- O mercado de automóveis nem sempre é lógico. Enquanto um carro de custo-benefício duvidoso frequenta o topo da tabela dos mais vendidos, outros modelos que oferecem muito por pouco teimam em ficar na base da lista. Lançado ano passado, o Peugeot Hoggar é um deles.
Com pouco mais de 4 mil unidades vendidas em 2010, a picape compacta baseada no 207 fica atrás da veterana Ford Courier, vendida quase que exclusivamente para comerciantes. As vendas anuais do Hoggar cuja pronúncia é ô-gár ficam abaixo até das vendas mensais da tradicional líder Fiat Strada. Para tentar descobrir o motivo do desempenho tímido da picape compacta, o WebMotors pôs à prova sua versão topo de linha Escapade para uma avaliação completa.
207 bombado
A diferença da Escapade em relação às versões XS e XR está na cara. Repleta de apliques plásticos, a versão tem um estilo mais pesado até do que a 207 SW Escapade. Os enormes faróis escurecidos acompanham o para-choque com um quebra-mato estilizado, enquanto as laterais são protegidas por frisos plásticos que ligam as duas caixas de rodas – que também receberam apliques . A traseira é a mais discreta, mas ostenta ainda muitos centímetros de frisos pretos.
O estilo meio off-road é diretamente inspirado no Fiat Strada Adventure, mas sem o exagero da última geração da picape mineira. Visto de perto, o Hoggar chama a atenção sem ser espalhafatoso. Para o consumidor isso significa uma picape compacta aventureira por R$ 43.500, valor inferior ao cobrado pela Strada Adventure R$ 48.620 e Volkswagen Saveiro Cross. Isso porque apesar da picape Gol custar menos R$ 42.380, ela vem sem ar-condicionado, equipamento de série no Peugeot.
Visão vermelha
Aliás, é mais fácil falar o que não é de série no Hoggar do que o contrário. Completa de fábrica, a picape pode ser equipada apenas com airbag duplo e pintura metálica. E se o primeiro item nem sempre está na lista de prioridades do comprador, o segundo sem dúvida estará – a não ser que você goste muito de branco ou vermelho. Essas são as duas únicas cores sólidas disponíveis, enquanto todas as outras monótonas opções são metálicas - três tons de cinza e um preto. Mas deixemos esse detalhe cromático de lado – até porque essas cores são as mais vendidas no Brasil.
Com direção hidráulica, trio-elétrico, ar-condicionado e rodas de liga-leve, o negócio do Hoggar é apostar na fartura. Tudo bem que a área atrás dos bancos comporta só 120 litros, suficientes apenas para duas ou três malas pequenas, mas a caçamba de 1.151 litros e 650 kg de capacidade compensa. Falta apenas o protetor de caçamba e a capota marítima, acessórios vendidos à parte pelos concessionários.
Hot pick-up
Sob o capô também há fartura – de potência. Com 113 cv com etanol, o motor 1,6 de 16V sobra no Hoggar, deixando a picape quase tão divertida de dirigir quanto um hatch. Por não possuir comando variável, o propulsor exige giros mais elevados para entregar toda a sua força, mas manter o ponteiro do conta-giros próximo à faixa vermelha não é uma tarefa difícil. As trocas de marcha acompanham o fôlego do motor. Para melhorar bastaria apenas o curso da alavanca ser um pouco menor. O consumo urbano de 7,5 km/l com etanol medido pelo WebMotors está na média para o segmento
Há um motivo, porém, para não se andar rápido com o Hoggar. Felizmente um deles não é a suspensão, que cumpre com eficiência a tarefa de segurar uma caçamba que passará a maior parte do tempo vazia sem penalizar os passageiros com uma dureza excessiva. Na calibragem, a Hoggar está mais para a firme Saveiro do que para a macia Strada.
O problema está nos freios. Não que o sistema a disco ventilado na dianteira e a tambor na traseira com duas válvulas equalizadoras não seja eficiente. O problema é que o auxílio eletrônico do ABS não está disponível nem como opcional. Uma grande ausência em um modelo tão recheado de equipamentos.
Por quê?
Apesar de algumas faltas nas opções de cores e equipamentos, o Hoggar oferece na ponta do lápis o que boa parte dos consumidores procura: custo-benefício. Com potência e equipamentos de sobra por um preço abaixo dos concorrentes, não há motivo para o Hoggar não vender igual – ou até mais – do que seus rivais. Com o fantasma da manutenção cara exorcizado pelo 206/207, o Hoggar depende só de uma boa ação de marketing para emplacar no mercado.
Peugeot Hoggar Escapade 2011
| Motor | Quatro cilindros em linha, dianteiro, transversal, 16 válvulas, 1.587 cm³ |
| Potência | 113 cv etanol / 110 cv gasolina a 5.600 rpm |
| Torque | 152 Nm / 15,5 kgfm etanol - 139 Nm / 14,2 kgfm gasolina a 4.000 rpm |
| Câmbio | Manual, com cinco marchas |
| Tração | Dianteira |
| Direção | Por pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica |
| Rodas | Dianteiras e traseiras em aro 15” de liga-leve |
| Pneus | Dianteiros e traseiros 185/65 R15 |
| Comprimento | 4,52 m |
| Altura | 1,52 m |
| Largura | 1,67 m |
| Entre-eixos | 2,74 m |
| Caçamba | 1.151 l |
| Peso em ordem de marcha | 1.216 kg |
| Tanque | 55 l |
| Suspensão | Dianteira independente, tipo McPherson, traseira dependente, tipo barra de torção |
| Freios | Disco solido na dianteira e tambor na traseira |
| Preço | R$ 43.500 |
