Mercedes-Benz Classe R

Empresa alemã traz modelo que pretende criar uma nova categoria, a de Grand Sport Tourer


  1. Home
  2. Testes
  3. Mercedes-Benz Classe R
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

- A Mercedes-Benz deu um passo à frente ao lançar um dos primeiros modelos do mundo que traz características de conforto, espaço interno, dirigibilidade e desempenho conciliados num único e interessante produto. Apresentado inicialmente no Salão de Detroit de 2002 como carro conceito — que a empresa chama de Vision —, surgiu no Salão de Paris de 2004 como veículo definitivo. Trata-se de um autêntico crossover, que cruza ou mistura as particularidades de sedã, station, monovolume e utilitário esporte. A empresa alemã decidiu batizar essa nova categoria de Grand Sports Tourer GST e o carro, Classe R. Começa a ser vendido no Brasil no final de maio próximo com preço estimado na faixa de R$ 400 mil.

Entre as peculiaridades mais relevantes estão as seis legítimas poltronas ao longo de três fileiras. Há muito não se via tal distribuição interna de bancos. O Fiat Múltipla, produzido entre 1956 e 1960, apresentava essa mesma solução. No caso do Classe R, o espaço para pernas, ombros e cabeça, em especial para os dois passageiros da fileira central, é excelente. E pode melhorar ainda porque existe uma versão com distância entre eixos alongada em 23 cm, que também será importada. O espaço livre para joelhos aumenta de 12 cm para 17,5 cm, perto do conforto de uma limusine. Na última fileira, claro, os ocupantes sentem-se menos confortáveis, pois as pernas ficam mais flexionadas: trata-se de um 4+2.

Mesmo na versão alongada, o volume do porta-malas é de apenas 295 litros nível de carro compacto, mas com o rebatimento de dois ou quatro bancos, formando uma plataforma plana, o espaço para bagagem pode ser ampliado para até 2.366 litros. A porta traseira pode ser aberta ou fechada automaticamente por um comando elétrico, operações acompanhadas por um aviso sonoro para evitar acidentes.

O estilo do Classe R destaca-se pela frente e traseira muito elegantes, tipicamente Mercedes-Benz, mas o desenho curvo do teto implicou uma solução discutível para a coluna traseira. Fica bonito no sedã-cupê CSL, porém neste caso há controvérsia. Por outro lado, os carros para o mercado nacional recebem o pacote Sport e as rodas de nada menos de 19 polegadas de diâmetro ajudam a recompor a visão lateral do modelo. Os pneus 255 de perfil 50 ficam menos vulneráveis aos buracos e irregularidades do piso. Vidros azulados, em vez de esverdeados, garantem o toque de esportividade preconizado pela marca.

A transferência da alavanca de câmbio do console de túnel para a coluna de direção também ajuda bastante na sensação de espaço para motorista e acompanhante. As teclas para operação do câmbio automático de sete marchas estão na parte posterior dos raios do volante. Existe opção de console central traseiro com apoio de braço, compartimento fechado e porta-copos. O teto modular de vidro tem superfície duas vezes maior que a convencional, provendo uma ótima sensação a todos os ocupantes.

De início, o motor oferecido é V8 de 5 litros, 306 cv e 47 kgm e, numa segunda etapa, o V6, 3,5 litros de 272 cv. A tração é sempre 4x4 permanente com antipatinagem e distribuição de torque entre as rodas acoplada ao sistema de controle de trajetória ESP. A suspensão é pneumática na dianteira e na traseira e inclui sistema de amortecedores adaptativos, semelhante aos melhores utilitários esportes de alto desempenho. Apesar do alto grau de segurança ativa e passiva, a Mercedes anuncia para meados do ano a chegada, no Classe R, dos apoios de cabeça com proteção dinâmica e do sistema que sente um choque iminente e aciona previamente todos os recursos de retenção disponíveis.

Impressionante ao guiar o Classe R é a ótima sensação oferecida a quem está atrás do volante e a capacidade do carro em transmitir segurança. Quase não dá para acreditar que o motorista se encontra no comando de um veículo de cerca de 5 metros comprimento ou mais na versão alongada e de 2,2 toneladas de peso. Seu coeficiente de forma aerodinâmica é de apenas 0,31 0,32 com os pneus mais largos, melhor até do que o de alguns sedãs modernos. Os dados de desempenho fornecidos pelo fabricante são os seguintes: aceleração de 0 a 100 km em 6,9 s; velocidade máxima limitada eletronicamente de 240 km/h; consumo médio cidade/estrada: 7 km/l.

O segredo dessas qualidades dinâmicas é a suspensão que mantém a altura livre do solo de modo automático, independentemente da carga. Em velocidades elevadas, esse vão livre é diminuído em 2 cm pelo próprio sistema, sem intervenção do motorista, o que rebaixa o centro de gravidade e permite manter a estabilidade direcional, além de um comportamento absolutamente previsível e seguro em curvas. Os freios são, simplesmente, perfeitos, apesar de o pedal mostrar uma maciez de acionamento meio desconcertante dentro do que se espera de um veículo desse porte.

Se as condições fora de estrada exigirem, é possível elevar a suspensão em até 5 cm por meio de um botão. Com todos os controles automáticos disponíveis, precisa de muito caminho ruim pela frente ou o surgimento inesperado de obstáculos insuperáveis para perder a capacidade de levá-lo ao destino final. Difícil é ter vontade ou necessidade de colocar um modelo como o Classe R em situações tão desafiadoras.

Confira as opções de Mercedes-Benz anunciadas no WebMotors
_______________________________
E-mail: Comente esta matéria

Comentários