Street Glide

Street Glide Special: a touring para gente grande

Aceleramos a bagger da Harley-Davidson. Tem desempenho impressionante e muitos mimos, mas poderia ser mais confortável


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Quando pensamos em uma touring da Harley-Davidson, o que logo vem à mente é uma moto grande, pesada, recheada de recursos de luxo, algo trombolhuda e certamente confortável. Pois bem, desses cinco atributos, a Street Glide Special exibe três. Na pilotagem, essa bagger é mais dócil do que parece. E o conforto... bem, poderia ser um pouco melhor.

1. Street Glide Special
Imponente, mas discreto, o visual da Street Glide Special se equilibra bem entre o clássico e o agressivo
Crédito: Roberto Dutra

A Street Glide Special é uma versão mais equipada da Street Glide, que já não é mais vendida no Brasil. A Harley-Davidson diz que é uma moto "customizada na fábrica, com estilo totalmente preto e potência que detona estradas". Não podemos acusá-la de propaganda enganosa: a moto é isso aí é mais um bocado de coisas interessantes.

2. Street Glide Special
A frente, que lembra uma locomotiva, contrasta com a traseira rebaixada: coisa típica de moto "bagger"
Crédito: Roberto Dutra

O visual navega entre o clássico das Ultra Limited (uma derivação da Electra Glide) e a agressividade de uma Low Rider S, que inclusive nem é da família touring - é uma softail. Tudo com muita harmonia e até certa elegância: é impossível ficar indiferente a essa moto, cuja imponência dianteira reforçada pela carenagem (a famosa "batwing") faz um contraste bem peculiar com a traseira visualmente mais baixa, discreta e sem encosto de garupa - coisa típica de moto "bagger".

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Por dentro da carenagem:  no alto, quatro relógios. Logo abaixo a tela do sistema multimídia
Crédito: Divulgação

A pintura na cor preta reforça o aspecto invocado da moto, que vista de frente parece uma locomotiva. Atrás da carenagem, mimos para justificar o atual preço estratosférico dessa moto (começa em R$ 127.400): na parte de cima, quatro relógios analógicos com aros cromados - indicador de combustível, velocímetro com hodômetros e afins (na telinha de LCD logo abaixo), conta-giros e voltímetro.

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Usar o sistema que tem as funções de som e GPS nem é tão complicado. A tela é sensível ao toque
Crédito: Roberto Dutra

Logo abaixo, está a tela do sistema multimídia, que exibe informações de relógio, GPS, som (rádio, Bluetooth ou USB) e conexão com smartphone. À direita e à esquerda da tela, dois porta-luvas. Mais abaixo, surgem seis botões cegos que não servem para nada, mas que pelo menos estão bem disfarçados com um acabamento honesto.

Outros quitutes dessa moto são os baús laterais traseiros com fácil abertura e trava, antena do rádio e pedaleiras plataforma para o piloto. A Harley ainda destaca, como se fosse algo muito especial, que a moto vem com banco e pedaleiras para garupa - em um modelo desse segmento e com esse porte e preço, é nada além de obrigação.

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O banco do piloto é mais anatômico do que macio, mas resolve. Já o garupa fica mal acomodado
Crédito: Roberto Dutra

Comandos em ação

Depois de me familiarizar com os comandos, é hora de botar essa Street Glide Special para andar. Manobrá-la é complicado: são 375 quilos de moto em ordem de marcha. Como o "batwing" é montado sobre os garfos, quando você esterça o guidom toda aquela traquitana vem junto. Pelo menos o banco é baixo, então é fácil usar toda a força das pernas. Mas definitivamente é moto para gente grande.

Primeira marcha engatada, aquele "clunk" característico das Harley-Davidson e vamos em frente. Aí tudo muda. A moto pesadona fica leve e exibe agilidade surpreendente já no trânsito urbano. Rebola pra cá, rebola pra lá, consegue até passar em alguns corredores. E não pede muito esforço físico do piloto.

O motor é uma usina de força:  com 1.868 cm³ de capacidade cúbica, despeja 16,3 kgf.m de torque
Crédito: Roberto Dutra

É preciso ter cuidado, mesmo, com a mão direita: as acelerações proporcionadas pelo motor Milwaukee-Eight de 114 polegadas - ou seja, 1.868 cm³ de capacidade cúbica - são muito fortes e imprimem à moto uma aceleração digna de modelo esportivo. E isso vem acompanhado por um instigante ronco baixo, grave e encorpado, que dá ainda mais vontade de acelerar.

Em momentos de distração, a traseira só não escapa porque temos controle de tração e ABS nos freios para nos proteger. É muita força: são 16,3 kgf.m de torque já disponíveis nas 3.500 rpm e estimados 90 cv de potência (a Harley não divulga a potência de seus motores). Ou seja: acelerou, decolou.

À frente do motor vai o radiador de óleo, que ajuda na refrigeração do enorme  motor
Crédito: Roberto Dutra

Outro barato no desempenho dessa Street Glide Special é que a força é bem aproveitada em cada uma das seis marchas do câmbio. Então, não temos "buracos" nas acelerações e o motor trabalha sempre cheinho. Raramente é preciso reduzir marcha por causa de "soluços" - salvo, claro, quando a velocidade é absolutamente incompatível com a velocidade.

Todo esse prazer proporcionado pela moto é reforçado pelo excelente sistema de som, que tem dois alto-falantes nas extremidades da carenagem, que somam 50 Watts de rock´n´roll. Pilotar uma moto dessas ao som de uma boa música é realmente divertido. E poderia ser ainda mais se o conforto a bordo não fosse relativamente limitado pelas suspensões de pouco curso e um tanto duras e pelo banco, mais anatômico do que macio. É, de fato, uma moto feita para boas estradas.

Tem quem não goste, mas em motos dessa categoria o conforto garantido pelas pedaleiras plataforma é inegável
Crédito: Roberto Dutra

E por falar nisso, depois de alguns trechos urbanos, chegamos à pista livre. E lá descobrimos que a aerodinâmica proporcionada pela "batwing" é eficiente, que o som não fica prejudicado pela velocidade e que, mais uma vez é preciso dosar a mão direita. Distraia-se e rapidamente você estará a 140km/h com a impressão de que está a 100km/h - e os radares eletrônicos vão te pegar.

Na velocidade de cruzeiro habitualmente permitida - entre 100km/h e 120km/h, de acordo com a estrada - e com asfalto bom pela frente, a Street Glide Special exibe ótimo comportamento em todas as situações e não dá sustos mesmo nas frenagens mais severas. Nas curvas, é aquilo: o limite chega quando as pedaleiras raspam no chão, e esse ângulo de inclinação não é muito grande - pouco mais de 30 graus. Então, não abuse.

Aqui, um aspecto negativo: por mais que se ajuste, a retrovisão proporcionada pelos espelhos é bem limitada
Crédito: Roberto Dutra

Embora ande mais do que notícia ruim, a Street Glide Special é para passeios e viagens sob condução civilizada. Nessa condição, cansaço demora a bater inclusive porque a posição de pilotagem é elogiável: o condutor vai sentadinho bem ereto, com total liberdade de movimentos e sem fazer força.

Um garupa sofre, e aí caímos na mesma história de várias outras Harley - para melhorar a vida ali, só se trocar o banco, botar encosto e até substituir as pedaleiras palito. Outro aspecto negativo da Street Glide Special são os espelhos posicionados nos cantos da carenagem: a retrovisão proporcionada é bem limitada.

Vale a compra?

Quem tem orçamento para comprar uma moto desse preço e categoria deve pensar bem no que busca e no uso fará. Se o foco é viajar sozinho e curtir a adrenalina que o motor ME-114 pode proporcionar, a Street Glide Special vai atender bem. Mas quem pretende fazer passeios sem tanto compromisso com desempenho e, principalmente, acompanhado, deve pensar em um modelo mais confortável - como a Ultra Limited, por exemplo.

FICHA TÉCNICA

Harley-Davidson Street Glide Special

Preço: R$ 127.400

Motor: Milwaukee-Eight 114, com 1.868 cm³, 16,3 kgf.m de torque a 3.500 rpm e estimados 90 cv de potência

Transmissão: câmbio de seis marchas com secundária por correia

Suspensões: garfos telescópicos invertidos na frente e bichoque atrás

Freios: disco duplo na frente e disco simples, com ABS

Dimensões: 2,42 m de comprimento, 1,62 m de entre-eixos, 69 cm de altura do banco, 12,5 cm de vão livre

Pneus: 130/60 R19 na frente e 180/55 R18 atrás

Tanque: 22,7 litros

Peso: 375 quilos em ordem de marcha

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