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Nissan Tiida SL Flex tem cacife para disputar liderança do segmento

Importado do México, Nissan foi mais ágil do que o novo Ford Focus em obter tecnologia flexível em combustível

por Gustavo Henrique Ruffo

- O mercado brasileiro tem diversas situações inexplicáveis. Como pode, por exemplo, um carro feito aqui custar mais barato fora do país? Isso nós explicamos na série de reportagens “Lá Fora”. Como pode o Honda City, sedã compacto feito aqui, ter preço de carro médio e o Kia Cerato, sedã médio feito na Coreia do Sul, ter preço de compacto? Essas seriam as principais dúvidas insanáveis do mercado, mas a Nissan veio com mais uma: como pode o Tiida, importado do México, já ter motor flex e o Ford Focus, feito na Argentina, ainda não oferecer essa opção? Detalhe: o motor do Focus já tem versão flex disponível no Brasil. É o mesmo usado no Ford Ecosport apresentado em novembro do ano passado. Seja qual for a explicação, o caso é que o Tiida, com motor flex, já se credencia para disputar a liderança de seu segmento.
Infelizmente, o mercado brasileiro ainda é muito sensível a preço especialmente porque os preços, aqui, são absurdos, o que torna veículos que já deveriam ter saído de linha, como Chevrolet Astra, VW Golf, Peugeot 307 e Fiat Stilo, líderes do segmento de hatches médios. Fossem os consumidores brasileiros mais orientados à compra de produtos mais atuais, modernos e interessantes, os modelos mais antigos já teriam tido a merecida aposentadoria. Falemos, então, dos produtos realmente novos que o mercado oferece.
Além do Nissan Tiida, há também Ford Focus ainda com motor antigo, Hyundai i30 o mais recente lançamento e Citroën C4. Destes modelos, só o Focus e o C4 podem ser considerados “nacionais”, por conta do Mercosul eles são feitos na Argentina. Esse é um fator de segurança para o consumidor, que sempre se assusta com a desvalorização que veículos importados, por melhores que sejam, sofrem ao longo do tempo. Como, dentre os dois, só o C4 já tem motores flexíveis, ele poderia ser o líder desse segmento se não sofresse com a fama de ter manutenção cara e problemas de construção. Nesse quesito, o Tiida se sai melhor. E a vantagem competitiva do modelo de origem francesa, a motorização flex, agora foi igualada.
E como anda o Tiida com motor 1,8-litro flex? Bem direitinho, assim como a Nissan Livina com o mesmo motor. Os engenheiros da Nissan chegaram a uma excelente solução para o tanquinho de partida a frio: ele vai instalado entre o capô e o para-brisa, no suporte dos limpadores. Poderiam ter ousado um pouco mais e adotado o mesmo sistema de partida a frio que é oferecido no VW Polo E-Flex, mas ousadia não é uma palavra que casa muito bem com fabricantes japonesas de automóveis.
Ao volante
Apesar de o motor do Tiida ter uma taxa de compressão bastante conservadora, o carro não é tão beberrão quanto se poderia supor. Andando só na cidade, com ar-condicionado ligado o tempo todo e encarando longos congestionamentos, o Tiida marcou 6 km/l. Para o pessoal que não está acostumado com consumo de veículos movidos apenas a etanol, isso pode parecer alto, mas é absolutamente aceitável, ainda mais levando em conta que o Ford Ka 1.0, conosco, marcou 6,5 km/l. O Tiida é mais potente, maior e mais bem equipado. Poderia cobrar a mais em consumo, mas não faz isso.
Em termos dinâmicos, o Tiida movido a etanol não apresenta surpresas, até porque o motor ganha apenas 1 cv usando álcool em relação ao uso da gasolina. Como o hatch já se comportava bastante bem, isso não chega a ser um demérito, mas poderia ser melhor. Os franceses, nesse ponto, se saíram muito melhor, extraindo do etanol tudo que ele tem a oferecer.
Internamente, falta ao Tiida regulagem de distância do volante, mas os bancos são extremamente espaçosos e a posição de dirigir, se não é a ideal, chega bem perto disso. Os bancos traseiros, deslizantes, permitem ampliar o porta-malas, que, com 289 l, não é muito melhor do que o de um carro pequeno, com oVW Gol ou Fiat Palio. Como esse é um segmento em que a Nissan também pretende competir no Brasil, é bom que a próxima geração do Tiida trate seu compartimento de carga com mais carinho.
Qualidades o Nissan já provou que tem. Se era um motor flex que faltava para que suas vendas pudessem ser melhores do que as de seus concorrentes mais atualizados, não falta mais. Vejamos como o mercado reage.
FICHA TÉCNICA – Nissan Tiida SL
MOTOR Quatro tempos, quatro cilindros em linha, longitudinal, quatro válvulas por cilindro, duplo comando no cabeçote DOHC, sistema CVVTCS de comando variável de válvulas e refrigeração a água, 1.798 cm³
POTÊNCIAS126 cv etanol e 125 cv gasoline a 5.200 rpm
TORQUES 172 Nm a 4.800 rpm
CÂMBIO Automático de quatro velocidades
TRAÇÃODianteira
DIREÇÃO Com assistência elétrica, por pinhão e cremalheira
RODAS Dianteiras e traseiras em aro 15”, de liga-leve
PNEUS Dianteiros e traseiros 185/65 R15
COMPRIMENTO 4,30 m
ALTURA 1,55 m
LARGURA 1,70 m
ENTREEIXOS 2,60 m
PORTA-MALAS 289 l a 463 l, com os bancos traseiros recolhidos
PESO em ordem de marcha 1.260 kg
TANQUE52 l
SUSPENSÃO Dianteira independente, tipo McPherson; traseira com eixo de torção
FREIOS Discos na dianteira e tambores na traseira
CONSUMO Consumo urbano de 6,9 km/l etanol e 11,4 km/l gasolina; consumo rodoviário de 10,3 km/l etanol e 17,1 km/l gasolina
PREÇOR$ 63,8 mil
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