- Definitivamente, a publicidade do Nissan Sentra acertou na mosca. O sedã da marca japonesa pode ser tudo, mas não tem cara nem comportamento de carro de tiozão, especialmente na versão 2.0 S, com câmbio manual, avaliada pelo WebMotors. A bem da verdade, se custasse menos que os R$ 63,5 mil atuais, ele estaria nas mãos de muito “boy”, como são chamados aqueles que gostam de acelerar mais do que deveriam.
Isso começa, evidentemente, no desenho do carro, bem voltado à esportividade. A linha de cintura alta, os vincos no capô, a lateral fluída e os arcos dos pára-lamas remetem a um veículo com fome de pista. Apesar de clássicas, as rodas de liga leve de aro 16” também remetem a um carro que não quer de jeito nenhum ser chamado de pacato. O arremate a essa imagem está nas lanternas Altezza, transparentes, semelhantes às usadas no Ford Fusion.
Até aí, tem muito carro no mercado que se pretende esportivo, com penduricalhos cuja única função é fazê-los parecer, não ser. É atrás do volante do Sentra que se pode observar o quanto a marca levou a sério o que o desenho sugere. E levou bastante.
Isso tanto pode ser positivo quanto negativo, para quem está pensando em colocar um Sentra na garagem. Na apresentação do Tiida, a Nissan se disse surpresa com a preferência do consumidor pelo Sentra com câmbio CVT, mas faz todo o sentido. Afinal, o público consumidor de um sedã médio grande está prioritariamente nas grandes cidades brasileiras, onde o trânsito se torna cada vez mais inclemente. Sendo assim, o que ele busca é conforto ao dirigir.
Mesmo quem gosta muito de trocar marchas se cansa de colocar primeira e segunda o tempo todo. Para este público, o melhor espaço de convívio com um automóvel é a estrada. E é esse o habitat do Sentra com câmbio manual. O câmbio de seis marchas é preciso e aproveita muito bem os 142 cv do sedã.
Já houve quem dissesse que a posição da alavanca, no painel, seria uma homenagem às minivans, o que vale para a versão com câmbio automático. Na com o manual, a posição do câmbio remete à utilizada por roadsters como o Mazda MX-5 e o Saturn Sky leia mais sobre ele aqui. Com engates de curso curto e a alavanca à mão, o motorista se sente a bordo de um esportivo nervoso.
O volante tem ajuste apenas de altura. Fica faltando o de distância, que os concorrentes, como o Civic, trazem. Ergonomicamente, porém, o Sentra não oferece pontos de queixa. Tudo está onde deveria estar. Os comandos dos vidros na porta do motorista, assim como o controle do retrovisor elétrico, o câmbio à mão, tudo contribui para uma boa condução. O ajuste de altura do banco, idem.
O painel é simples até demais. Conta-giros, velocímetro e um relógio central com temperatura do motor e nível do combustível. De resto, só luzes-espia. No volante, há o comando do controlador de velocidade, um item chato de usar em um carro com câmbio manual, a não ser que seja em sexta marcha em uma estrada reta como uma top model, ou seja, em raríssimas ocasiões.
É na hora de ligar o motor e colocar o Sentra para andar que sua veia esportiva se revela. O pedal de embreagem é alto e duro de acionar, o que prenuncia um convívio difícil no congestionamento. Engatada a primeira, o motorista começa a querer conhecer os pneus, Bridgestone Turanza, e sente vontade de conhecer mais sobre eles, saber de seus conflitos, suas angústias, sua dor e por que eles gritam tanto. Turanza, no mínimo, foi uma cantora de ópera. Não é preciso o menor esforço para que eles revelem ter uma garganta afinada.
Se isso é interessante do ponto de vista da segurança, já que os pneus avisam se estão com pouca aderência, pode irritar os mais sensíveis e envergonhar os tímidos. Fazer uma curva rápida, então, só em estrada vazia ou sem o temor de receber olhares de reprovação.
O ruim é que o carro pede por isso. Estável, fazer curvas com o Sentra é um prazer. A direção, bastante direta, responde de maneira excelente e chega a ser sensível demais, transmitindo ao motorista sensações inusitadas, como a certeza de que uma via reta é, na verdade, inclinada. O volante puxa para o lado em declive, como se o carro estivesse desalinhado. E não estava, leitor, podemos garantir que não.
Se tudo isso é uma delícia em estrada, na cidade pode incomodar. A embreagem, por exemplo, estimula demais a panturrilha. O volante, sensível como é, faz o motorista xingar os maus pavimentos, infelizmente tão comuns. E a suspensão, mais dura do que o normal, dá a sensação de que, se o carro não tiver uma qualidade de construção excelente o que só seus proprietários poderão comprovar, tudo vai começar a bater em pouco tempo.
Em termos de espaço interno, pessoas altas viajam com conforto, tanto na frente quanto atrás. O porta-malas, de 371 l, oferece bom espaço, mas, considerando a vocação estradeira do carro, poderia ser maior. Interessante é que ele tem um compartimento separado por uma espécie de tampa rígida. Isso permite carregar compras pequenas sem o receio de encontrar a lata de goiabada ao lado do estepe e longe da sacola em que ela foi colocada.
Tudo isso faz do Sentra um carro excelente para quem gosta muito de estrada e de controle. Quem tiver um perfil mais pacato, ou simplesmente precisar mais de conforto, deve continuar a optar pelo câmbio CVT, R$ 5.000 mais caro. Aliás, esta vem sendo a escolha mais constante.
FICHA TÉCNICA – Nissan Sentra 2.0 S
| MOTOR | Quatro tempos, quatro cilindros em linha, transversal, quatro válvulas por cilindro, duplo comando de válvulas no cabeçote, com tempo de abertura variável sistema CVVTCS, refrigeração a água, 1.997 cm³| POTÊNCIA | 142 cv a 5.500 rpm | TORQUE | 20,3 kgm a 4.800 rpm | CÂMBIO | Manual de seis velocidades | TRAÇÃO | Dianteira | DIREÇÃO | Com assistência elétrica, por pinhão e cremalheira | RODAS | Dianteiras e traseiras em aro 16”, de liga-leve | PNEUS | Dianteiros e traseiros Bridgestone Turanza 205/55 R16 | COMPRIMENTO | 4,57 m | ALTURA | 1,51 m | LARGURA | 1,79 m | ENTREEIXOS | 2,69 m | PORTA-MALAS | 371 l | PESO em ordem de marcha | 1.325 kg | TANQUE | 55 l | SUSPENSÃO | Dianteira independente, tipo McPherson; traseira com barra de torção | FREIOS | Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS | PREÇO | R$ 63,5 mil | |



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