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Multistrada 950 S: uma "macchina" muito divertida!

A trail da Ducati nos surpreendeu em uma viagem de 360 km. Veja como se comporta essa nervosa italiana de R$ 95 mil


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Meu primeiro contato com a Ducati Multistrada 950 S foi no ano passado, durante um evento no Circuito Panamericano - um autódromo localizado na cidade de Elias Fausto, no interior de São Paulo. A experiência foi intensa e positiva, mas curta: só pude dar duas voltinhas na pista.

Demorou, mas chegou a hora de uma convivência mais extensa com a moto - um convite feito pela Ducati do Brasil para participar de uma pequena viagem organizada pela concessionária Ducati Rio: um bate-e-volta à turística cidade de Penedo, quase na divisa com São Paulo. Um percurso de 360 quilômetros se somarmos ida e volta.

Saída marcada para 9h da manhã, e antes de partir procuro me familiarizar de novo com a moto. O principal é fazer o setup do modo de pilotagem mais adequado ao trajeto. São três - urban, touring e sport.

Como a viagem será toda em asfalto, escolho o segundo. Mas não só por isso: lembro que, quando andei na irmã maior Multistrada 1.260, o modo "sport" me deixou um pouco apreensivo com suas respostas extremamente fortes. Então, por segurança e sem disposição para sustos, vou de "touring".

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Pilotar a Ducati Multistrada 950 S em uma boa estrada é uma experiência agradável, segura e divertida
Crédito: Cesar Milhomens/Studio98

Os comandos nos dois punhos são no padrão mundial e o set up é fácil e rápido - a Multistrada 950 S não é dessas motos que exigem um cursinho para entender os ajustes eletrônicos. Ajuste feito, amarro minha pequena mochila sobre o banco do garupa com a redinha. Tarefa fácil: embaixo da rabeta há pontos de amarração, algo bem adequado a uma moto dessas.

Subo na motona e lembro que este não é exatamente o melhor tipo de moto para "tampas" como eu - com 1,70m de altura, fico apenas com as pontas dos pés no chão. Jogo o corpo para o lado, boto meia perna no banco e manobro sem maiores dificuldades a motona de 230 quilos em ordem de marcha.

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A rabeta é esguia e alta. Há pouco espaço para garupa, mas embaixo há pontos para amarração de bagagens
Crédito: Divulgação

Partimos e o primeiro trecho é urbano, com pouco trânsito e muitos semáforos. Aproveito para me entender com o peso a e a maneabilidade da moto, o que acontece muito rapidamente - parece que já nos conhecemos há tempos. A Multistrada 950 S é uma moto que você "veste" facilmente. Tudo está ao alcance das mãos e dos pés e não há necessidade de se ajeitar ou esticar.

Para o meu gosto o guidom poderia ser um tantinho mais alto, mas é algo bem pessoal e coisa de quem está mais acostumado a motos custom. Aqui, porém, a posição de pilotagem é perfeitinha: pernas dobradas em 90 graus, tronco reto e braços levemente dobrados. O banco é mais anatômico do que macio e, como eu veria horas depois, cansa nos trajetos mais longos.

Se no trecho urbano é preciso trocar marchas com certa frequência (o que nem dá trabalho, pois câmbio e embreagem não exigem esforço), nas pistas livres das linhas Amarela e Vermelha, a relação com essa italiana flui melhor. As respostas do motor com dois cilindros em L e 937 cm³ são fortes na medida certa e não dão sustos. Seus 113 cv de potência a 9.000 rpm e 9,7 kgf.m de torque a 7.750 rpm são mais que suficientes para proporcionar uma performance prazerosa e segura.

Mas vale ressalvar que, devido à configuração L2, o motor funciona melhor em giros altos - então é importante mantê-lo "cheio" o tempo todo.

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O motor L2 de 937 cm³ e 113 cv de potência trabalha melhor em giros altos. Na estrada, vá no modo "sport"
Crédito: Divulgação

Chegamos à Via Dutra e a diversão ganha intensidade. Apesar do "trem" comprido - mais de 20 motos -, seguimos em bom ritmo. Fico para o final da fila para poder abrir espaço de quem vai à frente e experimentar curvas, freadas e acelerações com mais atenção.

Nos dois primeiros aspectos, nada a ponderar: a segurança enorme, apoiada em especificações e recursos como as suspensões controladas eletronicamente (dianteira invertida e traseira monochoque), freios ABS e controle de tração que atuam também nas curvas e os freios Brembo na frente e atrás.

Mas na hora de dar um gás, mesmo após reduzir uma marcha, eventualmente senti uma certa falta de força. Não que isso tenha impedido ultrapassagens ou quaisquer manobras com segurança e tranquilidade, mas faltou aquela pimenta a mais que costuma ser o diferencial das Ducati. De toda forma, a ida ocorre sem sustos, divertida e prazerosa, e chegamos a Penedo. Hora do almoço, um tempinho de descanso e está na hora de voltar.

São três modos de pilotagem. "Urban" para a cidade; "touring" para conforto e economia e "sport" para se encantar
Crédito: Divulgação

Resolvo, então, mudar o modo de pilotagem para "sport" e ver se esse é o tempero que faltava. Na mosca! Bastam alguns poucos quilômetros rodados na Via Dutra para ver que este, sim, é o modo mais adequado ao trajeto. A tocada fica mais forte e emocionante e é preciso ainda mais atenção aos limites de velocidade. Mas as respostas não chegam a ser eventualmente incômodas como as que senti na tal experiência com a Multistrada 1.260 S.

O painel em seu estado habitual: fundo branco ou preto conforme  a luz natural e todas as informações necessárias
Crédito: Divulgação

Aqui, fica tudo na medida: as ultrapassagens acontecem de forma mais fácil e tranquila, as reduções enchem mais o motor e, no fim das contas, por incrível que pareça, a Multistrada 950 S fica bem mais "na mão".

Aí é aquilo: com a moto na mão, a brincadeira fica mais emocionante. Então, é preciso juízo para não extrapolar os limites. Mas dá pra botar a moto aonde você quiser e fazer curvas com muito mais emoção. A aerodinâmica também é satisfatória: o para-brisa segura bem o vento sem, no entanto, dar a impressão de estar "freando" a moto.

Rodo cerca de 140 km de pura diversão e aí vem a parte chatinha: a chegada ao Rio já de noite e com engarrafamento na Linha Amarela - algo que não pegamos na saída. Aproveito para ver que essa Multistrada até se sai bem quando anda pelos corredores, entre os carros. Não é uma moto pequena, claro, mas exibe agilidade suficiente para não ficar presa toda hora. À frente, um dos guias tem esse problema - a Multistrada dele está com os largos baús laterais... Aí não tem jeito!

Beleza polêmica: o "bico" e os faróis de LED encantam uns e desagradam outros. Mas  a moto tem personalidade
Crédito: Divulgação

Aproveito para curtir o painel de instrumentos, composto por uma tela de TFT de 5 polegadas - cujo fundo mudou de cor, de preto para branco, quando anoiteceu. Bonito e completo, tem todas as informações necessárias para uma viagem sossegada, inclusive consumo médio - anotamos 18 km/l nessa viagem, praticamente o que a Ducati informa na ficha técnica da moto.

Fim do passeio, paramos a moto na porta da concessionária e aproveito para conferir o design frontal com duas fileiras de três faróis de LED - que iluminam até o além -, os bonitos piscas embutidos nas carcaças dos espelhos e o "bico" que virou moda em todos os modelos trail, dos pequenos aos grandes.

A beleza está nos olhos de quem vê, e conheço motociclistas que acham as Multistrada atuais lindas. Não é o meu caso: para mim, são mais exóticas do que bonitas. Mas valorizo a personalidade visual dessas italianas, que jamais passam despercebidas.

Com desempenho divertido, design exótico e bons recursos a bordo, a Multistrada 950 S é uma opção muito interessante no segmento das trails médias, quase grandes.

A italiana custa R$ 94.990. Só empata com a Honda CRF 1.100L Africa Twin, de R$ 96.626 - que tem motor maior e câmbio automatizado de dupla embreagem. No mesmo segmento jogam a BMW F 750 GS Adventure, de R$ 76.500; a Triumph Tiger 900, de R$ 73.990 (a versão mais cara); a Kawasaki Versys Grand Tourer, de R$ 75.990, e a Suzuki V-Strom 1.000 Adventure, de R$ 69.894.

Sendo assim, deve ser levada em conta mais por quem pensa em uma big trail - um segmento com modelos que passam fácil dos R$ 100 mil. A Multistrada 1.260 S, por exemplo, custa R$ 25 mil a mais! Uma 950 S te leva aos mesmos lugares que a irmã maior (e as respectivas rivais, como a BMW R 1.250 GS) e o que se perde em desempenho não faz tanta diferença diante do que se ganha em leveza, agilidade e custo mais baixo. Vale fazer essa conta!

Ficha técnica - Ducati Multistrada 950 S

Preço: R$ 94.990

Motor: dois cilindros em L, quatro válvulas, refrigeração a água, 937 cm³, potência de 113 cv a 9.000 rpm e torque de 9,7 kgf.m a 7.750 rpm

Transmissão: câmbio de seis marchas com secundária por corrente

Suspensões: dianteira com garfos invertidos e traseira monochoque, ambas com ajustes eletrônicos e curso de 17cm

Pneus: dianteiro 120/70 R19 e traseiro 170/60 R17

Freios: a disco duplo na frente e disco simples atrás, com ABS

Dimensões: altura do banco de 84cm (ajuste de 82cm a 86cm opcional) e entre-eixos de 1,59m

Peso: 207 quilos a seco e 230 quilos em ordem de marcha

Tanque: 20 litros

Consumo: 18 km/l

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