Outlander PHEV faz barulho em silêncio

Crossover da Mitsubishi chega ao Brasil em 2015 com sistema híbrido de propulsão


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Na semana em que a Câmara de Comércio Exterior (Camex) determinou que até dezembro de 2015 os veículos híbridos, anteriormente com taxa de importação de 35%, passem a sofrer alíquotas entre 7% e isenção total (dependendo da eficiência energética de cada modelo), a Mitsubishi confirmou a chegada do Outlander PHEV, versão híbrida do crossover, que chega por aqui no primeiro trimestre do ano que vem por aproximadamente R$ 190.000 (3 anos de garantia). No entanto, antes mesmo de aportar nas concessionárias, o WebMotors já rodou com modelo por cerca de 120 quilômetros por ruas de São Paulo e rodovias do Estados.

Antes, porém, cabe uma explicação. Veículos híbridos são aqueles que utilizam dois sistemas de propulsão, normalmente mesclando um motor a combustão e um ou mais motores elétricos, e que têm como principal objetivo reduzir drasticamente os índices de emissões de gases nocivos. Consequentemente, o consumo de combustível nestes veículos é sensivelmente menor até mesmo que automóveis 1.0. E por terem dois sistemas de propulsão, a autonomia acaba sendo maior que a de veículos 100% elétricos.

O Outlander PHEV utiliza três motores: um 2.0 a gasolina de 121 cv de potência máxima a 4.500 rpm e torque de 19,4 kgf.m na mesma faixa de rotação, e outros dois elétricos – um atuando no eixo traseiro e o outro no dianteiro, o que o faz ter tração nas quatro rodas –, cada um com 82 cv e 19,9 kgf.m de torque. Resumindo, este crossover tem 285 cv ao todo, 45 cv a mais que a versão GT, que utiliza motor 3.0 V6 somente a gasolina e que parte de R$ 134.990.

A tecnologia híbrida adotada pela Mitsubishi no Outlander funciona de três maneiras: utilizando apenas os motores elétricos (zero de emissões) tracionando as rodas, aproveitando somente a carga das baterias; com o motor a combustão movimentando um gerador que recarrega as baterias, mantendo a tração das rodas sob a incumbência apenas dos motores elétricos; ou com o motor à combustão atuando diretamente na tração (rodas da frente) – isso acontece quando o nível de carga das baterias está muito baixo ou quando é preciso de um pouco mais de força para realizar, por exemplo, uma ultrapassagem.

A opção de qual estilo rodar é do veículo, que por meio de uma central eletrônica busca sempre a melhor eficiência. E no caso de um carro híbrido, o melhor, sempre, é utilizar o máximo dos motores elétricos, exigindo somente o essencial do à combustão.

Importante ressaltar que o Outlander PHEV é tipo plug-in. Ou seja, ele pode ter as baterias recarregadas ligando o carro a uma tomada comum. Segundo a Mitsubishi, em uma tomada 220 volts são necessárias 5 horas para que a bateria seja completamente carregada – caso esteja totalmente zerada.

CIDADE

Para conhecer todas as facetas do Outlander PHEV, a Mitsubishi convidou o WebMotors para rodar durante um dia com o carro. O primeiro contato visual com crossover causa impacto, afinal, ele está plugado a uma tomada, ‘reabastecendo’. O visual, no entanto, é muito similar à configuração exclusivamente à gasolina, apenas as rodas de liga leve de 18 polegadas (pneus 225/55 R18) e a grade frontal têm desenhos exclusivos, o centro da lanterna traseira é branca, a moldura das janelas são cromadas, o assoalho é da cor do veículo – não preto como nas demais opções. Falando em cores, o PHEV será ofertado em quatro tonalidades: White Pearl, Black Pearl, Technical Silver (exclusiva) e Titanium Gray – avaliada por nós.

Internamente o Outlander híbrido oferece o mesmo conforto das outras versões. A começar pelos ajustes elétricos do banco do motorista. A coluna de direção também pode ser regulada (altura e profundidade). Para ligar, nada de chave no contato. Deixe-a no bolso e aperte o botão. Só não espere um ronco de motor, algum tranco ou algo típico de um carro à combustão. O silêncio impera. Apenas as luzes internas ganham vida e os motores elétricos.

Para colocar em movimento, nada de engatar primeira. Basta apenas selecionar a opção ‘D’ (Drive) por meio do joystick posicionado no local onde seria a manopla do câmbio. Ah! Importante ressaltar que o Outlander PHEV não tem transmissão. A sensação, ao acelerar, é de uma primeira marcha eterna – algo similar a uma caixa CVT (Continuamente Variável) presente, por exemplo, no novo Honda Fit e no Nissan Sentra.

Ao tocar no pedal da direita, o carro ganha velocidade de maneira gradativa. Apesar de todo o torque de 19,9 kgf.m estar disponível sempre, o Mitsubishi é dócil. A direção tem assistência elétrica, o que torna as manobras extremamente confortáveis. E o fato de o volante ser multifuncional permite o controle de outras funções do carro, como o sistema de áudio com rádio CD player com MP3, entrada USB e bluetooth.. Também é possível comandar a central multimídia, que traz tecnologia de navegação por GPS. Todas estas informações são exibidas em uma teça de 7 polegadas sensível ao toque no painel central. Por esta tela é possível também ver a imagem da câmera de ré, equipamento que estará disponível apenas no Pacote Comfort, que traz ainda sensores de estacionamento, acendimento automático dos faróis e de chuva.

Em uma tocada suave, sem abusar do acelerador, apenas o motor elétrico trabalha. E mesmo pesando 1.810 quilos – 400 quilos a mais que a versão com motor 2.0 -, as acelerações são satisfatórias e as retomadas também. E mesmo trafegando a velocidades relativamente altas – chegamos a 120 km/h -, o bloco a combustão permanece inoperante. Somente quando cravamos o pedal da direita no assoalho, o bloco a gasolina entra em ação, mas sem fazer alarde, de maneira sua e progressiva – sempre privilegiando o conforto.

Todas as informações sobre quando o sistema está operando 100%, em série ou em paralelo, são visualizadas pela tela central de 4,2 polegadas do painel de instrumentos. O único ponto negativo é que esta tela, que tem outros leitores para acompanhar o desenvolvimento do veículo – como nível da bateria ou mesmo se a condução está sendo econômica ou não –, pode ser movimentada somente por meio de um botão do lado esquerdo, meio que escondido atrás do volante.

Na parada para o almoço, encostarmos em um shopping da Capital com vaga para recarregar veículos híbridos e elétricos. E na volta, após pouco mais de uma hora, boa parte da bateria já estava recarregada.

ESTRADA

No conforto dos 4,65 metros de comprimento, sendo 2,67 metros de distância entre os eixos, seguimos pela rodovia Presidente Castello Branco rumo ao interior – sempre com o ar-condicionado de duas zonas ligado. Em determinados momentos, com a bateria já mais descarregada e nós exigindo um pouco mais do acelerador, o motor a combustão passou a ser um personagem mais frequente no test drive. No entanto, o silêncio no interior do veículo continuava exemplar.

O Mitsubishi também oferece inúmeras tecnologias voltadas para a segurança, além dos freios com ABS e EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem), os controles de estabilidade e tração, e os airbags frontais, laterais, tipo cortina e de joelhos para o motorista. Destaque para Adapctative Cruiser Control (ACC), que permite ao motorista escolher a velocidade que o veículo deve trafegar em uma rodovia e a que distância do carro da frente. Caso um veículo entre à frente com velocidade inferior, automaticamente o sistema reduz a velocidade e retoma a distância pré-estabelecida. Assim que o outro carro automóvel sai da frente, a velocidade pré-estabelecida é retomada.

Neste ponto da avaliação, com o nível das baterias mais baixo, usamos mais um dos artifícios oferecidos pelo Outlander. Por meio de um botão no console central selecionamentos a função ‘Save’, que otimiza o uso das baterias. Também é possível escolher a opção ‘Charge’, que passa a utilizar o motor a combustão para recarregar as baterias. Na função ‘Charge’, em três horas as baterias estão completas novamente – esta função pode ser feita com o carro rodando ou mesmo parado.

Para ajudar na recarga das baterias, que é feita também pela tecnologia de reaproveitamento da energia gerada pela frenagem das rodas, já conhecido como KERS (igual ao utilizado pelos carros da Fórmula 1 ), a Mitsubishi oferece sistema que, a partir de toques nas aletas atrás do volante – iguais às borboletas utilizadas para trocar as marchas de veículos automáticos -, a regeneração pode ser maior ou menor. São cinco níveis, sendo que o mais leve – vamos chamar de 1 – é como se o carro estivesse em ponto-morto. Deste modo, a recuperação é zero. Já no maior, a regeneração é mais forte. Nas decida da serra rumo ao litoral, por exemplo, é possível utilizar este artifício e chegar na praia com a bateria cheia. A sensação é de que o carro está utilizando apenas o freio-motor.

OFF-ROAD

Para finalizar a avaliação, encaramos uma estradinha de terra com alguns obstáculos interessantes para testar a tração nas quatro rodas, que recebe performance extra quando selecionamentos a opção 4WD Lock. O resultado foi surpreendente, pois, em nenhum momento, o Mitsubishi revelou qualquer dificuldade. Não traz o vigor de um jipe para fazer uma trilha pesada – também não é esta a proposta do Outlander PHEV -, mas não ‘pipoca’ diante de dificuldades de nível médio.

APP

A Mitsubishi também disponibiliza para IOS ou Android um aplicativo que permite ao proprietário do veículo ver, por exemplo, como está a bateria do veículo. Este app também possibilita que o ar-condicionado e as luzes sejam ligados pelo aparelho, assim como escolher a que horas o carro, que está acoplado a uma tomada, deve começar a puxar energia elétrica e por quanto tempo deve ficar puxando.

CONCLUSÃO

O Mitsubishi Outlander PHEV é muito interessante. Em termos de tecnologia, consegue oferecer diversos recursos para reduzir drasticamente os níveis de emissão. É 4x4. Dependendo da distância do percurso, não consome uma gota de combustível do tanque de 45 litros – nas versões somente à combustão a capacidade é de 70 litros. E em um mercado em que automóvel está (muito) longe de ser algo barato, temos que admitir: R$ 190.000 é um preço competitivo. O único porém, para infelicidade daqueles que se interessaram pelo modelo, é que a nova determinação do Camex não atende aos veículos plug-in, como o Outlander PHEV. Coisas de Brasil...

Consulte preços do Mitsubishi Outlander na Tabela Fipe WebMotors.

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