Nissan Sentra 2.0 S foi feito para curtir a estrada

Comandos pesados, como a embreagem e o câmbio, o tornam ideal para a esportividade e cansativo na cidade


  1. Home
  2. Testes
  3. Nissan Sentra 2.0 S foi feito para curtir a estrada
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

- Definitivamente, a publicidade do Nissan Sentra acertou na mosca. O sedã da marca japonesa pode ser tudo, mas não tem cara nem comportamento de carro de tiozão, especialmente na versão 2.0 S, com câmbio manual, avaliada pelo WebMotors. A bem da verdade, se custasse menos que os R$ 63,5 mil atuais, ele estaria nas mãos de muito “boy”, como são chamados aqueles que gostam de acelerar mais do que deveriam.

Isso começa, evidentemente, no desenho do carro, bem voltado à esportividade. A linha de cintura alta, os vincos no capô, a lateral fluída e os arcos dos pára-lamas remetem a um veículo com fome de pista. Apesar de clássicas, as rodas de liga leve de aro 16” também remetem a um carro que não quer de jeito nenhum ser chamado de pacato. O arremate a essa imagem está nas lanternas Altezza, transparentes, semelhantes às usadas no Ford Fusion.

Até aí, tem muito carro no mercado que se pretende esportivo, com penduricalhos cuja única função é fazê-los parecer, não ser. É atrás do volante do Sentra que se pode observar o quanto a marca levou a sério o que o desenho sugere. E levou bastante.

Isso tanto pode ser positivo quanto negativo, para quem está pensando em colocar um Sentra na garagem. Na apresentação do Tiida, a Nissan se disse surpresa com a preferência do consumidor pelo Sentra com câmbio CVT, mas faz todo o sentido. Afinal, o público consumidor de um sedã médio grande está prioritariamente nas grandes cidades brasileiras, onde o trânsito se torna cada vez mais inclemente. Sendo assim, o que ele busca é conforto ao dirigir.

Mesmo quem gosta muito de trocar marchas se cansa de colocar primeira e segunda o tempo todo. Para este público, o melhor espaço de convívio com um automóvel é a estrada. E é esse o habitat do Sentra com câmbio manual. O câmbio de seis marchas é preciso e aproveita muito bem os 142 cv do sedã.

Já houve quem dissesse que a posição da alavanca, no painel, seria uma homenagem às minivans, o que vale para a versão com câmbio automático. Na com o manual, a posição do câmbio remete à utilizada por roadsters como o Mazda MX-5 e o Saturn Sky leia mais sobre ele aqui. Com engates de curso curto e a alavanca à mão, o motorista se sente a bordo de um esportivo nervoso.

O volante tem ajuste apenas de altura. Fica faltando o de distância, que os concorrentes, como o Civic, trazem. Ergonomicamente, porém, o Sentra não oferece pontos de queixa. Tudo está onde deveria estar. Os comandos dos vidros na porta do motorista, assim como o controle do retrovisor elétrico, o câmbio à mão, tudo contribui para uma boa condução. O ajuste de altura do banco, idem.

O painel é simples até demais. Conta-giros, velocímetro e um relógio central com temperatura do motor e nível do combustível. De resto, só luzes-espia. No volante, há o comando do controlador de velocidade, um item chato de usar em um carro com câmbio manual, a não ser que seja em sexta marcha em uma estrada reta como uma top model, ou seja, em raríssimas ocasiões.

É na hora de ligar o motor e colocar o Sentra para andar que sua veia esportiva se revela. O pedal de embreagem é alto e duro de acionar, o que prenuncia um convívio difícil no congestionamento. Engatada a primeira, o motorista começa a querer conhecer os pneus, Bridgestone Turanza, e sente vontade de conhecer mais sobre eles, saber de seus conflitos, suas angústias, sua dor e por que eles gritam tanto. Turanza, no mínimo, foi uma cantora de ópera. Não é preciso o menor esforço para que eles revelem ter uma garganta afinada.

Se isso é interessante do ponto de vista da segurança, já que os pneus avisam se estão com pouca aderência, pode irritar os mais sensíveis e envergonhar os tímidos. Fazer uma curva rápida, então, só em estrada vazia ou sem o temor de receber olhares de reprovação.

O ruim é que o carro pede por isso. Estável, fazer curvas com o Sentra é um prazer. A direção, bastante direta, responde de maneira excelente e chega a ser sensível demais, transmitindo ao motorista sensações inusitadas, como a certeza de que uma via reta é, na verdade, inclinada. O volante puxa para o lado em declive, como se o carro estivesse desalinhado. E não estava, leitor, podemos garantir que não.

Se tudo isso é uma delícia em estrada, na cidade pode incomodar. A embreagem, por exemplo, estimula demais a panturrilha. O volante, sensível como é, faz o motorista xingar os maus pavimentos, infelizmente tão comuns. E a suspensão, mais dura do que o normal, dá a sensação de que, se o carro não tiver uma qualidade de construção excelente o que só seus proprietários poderão comprovar, tudo vai começar a bater em pouco tempo.

Em termos de espaço interno, pessoas altas viajam com conforto, tanto na frente quanto atrás. O porta-malas, de 371 l, oferece bom espaço, mas, considerando a vocação estradeira do carro, poderia ser maior. Interessante é que ele tem um compartimento separado por uma espécie de tampa rígida. Isso permite carregar compras pequenas sem o receio de encontrar a lata de goiabada ao lado do estepe e longe da sacola em que ela foi colocada.

Tudo isso faz do Sentra um carro excelente para quem gosta muito de estrada e de controle. Quem tiver um perfil mais pacato, ou simplesmente precisar mais de conforto, deve continuar a optar pelo câmbio CVT, R$ 5.000 mais caro. Aliás, esta vem sendo a escolha mais constante.

FICHA TÉCNICA – Nissan Sentra 2.0 S


MOTOR Quatro tempos, quatro cilindros em linha, transversal, quatro válvulas por cilindro, duplo comando de válvulas no cabeçote, com tempo de abertura variável sistema CVVTCS, refrigeração a água, 1.997 cm³
POTÊNCIA142 cv a 5.500 rpm
TORQUE 20,3 kgm a 4.800 rpm
CÂMBIO Manual de seis velocidades
TRAÇÃO Dianteira
DIREÇÃO Com assistência elétrica, por pinhão e cremalheira
RODAS Dianteiras e traseiras em aro 16”, de liga-leve
PNEUS Dianteiros e traseiros Bridgestone Turanza 205/55 R16
COMPRIMENTO 4,57 m
ALTURA 1,51 m
LARGURA 1,79 m
ENTREEIXOS 2,69 m
PORTA-MALAS 371 l
PESO em ordem de marcha 1.325 kg
TANQUE55 l
SUSPENSÃO Dianteira independente, tipo McPherson; traseira com barra de torção
FREIOS Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS
PREÇO R$ 63,5 mil


Gosta de sedãs?

Então veja as ofertas do segmento da moda no WebMotors:

Nissan Sentra

Ford Fusion

Ford Focus Sedan

Chevrolet Vectra

Honda CivicVolkswagen Jetta

Peugeot 307 Sedan

Renault Mégane Sedan

Volkswagen Bora

Leia também:

Honda Civic X Chevrolet Vectra

Renault Mégane Sedan 2.0 16V

Nissan Sentra 2.0SL x Honda Civic EXS

VW Jetta x Ford Fusion, uma disputa acirrada

VW Bora e Renault Mégane Dynamique 1.6 16V
________________________________

Receba as notícias mais quentes e boletins de manutenção de seu carro. Clique aqui e cadastre-se na Agenda do Carro!
________________________________
E-mail: Comente esta matéria

Envie essa matéria para uma amigoa

Comentários