário, o carro até liga, mas você não sairá do lugar.
Uma chave presencial convencional seria melhor, não? Seria. Uma solução - parcial - para isso é baixar o aplicativo do carro no seu smartphone para conseguir abrir as portas sem precisar usar o cartão NFC.
Inclusive, até é possível sair dirigindo o veículo sem precisar tirar o tal cartão do bolso, apenas digitando uma senha na multimídia. Mas isso não significa que você possa largar a chave-cartão em casa. A não ser que você queira deixar o seu smartphone com cada manobrista que for cuidar do seu carro.
Ah, e outra ausência me incomodou: a do espelhamento do smartphone na multimídia. Embora o C10 tenha um - bom - GPS nativo, que pode até ser espelhado no quadro de instrumentos, e seja possível instalar apps diretamente no equipamento, a falta de compatibilidade com o Android Auto e o Apple CarPlay faz com que a enorme tela central pareça subutilizada.
O Leapmotor C10 REEV tem uma lista bem completa de equipamentos. Entre os itens de conforto estão o ar-condicionado de duas zonas com saídas para o banco traseiro, bancos dianteiros com ajustes elétricos (e memoria de posição para o motorista), aquecimento e ventilação, volante e retrovisores externos aquecidos, som com 12 alto-falantes, teto panorâmico, porta-malas elétrico e carregador de celular por indução.
Já o pacote de tecnológico e de segurança tem sete airbags - frontais, laterais, de cortina e central -, sensor de chuva, faróis de LED com acionamento automático, câmera 360° e de um pacote ADAS com itens como frenagem automática, controlador adaptativo de velocidade, assistentes de centralização e manutenção em faixa, alerta de tráfego cruzado na traseira com frenagem automática e monitor de pontos cegos.
O Leapmotor C10 REEV é equipado com um motor elétrico traseiro de 215 cv de potência e 32,6 kgfm de torque. A bateria motriz, de 28,4 kWh pode ser carregada, inclusive, em carregadores rápidos do tipo DC. Assim, é possível elevar a carga de 30% a 80% em apenas 18 minutos.
O diferencial do REEV é justamente a presença, sob o capô, de um motor 1.5 de quatro cilindros, alimentado por gasolina e com aspiração natural, operando na função de gerador de eletricidade. Tudo isso gerenciado eletronicamente pelo próprio veículo.
O resultado é um automóvel capaz de rodar até 111 quilômetros (ciclo PBEV) sem acionar o motor a combustão e com autonomia combinada de até 950 quilômetros (ciclo WLTP). O C10 REEV acelera de zero a 100 km/h em 8,2 segundos e chega a 170 km/h de velocidade máxima.
O C10 também tem suspensão independente nas quatro rodas - McPherson na dianteira e multibraços na traseira - e freios com discos ventilados.
Teoricamente, o Leapmotor C10 REEV é um híbrido plug-in. Afinal, é equipado com um motor elétrico e outro a combustão, e tem uma tomada de recarga e um bocal para encher o tanque de combustível de 50 litros.
Mas enquanto os híbridos plug-in têm dois ou mais motores para sair da imobilidade, o C10 REEV depende apenas de um único propulsor elétrico. Que opera acompanhado do ronco - mas não do empuxo - do propulsor a combustão.
E para sentir na prática como é essa experiência de rodar em C10 REEV, iniciei o teste com o carro no modo de condução EV+. Nesse modo, o motor a combustão entra em funcionamento apenas quando a bateria motriz chega a um nível crítico.
Com a bateria motriz carregada, o C10 REEV roda da mesma maneira suave e silenciosa que praticamente todos os automóveis 100% elétricos. Foram cerca de 125 quilômetros em percurso misto até a carga da bateria motriz baixar para menos de 10%. É aí que o comportamento do carro muda completamente em relação a outros elétricos.
Mesmo com o motor a gasolina funcionando para gerar eletricidade, mensagens e luzes de alerta começam a pipocar no painel e na multimídia alertando sobre a carga baixa na bateria motriz. E como o propulsor 1.5 a gasolina não está conectado às rodas, o ronco do propulsor nem sempre segue a pressão no acelerador.
Principalmente na estrada, é comum que você esteja guiando em velocidade de cruzeiro e ouça o propulsor a gasolina subindo de giro como se você estivesse com o acelerador colado no assoalho. Um comportamento bem estranho.
Como a prioridade nesse modo EV+ é acionar o gerador o mínimo possível, mesmo com a bateria em nível crítico, a carga fica oscilando pouco acima dos 10%. Por isso mesmo, o desempenho também fica prejudicado, com respostas aquém das esperadas para um automóvel elétrico.
Rodei mais 160 quilômetros com o carro dessa maneira, que está longe de ser a mais agradável, e resolvei mudar para o modo de condução mais extremo Power+, que opera em uma lógica oposta: o gerador opera 100% do tempo, independentemente da necessidade de energia do motor elétrico.
E, nesse modo, o desempenho do C10 volta ao normal - ainda que sem arrancadas empolgantes, pois estamos falando de um automóvel de quase duas toneladas -, e você nota que a carga da bateria motriz realmente começa a subir para níveis bem acima dos 10%.
Foram mais 200 quilômetros em ciclo misto com o carro no modo Power+. Estava esperando que o consumo de combustível estourasse na comparação com o modo EV+. Mas não foi o que aconteceu. A média foi de 11,4 km/l para 11,6 km/l. Resultado direto do fato de o motor a gasolina operar apenas como gerador, sem tracionar as rodas.
Ao todo, rodei pouco mais de 480 quilômetros com o C10 REEV e o contador de autonomia indicava combustível e bateria suficientes para rodar mais 340 quilômetros.
Um resultado impressionante e melhor que o dos automóveis 100% elétricos. Mas ainda abaixo do alcance dos híbridos plug-in.
Nos sete dias que eu passei com o C10 REEV, rodei 99% do tempo com o carro no acerto dinâmico Esportivo, que entrega respostas mais ágeis e uma direção menos assistida.
E não foi nem o acelerador mais sensível que me fez tomar essa decisão. Mas a direção, que fica excessivamente leve no acerto Conforto, principalmente em baixas velocidades.
Tirando esse aspecto, eu gostei bastante da calibração de direção e suspensão do C10. Diria que é um dos acertos mais agradáveis entre os SUVs chineses, com uma direção com peso correto - no acerto Esportivo - e uma suspensão bastante confortável, mas sem aquela sensação de se estar montado sobre uma gelatina.
O isolamento acústico também merece nota alta. Quase não se ouve ruídos de rodagem e o motor a combustão só é ouvido nas ocasiões em que a rotação sobe acima das 3.000 rpm.
Fiz uma simulação do seguro do Leapmotor C10 no Auto Compara e o valor da cobertura completa oscilou entre R$ 2.918 e R$ 6.699,60. Valor, vale destacar, para um homem, casado, 38 anos e morador da capital paulista. E sem descontos ou bônus.
Já o plano de manutenção do C10 REEV prevê paradas a cada 12 meses ou 10.000 quilômetros. Para fazer as cinco primeiras revisões, o proprietário terá que desembolsar cerca de R$ 8.800. Valor mais salgado que o do concorrente direto híbrido plug-in Jaecoo 7. E bem mais elevada que a conta dos 100% elétricos Geely EX5 e GAC Aion V.
Revisões dos concorrentes
A garantia de fábrica do Leapmotor C10 é de quatro anos ou 160 mil quilômetros, enquanto a bateria motriz tem cobertura de até oito anos.
Eu gostei bastante do Leapmotor C10. É espaçoso, bom de guiar, tem lista de equipamentos completa e acabamento caprichado, além de um visual externo bem agradável.
Por outro lado, pode até ser mais versátil que um automóvel 100% elétrico, mas não entrega o mesmo desempenho ou alcance combinado de um híbrido plug-in.
Por isso mesmo, digo que o C10 REEV pode funcionar muito bem para quem precisa de um automóvel que vai rodar quase 100% do tempo na cidade. Mas viaja com certa frequência para visitar a avó ou a mãe que mora naquele cantinho do fim do mundo, com rede de recarga rápida escassa ou inexistente.
Agora, se a ideia for comprar um carro que vai rodar metade do tempo na cidade e metade na estrada, já vale a pena abrir mão do C10 REEV e levar um concorrente híbrido plug-in, com ganho principalmente em desempenho.
Já nos casos em que o carro não vai circular fora do perímetro urbano ou sempre viaja para locais com boa infraestrutura de recarga, então não vale a pena investir nesse REEV. Economize uma grana levando um C10 BEV ou leve um concorrente 100% elétrico.
E de quebra, você ainda sai da concessionária com uma conta de manutenção futura infinitamente mais baixa.
Veja também
LEAPMOTOR - C10 - 2026 |
28,4 KW REEV |
R$ 219990 |
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