- A Volkswagen está incomodada. Desde que a italiana Fiat lançou a nova geração do Uno, o posto do Gol como veículo mais emplacado no Brasil ficou ameaçado. Para manter a ponta do ranking e ampliar as vendas, a marca acaba de lançar mais uma versão do compacto, o Gol Rallye. Essa, aliás, é a terceira vez que a Volks lança uma configuração "pseudoaventureira" do hatch de quatro portas. A primeira delas aconteceu em 2004, com o chamado Gol Geração 3 – quando a versão significava apenas 0,5% das vendas totais. Três anos mais tarde, o Rallye voltou com o Gol G4. Só que, dessa vez, a fabricante quer agir diferente. A intenção é que o modelo não seja visto somente como um produto de imagem, mas que represente 5% das vendas totais do compacto, algo em torno de 1.500 unidades mensais.
A seu favor, o Gol Rallye tem boa relação custo/benefício. A versão de entrada, oferecida por R$ 40.370 com motor 1,6 litro de 101/104 cv e câmbio manual, traz lista interessante de equipamentos. Sai de fábrica com faróis de neblina, luz de direção nos retrovisores, rodas de liga leve de 15 polegadas, sensor de estacionamento traseiro, espelhos retrovisores, vidros e travas elétricos, coluna com regulagem de altura e profundidade, além de direção hidráulica. Há ainda uma versão com o câmbio automatizado I-Motion, com mesma oferta de equipamentos, por R$ 43.030.
Mas, logicamente, o apelo principal do Gol Rallye é sua aparência. E a Volks diz ter se inspirado na Saveiro Cross para construir toda ornamentação esportiva do modelo. A dianteira exibe a grade preta, com a inscrição "Rallye" em alumínio, localizada abaixo da logomarca do fabricante. O para-choques tem aspecto agressivo, com saída de ar em colmeia, com faróis auxiliares de maior circunferência, que ocupam as extremidades. Os faróis, aliás, receberam uma máscara negra e emprestam um ar mais agressivo à frente do Rallye.
Nas laterais, os destaques vão para uma moldura preta das caixas de rodas e uma faixa com o logo Rallye, aplicados exatamente em uma musculatura na base das portas. As maçanetas e a coluna central foram pintadas ainda em preto fosco. Os motivos "aventureiros" também estão presentes na traseira, representados pelo aerofólio preto, pela ponteira cromada e pelas lanternas escurecidas. Já no interior, o "ambiente esportivo" fica por conta do revestimento em tonalidade escura – no teto e nos para-sóis. Além disso, os bancos receberam novo tecido e ganharam até uma amarração lateral, onde os ocupantes podem colocar objetos.
Ponto a ponto
Desempenho – O Gol Rallye repete a motorização 1.6 de 104 cv, que é capaz de produzir boas acelerações. De acordo com a marca, o zero a 100 é cumprido em 10,3 segundos e a máxima é de 182 km/h. O escalonamento do câmbio reforça o bom aproveitamento do motor. O torque de 16,5 kgfm aos 2.500 giros contribui para boas retomadas. Nota 8.
Estabilidade – O Gol Rallye recebeu um ajuste na suspensão, que o deixou mais firme e mais grudado no chão. Nas retas, o hatch se mantém equilibrado até os 130 km/h, quando surge a sensação de flutuação. Nota 7.
Interatividade – É um dos pontos fortes do modelo. Os comandos são bem organizados e o motorista tem a opção de controlar funções do computador de bordo e do rádio através do volante multifuncional. A ergonomia agrada pelas regulagens da coluna de direção – de altura e profundidade – e do banco do motorista. O câmbio tem engates precisos. Nota 8.
Consumo – A Volkswagen fala em um consumo combinado de 14,0 km/l num percurso de 1/3 na estrada e 2/3 na cidade. Difícil de acreditar. Nota 6.
Conforto – A marca alemã ajustou a suspensão do Gol Rallye, deixando-a mais confortável e mais alta, com curso maior, sendo capaz de filtrar melhor as irregularidades. No entanto, o modelo perde eficiência nas curvas. Nota 7.
Tecnologia – O Gol Rallye não oferece grande sofisticação. Mas possui equipamentos de série que elevam o nível tecnológico a bordo. Há sensor de obstáculos traseiro, trio e retrovisores elétricos. Airbags frontais e freios com ABS são opcionais. O chassi é uma derivação simplificada da do Polo, de 2002. Nota 7.
Habitabilidade – O interior do Gol Rallye tem um bom número de porta-objetos, além de acessos amplos. O porta-malas comporta 285 litros, condizente com o segmento. Nota 8.
Acabamento – O modelo com roupagem aventureira da Volkswagen tem acabamento agradável e honesto, mas nada muito luxuoso. As peças se encaixam bem, as novas texturas agradam, mas é possível encontrar ainda rebarbas nas forrações. Nota 7.
Design – Os designers da Volks acertaram ao se inspirar na Saveiro Cross. O resultado foi um modelo sem excessos, capaz de transmitir de maneira natural a ideia de aventura e dar um ar mais arrojado ao previsível Gol. Nota 8.
Custo/Benefício – Os R$ 40.370 pedidos no Gol Rallye são interessantes, tendo em vista a boa lista de equipamentos que o modelo oferece de série. Na comparação com Uno Way, montado com os mesmos equipamentos – só que sem sensor de estacionamento e setas nos retrovisores –, o modelo da Fiat sai por R$ 36.229. Só que tem medidas muito mais enxutas que o Gol, além de possuir motor bem mais fraco, um 1.4 litro de 88 cv. Na comparação com o Renault Sandero Stepway – oferecido por R$ 45.690 –, que joga com concorrentes em um preço acima, como Volks CrossFox, o Gol Rallye perde em pote e motor. Nota 7.
Total – O Volkswagen Gol Rallye 1.6 somou 73 pontos em 100 possíveis.
Primeiras impressões: no asfalto
Sousa/São Paulo – Ao contrário do que a imagem aventureira sugere, bastam algumas voltas no Gol Rallye para concluir que seu lugar é no asfalto. Seria preciso que o hatch tivesse suspensão mais robusta e uma unidade de força bem mais parruda para qualquer vocação aventureira ou esportiva se confirmar. O que não significa que o motor 1,6 de 104 cv seja fraco. A unidade de força está bem de acordo com os 1.003 kg do compacto e tem torque máximo de 15,6 kgfm a 2.500 rpm. As respostas ao pedal do acelerador são boas e o escalonamento do câmbio é bastante preciso.
A Volkswagen fez ainda pequenas adaptações no modelo. A suspensão está 2,8 cm mais alta. O ganho vem também dos 5 mm dos novos pneus, de medidas maiores, além do ajuste do corpo dos amortecedores e das molas. O eixo traseiro ainda ganhou reforço nos braços laterais.
Mas a ideia da Gol Rallye não é ser robusta. O visual aventureiro e jovial serve apenas para causar impacto. Em um minirali de aventura, no interior de São Paulo, o modelo cruzou trechos de paralelepípedos, terra batida e pequenos desníveis – nada que fosse cruel para o hatch encarar. No tempo a bordo, o que é destacável é a suspensão bem acertada, o conforto e a boa dirigibilidade. Atrativos que juntos com a tal inspiração Cross fazem a diferença no Gol Rallye.
Volkswagen Gol Rallye 2011
| Motor | Quatro cilindros em linha, dianteiro, transversal, 8 válvulas, 1598 cm³ |
| Potência | 104 cv etanol / 101 cv gasolina a 5.250 rpm |
| Torque | 153 Nm / 15,6 kgfm etanol - 151 Nm / 15,4 kgfm gasolina a 2.500 rpm |
| Câmbio | Manual, com cinco marchas automatizada opcional |
| Tração | Dianteira |
| Direção | Por pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica |
| Rodas | Dianteiras e traseiras em aro 15” de liga-leve |
| Pneus | Dianteiros e traseiros 205/55 R15 |
| Comprimento | 3,93 m |
| Altura | 1,49 m |
| Largura | 1,88 m |
| Entre-eixos | 2,46 m |
| Porta-malas | 285 l |
| Peso em ordem de marcha | 1.003 kg |
| Tanque | 55 l |
| Suspensão | Dianteira independente, tipo McPherson; traseira dependente, tipo barra de torção |
| Freios | Disco ventilado na dianteira e tambor na traseira |
| Preço | R$ 40.370 a R$ 43.030 |
