Infelizmente, o mercado brasileiro ainda é muito sensível a preço especialmente porque os preços, aqui, são absurdos, o que torna veículos que já deveriam ter saído de linha, como Chevrolet Astra, VW Golf, Peugeot 307 e Fiat Stilo, líderes do segmento de hatches médios. Fossem os consumidores brasileiros mais orientados à compra de produtos mais atuais, modernos e interessantes, os modelos mais antigos já teriam tido a merecida aposentadoria. Falemos, então, dos produtos realmente novos que o mercado oferece.
Além do Nissan Tiida, há também Ford Focus ainda com motor antigo, Hyundai i30 o mais recente lançamento e Citroën C4. Destes modelos, só o Focus e o C4 podem ser considerados “nacionais”, por conta do Mercosul eles são feitos na Argentina. Esse é um fator de segurança para o consumidor, que sempre se assusta com a desvalorização que veículos importados, por melhores que sejam, sofrem ao longo do tempo. Como, dentre os dois, só o C4 já tem motores flexíveis, ele poderia ser o líder desse segmento se não sofresse com a fama de ter manutenção cara e problemas de construção. Nesse quesito, o Tiida se sai melhor. E a vantagem competitiva do modelo de origem francesa, a motorização flex, agora foi igualada.
E como anda o Tiida com motor 1,8-litro flex? Bem direitinho, assim como a Nissan Livina com o mesmo motor. Os engenheiros da Nissan chegaram a uma excelente solução para o tanquinho de partida a frio: ele vai instalado entre o capô e o para-brisa, no suporte dos limpadores. Poderiam ter ousado um pouco mais e adotado o mesmo sistema de partida a frio que é oferecido no VW Polo E-Flex, mas ousadia não é uma palavra que casa muito bem com fabricantes japonesas de automóveis.
Ao volante
Apesar de o motor do Tiida ter uma taxa de compressão bastante conservadora, o carro não é tão beberrão quanto se poderia supor. Andando só na cidade, com ar-condicionado ligado o tempo todo e encarando longos congestionamentos, o Tiida marcou 6 km/l. Para o pessoal que não está acostumado com consumo de veículos movidos apenas a etanol, isso pode parecer alto, mas é absolutamente aceitável, ainda mais levando em conta que o Ford Ka 1.0, conosco, marcou 6,5 km/l. O Tiida é mais potente, maior e mais bem equipado. Poderia cobrar a mais em consumo, mas não faz isso.
Em termos dinâmicos, o Tiida movido a etanol não apresenta surpresas, até porque o motor ganha apenas 1 cv usando álcool em relação ao uso da gasolina. Como o hatch já se comportava bastante bem, isso não chega a ser um demérito, mas poderia ser melhor. Os franceses, nesse ponto, se saíram muito melhor, extraindo do etanol tudo que ele tem a oferecer.
Internamente, falta ao Tiida regulagem de distância do volante, mas os bancos são extremamente espaçosos e a posição de dirigir, se não é a ideal, chega bem perto disso. Os bancos traseiros, deslizantes, permitem ampliar o porta-malas, que, com 289 l, não é muito melhor do que o de um carro pequeno, com oVW Gol ou Fiat Palio. Como esse é um segmento em que a Nissan também pretende competir no Brasil, é bom que a próxima geração do Tiida trate seu compartimento de carga com mais carinho.
Qualidades o Nissan já provou que tem. Se era um motor flex que faltava para que suas vendas pudessem ser melhores do que as de seus concorrentes mais atualizados, não falta mais. Vejamos como o mercado reage.
FICHA TÉCNICA – Nissan Tiida SL
| MOTOR | Quatro tempos, quatro cilindros em linha, longitudinal, quatro válvulas por cilindro, duplo comando no cabeçote DOHC, sistema CVVTCS de comando variável de válvulas e refrigeração a água, 1.798 cm³ |
| POTÊNCIAS | 126 cv etanol e 125 cv gasoline a 5.200 rpm |
| TORQUES | 172 Nm a 4.800 rpm |
| CÂMBIO | Automático de quatro velocidades |
| TRAÇÃO | Dianteira |
| DIREÇÃO | Com assistência elétrica, por pinhão e cremalheira |
| RODAS | Dianteiras e traseiras em aro 15”, de liga-leve |
| PNEUS | Dianteiros e traseiros 185/65 R15 |
| COMPRIMENTO | 4,30 m |
| ALTURA | 1,55 m |
| LARGURA | 1,70 m |
| ENTREEIXOS | 2,60 m |
| PORTA-MALAS | 289 l a 463 l, com os bancos traseiros recolhidos |
| PESO em ordem de marcha | 1.260 kg |
| TANQUE | 52 l |
| SUSPENSÃO | Dianteira independente, tipo McPherson; traseira com eixo de torção |
| FREIOS | Discos na dianteira e tambores na traseira |
| CONSUMO | Consumo urbano de 6,9 km/l etanol e 11,4 km/l gasolina; consumo rodoviário de 10,3 km/l etanol e 17,1 km/l gasolina |
| PREÇO | R$ 63,8 mil |
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