940x576 E431a00a D468 48c9 Bd31 8069054eaafc 0

Novo Chevrolet Cruze 'atropela'

Bom desempenho e lista de itens de série recheada esbarram no preço elevado


  1. Home
  2. Testes
  3. Novo Chevrolet Cruze 'atropela'
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon


Sabe aqueles filmes clássicos de western em que um forasteiro desconhecido chega bicando a porta do saloon, faz a banda parar de tocar e intimida xerife, prefeito, barman e até os canalhas que jogam cartas ostentando um cigarro no canto da boca? Pois é, o novo Chevrolet Cruze 2017 desembarca desta mesma forma em solo brasileiro, ‘armado até os dentes’ para impor respeito no ‘violento’ segmento dos sedans médios.

  • Comprar carros
  • Comprar motos
Ver ofertas

Trata-se de um carro completamente novo. Esqueça a primeira geração do modelo, sucesso de vendas no mundo – não por aqui – com mais de 4 milhões de unidades entre 2008 e 2016. Por fora, o jeitão clássico e discreto deu espaço para a esportividade e o arrojo. Perdeu completamente as influencias norte-americanas para assumir uma postura claramente asiática. Resumindo: parece um típico sul-coreano – se falassem que é um projeto Hyundai ou Kia, eu acreditaria. Tem elementos que remetem ao Hyundai Elantra, ao Kia Cerato e até mesmo o Hyundai HB20 S.

940x576 76552534 64c7 447e A206 2ff5b35fb437 11
940x576 76552534 64c7 447e A206 2ff5b35fb437 11
toggle button

Porém, mais que mera estética, a segunda geração do Cruze é, mecanicamente, muito melhor. Em absolutamente todos os sentidos. Sai o insosso motor 1.8 16V Flex aspirado de até 144 cv de potência e 18,9 kgf.m de torque e chega o moderno 1.4 16V Turbo Ecotec bicombustível (injeção direta e comando variável de válvula) de 153 cv e 24,5 kgf.m, quando abastecido com etanol.

A transmissão é a mesma de 6 marchas, mas com melhorias em calibração e software para atender ao comportamento mais intenso do propulsor. Agradeço à engenharia da Chevrolet não ter pensado em um câmbio CVT, já que a proposta deste ‘forasteiro’ produzido na Argentina é entregar, além do conforto, esportividade e prazer ao volante. E entrega...

Durante o test drive, parti da Zona Sul de São Paulo até a pista de provas da marca norte-americana em Indaiatuba, interior do estado. Os primeiros quilômetros na Marginal Pinheiros já foram suficientes para me convencer que a nova geração é superior à anterior. As acelerações e especialmente as retomadas são muito mais intensas, apesar de a transmissão ter um rápido momento de ‘reflexão’ antes de decidir qual melhor marcha. Nada que incomode ou prejudique a performance.

940x576 13131378 F408 47a1 B72f 98d842abcf15 11
940x576 13131378 F408 47a1 B72f 98d842abcf15 11
toggle button

É possível fazer as mudanças por meio da alavanca com toques para cima e para baixo – felizmente nada de ‘botãozinho’ na manopla. No caso do Cruze, aletas atrás do volante seriam interessantes pela proposta de desempenho. E este equipamento não está disponível nem como acessório.

Apesar de a força máxima estar disponível a partir de 2.000 rpm, 90% do torque já aparece a 1.500 giros, evitando que em baixas rotações o Cruze fique chocho. O turbo funciona com pressão média de 0,96 bar. Resultado deste vigor é uma aceleração de 0 a 100 km/h em 9 segundos – geração anterior fazia em 9,8 segundos e o Vectra com motor 2.4, em 10,5 segundos.

E atrelado a esta performance está eficiência. De acordo com a fabricante, os índices de consumo ficaram em 7,6 km/l na cidade e 11,2 km/l na estrada, quando com álcool no tanque. Com gasolina, os números foram de 9,6 km/l (cidade) e 14 km/l (estrada). Além do motor ser menos beberrão por natureza – um dos benefícios do chamado downsize -, as rodas de liga leve de 17 polegadas utilizam pneus de baixa resistência a rodagem (chamados pneus verdes), o coeficiente aerodinâmico melhorou e o sistema start-stop (desliga e liga o motor automaticamente ao parar em um semáforo e arrancar, por exemplo) é item de série. O novo Cruze é até 30% mais econômico que o anterior. Muita coisa...

940x576 8573c82c 7e01 46b8 A1ec Bed5c7f56c44 10
940x576 8573c82c 7e01 46b8 A1ec Bed5c7f56c44 10
toggle button

A suspensão está bem equilibrada – dianteira é independente tipo McPherson com barra estabilizadora, e a traseira adota eixo de torção, semi-independente. Firme, no entanto, mais soft que o Cruze anterior. Confesso que esperava um comportamento rígido acentuado. Não há final de curso dos amortecedores e chama a atenção o silêncio do sistema. O comportamento do Chevrolet, mesmo em uma tocada mais apimentada – como pude aproveitar em uma das pistas do campo de provas -, é absolutamente previsível. Não há saídas de traseira e a dianteira escorrega de maneira sutil. O Cruze é previsível, o que é excelente pensando em segurança. Os controles de atração estabilidade estão lá, mas não são intrusos e, quanto atuam, não são abruptos, permitindo que a pilotagem ganhe sabor.

Por dentro...

O Cruze está maior 6 centímetros, agora com 4,66 metros de comprimento. A distância entre os eixos, no entanto, aumentou apenas 1 centímetro, chegando a 2,70 metros. Entretanto, com a nova disposição dos bancos e inclinação do encosto do assento traseiro, o espaço para as pernas e joelhos para quem vai de passageiro é muito bom. Apenas a queda mais acentuada do teto pode incomodar a cabeça dos mais altos. O porta-malas acabou prejudicado, passando a transportar 440 litros - 10 litros a menos que a primeira geração. Mesmo assim continua sendo excelente para toda a família.

940x576 25ce630a 0269 4d58 840c 0d614051e168 10
940x576 25ce630a 0269 4d58 840c 0d614051e168 10
toggle button

O acabamento me decepcionou um pouco, mesmo na opção LTZ + (a mais completa). Algumas peças não estavam bem encaixadas, especialmente no console central. Os bancos e painéis das portas são revestidos em couro, o que é bom. O problema é a coloração clara, que não agradou muito - mas isso é um gosto pessoal. O plástico na parte superior das portas também poderia ser emborrachado, afinal estamos falando de um veículo de R$ 107.450. Os cromados, em contrapartida, estão bem distribuídos e sem abusos.

O assento do motorista (apenas) tem regulagens eletrônicas, enquanto a coluna de direção traz ajustes manuais de altura e profundidade. Muito fácil encontrar uma boa posição ao volante, que é, diga-se de passagem, multifuncional e tem boa empunhadura. O interessante é que alguns comandos, como do sistema de som, estão atrás – onde normalmente estão as aletas do Paddle Shift -, ao melhor estilo Chrysler. Pelo volante também é possível comandar as funções do computador de bordo, que traz, além das leituras tradicionais como consumo, autonomia e temperatura, como também tendência de consumo, tensão da bateria, pressão dos pneus e até vida útil do óleo do motor.

Ainda por meio do volante é possível acionar, apenas nesta configuração topo de linha, o alerta de colisão frontal, que tem três níveis (distâncias) em relação ao veículo à frente, e o alerta de saída de faixa. Este, aliás, atua diretamente. Caso os sensores detectem que o veículo está saindo da faixa de rodagem, o volante atua levemente para corrigir a trajetória e emite para o motorista um sinal no painel de instrumentos. É interessante, traz certa segurança, mas as vezes incomoda. O Chevrolet também tem um terceiro alerta, que é o de objeto no ponto cego.

940x576 8afef181 E546 40de Bd4d 20234ccf6ae8 12
940x576 8afef181 E546 40de Bd4d 20234ccf6ae8 12
toggle button

940x576 6227e212 4b8f 46c5 Bd5d Bf80bef0d150 12
940x576 6227e212 4b8f 46c5 Bd5d Bf80bef0d150 12
toggle button

A direção tem assistência elétrica progressiva, excelente para manobras – apesar de o Cruze topo de linha contar com assistente de estacionamento (aquele que detecta a vaga e que por meio de instruções que aparecem no painel orienta o motorista a engatar marcha ‘Ré’, acelerar e pisar no freio, enquanto o volante gira automaticamente para encaixar o carro na vaga). Há câmera de ré e sensores de estacionamento dianteiro e traseiro. O ar-condicionado é eletrônico, mas de apenas uma zona e não oferece saída para aqueles que viajam no banco de trás.

A central multimídia é o MyLink II com tela de 8 polegadas sensível ao toque. Entre as novas funções está o GPS 3D. E o melhor é que agora é compatível com Apple CarPlay e Android Auto. O OnStar – serviço de concièrge – também está à disposição, assim como carregador Wireless para smartphone, controlador e limitador de velocidade, farol alto adaptativo, airbags frontais, laterais e de cortina, além de freios com ABS (antitravamento) e EBD (distribuição eletrônica de frenagem).

Conclusão

Em comparação à geração anterior, o novo Cruze beira a excelência. Design atual com pegada esportiva, conjunto mecânico que entrega performance e eficiência, e bastante tecnologia pensando em conforto e segurança. Para quem gosta de dirigir, o Chevrolet também agrada muito. "Tem condições, hoje, de bater Toyota Corolla e Honda Civic?" Minha resposta é ‘sim’, caso sejam avaliadas apenas questões dinâmicas. Agora, se a dúvida é em relação às vendas, minha resposta é ‘não’. Não apostaria que o Cruze seja capaz de desbancar a dupla japonesa. No entanto, como em todo filme clássico de western, o forasteiro desconhecido, no caso o Cruze, sempre tem carta na manga. Vamos ver...

Consulte preços de carros novos e usados na Tabela Fipe e Webmotors.

Comentários