- A cena pode ser familiar a algumas pessoas: você é apresentado para uma garota, conversa bastante e depois é questionado sobre o que achou da guria. Sua primeira afirmação é sobre sua aparência, que não chega a ser feia, mas é sem-graça. Eis que o interlocutor rebate: “Ah, mas ela é legal!”
Situação parecida vivia o Kia Sorento. Com conteúdo equivalente ou até superior aos seus concorrentes, o utilitário padecia de um visual sem tempero. Para procurar possíveis pretendentes, só passando por uma profunda mudança no visual. E foi o que a Kia fez.
Lançada no início de 2009, a nova geração do Sorento segundo a Kia, pronuncia-se Sorrento chega ao Brasil nesta semana, com preço reduzido e metas elevadas. A versão mais barata parte de R$ 96,9 mil e é movida por um motor 2,4-litro de 174 cv – o modelo a diesel não será mais oferecido no Brasil. O objetivo da marca é chegar a 4,5 mil unidades vendidas até dezembro, 169% acima das vendas de 2009.
Cara alemã
Assim como a “irmã” Hyundai, a Kia está promovendo uma profunda mudança no visual de seus produtos. Sob a caneta de Peter Schreyer ex-designer da Audi, as novas gerações dos veículos da Kia estão ganhando ares mais agressivos.
A mudança é notável no primeiro contato visual com o Sorento. Com faróis inclinados e uma grande grade do radiador, o utilitário ganhou imponência. A sensação de tamanho é real no comprimento são 9,5 cm a mais, totalizando 4,68 m, mas falsa na largura, que se manteve a mesma, apesar dos paralamas alargados.
A lateral é limpa, marcada apenas por um forte vinco em sua parte inferior. A neutralidade das laterais ajuda na transição para a traseira, idêntica à do Kia Mohave. Falta personalidade, mas o resultado final agrada aos olhos.
SuV
O novo Sorento está mais esportivo e menos utilitário. Além da carroceria mais baixa 1,71 m de altura, 1,5 cm abaixo do Sorento anterior, a Kia reduziu a altura livre do solo em 1,9 cm. Com 18,4 cm disponível entre o assoalho e o chão, o novo Sorento fica abaixo do Fiat Palio Weekend Adventure, com 19 cm.
Claro, esta informação serve apenas para os críticos parciais e cunhados chatos. Com tração integral e bloqueio de diferencial opcionais, o Sorento ainda pode ter aptidão para o fora de estrada. Mas seu negócio mesmo é o asfalto.
Com suspensão independente nas quatro rodas e construído sobre um monobloco a geração anterior usava o chassi do Mohave, o Sorento transmite segurança nas curvas mais acentuadas. Está longe de ter a estabilidade de um automóvel, mas a carroceria rola menos nas mudanças de direção do que o rival Chevrolet Captiva.
O motor Theta II é suficiente para o trânsito urbano. Com duplo comando de válvulas variável, o quatro cilindros de 16 válvulas tem o pouco torque 23 kgfm bem aproveitado pelo câmbio automático de seis marchas. Contudo, a transmissão não conversa com o motor quando o assunto é estrada. Durante a avaliação, feita na Rodovia Ayrton Senna, o piloto automático reduzia até duas marchas para manter os 120 km/h programados. O lado positivo é visto nas baixas rotações do motor, que girava a 2.550 rpm na sexta marcha.
A posição de dirigir é confortável e há espaço de sobra para os cinco ocupantes. Os dois passageiros da terceira fileira item disponível nas versões mais completas contam com espaço razoável e difusores exclusivos do ar-condicionado. Com pouco espaço para as pernas de um adulto, os bancos adicionais são indicados para as crianças. Fora de uso, eles abrem espaço para 1.047 litros de volume de carga no porta-malas e permitem a inclinação do encosto da segunda fileira, como no Honda City.
Padrão CAOA
Em seu texto de divulgação, a Kia afirma que o câmbio automático é CVVT apesar de a sigla significar variação contínua do tempo de válvulas, em inglês e que o Sorento possui dez airbags nas versões mais completas. A tática de misturar um sistema com outro o CVVT é um sistema do motor e de multiplicar virtualmente os airbags já é adotada por outra sul-coreana, a Hyundai, através da importadora CAOA.
Tais exageros não eram necessários. As versões mais completas do Sorento contam com seis airbags dois frontais, dois laterais e dois de cortina, ABS e controle de tração, padrão do segmento. Faróis de xenônio, sensor de estacionamento, lanternas com LEDs e teto solar panorâmico diferenciam os modelos com sete lugares da versão de entrada.
Custando R$ 115,9 mil, a versão intermediária com tração 4x2 deverá ser a mais vendida, contando com mimos que incluem câmera auxiliar para marcha à ré herdado do Soul e chave keyless, que permite abertura do carro e acionamento do motor sem tirar a chave do bolso.
Exposta no evento de lançamento, a versão V6 sofreu atrasos na homologação e só inicia as venda em junho. A unidade não estava emplacada e não pode ser avaliada pelo WebMotors. Partindo de R$ 119,9 mil, o modelo é equipado com um motor 3,5-litros de 278 cv de potência. Com mix esperado de 30% das vendas, o Sorento mais potente mira no público que busca força extra para empurrar os 1.839 kg desta versão do utilitário.
Recuperando terreno
Outro ponto crítico das sul-coreanas, a questão da manutenção está sendo tratada com cuidado pela Kia. Com meta de ter 150 concessionárias até setembro são 129 atualmente, a fabricante pretende criar pacotes de revisão e peças com preço fixo, apesar das críticas dos revendedores. Com isso a Kia espera tornar sustentável seu crescimento no País, que no primeiro quadrimestre foi de 219%, comparado com o mesmo período de 2009.
O Sorento vendeu ano passado 1.559 unidades, perdendo até para o Suzuki Grand Vitara 2,6 mil. Com o objetivo de ficar atrás apenas do líder Captiva e do conterrâneo Santa Fé, a nova geração ganhou mais conteúdo e um design atraente, excelentes cartões de visita para novos clientes. Com novo visual, a garota do começo do texto agora só depende de uma boa publicidade para ganhar mais pretendentes.
FICHA TÉCNICA – Kia Sorento 2.4 2011
| MOTOR | Quatro tempos, quatro cilindros em linha, transversal, refrigeração a água, 2359 cm³ |
| POTÊNCIA | 174 cv gasolina a 6.000 rpm |
| TORQUE | 225 Nm gasolina a 3.750 rpm |
| CÂMBIO | Automático, com seis marchas |
| TRAÇÃO | Dianteira integral opcional |
| DIREÇÃO | Por pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica |
| RODAS | Dianteiras e traseiras em aro 18” de liga-leve |
| PNEUS | Dianteiros e traseiros 235/60 R18 |
| COMPRIMENTO | 4,68 m |
| ALTURA | 1,71 m |
| LARGURA | 1,88 m |
| ENTREEIXOS | 2,70 m |
| PORTA-MALAS | 258 l 7 lugares a 1.047 l 5 lugares |
| PESO em ordem de marcha | 1.720 kg 4x2 com 5 lugares a 1.816 kg 4x4 de 7 lugares |
| TANQUE | 70 l |
| SUSPENSÃO | Dianteira independente, tipo McPherson; traseira independente, tipo multibraço |
| FREIOS | Discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira |
| CORES | Branco, prata claro, prata escuro e preto |
| PREÇO | R$ 96.900 4x2 com cinco lugares a R$ 120.900 4x4 com sete lugares |
