Range Rover: sem crise aos 40

Modelo comemora quatro décadas com versão diesel 4.4 V8


  1. Home
  2. Testes
  3. Range Rover: sem crise aos 40
  • Repórter, WM1
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

Modelo que lançou mundialmente o conceito de utilitário esportivo de luxo, atualmente tão em moda, o Range Rover completou 40 anos no dia 17 de junho. Mas, com vendas globais ascendentes e fãs espalhados por todo o mundo, passa longe de qualquer “crise de meia-idade”. Parte dos festejos ocorreu no Norte de Portugal, entre o Porto e a região de Trás-Os-Montes. Lá a Land Rover acaba de apresentar à imprensa especializada internacional uma nova motorização diesel 4.4 TDV8 para o Range Rover 2011. O novo modelo chega ao mercado europeu ainda esse mês e ao Brasil após o Salão de São Paulo, em outubro.

O fato de ser apenas a terceira geração do Range Rover em 40 anos de existência deixa claro que o consumidor de utilitários de luxo não é muito “novidadeiro” – pelo menos em termos estéticos. O estilo sóbrio é basicamente o mesmo apresentado em 2001, quando a segunda geração deixou de ser produzida – a primeira durou 25 anos, de 1970 a 1995. Para atenuar o processo de envelhecimento do modelo, ligeiras modificações estéticas e mecânicas são introduzidas em intervalos mais curtos, no que a Land Rover chama de “fases”. Assim, o modelo 2011 apresentado em Portugal é a “fase 5” da terceira geração. Por fora, em relação à “fase 4”, essa quinta fase trouxe apenas duas novas opções de cores, novos para-choques dianteiro com luzes de neblina integradas, para-choques traseiro redesenhado e cano de descarga em aço inox. As novas rodas de 19 polegadas reforçam a esportividade.

No interior, as mudanças foram mais consistentes, muito além das novas padronagens e revestimentos. A alavanca de câmbio foi abolida. No console central fica o seletor de marchas rotativo – um grande botão prateado circular onde é possível escolher entre as indefectíveis opções Parking, Reverse, Neutral, Drive e Sport. O acionamento manual pode ser feito unicamente através dos “Command Shift” no volante. Logo abaixo desse botão circular do câmbio ficam os redesenhados comandos do já conhecido Terrain Response, uma série de dispositivos que permite que o veículo se adapte ao asfalto ou aos diversos gêneros de “off-road”
– neve/lama, água, areia ou pedras. Ali é possivel escolher também entre tração integral ou integral reduzida e entre suspensão normal ou elevada. Para melhorar o conforto dos passageiros, os bancos traseiros passaram a ser reclináveis e os vidros traseiros foram escurecidos.

Mas a grande novidade do Range Rover 2011 é justamente esse novo propulsor diesel TDV8 de 4,4 litros, que substitui o antigo V8 de 3.6 litros de 272 cv – os motores a gasolina 5.0 e 5.0 turbo, com respectivos 374 e 510 cv, são os mesmos da “fase 4”. Com dois turbocompressores sequenciais, esse moderno propulsor diesel fornece 313 cv – um aumento de 15,1% em relação ao 3,6 litros anterior – em 4 mil rotações e um brutal torque de 71,3 kgfm entre 1.500 e 3 mil rpm. Segundo a marca, com esse motor, o modelo de imodestos 2.580 kg faz de zero a 100 km/h em 7,8 segundos e atinge a velocidade máxima de 210 km/h. Além de mais forte, a Land Rover garante que o novo propulsor consome menos – falam em 10,6 km/l de diesel em circuito combinado – e é menos poluente que o anterior – emissão de CO2 na casa dos 253 g/km, 14% menos que a antiga motorização 3.6 litros.

Parte desse desempenho se deve à novíssima e moderna transmissão automática ZF de oito velocidades, com opção de acionamento das marchas através das “borboletas” no volante e relações mais estreitas que a caixa anterior, de seis marchas. Trata-se da primeira caixa de oito velocidades instalada em um Land Rover. Segundo a marca, o novo sistema colabora com o melhor desempenho, com a redução no consumo e nas emissões. Nas opções à gasolina, permanece o câmbio automático de seis marchas.

A previsão é que o preço do novo Range Rover TDV8 4.4 diesel chegue ao Brasil – apenas na versão “top” Vogue SE – bem acima da 3.6 diesel, vendida por R$ 376.633. A previsão é de custe algo próximo aos R$ 450 mil, um valor inegavelmente “salgado”. Mas é um gênero de carro que atende um público para o qual o preço é apenas um detalhe, muitas vezes, de menor importância.

Instantâneas

# O Range Rover é produzido na cidade inglesa de Solihull.

# A Land Rover foi criada em 1948 e foi controlada por várias outras empresas: Rover, British Leyland, British Aerospace, BMW e Ford.

Desde 2008 a marca faz parte da Jaguar Land Rover, empresa automotiva que pertence à indiana Tata Motors. Mas a administração da Land Rover é independente e foi mantida em Gaydon, na Inglaterra.

# Os comandos do Terrain Response na “fase 4” do Range Rover eram rotativos, mas foram modificados para interruptores para não serem confundidos com o novo botão circular de acionamento do câmbio.

# Segundo a Land Rover, o novo câmbio de oito velocidades pode realizar mudanças de marchas em 200 milisegundos.


Ponto a ponto

Desempenho – O novo motor diesel 4.4 TDV8 proporciona arrancadas para lá de vigorosas. Responde rápido ao pedal do acelerador e o Range Rover Vogue SE, apesar de seus 2.580 quilos e do jeitão um tanto quadrático, consegue fazer um zero a 100 km/h em excelentes 7,8 segundos, segundo a Land Rover. Se a vontade de acelerar continuar, dá para atingir uma velocidade de cruzeiro de 180 km/h quase sem perceber. E, nas situações de off-road bastante radicais a que foi submetido, o Range não negou as velhas tradições lameiras dos Land Rover e esbanjou disposição. Nota 10.

Estabilidade – O Range Rover sempre foi um veículo bastante estável e bem equilibrado. Agora, aquilo que a rigidez torcional e a boa arquitetura não podem resolver, os sistemas eletrônicos modernos se encarregam de solucionar. Apesar da altura bem elevada, o modelo não faz maior menção de rolar a carroceria nas curvas. Nas retas, não foi possível perceber qualquer sensação de flutuação até os 180 km/h. Nas arrancadas, a sensação de consistência e de equilíbrio é como a tração: permanente. Nota 10.

Interatividade – O preço do excesso de tecnologia a bordo de um automóvel é a proliferação dos comandos. A Land Rover até que se esforça para dar ao Range Rover uma boa ergonomia e comandos razoavelmente intuitivos. Mas ter tantos sistemas tecnológicos a oferecer requer algum tempo para que se possa dominar todos os “truques” do modelo. Para atenuar o “problema”, o jipão inglês é bem projetado por dentro. Volante e bancos dispõem de ajustes precisos de altura e profundidade, o que facilita para encontrar a melhor posição de dirigir. A ergonomia é eficiente e os comandos não dão trabalho para serem acionados. Nota 8.

Consumo – Ao final de quase 200 quilômetros de avaliação, mais de 98% em trechos rodoviários e os outros 2% em off-road –, o computador do modelo testado indicava a média de 9,4 km/l de diesel. A Land Rover fala em 10,6 km/l. Nada mal para um modelo de 313 cv com mais de duas toneladas e meia de peso. Nota 7.

Tecnologia – O Range Rover 4.4 TDV8 lembra um canivete suíço. São tantas as soluções disponíveis que chega a ser divertido ter a oportunidade de descobri-las. As que envolvem a utilização no asfalto – como o motor diesel V8 duplamente turbinado de última geração, monitoramento de ponto cego, GPS ou o sempre eficiente câmbio automático de oito marchas com acionamento manual através de borboletas no volante – permitem que o jipão inglês circule pelas pistas com o silêncio e o conforto de um sedã de alto luxo. Mas são as tecnologias para o “off-road”, sem dúvida, que fazem o maior charme do Range Rover 2011. O já conhecido Terrain Response foi “incrementado” e agora incorpora o Gradient Acceleration Control – que ajuda nas descidas íngremes –, o Hill Start Assist – assistência às partidas em ladeira – e Sand Launch Control – para início de marcha na areia.

Há câmeras também no para-choques dianteiros e traseiros, para auxiliar nas manobras – funcionam até debaixo dágua, como foi possível observar durante a travessia de um riacho. A sensação que se tem é que basta precisar, que a solução aparece. Um abuso. Nota 10.
Conforto – Na frente, motorista e carona usufruem de generosos espaços para pernas e cabeças. E há espaço suficiente para três adultos viajarem no banco de trás sem aperto. Os bancos acomodam bem todos os que vão a bordo e quem vai atrás ainda conta com DVD. A suspensão se acomoda ao tipo de terreno e pode se adaptar até às expectativas do motorista sobre o que vai encontrar pela frente. O isolamento acústico é notável, em se tratando de um modelo com motorização diesel. Nota 9.

Habitabilidade – Como qualquer jipão, por sua altura elevada, o Range Rover também requer algum esforço para se alcançar o interior. Pelo menos os acessos são facilitados pelo bom vão das portas. Uma vez lá dentro, o modelo oferece ótima quantidade e funcionalidade de porta-objetos e porta-copos. O porta-malas de 994 litros é muito generoso. Nota 9.

Acabamento – Um modelo que se propõe a encarar “pesos-pesados” como Audi Q7, BMW X5 e Mercedes Classe M não poderia fraquejar justamente nesse quesito. E o Range 2011 se sai muito bem em seu curioso estilo “radical chique”. O alto requinte do acabamento e de todos os materiais a bordo quase sempre vem acompanhado de algum detalhe estilístico que não deixa esquecer as raízes de um Land Rover. Ou seja, que se trata de um carro preparado para “cair na lama” sem medo. Um interior que expressa bem a personalidade do modelo. Nota 10.Design – Trata-se de um design apresentado em 2001 e, apesar dos “face-lifts” que sofreu desde então, já está um tanto datado. A própria Land Rover deixou claro que tem consciência disso ao apresentar o Evoque, que vai estrear no Salão de Paris, em setembro, com um estilo bem mais contemporâneo. Mas o consumidor dos jipões de alto luxo talvez valorize o ar clássico e esteja menos ligado nas aparências que na essência – ou, no caso, na essencial presença do “estado de arte” da tecnologia automotiva a bordo. Já o estilo interno é mais contemporâneo e evoluiu bem nesse modelo 2011. Nota 7.

Custo/benefício – O preço do Land Rover Range Rover 4.4 TDV8 2011 ainda não está confirmado nem na Europa. Mas quando o carro chegar ao Brasil – o que deve ocorrer após o Salão de São Paulo, em outubro –, estima-se que o valor deve beirar os R$ 450 mil. Sem dúvida, é muito dinheiro. Mas deve ser bom ter muito dinheiro e poder gastá-lo comprando coisas assim. Nota 6.

Total – O Land Rover Range Rover 4.4 diesel TDV8 2011 somou 85 pontos em 100 possíveis.

Primeiras impressões – aventura trasmontana

“Quem não tem competência não se estabelece”. Esse antigo ditado lusitano poderia ser usado para explicar o prestígio mundial aparentemente inabalável da Range Rover, que acaba de completar 40 anos. E foi justamente em Portugal, na região de produção vinícola batizada de “Douro Vinhateiro”, que a Land Rover resolveu apresentar a nova Range Rover 2011 diesel 4.4 TDV8. Em um circuito de dois dias com mais de 350 quilômetros de asfalto – do litoral português aos confins de Trás-Os-Montes – e um pequeno, mas divertido trecho de off-road radical na região de Murça, a nova Range teve bastante chance de exibir toda a sua competência.
Com seus 313 cv e respeitáveis 71,3 kgfm de torque entre 1.500 e 3 mil rpm, o Range Rover está bem equipado para cumprir todas as suas propostas. Não foi possível acelerar acima dos 180 km/h nas estradas onde foi realizada a avaliação, mas a marca inglesa informa que a máxima é de 210 km/h. Pelo comportamento do carro, dá para acreditar. Para ajudar a deter tanto ímpeto, os freios a disco Brembo são os mesmos da versão a gasolina de 510 cv. E, para parar com segurança tanto no asfalto quando nas trilhas, conta ainda com ajuda não só do óbvio ABS como também de sistemas mais sofisticados, como Eletronic Tracion Control, Dynamic Stability Control, Hill Descent Control, Eletronic Brakeforce Distribuition e Emergence Brake Assist. Um time de parceiros de peso.

Estradas bem asfaltadas e a bela vista do entorno do rio Douro permitem um belo passeio. E sistemas como as câmaras traseiras para auxiliar as manobras de estacionamento ou o eficiente GPS integrado ao painel, entre outros, também ajudam a tornar a vida mais mansa e confortável. Mas um teste com um Range Rover seria incompleto sem um trajeto de “off-road” bem “cascudo”. E quem tem a oportunidade de dirigir o modelo inglês num circuito de off-road radical sai acreditando que dessa vez os ingleses pensaram em tudo. Para cada gênero de obstáculo que aparecia pela frente, a equipe de técnicos da marca surgia na janela do carro para mostrar uma solução.
Na região montanhosa na periferia da cidade de Murça – terra do famoso vinho “Porca de Murça” –, foi possível atravessar riachos pedregosos, subir através de pedras limosas, atravessar valões tenebrosos e ultrapassar lamaçais sinistros. E o Range Rover realizou todo o percurso de forma absolutamente tranquila, sem sustos e sem perder a “fleuma” tão típica dos britânicos. E ainda filtra de forma quase sempre eficiente os buracos que encontra, sem sacolejar demasiadamente. Um desempenho realmente impressionante. A atuação dos diversos sistemas eletrônicos funcionou de forma perfeita. Bom para a Land Rover e também para a saúde de quem estava a bordo, já que em algumas ocasiões qualquer falha poderia trazer consequências funestas.
Infelizmente, nem todos estão na faixa sócio-econômica habilitada a frequentar carros desse “calibre”. É um veículo destinado aos muito ricos. “Quem aos porcos se mistura, farelos come”, ensina outro velho ditado português. Ou seja, talvez a solução seja procurar melhores companhias.

Ficha técnica – Land Rover Range Rover 4.4 TDV8 Vogue SE

Motor: Diesel, dianteiro, longitudinal, 4.367 cm³, oito cilindros em V, duplo comando no cabeçote e quatro válvulas por cilindro, com dois turbocompressores sequenciais em paralelo.
Transmissão: Câmbio automático com oito marchas à frente e uma a ré, com seletor circular no console central e possibilidade de acionamento manual através de “Command Shift” no volante.
Tração: permanente nas quatro rodas. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 313 cv a 4 mil rpm.Torque máximo: 71,3 kgfm entre 1.500 e 3 mil rpm Diâmetro e curso: 84 mm X 98,5 mm. Taxa de compressão: 16,1:1.
Suspensão: Pneumática de altura variável.
Dianteira independente do tipo McPherson com amortecedores hidráulicos. Traseira pneumática do tipo “Double Wishbone”, com duplo trapézio e amortecedores hidráulicos. Oferece controles eletrônicos de altura e de estabilidade.
Freios: Discos ventilados na frente e atrás com seis pistões. Assistidos por ABS, ETC, DSC, HDC, EBD e EBA.
Pneus: 255/60 R19 em rodas de liga leve.
Carroceria: Utilitário esportivo em monobloco com três subchassis em aço, com quatro portas e cinco lugares. 4,97 metros de comprimento, 2,21 metros de largura, 1,86 metro de altura e 2,88 metros de distância entre-eixos. Airbags frontais, laterais e de cabeça de série.
Peso: 2.580 kg em ordem de marcha, com 620 kg de carga útil.
Capacidade do porta-malas: 994 litros e 2.099 litros com o banco traseiro rebatido.
Capacidade do tanque de combustível: 97 litros.
Produção: Solihull, Inglaterra.
Lançamento mundial: 1970, atual geração em 2001 e último face-lift em 2010.
Lançamento no Brasil: previsto para outubro de 2010.

_______________________
Twitter


Gosta de utilitários esportivos?

Então veja aqui no WebMotors as melhores ofertas para este segmento:

Land Rover Range Rover Sport

Mitsubishi Pajero

Toyota Land Cruiser Prado

Jeep Grand Cherokee

  • Comprar carros
  • Comprar motos
Ver ofertas
Comentários