Novo Troller T4 está ainda mais bruto

Aceleramos o novo jipe, que está maior, sofisticado e com motor da Ranger


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Bruto por natureza – e idolatrado por seus proprietários por ostentar com orgulho este estilo truculento -, o Troller T4 2015 foi oficialmente apresentado nesta terça-feira, em Itupeva, interior de São Paulo. Completamente “novo de para-choque a para-choque”, como os integrantes da marca gostam de dizer, o jipe chega às concessionárias a partir da segunda metade de agosto.

O preço ainda não foi revelado. No entanto, deverá custar cerca de 15% mais que a geração atual, comercializada a R$ 96.844 – algo em torno de R$ 110.000.

A nova geração do jipinho produzido em Horizonte, no Ceará, está mais sofisticada, porém, a partir de um bom trabalho de projetistas, designers e engenheiros, o T4 conseguiu evidenciar ainda mais sua principal qualidade: vitalidade no universo off-road. Para isso, foram mais de três anos debruçados em pranchetas e rodando mais 200 mil quilômetros por todos os tipos de estradas.

O conjunto mecânico está mais forte a partir da adoção do motor Duratec de cinco cilindros 3.2 turbodiesel de até 200 cv de potência e transmissão manual de seis velocidades, ambos componentes herdados da Ford Ranger . O aumento nas medidas – está mais comprido, largo e com a distância entre os eixos maior – deixou o T4 mais musculoso, além de todas as virtudes fora-de-estrada, como ângulos de ataque e vão livre em relação ao solo, também terem evoluído.

DESIGN

O novo Troller está mais bonito. Fato! A dianteira, com para-choque mais robusto, conjunto ótico reposicionado, grade frontal com textura que remete ao desenho da própria frente do jipinho, e capô mais alto e marcante, é um belo cartão de visitas. Faz o antigo T4 parecer ‘mirrado’. A lateral traz caixas de rodas grandes e extremamente marcantes, que abrigam rodas de 17 polegadas ‘calçadas’ com pneus 255/65 R17 de uso misto (70% on e 30% 0ff-road). Destaque para a elevada entrada de ar nas laterais. A traseira, com pequenos faróis quadrados em LEDs, traz o estepe centralizado na tampa, trabalhada, de acordo com designer José Carlos, “como porta de um cofre”.

O interior foi todo redesenhado também. Muitos elementos, como os leitores do painel de instrumentos com tradicional iluminação ‘Ice Blue’, por exemplo, são os mesmos da Ranger. Os bancos têm novo desenho e estão mais confortáveis para motorista e passageiro dianteiro. Já aqueles que viajam atrás ainda sofrem com a falta de espaço para as pernas. O volante também é novo e agrega melhor empunhadura.

Interessante é que a Troller, em paralelo com o desenvolvimento do T4, trabalhou mais de 130 acessórios (snorkel, guincho, para-choque off-road, estribos de aço, bagageiros, protetores inferiores, pneus para lama, entre outros) que podem ser instalados nas lojas e não comprometem os três anos de garantia – antes eram apenas dois.

“O novo T4 está mais modular. Temos todos os equipamentos para o ‘trolleiro’ (aquele aficionado pelo Troller) que quer levar seu jipe para a ‘guerra’”, explica Wilson Vasconcellos, responsável pelo marketing da marca. E de acordo com fonte ligada à marca, o proprietário de um Troller, tradicionalmente, investe alto em novos equipamentos para seu T4.

RODANDO

Acelerando, o novo jipinho ficou ainda mais valentão. O WebMotors dirigiu o T4 2015 em asfalto liso e por uma trilha de terra sem grandes desafios.

No piso liso, o Troller mostrou pouco talento. Além da direção ter folga – algo bom para as trilhas, mas não para o dia a dia urbano -, a suspensão, que foi retrabalhada, não impede a inclinação acentuada da cabine. O nível de ruído na cabine está menor, mas ainda acima de uma picape média a diesel, por exemplo. A posição ao volante é ok, porém a alavanca do câmbio ficou muito baixa. Falta também um descanso para o pé esquerdo. Portanto, não compre um T4 achando que terá um utilitário compacto…

Na estradinha de terra batida, entretanto, a história muda, e o Troller se transforma. Mesmo com pneus de uso misto, todos os obstáculos – sem exceção – foram superados com extrema facilidade. Mel na chupeta da criança. Os ângulos de entrada e saída são de 51 graus, o vão livre em relação ao solo é de 31,6 cm e a capacidade de imersão é de 80 cm (sem snorkel).

Ponto para o excelente motor 3.2 turbodiesel de cinco cilindros de até 200 cv de potência a 3.500 rpm, que substitui o antigo 3.2 turbodiesel de quatro cilindros da MWM, de 165 cv. A principal virtude deste propulsor esta na força elevada em baixas rotações. O torque máximo, por exemplo, é de 47,9 kgf.m entre 1.700 e 2.500 giros apenas – o anterior entregava 38,7 kgf.m 1.600 a 2.200 giros.

O câmbio de seis marchas tem engates curtos e precisos, porém duros – em especial a primeira. A relação é a mesma adotada pela picape média da Ford, com as primeiras marchas mais curtas, privilegiando o torque, e as últimas mais longas para a melhor economia de combustível. De acordo com fabricante, o novo T4 é de 8% a 10% menos ‘beberrão’ que o anterior – na cidade faz 9,8 km/l e na estrada 12,3 km/l, em média.

A tração é 4x2 (traseira), mas por meio de seletor é possível passar para 4x4 com o carro em movimento a até 120 km/h. A reduzida agora também é escolhida por intermédio do botão localizado no console central. E como todo bom fora de estrada de ‘responsa’, o Troller tem tecnologia Trac-lock, que, ao identificar que uma das rodas está sem tração, o torque é automaticamente transferido para a que está em contato com o solo.

Munido de freios a disco nas quatro rodas, o T4 tem sistema ABS (antitravamento) que se adapta ao tipo de solo que está rodando. O air bag duplo frontal não está disponível por se encaixar em outra legislação.

E por falar em itens de série, o T4 sai da linha de montagem com direção hidráulica, ar-condicionado de duas zonas, travas e vidros elétricos, computador de bordo com sete funções, retrovisores externos com ajustes elétricos, sistema de som e conectividade Bluetooth.

RESUMINDO

O Troller T4 evoluiu muito, especialmente para aqueles que gostam de se aventurar aos finais de semana, graças ao melhor conjunto mecânico – representado pelo novo motor. O design está mais moderno e atual. A desenvoltura para o cotidiano, no entanto, melhorou pouco. E o ponto fraco é o preço. Desembolsar cerca de R$ 110.000 é realmente para quem tem muito dinheiro. Para quem está com a vida ganha.

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