Renault Logan Privilège vai além do bom preço

Modelo tem bom espaço interno, acabamento caprichado e faz boa figura na garagem


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- Muita gente tem o costume de formar juízo sobre as coisas antes mesmo de conhecê-las. Tem, por exemplo, quem diga odiar Paulo Coelho e nunca tenha lido nem sequer a orelha de um de seus livros. Outros amam Chico Buarque, mas não sabem cantar nenhuma de suas músicas de ponta a ponta. Isso também é freqüente no mundo automotivo, onde muitos dizem amar um carro ou uma marca apenas por razões afetivas, na maior parte das vezes sem uma contrapartida racional. Pois, seja qual for a idéia que você formou sobre o Renault Logan, desfaça-a: o novo sedã quase certamente não tem nada a ver com o juízo que você faz dele.

Primeiro, meses antes de o carro começar a ser vendido aqui, o que se dizia a respeito dele era que seria um veículo espartano, simples até demais, feito para custar pouco. Era assim, realmente, que o carro era apresentado na Europa, onde ele tinha o objetivo de custar menos de 5.000 euros. Chegou custando mais e fez tanto sucesso que passou a ser vendido também na Europa ocidental, acostumada a carros mais sofisticados. E vendeu bem por lá, também.

No Brasil, entretanto, a Renault fez um caminho diferente. Aproveitou as características do mercado nacional, no qual a maior parte das vendas se concentra na faixa dos modelos compactos por falta de opção do consumidor e ofereceu um sedã médio pelo valor de um pequeno. Com 2,63 m de entreeixos, o Logan tem mais espaço interno que o Toyota Corolla, com seus 2,60 m de entreeixos. Alto como um Volkswagen Fox, ele também tem espaço de sobra para a cabeça dos mais crescidos. E se engana quem imagina que o carro é simples.

Com motor 1,6-litro de 107 cv com gasolina e 112 cv com álcool, ele traz de série quase todos os itens de conforto que o comprador de um sedã pequeno gostaria de ter: direção hidráulica, vidros e travas elétricas nas quatro portas e retrovisores elétricos.

Também estão presentes na versão Privilège itens que não são imprescindíveis, mas que enchem os olhos, como soleiras nas portas, grade dianteira cromada, faróis de neblina, computador de bordo, travamento automático das portas a partir dos 6 km/h e um acabamento que surpreenderá quem espera encontrar no sedã da Renault um padrão semelhante ao dos primeiros Chevrolet Celta.

Os plásticos são, sim, simples, mas de toque agradável e bem encaixados, sem rebarbas. Chegam a ter um toque de sofisticação, com uma textura que remete a materiais mais caros. As portas têm painéis de plástico, mas também revestimento em tecido. No console central, um plástico que imita alumínio agrupa os comandos dos vidros, desembaçador traseiro, o comando do travamento das portas que contam com pinos, como todo carro deveria ter, ar-condicionado e toca-CD, estes dois últimos opcionais.

Aliás, vale dizer quanto custa o Logan Privilège: R$ 36,79 mil. Os únicos opcionais são pintura metálica, como a bela Vermelho Garance do veículo avaliado, que acrescenta R$ 850 ao preço, ar-condicionado, por mais R$ 3.000, ou o Pack Estilo, que traz o ar-condicionado, o toca-CD sem MP3, airbags duplos e rodas de liga-leve por R$ 6.000. Equipado como a versão avaliada pelo WebMotors, ou seja, com pintura metálica e o Pack, o Logan chega a R$ 43,64 mil.

Tanto básica quanto equipada, a versão Privilège se mostra mais vantajosa que seus concorrentes, tanto em preço quanto tecnicamente falando. O Corsa Sedan Premium, com motor 1,4-litro, mais fraco que o que equipa o Logan e de concepção mais antiga, tem menos espaço interno, menos porta-malas, menos equipamentos de série e sai por R$ 35,99 mil. O Ford Focus GLX 1,6-litro Flex, por sua vez, também vem menos equipado, também tem menos espaço interno e sai por R$ 49.205.

Aparência

Muitas das críticas que são dirigidas ao Logan se referem ao estilo, que seria quadrado demais, o que daria uma idéia de projeto antiquado. Nada mais distante da realidade. O Logan tem o projeto mais atual entre os modelos fabricados no Brasil, até por ser o lançamento mais recente pelo menos até a chegada do Fiat Punto, a ser apresentado esta semana. Pode ser simples, mas antigo, não é.

É de elogiar a mudança de atitude da Renault, que, no Clio, sacrificou o espaço interno do carro em prol do desenho. Note que a linha do teto do hatch da marca cai depois da coluna B, o que pode ser esteticamente interessante, mas rouba espaço interno do carro e deixa pessoas mais altas em uma posição bastante desconfortável.

As linhas, por sua vez, são menos quadradas ao vivo. O Logan, seja por ser novidade, seja pelo estilo, chama a atenção nas ruas e são poucos os comentários depreciativos de quem vê o carro pessoalmente. A maioria pede para olhar mais de perto, pergunta como ele é, se bebe muito faz 7 km/l com álcool, na cidade, e tem tanque de 50 l, o que garante boa autonomia, quanto custa e elogia.

Ainda que não fizesse figura tão boa na garagem e custasse muito pouco pelo que oferece, o Logan não teria muitas chances de sucesso se fosse um carro ruim de dirigir. E isso também é algo que não se pode dizer dele.

Apesar de o volante não ter regulagem de altura, o banco traz esse ajuste de série, o que permite encontrar uma boa posição de dirigir. O volante é bem centrado e permite a leitura clara do painel, tanto para pessoas baixas quanto para as mais altas.

Os comandos não estão na melhor posição, mas são fáceis de acionar, como o dos retrovisores elétricos, que ficam sob o freio de mão. A alavanca, mesmo abaixada, interfere pouco no manuseio dos vidros. Já os comandos dos vidros no console central também estariam melhor nas portas. Estão ao alcance das mãos, de todo modo.

Em movimento, o Logan mostra agilidade. A direção hidráulica é regulada na medida certa, permitindo manobras rápidas em trânsito travado e firmeza na estrada em alta velocidade. Na rodovia, o único senão ao comportamento do Logan é uma certa sensibilidade a ventos laterais. Eles não interferem na condução, mas é fácil notar quando uma golfada de ar atinge o sedã.

O câmbio tem trocas suaves e engates precisos, um compromisso que muitos carros, como o Fiat Palio, não conseguem estabelecer. Quando a suavidade é muita, os engates são menos precisos; a precisão, quando é cirúrgica, em geral deixa o câmbio mais duro.

A visibilidade também seria ponto alto do carro não fosse o formato dos retrovisores, insuficiente do lado esquerdo e ruim no direito. Além de a coluna A do lado do passageiro encobrir parte do espelho, seu campo de visão é restrito, o que causa um ponto cego ao qual o futuro dono do Logan deve estar atento.

O tapete usado como cobertura da tampa atrás dos bancos traseiros pode incomodar em dias de sol. Isso porque ele é cinza e reflete mais facilmente os raios solares para o vidro traseiro, tirando em parte a visibilidade. Os encostos de cabeça, três, ao todo, atrapalham pouco.

O espaço interno é, como seria de esperar, digno de nota. Duas pessoas altas podem viajar com conforto uma atrás da outra. Os bancos acolhem bem e têm a densidade certa: nem macios demais nem aspirantes a banco de competição.

O porta-malas, apesar de espaçoso 510 l e de fácil acesso, com ampla abertura e capaz de abrigar umas quatro malas grandes, é a parte do carro que mais denota uma preocupação com custos de produção baixos. O estepe é coberto apenas por um tapete rígido, o que pode fazer compras soltas se esconderem ao lado do pneu com a movimentação natural do carro. As dobradiças da tampa, em estilo pescoço de ganso, retiram parte do espaço útil do compartimento. Já a fechadura tem um quê de frágil. Se a tampa for batida, o porta-malas não fecha. É preciso deixar que ela desça suavemente e se encaixe onde deve.

Se fosse preciso resumir o que é o Logan, seria possível dizer que é um carro cuja avaliação é indispensável para quem está pensando em comprar algo na faixa dos R$ 40 mil. Deixá-lo de lado por uma imagem preconceituosa será motivo de arrependimento certo. Especialmente quando ele começar a se proliferar nas ruas e nas mãos de quem se deu a chance de conhecê-lo melhor.FICHA TÉCNICA – Renault Logan Privilège 1.6 16V


MOTOR Quatro tempos, quatro cilindros em linha, transversal, quatro válvulas por cilindro, duplo comando de válvulas no cabeçote DOHC, refrigeração a água, 1.598 cm³
POTÊNCIA112 cv com álcool e 107 cv com gasolina a 5.750 rpm
TORQUE 15,5 kgm com álcool e 15,1 kgm com gasolina a 3.750 rpm
CÂMBIO Manual de cinco velocidades
TRAÇÃO Dianteira
DIREÇÃO Hidráulica progressiva, por pinhão e cremalheira
RODAS Dianteiras e traseiras em aro 15”, de liga-leve
PNEUS Dianteiros e traseiros 185/65 R15
COMPRIMENTO 4,25 m
ALTURA 1,53 m
LARGURA 1,74 m
ENTREEIXOS 2,63 m
PORTA-MALAS 510 l
PESO em ordem de marcha 1.111 kg
TANQUE50 l
SUSPENSÃO Dianteira independente, tipo McPherson; traseira com barra de torção
FREIOS Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira
PREÇOde R$ 36,79 mil a R$ 43,64 mil como o avaliado


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