O MG Cyberster não é um carro que tenta ser racional, e isso fica claro desde o primeiro momento. Chama atenção parado, andando e com a capota aberta ou fechada. Seja pelas portas em estilo tesoura, pelo formato baixo de roadster ou até pelas cores chamativas, é o tipo de carro que não passa despercebido.
Então se você é uma pessoa que gosta de discrição, esse carro não é para você.
Porém, mais do que isso, também não é um carro que tenta seguir a lógica dos elétricos que vemos atualmente, focados só em eficiência. Aqui, a proposta é outra: é sobre dirigir por prazer.
A MG, marca britânica com mais de 100 anos de história e com forte legado, hoje faz parte do grupo chinês Saic Motor, e resgata no Cyberster a sua essência mais clássica, a de esportivos conversíveis. E isso não fica só no visual.
É um carro que claramente quer provocar alguma coisa em quem está ao volante - e consegue.
O visual ajuda muito a construir essa proposta. O MG Cyberster tem proporções clássicas de roadster, com capô longo, carroceria baixa e cabine recuada, mas tudo com uma leitura moderna.
As portas com abertura elétrica em estilo tesoura não são apenas um detalhe estético - fazem parte da experiência. Toda vez que você abre ou fecha, vira um pequeno evento.
A traseira larga, os detalhes em black piano e a iluminação em LED reforçam esse lado mais esportivo, mesmo sendo um carro elétrico.
Ao entrar, a sensação é de estar em um cockpit, mesmo. Tudo é voltado para o motorista, com três telas formando um conjunto bem envolvente.
O acabamento mistura couro e Alcantara, e a iluminação ambiente com várias opções de cores ajuda a deixar o interior mais personalizado. Dá para deixar o carro com uma cara mais sóbria ou mais chamativa, dependendo do seu estilo, inclusive combinando com a capota, que pode ser preta ou vermelha.
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O modelo é bem completo em tecnologia, com multimídia compatível com Apple CarPlay e Android Auto, sistema de som Bose, conectividade 4G e até função V2L, que permite usar a bateria para alimentar dispositivos externos.
Mas há um ponto importante aqui. O espelhamento funciona apenas com cabo, e mais especificamente com USB-A. Não chega a ser um problema grave, mas é aquele tipo de detalhe que vale saber antes.
O MG Cyberster tem proporções típicas de um esportivo:
O porta-malas tem capacidade para 249 litros, volume dentro do esperado para um roadster.
Já as rodas são de 20 polegadas, com pneus mais largos na traseira (275 mm) do que na dianteira (245 mm), o que ajuda na tração e estabilidade.
Na ficha técnica, o Cyberster já chama atenção. São dois motores elétricos, um em cada eixo, que proporcionam tração integral sob demanda.
O motor dianteiro entrega cerca de 150 kW, enquanto o traseiro chega a 250 kW. No conjunto, a potência combinada é de 375 kW, o equivalente a 510 cv, com torque de 73,9 kgfm.
Na prática, o carro acelera de zero a 100 quilômetros por hora em 3,2 segundos e chega à velocidade máxima - limitada - de 200 km/h.
Outro ponto interessante é o recurso launch control, que ajuda a extrair o máximo da aceleração nas arrancadas, e isso fica bem claro na prática.
Porém, mais do que os números, o que impressiona é como isso acontece.
Quando você pisa fundo, a aceleração não é só rápida, ela é intensa. O corpo é empurrado contra o banco com força, por conta do torque imediato dos motores elétricos, e vem aquela sensação física mesmo, de impacto. O coração acelera junto, tudo se torna uma experiência muito mais envolvente do que você imagina olhando só para os números.
E o mais interessante é que o modelo entrega tudo isso com muita firmeza. Mesmo com quase duas toneladas, mais especificamente 1.985 quilos, não passa insegurança e não parece descontrolado. Pelo contrário, mantém estabilidade, inclusive em curvas, o que deixa a condução ainda mais prazerosa.
Não é só um carro rápido em linha reta: consegue ser divertido de verdade.
Parte disso vem do conjunto. O centro de gravidade baixo, por conta da bateria, junto com a suspensão independente, faz diferença na forma como o carro se comporta.
Contorna bem, responde rápido e cria essa conexão mais direta entre carro e motorista, algo que nem sempre encontramos em elétricos.
E ajuda também o fato de contar com freios Brembo ventilados, que passam muita confiança principalmente nas frenagens mais fortes, algo essencial em um carro com esse nível de desempenho.
Segundo o Inmetro, a autonomia é de 342 quilômetros. Pelo padrão WLTP, chega a 443 quilômetros, que é o número exibido no painel.
Outro ponto importante é a bateria. O MG Cyberster usa um conjunto de 77 kWh de capacidade e, em carregadores rápidos, consegue ir de 10% a 80% em cerca de 38 minutos, dependendo das condições.
Na prática, esse alcance varia bastante de acordo com a forma de dirigir. E aqui entra um ponto importante: se você usar o carro dentro da proposta dele, com acelerações fortes e explorando o desempenho, a autonomia cairá rapidamente.
Durante o teste, em algumas arrancadas mais intensas, era fácil ver a estimativa de autonomia cair alguns quilômetros quase de forma imediata. Isso acontece porque o carro recalcula o alcance o tempo todo, com base no estilo de condução do motorista. Ou seja, o número do painel é dinâmico, e não fixo. E isso precisa ser levado em consideração.
De acordo com a marca, no Brasil, ainda existem unidades do MG Cyberster sendo vendidas pelo preço de lançamento, R$ 499.800.
A garantia é de sete anos ou 150 mil quilômetros para o carro, e de oito anos ou 160 mil quilômetros para a bateria.
Saiba mais:
O MG Cyberster não quer ser racional. Ele quer ser divertido. E entrega isso muito bem.
É aquele carro que reforça algo que, aos poucos, vem se perdendo - o prazer de dirigir. Aquela sensação de conexão entre máquina e motorista, de sair para dirigir sem destino só porque você gosta. Dentro dessa proposta, o modelo faz exatamente o que promete, e talvez até um pouco mais.
Obviamente, o MG Cyberster não foi feito para ser o carro principal. Tem apenas dois lugares, porta-malas limitado e algumas características típicas de roadster, como o fluxo de ar mais intenso na cabine com a capota aberta em velocidades altas.
Ao mesmo tempo, também tem soluções típicas de elétricos, como o modo one-pedal, que facilita a condução no dia a dia, principalmente no trânsito. Mas, no fim, esse não é o foco.
Esse é o tipo de carro que você pega no fim de semana, abre a capota, escolhe uma estrada bonita, coloca sua playlist favorita e simplesmente vai. Sem pressa, sem compromisso. E se esse for o seu objetivo, então sim, vale a pena.
MG - CYBERSTER - 2026 |
77 KW ELÉTRICO GT AWD |
R$ 499800 |
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