- O segmento de compactos é o mais importante e mais movimentado mercado automotivo nacional. E nesse cenário, quem tem mais a oferecer, acaba por fazer mais volume. A Ford, por exemplo, andava sem muita representatividade quando o assunto eram veículos desse tipo. Para "virar o jogo", a fabricante norte-americana trouxe do México o New Fiesta sedã – lançado na Europa em 2008 –, que tem a seu favor as linhas ousadas do design Kinetic, a atual tendência de estilo da marca. E a estratégia deu certo. No primeiro mês cheio de vendas, em setembro, foram 2.200 unidades comercializadas só do novo modelo. Ao mesmo tempo, não aposentou o Fiesta antigo, feito em Camaçari, na Bahia, e agora chamado de Rocam. A ele, cabe brigar em um nicho de sedãs de entrada e ajudar a "engordar" o número de vendas da linha total do Fiesta sedã: 3.356 em setembro.
Só que o New Fiesta chegou ao país com dupla função. Além de buscar mais volume para a Ford, o modelo é o primeiro da marca a brigar no oportuno subsegmento chamado na indústria brasileira de compacto premium. Disputa espaço com concorrentes como Honda City, Kia Cerato, Fiat Linea e Volkswagen Polo sedã. A sexta geração do New Fiesta sedã chega com preço inicial de R$ 49.900, em única versão, com motor Sigma Flex 1.6 16V produzido no Brasil, o mesmo que já equipa a versão de entrada do Ford Focus. Só que pelo valor inicial sugerido, chega com o mínimo de conforto e tecnologia. A configuração sai de fábrica com ar-condicionado, direção elétrica, trio, ajustes de altura e de profundidade do volante e do banco do motorista, computador de bordo, rádio/CD/MP3, roda de liga leve 15 polegadas e alarme. Ainda existe uma opção de pacote de segurança, que inclui ABS e EBD por R$ 51.450. Com o acréscimo de sete airbags – sendo dois frontais, laterais dianteiros, do tipo cortina e para joelhos – e revestimento dos bancos em couro, o preço chega a R$ 54.900.
Na comparação com os rivais, o New Fiesta sedã tem o mesmo preço do Kia Cerato – que tem itens a mais de série, como airbag duplo e controle do rádio no volante. É mais caro que Volkswagen Polo sedã, que surge por R$ 44.180 – com "básicos" ar, CD player, direção hidráulica e computador de bordo –, e é mais barato que o City, que é oferecido a R$ 57.420, e que o Fiat Linea, com preço de R$ 55.450 na versão LX 1.8 16V E.torQ. O desempenho de vendas inicial do New Fiesta, com as 2.200 unidades em setembro, o aproxima do modelo da Honda, que no acumulado do ano é o líder do nicho, com média mensal de 2.650 unidades. O modelo da Kia foi o mais vendido no último mês, com 2.373 unidades, mas a média no ano é de 1.130 mensais, atrás do Polo sedã, com média de 1.300/mês. O três volumes da Fiat segue "na lanterna", com apenas 970 unidades/mês.
Só que o maior atributo do compacto premium da Ford é o design moderno e atualizado com os mercados mundiais. O estilo Kinetic tenta transmitir sensação de movimento, graças às suas linhas fluidas, que dão impressão de rapidez e agilidade ao modelo. Na parte dianteira o destaque é o aspecto bojudo do parachoque. Os vincos bem marcados no capô acompanham o desenho dos faróis alongados e angulosos, uma das marcas mais expressivas do conceito de design da Ford. Nas laterais, um vinco surge das pronunciadas caixas de rodas, corta o modelo na altura das maçanetas, sobe de encontro à traseira e chega às lanternas. Atrás, um estilo que se confunde com um hatch, com tampa do porta-malas curta, parachoque "parrudinho" e lanternas com contornos arredondados.
Além do visual, o New Fiesta sedã tem mecânica moderna. O motor 1.6 16V Sigma Flex é capaz de produzir 110 cv de potência com gasolina a 5.500 rpm e 115 cv aos 6.250 mil rpm com etanol, e um torque máximo de 15/15,7 kgfm, disponível integralmente aos 4.250 giros – mais que os 103 cv do Volkswagen Polo sedã, parecido com os 115/116 cv do City só que menos que os 124 cv do Cerato e dos 130/132 do Linea. Um resumo de todos os pontos do New Fiesta que tentam fazer jus ao slogan da marca, que exalta tudo o que é novidade.
Instantâneas
# O New Fiesta foi eleito pela revista britânica "What Car?" como o Carro do Ano de 2008.
# Na Europa, onde o New Fiesta é comercializado desde 2008, já foram vendidas cerca de 500 mil unidades.
# Além da planta de Cuautitlán, no México, o New Fiesta é fabricado em Valência, na Espanha, em Colônia, na Alemanha, em Nanjing, na China, e em Rayong, na Tailândia.
# A primeira aparição do New Fiesta foi como o conceito Verve, durante o Salão de Frankfurt de 2007. O protótipo chamava a atenção por suas linhas externas fortes e interior "high-tech".
Ponto a ponto
Desempenho – O motor Sigma 1.6 16V com seus 115 cv com etanol, é vigoroso, especialmente nas arrancadas. Só que para tirar os 1.162 kg da inércia e chegar até a marca dos 100 km/h foram necessários 11,8 segundos. O New Fiesta anda bem até os 80 km/h, mas para ultrapassar os 100 km/h, o motorista precisa ter certa paciência e pé fundo. O torque máximo de 16,1 kgfm é alcançado somente aos 4.250 rpm, um giro bem elevado, o que compromete as retomadas. A Ford fala em uma máxima de 190 km/h, limitada eletronicamente. Nota 6.
Estabilidade – O New Fiesta tem bom comportamento e se mostrou bastante acertado. Até nas curvas mais intensas o compacto premium da Ford tem rigidez torcional elogiável. A carroceria torce o normal para um três volumes, enquanto a comunicação entre rodas e volante se mostra precisa até os 130 km/h. Nota 7.
Interatividade – O quadro de instrumentos e o display central – com informações do computador e som – são de fácil visualização. A operação dos principais comandos também é bastante prática, principalmente os do som, no tablier central, e dos vidros, no descansa-braço da porta. O volante oferece ajustes de profundidade e de altura com extensa amplitude, algo que deixa a desejar no Fiesta brasileiro. O câmbio tem engates curtos, mas não é muito macio, nem preciso. Nota 8.
Consumo – O motor Sigma 1.6 16V anotou uma média razoável de 6,7 km/l com puro etanol, em trechos com 2/3 de cidade e 1/3 de estrada. Nota 6.
Conforto – O New Fiesta tem bom espaço para pernas do motorista e carona. No banco traseiro, no entanto, o espaço é limitado com em todo compacto e apenas dois adultos conseguem ter folga. O conjunto de suspensão foi capaz de filtrar bem os desníveis da pista e o isolamento acústico se mostrou eficiente mesmo após os 130 km/h. Nota 8.
Tecnologia – O modelo usa uma das plataformas mais recentes da Ford, que data de 2008. Na parte mecânica, oferece o novo motor Sigma 1.6 16V associado ao câmbio manual de cinco velocidades. Os itens de segurança como os sete airbags e freios com ABS e EBD são apenas opcionais. De fábrica, o New Fiesta traz pacote de série bem "basicão", com direção elétrica, alarme perimétrico, ar-condicionado, CD player com MP3, computador de bordo, entre outros. Nota 7.
Habitabilidade – Um dos pontos a favor do New Fiesta é sua praticidade. O modelo esbanja espaços específicos para objetos, como porta-copos espalhados por todo o habitáculo. O porta-malas comporta 440 litros e condiz com o segmento. Nota 8.
Acabamento – A Ford mexicana parece não ter cuidado bem desse item no New Fiesta. A parte interna utiliza texturas emborrachadas no painel, mas os encaixes nem sempre são precisos como deveriam. Há rebarbas na alavanca de regulagem do banco e nos consoles das portas. Ainda são perceptíveis falhas nas emendas do forro do teto com o acabamento em plástico das colunas. Os parafusos expostos na parte interna da base da direção são uma surpresa desagradável. Nota 6.
Design – É o ponto forte do New Fiesta. O compacto premium da Ford parece representar, de fato, todo o conceito Kinetic de estilo. Possui linhas arrojadas e angulosas, parachoques robustos e vincos bem marcados. O caimento acentuado do teto disfarça o terceiro volume e tira o aspecto de sedã comportado, para fazer uma mescla de cupê e hatch. Nota 9.
Custo/Benefício – Disponível em versão única por R$ 49.900, o New Fiesta tem plataforma nova, motor moderno, design atualizado a nível mundial e que agrada, além de lista de equipamentos decente. Bate no preço com Kia Cerato, que também tem apelo pelo visual, mas possui um custo/benefício mais agressivo. O sedã coreano sai de fábrica com "extras" como airbag duplo e controle do rádio no volante. Sem falar do motor mais potente, com 126 cv. Na comparação com Honda City, o modelo da Ford é bem mais em conta, já que o sedã da marca japonesa sai por R$ 55.420. O rival Volkswagen Polo sedã tem preço mais acessível, de R$ 44.180, mas possui menos itens de série – travas e vidros elétricos são apenas opcionais, por exemplo. Nota 7.
Total – O Ford New Fiesta somou 72 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir - Combinação certeira
O motor Sigma 1.6 16V que equipa o New Fiesta – e estreou no Brasil no Focus – supre bem as necessidades do compacto premium da Ford. É eficiente nas arrancadas, combinado com as duas primeiras marchas mais curtas do câmbio, e seus 115 cv são vigorosos para empurrar os 1.162 kg do três volumes. O sedã parece perfeito para a cidade, já que a unidade de força desenvolve muito bem até os 80 km/h. Quando o modelo é levado para a estrada, no entanto, o motorista deve ter paciência para esperar que o marcador do velocímetro se manifeste e vá além dos 100 km/h. As relações entre a 3ª e 4ª marchas são longas demais, o que dificulta chegar de maneira rápida a altas velocidades – além disso, o propulsor só enche de verdade próximo aos 4 mil giros. Entretanto, o consumo de combustível é apenas "normal", média de 6,7 km/l com uso 2/3 na urbano. O que incomoda mesmo é o engate do câmbio, pouco preciso.A dinâmica do New Fiesta também é elogiável. Isso porque a carroceria não faz menção de desgarrar, mesmo quando se entra de maneira agressiva nas curvas, demonstrando sua boa rigidez torcional. E até em situações de frenagens mais intensas é surpreendente não assistir o modelo mergulhar intensamente, como de praxe para um compacto. Nas retas, os sinais de flutuação só surgem aos 130 km/h, quando são necessárias algumas correções.
Em termos de ergonomia, o três volumes possui os principais comandos ao alcance das mãos e olhos do motorista e bastante intuitivos. A Ford não deixou de trabalhar na boa e elevada posição de dirigir – como também acontece no Fiesta RoCam baiano. O motorista se sente mais "altinho" e isso contribui de maneira positiva quando o assunto é visibilidade. A qualidade mais forte do New Fiesta é mesmo a parte externa. O ousado e bem pensado design Kinetic da Ford, que abusa vincos bem marcados com saliências musculosas, faz com que o carro se destaque em meio à concorrência.
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