Talvez sabendo disso, a Peugeot resolveu que era momento de retomar o glamour adquirido com o falecido 206. Por isso, chega ao mercado o 208, apenas 11 meses depois de ter sido lançado na Europa (onde já é o primeiro colocado na sua categoria e o segundo no ranking geral de vendas). E o pequeno já se apresenta cheio de atitude.
A começar, obviamente, pelo design. A dianteira traz os faróis alongados que caracterizavam o 206, mas com desenho atual. O refinamento fica por conta da fileira de LEDs diurnos sobre os faróis (exclusivo da versão top de gama, a Griffe). Já a grade dianteira remete ao elegante sedã 508, enquanto a traseira traz lanternas que lembram as garras de um leão, segundo a marca. O charme se completa pelo teto panorâmico Cielo (presente a partir da versão intermediária Allure) que recobre praticamente toda a parte superior do hatch (são mais de 1 m² de tamanho).
O 208 cresceu também nas dimensões na comparação com aos seus antecessores. Ficou nove centímetros mais comprido (3,96 metros) e quatro centímetros mais largo (1,70 metro) que o 207. No entre-eixos (que influencia no conforto dos passageiros), o 208 chega aos 2,54 metros, o maior entre os seus concorrentes diretos. Já o tanque de combustível passou para 55 litros (cinco a mais que o 207) e o porta-malas agora comporta 285 litros de bagagem (40 litros a mais).
A ousadia estética do exterior influenciou o interior. O painel de instrumentos, por exemplo, fica suspenso acima do volante. Para não atrapalhar a visão, a direção ficou 10% menor que a usada no 207. É impossível não estranhar em um primeiro momento. Mas depois de alguns minutos – e usando a regulagem de altura e distância do volante e do banco – fica fácil encontrar uma posição correta de pilotagem. A receita vale tanto para os mais altos quanto para os mais baixos.
Equipamentos
A princípio serão apenas três versões de configuração: a básica Active (R$ 39.990); a intermediária Allure (R$ 45.990) e a topo de gama, Griffe (R$ 50.690, com câmbio manual e R$ 54.690, com caixa automática). O preço inicial, por coincidência ou não, é o mesmo pedido pelo irmão da marca Citröen, o C3.
Apesar do preço inicial alto, o 208 chega com uma boa lista de equipamentos de série. Desde o básico já vem equipado com ar-condicionado, direção elétrica, airbag duplo, freios ABS, vidros e travas elétricas, lanterna com LEDs e computador de bordo.
Já a versão intermediária, Allure, que assim como a Active utiliza o motor 1,5L (que gera até 89 cv com gasolina e 93 cv com etanol), traz anda rodas de liga leve aro 15’’, faróis de neblina, retrovisor elétrico, volante em couro e os dois principais diferenciais: o teto de vidro panorâmico e a central multimídia com tela de sete polegadas (de uso não tão intuitivo).
Coube à Griffe o pacote completo. Além de incorporar os equipamentos das demais versões, a topo traz ainda luz diurna com LEDs, rodas de liga leve 16’’, sensor crepuscular, de chuva e de estacionamento, ar-condicionado bizone e piloto automático. O motor 1,6L 16v flex, que dispensa o uso do tanquinho no cofre do motor, gera até 122 cv (com etanol) e também é exclusivo para esta versão.
Porém, se você gostou do carro e não tem os R$ 50.690 na conta bancária, a Allure deverá satisfazer bem os seus desejos. Este é o pensamento da Peugeot que espera que 50% dos 208 vendidos sejam desta versão.
Primeira volta
Foi justamente com ela que começamos o nosso teste em um trajeto entre o Rio de Janeiro e Buzios, no litoral fluminense. Por dentro surpreendeu o silêncio a bordo e o bom encaixe das peças. O acabamento está em sintonia com a proposta do carro: um hatch compacto premium. O teto solar panorâmico casa bem com o painel de instrumentos elevado. Ambos transmitem sensação de modernidade e requinte. Completa o pacote o bom sistema multimídia, que também traz design arrojado.
O motor 1,5L, que acaba de receber nota A no teste do Inmetro para consumo, desenvolve bem no trânsito pesado. A relação das primeiras marchas é curta, o que deixa o 208 esperto no trânsito da cidade. Somente nas retomadas em quinta marcha o 1,5L se torna um pouco vagaroso, como era de se esperar.
Até a suspensão sai um pouco do padrão dos últimos anos da marca. Ela continua rígida, o que transmite segurança nas curvas mais fechadas, mas não é tão dura e não chega tão fácil ao fim do curso como em outros modelos da marca. O silêncio a bordo também deixou uma impressão positiva.
Depois de rodar no Allure fomos apresentados à topo de gama Griffe. Neste caso surpreende mais o luxo da cabine, que conta inclusive com ar-condicionado digital bizone (algo inédito no segmento), do que o desempenho do motor 1,6L 16v. Não por deficiência do propulsor, mas pelo bom desempenho apresentado no 1,5L.
A conclusão é que o 208 chega com uma grande responsabilidade nas costas - succaption o sucesso do 206 não será tarefa fácil -, mas tem porte, desenho e equipamentos de sobra para cumprir com êxito a missão.
Crossover 2008 vêm aí
A família 208 vai inovar também nos seus componentes. Nada de versão sedã (a Peugeot jura que não trará o 301 para o Brasil), perua ou mesmo picape. O próximo integrante do clã será o crossover 2008, que foi apresentado mundialmente no salão de Genebra. O concorrente de Ford EcoSport, Renault Duster e companhia será feito em Porto Real a partir de 2014. O modelo chegará ao mercado brasileiro no final do próximo ano (se não houver atrasos). A marca quer ter preços agressivos para o crossover, algo entre R$ 50 mil e R$ 65 mil, dependendo da versão.
Porém, a chegada do 208 não marca o fim da família 207, pelo menos por enquanto. O hatch continuará sendo oferecido como modelo de entrada da marca. O sedã também continua no mercado. Mesma sorte não tiveram o 207 Passion (perua) e a picape Hoggar.
Auto: 10,7 km/l (gasolina) e 12,1 km/l (etanol)
Auto: 184 km/h (gasolina) e 191 km/h (etanol)



Email enviado com sucesso!