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Range Rover Evoque 9 marchas é como a Caloi 10

Modelo fica mais econômico e tecnológico, mas o maior ganho é no marketing


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Muitos dos leitores talvez não conheçam ou nunca tenham ouvido falar, mas o sonho de qualquer garoto na década de 1980 era ter uma Caloi 10 na garagem. Cabia a ela o título de primeira bicicleta com marchas produzida e comercializada no país. Em um mundo dominado por pesadas Barras Fortes e Cecis, a Caloi 10 desfilava elegância com seu quadro de aço fino, suas rodas grandes e seu guidão aerodinâmico.

Em uma disputa de velocidade, a Caloi era imbatível. Não dava para competir com as 10 trocas de marchas. O preço estratosférico, muito mais alto que qualquer outra bicicleta, também ajudava no culto ao modelo. Apesar do fascínio, confesso que nunca entendi para que tantas marchas. Quatro ou cinco já seriam suficientes para bater qualquer rival da época.

A lembrança acima me voltou à cabeça agora com o teste do Range Rover Evoque 2014, que estreou este ano o primeiro sistema de transmissão automática de nove velocidades do Brasil. É marcha que não acaba mais.

O Evoque tem sido um carro marqueteiro antes mesmo do seu lançamento. Há seis anos, quando se tratava apenas de um conceito, a Land Rover conseguiu grande estardalhaço na imprensa por conta do visual futurista e completamente descolado do restante dos carros da marca. Com o lançamento, há três anos, o que era um indício se confirmou. O Evoque tomou vida com design praticamente idêntico ao de quando era apenas um conceito excêntrico e mandou para as galáxias a ideia de que a Land Rover era uma fabricante arcaica e tradicionalista. O resultado foi que o SUV virou o objeto preferido de famosos e endinheirados. Justamente aqueles que gostam de holofotes. O Evoque não deixou por menos e comprovou a sua aptidão natural para centro das atenções e arrebatou mais de 120 prêmios ao redor do mundo.

 

 Este histórico me fez duvidar ainda mais da real necessidade da substituição de um câmbio de seis marchas por um de nove. A desconfiança só aumentou com o reajuste da tabela de preços, que deixou o modelo quase R$ 13 mil mais caro. É verdade que o Evoque recebeu melhorias, além do novo câmbio. Os retrovisores ganharam luzes em LED e o sistema Start/Stop, que desliga o motor automaticamente quando o veículo está parado, passou a ser item de série.

 

E o câmbio? 

O câmbio de nove velocidades é da empresa alemã ZF. Assim como o Evoque, a transmissão também coleciona prêmios pelo mundo. O último deles na PACE Award 2014, nos EUA.

Os alemães conseguiram adicionar três marchas ao sistema e ainda assim deixar a caixa 7,5 quilos mais leve que a transmissão anterior de seis velocidades. Segundo a ZF, isso foi possível por conta de um novo conjunto de engrenagens patenteadas pela empresa.

A Land Rover informa que o novo câmbio pode proporcionar redução de combustível na casa dos 11% e de 10% para a emissão de poluentes. No Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro, o Evoque de nove marchas teve médias de consumo de combustível de 7,9 km/l na cidade e 11,1 km/l no ciclo rodoviário, garantindo nota A de economia. Ou seja, há bons motivos para aprovar a mudança.

 

Mas e na prática? O Range Rover Evoque já vinha equipado com motor 2.0 turbo, capaz de entregar 240 cv de potência a 5.500 rpm e que garantia uma aceleração e retomadas sinceras.

Porém, agora com a transmissão de nove marchas as seis primeiras marchas ficaram mais curtas, deixando o SUV mais disposto em saídas e na retomada de velocidades. Já as últimas marchas foram alongadas, fazendo com que o Evoque rode tranquilo, próximo das 1.600 rotações a 120 km/h. A 90 km/h o modelo aparenta estar desligado (são apenas 1.400 rotações).

No começo é estranho se acostumar com a quantidade incomum de marchas. As trocas podem ser feitas por paddle-shifts (borboletas) atrás do volante. De uma única vez é possível reduzir diversas marchas. É quase impossível sentir as trocas. O Evoque se adapta com extrema rapidez e sem sobressaltos ao modo de dirigir do motorista.

 Ou seja, o câmbio de nove marchas é sim um bom argumento de vendas para o Land Rover Evoque. E olha que não faltam atributos ao modelo. Na configuração Prestige Tech Pack, como a testada, oferecida por R$ 271.900, o modelo traz assistência de partida em ladeira, controle eletrônico de tração, sistema de navegação, controle de cruzeiro adaptativo, sistema de Câmeras 360º, sistema de áudio da marca Meridian com 17 alto-falantes, sistema de entretenimento traseiro com duas telas de 8 polegadas e fones de ouvido sem fio, sistema Adaptive Dynamic com amortecedores MagneRide entre outros. Há também o Park Exit, complementar ao já existente Park Assist, que auxilia em manobras de baliza sem a interferência do condutor. O novo sistema Perpendicular Assist permite também manobras automáticas em vagas a 90º, comuns em estacionamentos de shoppings.

Alguns dos poucos pontos negativos é o preço elevado e a cor clara do revestimento de couro dos bancos. A unidade cedida pela Land Rover tinha em torno de 10 mil quilômetros rodados e o estofamento já apresentava marcas escuras, típicas do uso.

Sem dúvida o Evoque não precisava de um câmbio de nove marchas para conquistar o seu comprador. Já dispunha de atributos suficientes para tal. Mas a Land Rover seguiu o exemplo da Caloi 10, quis cutucar a concorrência e, de quebra, ameaça ficar encrustada na imaginação de uma geração por um bom tempo.

 

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