SpaceFox nasce com missão difícil


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- O mais novo produto da Volkswagen, a SpaceFox, foi oficialmente apresentado ontem com uma missão difícil: servir ao mesmo tempo a dois segmentos distintos de veículos, o das minivans e o das peruas. Para ter sucesso nisso, ela precisa atender dois requisitos: ter o espaço e a versatilidade das primeiras e a esportividade e dirigibilidade das últimas.

Sem saber se ela conseguia ou não, tivemos a primeira boa surpresa com ela, o preço: R$ 45, 65 mil com ar-condicionado, trio-elétrico e direção hidráulica de série na versão Plus, a menos equipada. A Comfortline, com bancos de couro, sai por R$ 47,88 mil. Barato não é, mas é bem competitivo, algo impensável para a Vokswagen de alguns anos atrás, que se fiava na fama de confiabilidade e robustez para cobrar preços mais altos.

De volta à missão da SpaceFox, está claro que atingir esse compromisso não é simples. Apesar de versáteis, espaçosas e com diversas configurações de bancos, as minivans sofrem com ventos laterais e a inclinação da carroceria em curvas. Essa característica desagradável é potencializada pela tão desejada posição alta de dirigir, boa no trânsito das grandes cidades, sob o ponto de vista da visibilidade, e péssima na estrada e em curvas rápidas.

As peruas se comportam melhor no asfalto, tanto que BMW, Audi e Mercedes-Benz têm versões de alto desempenho. Algumas delas até oferecem grandes porta-malas, mas não a mesma facilidade de disposição deste espaço, como o sistema ULT, do Honda Fit, por exemplo, que permite carregar objetos longos, altos ou utilizar o espaço de carga do carro como o de um utilitário.

Na introdução do modelo aos jornalistas, a equipe da fábrica alemã chegou a sobrepor, em escala, os desenhos de todos os concorrentes ao da SpaceFox para mostrar como o novo carro é um intermediário entre os dois segmentos. Foi bem sucedida. A idéia é realmente a de um híbrido, pelo menos no design. Nem tão dois volumes quanto uma perua nem tão monolítico quanto uma minivan.

Essa era a parte constatável visualmente, além do aspecto bonito do carro, ressaltado pelas lanternas traseiras que lembram olhos. Acesas, elas remetem ao Polo, com quem a SpaceFox divide plataforma. O comportamento dinâmico ficou de ser avaliado hoje, com o teste de direção, realizado nas curvas das estradas com destino aos belos cenários de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

Provando a que veio

Logo de início se percebe os mesmos espaço e funcionalidade oferecidos no Fox. Os bancos são elevados, assim como o teto, o que garante espaço para as pernas de um motorista de 1,85 m e o transporte de uma pessoa tão alta quanto ele/ela no banco de trás. Segundo a Volks, cabem no banco traseiro três pessoas de 1,93 m. A altura do teto não permite duvidar, mas a largura do carro dá a idéia de que a empresa realizou esse teste com três indivíduos bem magrinhos...

Encontrar a melhor posição de dirigir é fácil, com regulagem de altura do banco de série. Quem reclama do cinto peca por implicância, já que os da SpaceFox dispõem de regulagem de altura na frente. Melhor ainda seria se o ajuste da coluna de direção em altura e profundidade estivesse em todos os modelos, mas pelo menos o consumidor poderá solicitá-lo como opcional.

A ergonomia é muito bem resolvida, com comandos dos vidros e dos retrovisores elétricos em ótima posição, no painel da porta. Aliás, os vidros elétricos estão presentes nas quatro portas, eliminando uma aberração presente até no sofisticado Renault Mégane Sedan, os vidros traseiros acionados por manivela. Sabemos que é culpa da redução de custos, mas convenhamos: tudo tem limite.

Pelo menos um dos defeitos das minivans a SpaceFox apresenta, que é a larga coluna A, que separa os vidros das portas dianteiras do pára-brisa. Além de larga, ela é muito avançada e cria um ponto cego perigoso, especialmente na cidade.

Ao acionar a ignição, o velho painel do Fox, motivo de críticas, ganha a atenção do motorista e não se mostra tão ruim. Foi uma solução barata e relativamente completa, ainda que, se fossem maiores, os instrumentos teriam uma melhor visualização. O acionamento dos faróis de neblina, por exemplo, não aparece no painel, uma falha que, esperamos, seja corrigida em breve.

O motor é um velho conhecido, o EA-111, flexível em combustível, com 1,6 litro de capacidade cúbica. Ele empurra a SpaceFox a 173 km/h e do zero aos 100 km/h em 11,1 s, com gasolina, e a 175 km/h e em 10,8 s com álcool. Dados de fábrica. Na perua ele se comporta muito bem, ainda que não esbanje desempenho. Em relação a consumo, a Volkswagen indica 11,6 km/l na cidade e 17 km/l na estrada com o combustível fóssil e 7,8 km/l e 11 km/l, respectivamente, com etanol. Uma avaliação mais rigorosa, com carga e em trânsito urbano, será feita futuramente em WebMotors.

Na estrada, o comportamento mais esportivo realmente aparece. Houve um reforço na suspensão traseira, com um eixo de torção 30% mais rígido, além de novas calibrações dos amortecedores dianteiros e traseiros. A barra estabilizadora dianteira também sofreu redimensionamento. Com as mudanças, a SpaceFox é capaz de carregar até 485 kg de carga. O porta-malas é bom, com 430 l, menor que o da Palio Weekend, de 460 l, mas um dos maiores do segmento o da 206 SW é de meros 313 l e repleto de nichos e soluções que agradarão bastante, como um para cargas frágeis e um gancho para pendurar sacolas.

Em miúdos, isso se reflete em um veículo bastante estável. A sensibilidade a ventos laterais ou a grandes deslocamentos de ar, provocados por ônibus ou caminhões em sentido contrário, não pôde ser devidamente avaliada no percurso, mas tudo indica que o novo carro os encara melhor que as minivans. Quem joga contra o patrimônio são os bancos, mais rasos e altos do que deveriam ser para a proposta esportiva alardeada pela fábrica.Frente a frente com a concorrência

Com o mesmo nível de equipamentos, a Palio Weekend HLX 1,8-litro custa R$ 45.251, enquanto a ELX 1,4-litro custa R$ 41.961. Custam menos, mas não trazem o charme da novidade e a versão de 1,4 litro é menos potente. Já a 206 SW 1,6-litro 16V Presence custa R$ 45,25 mil e é mais forte, mas oferece muito menos espaço. Entre as minivans, que padecem das características de dirigibilidade já citadas, a Fiat Idea ELX 1,4-litro sai por R$ 43.166 e a HLX, por R$ 48.371. O Honda Fit LX de câmbio manual custa mais, R$ 45.725. A Chevrolet Meriva Joy segue no mesmo ritmo: R$ 47.084.

Em resumo, a SpaceFox venceu a primeira etapa do desafio, mas não a segunda. Ao contrário das minivans, ela não traz nada de inovador na disposição de espaço nem nada que justifique a criação de um segmento especial de mercado para enquadrá-la, o dos sportvans, como a Volkswagen pretendia. Nem mesmo o banco traseiro deslizante, que pode aumentar o porta-malas, mas sacrifica os passageiros. Trata-se de uma perua, sem as facilidades do já citado sistema ULT do Fit ou do FlexSpace, do Meriva, mas de uma perua que o consumidor deve considerar seriamente antes de fechar qualquer negócio.

Gustavo Henrique Ruffo viajou a convite da Volkswagen


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