Novo Jeep Wrangler 2019

Rodamos com o novo Jeep Wrangler na trilha Rubicon

Considerado um dos mais difíceis trechos off-road do mundo, caminho colocou em check o novo jipe da marca


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Dois dias, 20 carros e um desafio: vencer os 35 quilômetros de uma das trilhas off-road mais difíceis do mundo. Lembra roteiro de filme, mas foi o cartão de visitas para conhecer o novo Jeep Wrangler, que será mostrado ao público brasileiro no Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, em novembro, e terá suas vendas iniciadas em janeiro de 2019.

Depois de dez anos sem grandes alterações, a quarta geração de um dos ícones automotivos foi apresentado para um pequeno grupo de jornalistas brasileiros nos Estados Unidos, mais precisamente na divisa dos estados da Califórnia e Nevada. O objetivo foi testar a nova geração do Jeep na não menos icônica trilha Rubicon, que há mais de 60 anos é explorada por amantes do fora de estrada de todo o mundo.

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Localizada nas montanhas de Serra Nevada, próximo do lago Tahoe, a rota originalmente utilizada por índios e depois pelo exército norte-americano só passou a ser percorrida por aventureiros na década de 1950. Por conta do clima severo (no inverno o acúmulo de neve passa dos sete metros de altura em vários pontos), o caminho permanece fechado por boa parte do ano. É possível fazer a travessia apenas durante algumas semanas entre os meses de julho e agosto.

 Novo Jeep Wrangler 2019 encara uma das trilhas mais difíceis do mundo
Legenda: Novo Jeep Wrangler 2019 encara uma das trilhas mais difíceis do mundo
Crédito: Divulgação

Entre trechos alagados, grandes desfiladeiros e mata fechada, as rochas são os maiores obstáculos. Há pedras de diversos tamanhos, formatos e em toda parte. É praticamente impossível desviar e várias têm que ser literalmente escaladas. Outro agravante é o tempo, por causa da severidade do inverno e da época das chuvas, o trecho muda todos os anos, ou melhor, as rochas se movem e fazem o caminho mudar suas características frequentemente.

Mesmo os mais familiarizados são surpreendidos. Para guiar o comboio de Wrangler contamos com a ajuda dos jipeiros Jamboree, um grupo de amantes do 4X4, moradores da região e que conhecem o local como a palma das mãos.

 Pessoal do Jeepers Jamboree ajudam na trilha
Legenda: Pessoal do Jeepers Jamboree ajudam na trilha
Crédito: Divulgação

O CARRO

Nos EUA, o Wrangler é oferecido nas configurações Sport, Sahara ou Rubicon, com chassi curto ou longo e com duas ou quatro portas. No Brasil, serão ofertadas as duas últimas variações com carrocerias de duas ou quatro portas.

São duas as opções de motores, ambos a gasolina (está prevista uma versão diesel 3.0L V6 para o ano que vem). E, pela primeira vez, o modelo conta com opção de propulsor turbo. Trata-se de um 2.0 de quatro cilindros que rende 273 cv de potência e 40,8 kgf.m de torque a 3.000 rpm. Na ‘Terra do Tio Sam’, o câmbio pode ser manual de seis velocidades ou automático de oito. Por aqui, só está prevista a venda do modelo com caixa automática e motor 2.0.

VÍDEO

A nossa carruagem para encarar a jornada trazia justamente o pacote que estará disponível no Brasil e atendia por um Wrangler Rubicon vermelho, com interior em couro bege, sem portas, janelas e com teto em tecido que podia ser totalmente recolhido eletronicamente ao toque de um botão. Até aí nenhum problema, já que a previsão do dia era de Sol forte e temperatura acima dos 35 graus Celsius. Eu só não contava que à noite seria outra história.

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Legenda: Sem portas nem teto, o novo Jeep Wrangler lembra um lego
Crédito: Divulgação

Uma das atualizações para a nova geração é que agora está mais fácil tirar pedaços da carroceria, entre elas as janelas e até o para-brisa. Praticamente um lego. Um pequeno estojo de ferramentas acomodado dentro do descansa braço central traz os equipamentos para desmontar parte do jipe. Um processo lúdico e intuitivo.

Além disso, pela primeira vez em um Wrangler, capô, portas, tampa do porta-malas e moldura do para-brisa foram confeccionados em alumínio. Com isso, a quarta geração ficou 90 quilos mais leve que a anterior.

PRIMEIRO DIA

 Trilha Rubicon traz pedras para todos os gostos e tamanhos
Legenda: Trilha Rubicon traz pedras para todos os gostos e tamanhos
Crédito: Divulgação

O ponto de partida foi a pequena cidade californiana de Georgetown, que é mais conhecida pelas suas pistas de esqui. Depois de percorrer alguns quilômetros de asfalto foram precisos menos de 20 minutos de trilha e algumas centenas de metros na terra para entender o que nos aguardava pelo resto daqueles dois dias.

O caminho que começou com pedras do tamanho de bolas de tênis passou a ter rochas maiores que os carros. Sem avisar e nem mesmo mudar a vegetação – árvores belíssimas com dezenas de metros e centenas de anos - o caminho ficou quase intransponível.  Lugar perfeito para o Jeep se mostrar.

O novo Wrangler manteve a segunda alavanca para engate do 4X4 e 4X4 Low (reduzida), um charme deixado de lado com cada vez mais frequência pela concorrência. No caso do Rubicon, além da reduzida ainda é possível travar o diferencial dianteiro, traseiro ou os dois, simultaneamente. Tudo isso feito por uma alavanca no console central. Quando se está com uma ou até duas rodas sem contato com o chão, uma situação frequente durante a nossa trilha, o recurso é a única forma de se continuar a jornada.

 Curso da suspensão permite passar obstáculos de quase um metro
Legenda: Curso da suspensão permite passar obstáculos de quase um metro
Crédito: Divulgação

Outro equipamento útil no novo Wrangler é o Sway Bar. Por meio de um botão na parte central do painel é possível desconectar a barra estabilizadora em velocidades abaixo dos 30 km/h. Com isso, a suspensão ganha amplitude e permite que alguma roda toque o chão mesmo em desníveis que beiram um metro de altura. Dava gosto ver o Wrangler se contorcer, ranger para alcançar a terra e ganhar tração. O malabarismo é ajudado pelos longos braços da suspensão e pelos pneus aro 17 de perfil alto.

Outra melhoria obtida com os novos chassi e carroceria foram os ângulos de entrada (44 graus), saída (37 graus) e altura do solo (27,8 centímetros). Além disso, o novo Wrangler consegue transpor trechos alagados com até 76 centímetros de altura. Números bons comparados com um jipe mais “raiz” que é o Troller T4, que é oferecido por R$ 131.329 e que tem ângulos de entrada e saída de 51 graus, além de uma capacidade de imersão de até 80 centímetros.

Quase por volta das duas da tarde e depois de ter gasto a manhã e parte da tarde para percorrer menos de 10 quilômetros, chegamos ao mirante da Cadillac Hill, de onde era possível observar boa parte do vale que havíamos percorrido. Uma natureza maravilhosa, sem contato com a civilização, sinal de celular e onde até a alimentação teve que chegar por helicóptero.

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Legenda: Helicóptero foi usado para levar mantimentos para os trilheiros
Crédito: Divulgação

Impossível não refletir sobre a correria da vida de quem mora na cidade e das inúmeras tarefas e objetivos que nos impomos. Ficou fácil entender porque tantas pessoas vêm de várias partes do mundo para contemplar a trilha Rubicon.

Passado o momento de contemplação e descontração, era hora voltar para a trilha. E, em menos de cinco metros, já estávamos chacoalhando pesadamente dentro do Wrangler.

Até então não tinha vivido a experiência de fazer uma trilha sem as portas e o teto, mas o recurso foi útil para dar uma ideia melhor do que acontece ao meu redor. Às vezes, para saber se o traçado era o certo ou se eu estava indo de encontro a uma rocha pontiaguda bastava esticar o pescoço para fora do carro e olhar o pneu. Por outro lado, em certas horas, com o carro inclinado para o meu lado e com uma pirambeira querendo me conhecer de perto a sensação chegava a arrepiar à coluna.

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Legenda: Fim do dia com direito a muita rocha pelo caminho
Crédito: Divulgação

Já no fim da tarde chegamos ao acampamento Rubicon Springs, uma das poucas áreas planas da trilha e onde era possível montar uma barraca para passar a noite. O lugar é rústico, mas com boa infraestrutura. Para o banho havia duas possibilidades, se aventurar no rio ou usar uma das cabines ao ar livre onde era possível enganchar bolsas de água quase frias. Fiquei com a segunda opção.

A noite foi o momento para reunir o grupo de jornalistas ao redor da lareira e compartilhar as histórias vividas na trilha. Aquele dia merecia mesmo uma boa reflexão ao som de um violão e uma garrafa de cerveja.

SEGUNDO DIA

O segundo dia não podia ter começado pior. Às 7h a temperatura teimava em ficar próxima do zero. Para ajudar o nosso carro sem porta ou janelas parecia ter absorvido o sereno da madrugada. Tarefa complicada encarar uma das trilhas mais difíceis do mundo batendo os dentes de frio.

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Legenda: Novo Wrangler consegue encarar trechos alagados com até 76 cm de altura
Crédito: Divulgação

A amplitude térmica faz parte dos desafios da trilha Rubicon. Em menos de 24 horas foi possível sentir os extremos do calor do Senegal ao frio da Suíça, sem contar a baixíssima umidade relativa do ar que fez até os lábios racharem.

Para amenizar o sofrimento, o nosso Wrangler Rubicon estava equipado com aquecedor de banco e volante. Melhor que um bofetão.

Já a trilha não queria saber se estávamos com frio ou com a boca seca, nos primeiros metros descobrimos o objetivo das duas longarinas que percorrem todo a parte de baixo do assoalho do Jeep. Foi impossível não apoiar o fundo do jipe nas rochas para transpor alguns trechos mais complicados. Nessa hora que o Wrangler gritava arrastando o aço na rocha é que ficava mais clara a função da longarina. O Rubicon ainda conta com chapas grossas cobrindo as principais partes do carro, como cárter e câmbio. Mesmo assim doía o coração ouvir o rangido do carro.

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Legenda: Parte de baixo do Wrangler Rubicon conta com proteção para as partes vitais
Crédito: Divulgação

Divertido era ver a calma no rosto dos guias do Jamboree enquanto o Wrangler se esgoelava e contorcia para passar pelos obstáculos. Mesmo depois de quase entortar o carro todo você ainda era capaz de receber um “good job” (bom trabalho) dos simpáticos conhecedores da Rubicon.

Enquanto o Wrangler se virava para passar os obstáculos uma tela de cinco polegadas, bem parecida com a encontrada no Compass, no meio do quadro de instrumentos indicava a inclinação lateral e vertical do carro. Simples e fácil de ser visualizado, o recurso foi bem útil nas situações mais tensas.

Um observador mais atento veria no fundo da tela um Jeep 1951 de guerra. O novo Rubicon pegou emprestado a mania dos irmãos menores e espalhou vários easter eggs pelo carro, do para-brisa à manopla do câmbio.

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Legenda: Painel é simples, mas traz as principais informações para o off-road
Crédito: Divulgação

O interior, aliás, foi uma das áreas com maior atualização na nova geração. A começar pela grande tela multimídia de 8,4 polegadas no console central, que traz a nova geração do sistema Uconnect e que tem conexão com Apple Car Play e Android Auto.

Segundo a Jeep, nos EUA 98% dos compradores instalam algum tipo de acessório no modelo. Por isso, o novo Wrangler recebeu no painel quatro botões auxiliares que podem ser usados para acionar qualquer acessório da linha MOPAR. Ainda segundo a marca, são mais de 70 itens de segurança passiva e ativa.

Chegava por volta das três da tarde quando os Jamboree nos avisaram que a partir daquele ponto era possível desengatar o 4X4 reduzido. Havíamos vencido a parte mais complicada da trilha. Que alegria, que alívio. A partir daquele ponto poderíamos relaxar a musculatura e começar a refletir sobre todos os obstáculos do caminho.

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Legenda: Novo Jeep Wrangler ficou mais estável no asfalto
Crédito: Divulgação

Pela primeira vez ligamos o rádio e, para a nossa sorte, tínhamos sinal e caímos em uma estação de rock dos anos 1960 e 1970. Não podia combinar mais. Ainda tínhamos pouco mais de uma hora até a chegada ao hotel.

Parte do trajeto foi feito por uma estrada asfaltada que margeava o magistral lago Tahoe. Cena de filme, nós num carro sem portas e capota, cobertos de terra ouvindo Bob Dylan e sendo observados pelos moradores da beirada do lago. Momento também de perceber que o novo Wrangler está mais estável nas curvas, perdeu aquela inclinação excessiva da carroceria, típica dos carros americanos.

A conclusão é que não é preciso ter o novo Jeep Wrangler para encarar uma das piores trilhas do mundo ou para curtir paisagens belíssimas, com vento no rosto e adrenalina nas veias, mas com ele é quase certo que você vai vencer os obstáculos mais complicados sem grande esforço e ainda poder desfrutar todo o conforto e, de brinde, uma boa música no final.

 Jeep Wrangler Rubicon foi feito para encarar as principais trilhas de off-road do mundo
Legenda: Jeep Wrangler Rubicon foi feito para encarar as principais trilhas de off-road do mundo
Crédito: Divulgação
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