E o que o Honda teria a mais do que o Renault para custar tão mais? Os dois têm o mesmo porta-malas 506 l, ambos com dobradiças de pescoço de ganso, que tiram parte deste espaço, mas o City tem 8 cm a mais de entreeixos 2,55 m, contra 2,47 m do Symbol e 14 cm a mais de comprimento 4,40 m, contra 4,26 m. Daí em diante, é quase tudo igual. Por preços bem diferentes.
Lançado em março, o Symbol, em sua versão Privilège, vem com ar-condicionado digital, direção hidráulica, vidros, travas e retrovisores elétricos, faróis de neblina, dois airbags dianteiros, computador de bordo e toca-CD com MP3. Por mais R$ 1.500, também se pode equipar o Renault com ABS, o que dá R$ 45,99 mil, ainda bem menos do que os R$ 56,21 mil cobrados pelo City.
Como essa reportagem não é um comparativo, mas sim a avaliação do Renault Symbol, o leitor poderá estranhar a citação do concorrente da Honda, mas isso é fácil de explicar. Primeiro, a comparação enaltece o que o Symbol tem de melhor: o preço. Segundo, o Honda City era um lançamento esperado havia muito tempo e seu preço, alto demais, ainda está fresco na memória de quem gosta de carro. Terceiro, em um país com preços tão absurdos para carros, como é o Brasil, sempre vale a pena mostrar que carro equipado não necessariamente tem de custar caro. Na série ”Lá Fora”, aliás, mostramos que o preço dos automóveis por aqui tem muito menos a ver com conteúdo que com lucros acima da média mundial...
Quem quiser acreditar que o preço baixo se deve a alguma falha de acabamento do Symbol terá de pensar em desculpa melhor. O Renault tem peças sem rebarbas, bem encaixadas, com materiais de boa qualidade.
Quem, por outro lado, pensar que o fato de o Symbol ser feito sobre a plataforma do Clio Sedan justifica o fato de ele ser mais barato também vai errar feio. Primeiro, porque o City não deixa de usar a plataforma de um carro anterior, o Fit. Ainda que seja mais moderna que a do Renault Symbol, ela não justifica a diferença de preço.
É certo que a herança do Clio Sedan acaba por prejudicar o Symbol. Ela o deixa com pouco espaço nos bancos traseiros, com um estepe que fica em uma posição horrível para manejar no fundo do porta-malas, perto do banco traseiro, e com comandos dos vidros traseiros no assoalho do carro, uma solução econômica, mas ergonomicamente ruim. Mesmo assim, são problemas que uma diferença de preço tão grande acaba por minimizar.
Ao volante
Além do preço, o Symbol também se destaca por sua boa dirigibilidade. O motor 1,6-litro 16V é esperto, respondendo prontamente aos comandos do acelerador. Só seria interessante a Renault arranjar rapidamente a opção de um câmbio automático ou automatizado, já que boa parte dos motoristas que podem comprar o sedã estão em grandes cidades, onde o trânsito pesado do dia-a-dia maltrata a perna esquerda.
Com suspensão alta, mas ainda assim firme e com bom curso, o carro entra e sai de curvas com desenvoltura. Não chega a ser esportiva, já que tem um estilo mais puxado para o conforto, mas também não decepciona. Nem sofre em lombadas e saídas de garagem, locais onde carros baixos ou com balanço dianteiro muito grande logo avisam sobre os prejuízos que vão dar ao bolso de seus donos.
O volante e o banco reguláveis em altura auxiliam o motorista a encontrar a melhor posição de dirigir, mesmo os mais altos, mas faz falta a regulagem de distância do volante. O teto baixo também prejudica a visualização de semáforos, algo bastante característico dos carros derivados de projetos na mesma época, como o antigo Ford Fiesta e o Ka.
Como se vê, o Symbol é um carro que anda direitinho, oferece um espaço razoável em seu interior, excelente no porta-malas e é muito bem equipado. O preço, se não é baixo como o cobrado no exterior, pelo menos não parece estar acima do razoável. Japoneses e franceses parecem realmente ter muito a aprender uns com os outros. Não é à toa que a aliança entre Nissan e Renault se mostrou tão bem sucedida.
FICHA TÉCNICA – Renault Symbol Privilège 16V
| MOTOR | Quatro tempos, quatro cilindros em linha, transversal dianteiro, quatro válvulas por cilindro, refrigeração a água, 1.598 cm³ |
| POTÊNCIA | 110 cv gasolina e 115 cv álcool a 5.750 rpm |
| TORQUE | 149 Nm gasolina e 157 Nm álcool de 3.750 rpm |
| CÂMBIO | Manual de cinco velocidades |
| TRAÇÃO | Dianteira |
| DIREÇÃO | Hidráulica, por pinhão e cremalheira |
| RODAS | Dianteiras e traseiras em aro 14”, em aço Expression, ou em aro 15”, em liga-leve Privilège |
| PNEUS | Dianteiros e traseiros 175/65 R14 Expression ou dianteiros e traseiros 185/55 R15 Privilège |
| COMPRIMENTO | 4,26 m |
| ALTURA | 1,44 m |
| LARGURA | 1,67 m |
| ENTREEIXOS | 2,47 m |
| PORTA-MALAS | 506 l |
| PESO em ordem de marcha | 1.045 kg |
| TANQUE | 50 l |
| SUSPENSÃO | Dianteira independente, do tipo McPherson; traseira por eixo de torção |
| FREIOS | Dianteiros com discos ventilados e traseiros com tambores |
| CORES | Branco Glacier, Vermelho Vivo, Prata Étoile, Bege Angorá, Preto Nacré, Azul Crepúsculo, Cinza Acier e Vermelho Fogo |
| PREÇOS | R$ 44,49 mil |
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