Renault Duster Oroch chega para inaugurar segmento por R$ 62.290

Picape quatro portas terá duas versões de motor e três de acabamento. Versão 4X4 chega em 2016


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O ano é 2015. Difícil acreditar que há muito mais a ser inventado neste mundo. Um fato é que, em meio a tantas transformações, as necessidades sempre se renovam e quem conseguir identificar o que falta no mercado, se dá bem. Uma linha de pensamento simplista que pode resumir o último lançamento da Renault.

Pela primeira vez na história a montadora se joga no ramos das picapes, terreno ainda inexplorado por ela. A marca identificou a oportunidade de se destacar no atraente segmento, criando um nicho ainda inexistente, o de picapes intermediárias. A inédita Duster Oroch é uma picape que se posiciona entre as compactas e as médias e consegue oferecer ao usuário pontos positivos de ambas, seu principal trunfo.

Produzida em São José dos Pinhais, no Paraná, a picape chega às lojas em outubro. Neste primeiro momento, oferecida em três versões de acabamento com dois tipos de motorização – os conhecidos blocos 1.6 e 2.0 do Duster – com valores que vão de R$ 62.290 a R$ 72.490.

Como ela é?

A Renault escolheu o utilitário esportivo Duster para transformar em picape. O visual robusto do SUV colaborou com o projeto, mas o desafio do design foi colocar uma caçamba em um modelo que já existia sem que aquilo parecesse um enxerto. Deu certo, e, inclusive, a caçamba caiu muito bem ao Duster. As lanternas traseiras são grandes e bonitas – especialmente quando acesas – e o visual na traseira ficou bem harmonioso. Como resultado, ela chama muita atenção por onde passa.

A dianteira carrega a identidade do Duster, sem tirar nem pôr. Desde a versão de entrada, a Oroch conta com rack de teto e santantônio, que não estão ali apenas para deixar o visual mais imponente. O conjunto suporta até 80 kg de peso no teto do carro.

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O modelo cedido a WebMotors para a avaliação, uma Dynamique 2.0 top de linha, estava equipada com o kit Outsider. Trata-se de um pacote de acessórios que, por R$ 2.990, inclui capota marítima na caçamba, moldura nas caixas de roda, alargador de para-lama, barras protetoras na janela traseira e uma espécie de quabra-mato frontal com faróis integrados.

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Interior de SUV

Por dentro, o espaço surpreende. A Oroch utiliza a plataforma do Duster, que foi alongada em 36 cm e o entre-eixos foi aumentado em 15 cm. No total, são 4,69 metros de comprimento e 2,89 m de entre-eixos.

Quem vai na frente encontra espaço razoável para as pernas, mas o que chama atenção é o espaço para quem vai atrás. Viajei com quatro adultos e uma criança para fazer o teste e a Oroch foi aprovada. Cinco pessoas conseguem viajar com conforto, sem espaço sobrando, claro, porém com bom lugar para acomodar as pernas e a cabeça – são 877 mm de espaço no teto. Quem vai no meio pode ajustar o apoio de cabeça, o cinto é de três pontos e o túnel central não é tão elevado. As janelas abrem totalmente, algo que não acontece nas compactas.

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Merece elogios a posição de pilotagem. O motorista fica alto, conta com boa visibilidade e, com ajuste de altura de volante e banco, consegue facilmente encontrar uma posição agradável para dirigir. O volumoso volante é também herança do Duster, e conta com ajustes do piloto automático e do limitador de velocidade na versão mais cara. Para mexer no rádio sem tirar as mãos do volante, um conforto extra são botões fixos na coluna de direção.

No mais, o painel com luzes brancas oferece boa visibilidade e conta até com um indicador de troca de marchas. Visando economizar combustível, a Oroch traz um botão no painel “Eco”, que ao ser acionado limita a potência e o torque do motor e também a potência do ar condicionado. Além disso, para os modelos equipados com a central multimídia Media NAV Evolution, há um sistema que mostra ao motorista como ele está acelerando e fazendo as trocas de marcha. Caso o pé esteja muito pesado e ele esteja gastando muito, recebe uma nota baixa.

Todavia, mesmo com tantos apetrechos para economizar combustível, baixo consumo não é seu forte. A marca divulga um consumo de 10,8 km/l na estrada e 9,2 na cidade, ambos na gasolina. Porém, não foi isso que o computador de bordo nos informou nessas condições. Durante nossa avaliação, em circuito misto, nossa média máxima de consumo foi de 7,8 km/l, segundo a picape.

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Voltando a falar do Media NAV, a Renault fez um bom trabalho com sua central. Além de intuitíva, o toque à tela é bem sensível, o que facilita muito. Há GPS integrado e aplicativos que permitem o acesso a mídias sociais. Para quem tem iPhone, é possível utilizar o “SIRI” pelo sistema do carro. E já que a tela está instalada, senti falta de uma câmera de ré. Para auxiliar no estacionamento, a Oroch vem com sensores sonoros apenas.

Cereja do bolo

A Oroch pode ter mil atrativos, mas é a caçamba que se destaca. Ela tem capacidade para carregar 683 litros, ou 650 kg. É curtinha, 1,35 metro de comprimento, mas tem as laterais bem altas e conta com oito anéis de fixação que suportam 50 kg cada um. Uma vantagem é que o estepe não fica ali, e sim embaixo do carro. Para acessá-lo, deve-se usar uma chave de roda e a tampa da caçamba deve estar aberta. Uma maneira de barrar os espertinhos que roubam seu estepe na rua.

Não dá para transportar uma moto na caçamba, por exemplo, mas para isso a Renault pegou “emprestado” o fornecedor da Fiat e também encomendou para sua Oroch um extensor de caçamba que alonga o espaço para 2 m de comprimento. A peça é instalada com a tampa aberta, conta com local para placa e vira até rampa para subir a motoca com facilidade. O preço dessa versatilidade toda é R$ 2.500.

Uma ressalva é com relação à tampa, super pesada. Certamente, a Renault poderia ter pensado em algum mecanismo que a deixasse mais leve. Apesar do peso, ela suporta até 80 kg.

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Como anda?

Rodamos quase mil quilômetros com a versão equipada com bloco 2.0 16V Flex. No etanol, ela oferece 148 cv de potência e 20.9 kgf.m de torque, números que não foram suficientes para desenvolver bem perante os 1.346 kg da Oroch. O desempenho deixou a desejar especialmente nas retomadas. É incrível pensar que este motor é o mesmo do Sandero R.S., prova de que um mapeamento decente faz um verdadeiro milagre no powertrain, já que a diferença de peso da picape para o hatch apimentado é de apenas 185 kg.

O câmbio manual de seis velocidade tem bom escalonamento e atende bem a proposta da picape. É esperado para o ano que vem uma versão automática e outra 4x4. Falanddo em 4x4, a Oroch herdou desta versão do Duster o conjunto de suspensões. Mais um ponto que merece elogios, já que para todas as versões, ela vem com McPherson na dianteira e independente multilink na traseira.

Muitos torcerão o nariz, argumentando que para picapes o feixe de mola é muito mais robusto na traseira. Concorto, todavia, o carro pula como um cabrito e fica bem mais duro. A multilink dá conta dos 650 kg de capacidade da Oroch e, por outro lado, prioriza muito o conforto dos ocupantes. Para a proposta desta "picapinha", que é voltada ao consumidor que precisa de um carro confortável para transportar a família, mas também necessita de espaço na caçamba para o uso profissional, acredito que tenha sido uma escolha certeira da marca.

Outro ponto que vale ser mencionado é a estabilidade da picape em curvas com a caçamba vazia. Diferentemente das médias, ela não dá aquela “escapada” de traseira. Boa, Renault.

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Para quem é?

A marca francesa quer fisgar o consumidor que precisa da caçamba para o trabalho e que não conta com outro automóvel para levar os filhos na escola ou viajar com a família. Geralmente, este perfil possui uma picape compacta com cabine estendida e sofre com a falta de espaço.

Outro perfil que a marca está de olho, é o dono de uma picape média e que procura uma opção completinha e mais em conta. Grandalhonas, as picapes médias, como a Chevrolet S-10, ainda enfrentam um verdadeiro desafio na cidade quando o assunto é procurar uma vaga para estacionar.

Há ainda uma terceira isca, que são aventureiros de final de semana que precisam do espaço da caçamba para levar a bike, pranchas, skates... Para eles, a cor Verde Esmeralda, que remete à natureza, vai bem.

Versões e preços

A versão de entrada vem equipada com motor 1.6 que gera 115 cv de potência aos 5.750 rpm e 15,9 kgf.m de torque e vem sempre acomplada a um câmbio manual de cinco velocidades. Com o pacote de equipamentos mais básico, Expression, o preço é de R$ 62.290. Há ar condicionado, direção hidráulica, rodas de liga aro 16, rádio com entradas USB e Buetooth, além de rack de teto e santantônio. Caso você queira adicionar retrovisor elétrico e faróis de neblina, some mais R$ 700.

Ainda com esta motorização, está disponível a versão de acabamento Dynamique. Por R$ 66.790, o modelo inclui a central multimídia da Renault – Media NAV Evolution -, piloto automático, comandos no volante, computador de bordo, entre outros acessórios. Como opcional, há bancos em couro por mais R$ 1.700 e um kit de acessórios que inclui capota marítima, alargador de para-lamas, vidro traseiro.

A versão que testamos, Dynamique 2.0, sai por R$ 70.790, mas com os bancos em couro ela fica em R$ 72.490. O preços estão bem alinhados com os do Duster, que parte de R$59.990 e nem oferece suspensão multilink por este valor.

Enquanto o lobo não vem...

O presidente da marca para a América Latina, Olivie Nurguet, afirmou que a Oroch é um carro global, desenvolvido no Brasil e que será vendido na América Latina. "Por enquanto o nosso foco é vender o produto no Brasil e nos países vizinhos, mas estudaremos com carinho os demais mercados".

Em um mercado que despenca 20% nas vendas, a Renault quer crescer de tamanho e abocanhar 8% de market share. E para issoa marca está apostando alto com esta nova categoria de picapes pequeno-médias ou médio-pequenas. O objetivo com a Duster Oroch é roubar vendas de um segmento que cresceu 50% em tamanho nos últimos cinco anos, a das picapes pequenas para quatro pessoas, terreno liderado com muita folga pela Fiat Strada.

Ao que tudo indica, a estratégia da Renault tem tudo para dar certo. O problema é que, assim como a marca francesa, a italiana Fiat também identificou as novas necessidades do mercado e resolveu investir neste novo segmento. No início de 2016, a representante da Fiat na categoria chega ao mercado com opções de motor as diesel e capacidade para 1 tonelada na caçamba. O vencedor desta batalha, porém, cabe a você definir, caro leitor.

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