Mercedes GLK: rastro de luxo entre os SUVs médios

Modelo usa tecnologia e equipamento para atacar o segmento


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No seleto grupo das chamadas marcas premium não existem pudores. Quando uma montadora inaugura algum nicho, as outras vão atrás. É o caso da Mercedes-Benz com o GLK. A marca alemã segue a rota traçada pela arquirrival BMW, com o X3, que inaugurou um segmento de utilitários esportivos médios em 2003 – seguido tardiamente pela Audi com o Q5 e pela Volvo com o XC60. Para o Brasil, a Mercedes buscou uma forma de diferenciação específica. Com a 280, solitária versão do GLK por aqui, oferece uma lista de equipamentos farta, a tradição de tecnologia embarcada e um propulsor tradicional V6, aspirado, de 231 cv. Com isso, fica mais potente que as versões iniciais de Q5 e X3, com respectivos 213 cv e 218 cv. Só perde mesmo para o 3.0 de 285 cv do XC60, mas o modelo da montadora sueca é um caso à parte, pois se mostra imbatível no preço.

É que todos os exemplares do nicho de SUVs médios das chamadas marcas premium custam acima de R$ 200 mil. O próprio GLK 280 sai por R$ 225 mil, bem distante dos R$ 165.900 da configuração mais cara do XC60. Ou seja, a briga do modelo da Mercedes é mesmo com os compatriotas
Q5 e X3. Para tal, recheou bem o GLK já na segurança. O modelo chega ao Brasil com oito airbags, controles eletrônicos de estabilidade e de tração, freios com ABS e EBD, sistema Neck-Pro de encostos de cabeça dianteiros ativos, monitoramento da pressão dos pneus, retrovisores eletrocrômicos e os externos com desembaçador e sensores de obstáculos.

Na parte de conforto, itens previsíveis em um modelo com este preço e também condizente com o que se espera de uma marca classificada como premium. Ar automático com três zonas e ajustes independentes para o banco traseiro, direção hidráulica, trio, retrovisores rebatíveis eletricamente, sensor de chuva, controle de cruzeiro, computador de bordo, Bluetooth, revestimento em couro com apliques em alumínio, rádio/CD/MP3, bancos dianteiros e coluna de direção com ajustes elétricos e memória, entre outros. O modelo também conta com o sistema de suspensão que calibra automaticamente os amortecedores para o tipo de terreno e modo de condução.

Desta forma, o GLK fica mais barato que o X3 2.5, que parte dos R$ 241 mil. E sai mais caro que o Q5 2.0 TFSI, que custa R$ 205.840, mas tem dois airbags a menos e só dispõe de alguns itens como opcionais: sensores de obstáculos, banco do carona com regulagem elétrica, espelhos externos rebatíveis eletricamente, entre outros. A seu favor, o crossover da Mercedes oferece um conjunto com motor 3.0 V6 com 231 cv de potência a 6 mil giros e torque máximo de 30,6 kgfm, que mantém uma faixa de torque praticamente plana, com mais de 80% da força máxima entre 1.500 e 6.500 rpm. Quase como se fosse um turbo. O motor trabalha com tração integral nas quatro rodas e com o câmbio automático 7G-Tronic, de sete velocidades com opções de mudanças sequenciais.

Mas o GLK também tem seus contras. E eles se concentram principalmente no estilo. O modelo ostenta um desenho com abuso de linhas bem definidas, alongadas e repleta de vincos, o que resulta em um visual bastante quadradão – segundo a Mercedes, uma influência do “estilo consagrado da Classe G”, que vem a ser a linha de jipões militares da marca. Na frente, para-brisa inclinado e capô extenso com dois vincos evidentes. Eles convergem para a generosa grade bicuda trapezoidal, com a estrela de três pontas ao centro, que se destaca em relação ao conjunto ótico com cortes bem pontuais.

No perfil, linha de cintura em cunha, um vinco na diagonal, janelas com extremidades retas e um corte do teto estilo jipeiro, plano e sem caimentos ou variações. A traseira tem um porta-malas levemente abaulado, enquanto a lanterna segue o estilo conservador dos faróis dianteiros. Um conjunto bastante controverso e que, mal comparando, remete aos pioneiros SUVs orientais, dos anos 80 e 90.

Talvez, a razão pela qual o GLK registre médias mensais de 14 unidades vendidas, atrás do Q5, com 23, e só à frente do já veterano X3, com 7 unidades/mês.

Instantâneas</>

* O alemão GLK foi lançado mundialmente em abril de 2008, durante o Salão de Pequim.
* O menor utilitário esportivo da Mercedes-Benz começou a ser vendido no Brasil em fevereiro deste ano.
* O GLK usa a base da nova geração do sedã médio Classe C.
* Na Europa, além do motor 3.0 V6, o SUV tem mais uma versão a gasolina V6 com litragem 3.5 e 272 cv, além de duas variações turbodiesel, uma 2.1 com 170 cv e outra 3.2 V6 com 224 cv.
* No Brasil, o GLK é vendido em 12 opções de cores externas e três tons para o acabamento interno: preto, bege Almond, bege Shara e cinza escuro.

Ficha técnica

Mercedes-Benz GLK 280

Motor: gasolina, dianteiro, longitudinal, 2.996 cm³, seis cilindros em “V”, quatro válvulas por cilindro com tempo de abertura variável e comando duplo de válvulas. Coletor de admissão de geometria variável, injeção eletrônica de combustível e acelerador eletrônico.

Transmissão: câmbio automático com sete velocidades à frente e uma a ré e opção de modo sequencial. Tração integral nas quatro rodas e controle eletrônico de tração.

Potência máxima: 231 cv a 6 mil rpm.

Torque máximo: 30,6 kgfm entre 2.500 e 5 mil rpm.

Diâmetro e curso: 88 mm X 82,1 mm. Taxa de compressão: 11,3:1.

Suspensão: dianteira independente do tipo McPherson, com três braços, amortecedores pressurizados a gás com regulagem e calibragem automáticas, molas helicoidais e barra estabilizadora. Traseira independente, com braços múltiplos, amortecedores pressurizados a gás com regulagem e calibragem automáticas, molas helicoidais e barra estabilizadora. Controle eletrônico de estabilidade.

Freios: dianteiros e traseiros a discos ventilados. ABS, EBD e assistente de frenagem de emergência.

Pneus: 255/45 R19 na frente e atrás em rodas de liga leve.

Carroceria: utilitário esportivo em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Com 4,52 metros de comprimento, 1,84 metro de largura,
1,68 metro de altura e 2,75 metros de
entre-eixos. Oferece airbags frontais de duplo estágio, laterais dianteiros e traseiros e do tipo cortina.

Peso: 1.830 kg em ordem de marcha, com 650 kg de carga máxima.
Capacidade do porta-malas: 450 litros.

Tanque de combustível: 66 litros.

Produção: Alemanha.

Lançamento mundial: abril de 2008. Lançamento no Brasil: Fevereiro de 2009.

Ponto a ponto

Desempenho – apesar dos 1.830 kg, os 231 cv do motor V6 do Mercedes-Benz GLK dão conta do recado. As respostas ao pedal do acelerador são eficientes e o modelo sai da inércia e alcança os 100 km/h em bons 7,9 segundos. Mas o utilitário esportivo se mostra esperto mesmo nas retomadas.

A faixa de torque quase linear mantém o motor sempre cheio e pronto quando exigido nas ultrapassagens. O câmbio automático de sete velocidades também contribui para a boa performance, com mudanças ágeis, sem delays ou indecisões. Nota 8.

Estabilidade – Com dispositivos eletrônicos, o GLK fica grudado no chão. A carroceria torce um pouco além da conta, mas o modelo não faz menção de desgarrar em curvas ou em retas em velocidades altas. Só mesmo aos 190 km/h, próximo da máxima de 205 km/h, é que surge uma sensação de flutuação. Nas arrancadas, o modelo não levanta a frente, mas nas freadas bruscas o peso da traseira se faz presente e força a frente a mergulhar. Ainda nas paradas, o modelo se mantém na trajetória e sob o controle do motorista, auxiliado pelo ABS e EBD. Nota 8.

Interatividade – os comandos dentro do GLK são bastante intuitivos e ergonomicamente eficientes.

Destaque para os botões dos vidros, espelhos e da memória e ajustes elétricos dos bancos no painel da porta, muito bem posicionados e que facilitam a vida do motorista. O quadro de instrumentos e a tela com informações ao centro do painel oferecem visualização prática e objetiva. A posição elevada de dirigir também é uma boa aliada, além da visibilidade generosa, principalmente na frente e nas laterais. O modelo ainda oferece ajuste elétrico da coluna de direção e volante multifuncional. Nota 9.

Consumo – o modelo anotou a média de 8,3 km/l com gasolina e uso 2/3 na cidade e 1/3 na estrada. Nota 7.

Tecnologia – o GLK usa a base da nova geração do Classe C, cuja plataforma data de 2007. Trata-se do mais novo SUV da marca, que incorporou diversos elementos de outros modelos da Mercedes, como o motor 3.0 V6, o câmbio 7G-Tronic, a suspensão traseira por multibraços, o sistema de amortecedores que se adaptam ao tipo de terreno e modo de condução e diversos itens de segurança e de conforto. Nota 9.

Conforto – há bom espaço para pernas e cabeças para todos os ocupantes. Atrás, três adultos viajam com relativa folga. O isolamento acústico se mostra eficiente mesmo em velocidades altas. A suspensão, por sua vez, com amortecedores automáticos, absorve bem as irregularidades do piso, sem ser molenga ou firme demais. Nota 9.

Habitabilidade – o vão de abertura das portas é generoso e facilita a entrada dos ocupantes, mas quem vai atrás pode ter problemas com a altura do GLK. O porta-malas de 450 litros condiz com o segmento e os porta-objetos distribuídos no interior do SUV são bastante práticos. Nota 8.
Acabamento – O revestimento interno do GLK é refinado, com couro e mistura de tons escuros e claros. Vários detalhes em alumínio e aço escovado reforçam o requinte peculiar à marca alemã. Os materiais agradam aos olhos e ao toque, as texturas do volante, dos bancos e dos painéis das portas são agradáveis e suaves e os encaixes nas forrações e peças rígidas são precisos. Nota 10.Design – É o pecado do GLK. Para homenagear a linha de jipes rústicos Classe G, a Mercedes optou por um desenho quadrado e controverso. As linhas planas em demasia, assim como o abuso de cortes definidos, a ausência de músculos na carroceria e de qualquer dose de ousadia resultam em um desenho antiguinho, que lembra até SUVs japoneses da década de 80. Nota 7.

Custo/benefício – Trata-se de um utilitário esportivo de R$ 225 mil, com desenho sem ousadia mas com uma estrela de três pontas na grade frontal que sempre empresta status. Apesar de ser o único do seu nicho sem motor turbo, o propulsor V6 oferece potência na medida certa e o modelo conta com bons itens de segurança e de conforto, além de ficar próximo das versões “de entrada” de X3 e Q5. Nota 7.

Total – O Mercedes GLK somou 82 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir – Conjunto e harmonia

O Mercedes-Benz GLK 280 agrada logo que se adentra o interior. O utilitário esportivo médio tem bancos que acomodam bem tanto motorista como passageiro e a ergonomia se mostra eficiente de cara. Os comandos elétricos dos bancos estão posicionados no painel das portas, assim como as memórias, bem mais prático do que curvar o corpo e espremer as mãos em botões embutidos nas laterais dos bancos. Com isso, a posição de dirigir é facilmente encontrada, ainda mais com o quadro de instrumentos de boa visualização e a coluna de direção também com regulagens elétricas.

Hora de dar partida, e o eficiente isolamento acústico do GLK disfarça bem o suave o ronco do motor V6. E pode até deixar dúvidas sobre o poder de fogo do modelo. Mas o SUV da Mercedes não decepciona nem um pouco. As arrancadas são bem interessantes, com um zero a 100 km/h em 7,9 segundos, nada mal para um modelo com mais de 1,8 tonelada. O desempenho em trechos de subida e na estrada na hora de ultrapassar é ainda mais competente. A transmissão de sete velocidades bem escalonada e um torque de 30,6 kgfm quase linear em uma larga faixa de giros otimiza as retomadas. O 60 km/h em sexta, por exemplo, é obtido em ótimos 4,2 segundos.

E o propulsor V6 mostra que tem apetite para mais. Foi possível colocar o ponteiro do velocímetro nos 205 km/h, com o GLK demonstrando um bom comportamento dinâmico. A comunicação entre rodas e volante se mostra precisa até 190 km/h, muito próxima da máxima.

Nas curvas, a altura generosa do utilitário contribui para uma inclinação a mais da carroceria, mas em nenhum momento se tem a sensação de perda do controle. A tração integral e a suspensão bem calibrada com amortecedores automáticos, aliados aos controles de estabilidade e de tração, ajudam a segurar o modelo.

A suspensão também merece destaque no trajeto pelas precárias ruas das grandes cidades brasileiras. Em trechos acidentados de asfalto ou de terra, o GLK filtra as irregularidades, que não se refletem dentro do habitáculo. Nas pistas planas e bem tratadas, os amortecedores a gás ficam mais rígidos, privilegiando uma condução mais esportiva. O conforto também ganha eco nos assentos confortáveis e no bom espaço para pernas. E nem mesmo o consumo pode ser considerado desagradável no GLK. Com gasolina e uso 2/3 na cidade, o modelo com motor V6 de 231 cv e transmissão automática fez a razoável média de 8,3 km/l.

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