Palio 1.8 R X Corsa SS

Modelos levemente esportivos contam com o mesmíssimo motor; diferenças ficam no projeto e nas propostas


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- O Chevrolet Corsa SS e o Fiat Palio 1.8 R são os únicos dois exemplos, atualmente, de carros compactos esportivos. Isso numa primeira avaliação, bastante superficial, já que não é exatamente isso que os dois são, mas sim o que pelo menos um deles se propõe a ser.

Na Europa, modelos de segmentos próximos com proposta esportiva contam com motores realmente mais bravos, como o Fiat Punto 1.8 16V HGT, de 130 cv a 6.000 rpm e 205 km/h de máxima, o Peugeot 206 CC de motor 2-litros de 138 cv e o expoente máximo entre eles, o Renault Clio III Sport leia mais sobre ele aqui, com motor também de dois litros, mas com 197 cv. Não por acaso eles são chamados de “pocket rockets” foguetes de bolso, alcunha que não cabe nem ao Chevrolet nem ao Fiat.

Por R$ 40,98 mil, com as pinturas sólidas amarelo e vermelho, valor que se eleva a R$ 41.763 para as cores metálicas, como o preto avaliado por WebMotors ou o cinza, o Palio 1.8 R é o modelo que mais se aproxima de uma autêntica vocação esportiva. E não por seu motor de 115 cv a 5.500 rpm com álcool; a gasolina ele rende 113 cv, apenas 1 cv mais forte que o do modelo HLX, de mesma cilindrada, um aumento que nunca justificaria chamá-lo de “esportivo”, mas sim por itens de aparência e por um acerto mais apurado de câmbio e de suspensão, que acaba por afastá-lo da tradicional moleza da linha Palio. Voltados para o conforto, os outros carros da linha costumam inclinar muito em curvas.

No caso do 1.8 R, isso não acontece. O carro é firme e confortável ao mesmo tempo, o que permite pensar que esse acerto deveria ser aplicado a toda a linha, achando-se, para o Palio esportivo, um acerto um pouco mais ousado, duro mesmo, se isso o auxiliasse a ter uma desenvoltura melhor, especialmente com um motor verdadeiramente mais forte.

Além de o acréscimo de potência não ser expressivo, o motor do Palio sofre de mais um percalço: o “DNA” americano. Fornecido pela GM, esse propulsor é o mesmo usado na linha Corsa e Meriva e se caracteriza por privilegiar o torque em baixas rotações, com uma certa resistência a crescer de rotação. E esportivo de origem italiana que se preze tem de ter um motor que goste de girar alto.

Cientes do caso, os engenheiros da Fiat tentaram resolver a situação aumentando a relação de transmissão do diferencial do Palio 1.8 R, dos 3,733 presentes no HLX para 3,867. Isso tornou as marchas mais curtas, estimulando o motor a girar mais. A sensação de agilidade é tremenda, mas, de novo, esbarra no motor. Qualquer esticada mais forte é bruscamente interrompida pelo corte de giro, na casa dos 6.000 rpm.

No que se refere à estética, a Fiat tentou recuperar os tempos do Uno 1.6 R, que agradava justamente pelo motor que girava fácil e pela aparência invocada, talvez um avô do tuning. Os cintos de segurança vermelhos e as faixas indicativas de versão estão por todos os cantos do carro: na soleira, na traseira, no painel e nas laterais.

O tecido dos bancos também segue um padrão em colméia, conhecido por ser mais resistente e refrigerar melhor o corpo de motorista e passageiros. Pessoas que viajam para a praia ou que carregam crianças possivelmente não acharão as vantagens apontadas tão grandes assim, já que o banco pode acumular mais sujeira do que um tecido liso comum.

A ponteira do escapamento é de aço inox e as rodas, de liga leve, calçam pneus 180/60 R 14. O Palio bem que merecia rodas de aro 15 ou 16, que certamente acompanhariam melhor as alterações visuais, mas o custo, sempre ele, deve ter cortado os planos de um aparência mais esportiva. Por sorte, o painel escapou do facão do orçamento e ostenta instrumentos de fundo preto, iluminação vermelha e ponteiros de cor branca, uma combinação que tende a cansar menos os olhos do motorista. Para iluminar o caminho em dias de clima ruim há faróis de neblina, com lanternas fumê na traseira.

Fora as bossas esportivas, rodas e funções adicionais ao computador de bordo, o Palio 1.8 R não traz nenhum item que também não esteja disponível de série no HLX, ou seja, nada diferente de ar-condicionado, direção hidráulica e vidros e travas elétricos, com travamento automático das portas por velocidade.

Com ele não vêm rádio, ABS, EBD, airbags e sidebags, sensores de chuva e de iluminação nem viva-voz Bluetooth, mas a Fiat os oferece como opcionais, algo bastante interessante para quem quer equipar seu carro, ainda que nenhum destes itens ajude a valorizar o veículo numa revenda futura. Com tudo isso, o preço do carro salta para R$ 59.496, que era o que custava a versão avaliada pelo WebMotors.

Há duas características dos R que a Fiat não seguiu no Palio: o padrão de duas portas e a tampa traseira em preto fosco. No 1.8 R, vendido apenas com quatro portas, a tampa traseira acompanha a cor do resto do carro.

Aparências

Se o Palio não chega a ser um esportivo, mas se esforça para oferecer pelo menos a sensação, o Corsa não se dá a esse trabalho. Por R$ 44.759, com pinturas sólidas preto e vermelho, apenas, ou R$ 45,63 mil, com pintura metálica cinza, ele traz de série os mesmos itens que o Fiat oferece, como ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricas. Se oferece retrovisores elétricos de série, não tem nem como opcional o computador de bordo presente no 1.8 R.

Essa é, aliás, a grande ironia desse comparativo: tanto o Corsa quanto o Palio usam o mesmo motor, com a pequena diferença de desempenho a favor do modelo da Fiat. Até os pneus e rodas têm a mesma medida, 185/60 R 14, com vantagem em desenho para a roda do Chevrolet, muito bonita, chamando a atenção por onde o carro passa.

Não dá para equipar o modelo da Chevrolet com ABS, EBD ou sensores dos mais diversos porque ele também não tem opcionais. Quem quiser um Corsa com esses itens terá de optar por outra versão. Para o SS, o pacote vem completo, o que não chega a ser ruim, já que o carro será sempre cotado pelos itens que efetivamente possui.

Em termos de esportividade, não há nada que diferencie o Corsa SS de qualquer outro modelo da linha com motor 1,8-litro a não ser a parte estética. Nesta época de São Paulo Fashion Week, pode-se dizer que o Chevrolet vestiu roupa de malhação, mas não tem a forma física de quem costuma praticá-la.

O SS, portanto, não é mais do que um pacote de acessórios. Além do motor, o câmbio tem as mesmas relações de transmissão das versões equipadas com o motor 1,8-litro, a Joy, Maxx e Premium. Em seu favor, diga-se que o Corsa é muito gostoso de dirigir, com bom acerto de suspensão, freios corretos e direção precisa, mas nada diferente do resto da linha.

Apesar de mais caro, o interior do Chevrolet passa uma impressão menos sofisticada que a do Palio. O Fiat, de qualquer modo, apresentou um defeito irritante durante o teste: a tampa do porta-luvas se abria com freqüência em pisos ruins. Os bancos do Corsa usam o mesmo tecido esportivo que equipa o 1.8 R, mas em tom vermelho, bem vivo, prometendo um desempenho que o carro não apresenta.

O ponto forte do Corsa é o espaço interno, especialmente para os passageiros do banco de trás, o que, para quem compra um carro assim, é uma segunda ou terceira preocupação.

A conclusão deste comparativo, como fica evidenciado, é que quem quer um carro com proposta esportiva na faixa dos R$ 40 mil deve ou optar por um modelo usado, facilmente pesquisável aqui no site, ou comprar o Palio 1.8 R, que não chega a tanto, mas se esforça para isso. Mesmo quem quer apenas a aparência pode ficar mais satisfeito com o Fiat que com o Chevrolet, mais caro e indicado apenas para quem precisa de espaço interno um pouco melhor.

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