Mitsubishi L200 Triton, cabine dupla de dupla identidade

Vocação da marca para o 4x4 convive com proposta mais urbana na nova picape


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- A chegada da Toyota Hilux ao mercado brasileiro provocou uma bela mexida entre as picapes médias. Isso porque, além de ter porte de utilitário, com capacidade de enfrentar trilhas e um belo motor a diesel, o modelo japonês se comporta como um automóvel, o que torna a vida de seu motorista muito mais fácil nas cidades. A tarefa de todas as outras, agora, é alcançá-la e superá-la, o que só pode ser feito, muitas vezes, com o lançamento de um novo modelo. E foi este o raciocínio que a Mitsubishi seguiu, ciente de que as L200, seja a GL, seja a Outdoor, não têm este perfil urbano. Para este mercado, ela trouxe a L200 Triton.

Trouxe não é mera figura de linguagem. A L200 Triton, apesar de montada em Catalão, no Estado de Goiás, vem quase toda desmontada da Tailândia, onde ela foi lançada no final de 2005. Não se trata, de todo modo, de CKD, já que as peças da carroceria são unidas e soldadas na fábrica goiana, onde a picape também recebe pintura. No futuro, a carroceria deve ser nacionalizada, com estampagem das peças na Uniparts, empresa do grupo Usiminas que já se encarrega das chapas das outras L200.

A herança tailandesa se faz notar pela posição do freio de mão, mais próximo do passageiro que do motorista. Isso se explica pela mão inglesa. Na Tailândia, o motorista fica do lado direito do carro, não do esquerdo, como no Brasil.

Apesar de ter boa quantidade de suas peças importadas, a picape terá 40% de nacionalização em seu primeiro ano de produção, passando a 50% no segundo e a 60% no terceiro, como manda a lei para exportações a outros países do Mercosul. Mal chegou ao Brasil e a picape já pensa nos mercados vizinhos... Aliás, Ford Ranger e Toyota Hilux são feitas na Argentina, país onde também serão fabricadas as picapes médias da Fiat, baseada na Tata Pick-Up, e da Volkswagen.

O desenho moderno da Triton demonstra sua intenção de agradar a donos de automóveis de passeio. Apesar de, nas fotos, a cabine parecer dissociada da caçamba, ao vivo elas formam um conjunto harmônico e interessante. As portas traseiras, por exemplo, têm os extremos arredondados, como o Celta de duas portas.

Por dentro, o bom acabamento impressiona, além do espaço interno, bem melhor que o que as outras versões da L200 oferecem. Há bom espaço para as pernas no banco de trás, mesmo que na frente uma pessoa de 1,90 m esteja conduzindo a picape. O que não muda, em picape média nenhuma, é a posição baixa dos bancos, muito rente ao assoalho, que deixa as pernas dos passageiros arqueadas e pouco apoiadas. Em viagens longas, é algo cansativo.

Para que pudesse oferecer mais espaço no interior da picape, a Mitsubishi teve de reduzir o comprimento da caçamba. Sua medida interna caiu de 1,50 m para 1,33 m, enquanto a largura interna continuou igual à da L200: 1,47 m.

Além de mais curta, a caçamba também ficou mais rasa, o que demonstra que sua vocação não é o transporte de carga, mas o lazer. De série, o modelo trará protetor de caçamba, ficando a capota marítima à disposição de quem quiser adquiri-la como acessório.

Bastante completa, a Triton chega em três versões: gasolina 3,5-litro V6 automática R$ 109,99 mil, 3,2-litro a diesel manual R$ 114,99 mil e 3,2-litro a diesel automática R$ 119,99 mil.

Entre os itens de série estão vidros elétricos com sistema one-touch para todas as portas, volante com regulagem de altura, retrovisores elétricos rebatíveis, faróis de neblina, computador de bordo, ABS com EBD, airbags duplos, rodas de liga-leve de aro 16”, com pneus 265/70 R16, toca-CD com MP3 e entrada auxiliar para iPod e para pen drives, controle remoto das portas na chave, diferencial traseiro de escorregamento limitado LSD e sistema de roda livre automático, além, é lógico, de tração nas quatro rodas e marcha reduzida, que não poderiam faltar em uma picape Mitsubishi.

Dupla identidade

É justamente essa identidade forte que a picape mantém com a marca que talvez a penalize diante de novos consumidores. Afinal, uma Mitsubishi tem de ser muito capaz em terrenos off-road, o que torna difícil encontrar um bom compromisso entre terrenos acidentados e asfalto.

A primeira versão avaliada pelo WebMotors foi a diesel manual. É difícil encontrar uma boa posição de dirigir, mesmo com regulagem de altura do banco e do volante. Faz muita falta a regulagem de distância da direção. Quando se encontra uma distância confortável do banco, que apóia pouco o corpo em curvas, os braços ficam esticados demais.

Com a picape em movimento, o que se nota em primeiro lugar é a leveza da suspensão, ideal para o conforto em trilhas, mas ruim para condução em estradas. Em curvas fortes, a picape aderna um bocado, como mostram até as fotos de divulgação do modelo vide a sexta, de baixo para cima, na galeria ao lado.

A tração 4x4 pode ser engatada com a picape em movimento a até 100 km/h.Utilizá-la diminui um pouco a sensação de que a picape está muito solta. Só um pouco. Apesar de ter motores potentes o 3,5-litro V6 a gasolina gera 200 cv e o 3,2-litros a diesel, 165 cv, a Triton não foi feita para explorar velocidade em estradas.

Em vias de terra, o piso divide com a picape a sensação de falta de firmeza e o que se conclui é que a nova Mitsubishi está de volta a seu ambiente natural. Os solavancos do terreno irregular são bem absorvidos pela suspensão com molas helicoidais na dianteira e feixe de molas na traseira.

De volta ao asfalto, pegamos a versão a gasolina, necessariamente automática não há outra opção. O câmbio de quatro marchas fica devendo uma marcha a mais, que poderia ajudá-la a ser mais ágil. Em subidas, apesar do motor potente, o motorista pode pedir, no kick-down, reduções de marcha quantas vezes quiser que a picape não obedece.

Segundo Reinaldo Muratori, a marca ainda não tem uma transmissão automática de cinco marchas disponível para veículos de carga, apesar de o Pajero Full já ter uma de seis velocidades. “Ela deve surgir dentro de 1 ano, 1 ano e meio”, disse o executivo ao WebMotors. Só não se sabe se ela equipará a Triton, o que vai depender dos custos e da demanda dos compradores. O que se sabe é que ela deveria ter uma transmissão automática com mais marchas. O quanto antes.

Com isso em mente, pode-se dizer que a Triton tem estilo e equipamentos suficientes para enfrentar a Hilux. Entretanto, se os interessados nela esperarem por um comportamento próximo do de um automóvel, vão acabar tendo de optar pela Toyota, ainda imbatível em dirigibilidade.

FICHA TÉCNICA – Mitsubishi L200 Triton




















MOTORESQuatro tempos, seis cilindros em “V”, longitudinal, quatro válvulas por cilindro, refrigeração a água, a gasolina, 3.497 cm³ e quatro tempos, quatro cilindros em linha, longitudinal, quatro válvulas por cilindro, refrigeração a água, a diesel, 3.200 cm³
POTÊNCIA200 cv a 5.000 rpm gasolina a 165 cv a 3.800 rpm diesel
TORQUE31,5 kgm a 3.500 rpm gasolina e 38,1 kgm a 2.000 rpm diesel
CÂMBIOAutomático de quatro velocidades para versão a gasolina e a diesel e manual de cinco velocidades exclusivo para a versão a diesel, com caixa de redução
TRAÇÃO Traseira e integral
DIREÇÃOHidráulica, por pinhão e cremalheira
RODASDianteiras e traseiras em aro 16”, de liga-leve
PNEUSDianteiros e traseiros Goodyear 265/70 R16
COMPRIMENTO 5,07 m
ALTURA 1,78 m
LARGURA 1,80 m
ENTREEIXOS 3 m
VOLUME DA CAÇAMBA 790 l 1,33 m de comprimento, 1,47 de largura e 0,41 m de altura
PESO em ordem de marcha 1.855 kg gasolina a 1.945 kg diesel automática
TANQUE75 l
SUSPENSÃO Dianteira independente, com braços triangulares sobrepostos; traseira por eixo rígido e feixe de molas
FREIOS Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS e EBD
PREÇO R$ 109,99 mil gasolina 3,5-litro V6 automática, R$ 114,99 mil 3,2-litro a diesel manual e R$ 119,99 mil 3,2-litro a diesel automática


Gustavo Henrique Ruffo viajou a Catalão a convite da Mitsubishi


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