Teste 1.000 km: Renault Logan Dynamique Easy’R

Analisamos o sedã popular com câmbio automatizado. Será que vale?


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O Renault Logan nasceu para ser espartano. O objetivo do sedã francês sempre foi claro: ganhar o comprador pelo espaço interno aliado ao bom custo-benefício. Talvez por isso, o câmbio automático da primeira geração não agradou tanto. O conjunto desenvolvido para modelos maiores da marca, como o falecido Mégane, não rodava em sintonia com o motor 1.6L. Hora fazia as rotações do motor subirem nas alturas e em outras situações mostrava indecisão no escalonamento. Além disso, as quatro marchas transformavam o abnegado sedã em um gastão de combustível.

Para a segunda geração, a Renault trabalhou em modernizar a estética do Logan (nada de cantos quadrados) e manteve os bons atributos que o consolidaram frente a concorrência. Ao invés do decadente e esnobe câmbio automático, mudou para uma caixa automatizada de cinco velocidades.

Sim, a Renault seguiu a onda das marcas que optaram pelas transmissões que dispensam o pedal da embreagem e que, em tese, são quase tão eficientes quanto os tradicionais automáticos, só que custando praticamente a metade do preço. Mais um passo acertado na estratégia do simples com qualidade, correto? Um teste de 1.000 km com o Logan na versão Dynamique equipada com a caixa Easy’R provou que, às vezes, 2+2 não dão quatro.

O início foi animador, pelo menos para o bolso. A versão mais completa do sedã bate nos R$ 54.030. Preço justo ao se comparar com o Ford Fiesta Sedan SE 1.6L equipado com o automatizado de dupla embreagem PowerShift que custa R$ 60.290. Já o Fiat Grand Siena com o Dualogic Plus soma R$ 54.959. Ou seja, o Renault continua com a tradição de bom custo-benefício.

Além disso o sedã vem bem equipado. Ar-condicionado automático, direção hidráulica com regulagem em altura (não em profundidade) e controles do rádio na coluna, trio elétrico, rodas de liga leve aro 15, sensor de estacionamento, faróis de neblina, alarme, computador de bordo (com seis funções), bancos traseiros rebatíveis (1/3 e 2/3) e um bom sistema multimídia com GPS sensível ao toque com tela de sete polegadas são todos itens de série nesta versão.

Nada muito diferente da concorrência, mas no caso do Logan a Renault caprichou na disposição da cabine e na ergonomia dos equipamentos. Nada de colocar a regulagem dos retrovisores externos embaixo da alavanca do freio de mão, como acontecia na primeira geração. Só os plásticos poderiam ser menos abundantes e ásperos ao toque.

Alívio no congestionamento?

Já me perguntei inúmeras vezes se existe alguém que não fica irritado ao encarar um congestionamento. Além da monotonia e da falta de educação de alguns motoristas apressados você descobre que existem músculos e partes do corpo até então ignorados. Um deles é o nervo ciático, que que vai do dedão do pé até a região lombar.

Depois de enfrentar horas no anda e para não há um ser levemente sedentário que não descubra que o tal nervo existe. A dor vem acompanhada de formigamento na coxa, dormência nas nádegas e dores no calcanhar. O principal vilão da história é o tal pedal da embreagem, que fica cada vez mais pesado com o passar do tempo.

Problema que o Logan resolveu com a caixa Easy’R, certo? Em parte. Realmente, o nervo ciático não é lembrado, mas depois de horas ao volante a indecisão do câmbio começa a se refletir em dor nas costas e no pescoço. Tudo isso porque a caixa não lida bem com as baixas velocidades. A dosagem no pedal do acelerador tem que ser precisa, caso contrário o sedã dará um salto para frente e obrigará o motorista a correr para o freio. Pisar no acelerar com delicadeza também não é a solução, já que na maioria das vezes o carro não sairá do lugar.

O problema se repete quando o assunto é estacionar. A vaga não poderá ser muito pequena sob o risco do Logan sair com ralados nos para-choques dianteiro e traseiro. O sedã também não gosta de acelerações vigorosas. Nesta situação, a caixa insisti em não subir de marcha e quando, finalmente, decide pela troca, faz o motorista dançar salsa, num movimento para frente e para trás. A experiência não é agradável. 

A melhor forma de condução com o Easy’R é jogar a manopla para a esquerda e efetuar as trocas pela alavanca. Desta forma se consegue controlar o ânimo do câmbio automatizado. Para diminuir o problema do coice a cada troca o ideal é tirar o pedal do acelerador antes de mover a alavanca e depois voltar a acelerar. Resolve 90% do problema, mas não é o que se espera de uma versão que deveria privilegiar ainda mais o conforto do motorista.

Durante o teste dos 1.000 km o motor 1.6L 8V Hi-power, que rende até 106 cavalos de potência quando abastecido com etanol, deixou ainda mais claro que o problema está no câmbio e não no propulsor que, aliás, recebeu nota A na etiquetagem de consumo do Inmetro. O Logan acelera com decência para o segmento e responde bem quando exigido. Já a suspensão tem um acerto que privilegia o conforto, porém bem adaptada para o esburacado piso brasileiro. Sem grandes sustos ou solavancos.

De forma gerar o habitáculo foi a parte que mais evoluiu na segunda geração. Viajar com quatro adultos é tarefa tranquila no Logan, ainda mais pelo generoso porta-malas de 510 litros de capacidade.

O Renault Logan é um dos melhores, senão o primeiro, da sua categoria no custo-benefício. Também cumpre de forma com maestria a função de acomodar uma família. O motor 1.6L e a suspensão são acertados para o porte do carro e as condições brasileiras. O ponto negativo vai para o câmbio automatizado. Na dúvida, feche negócio na versão com caixa manual e ainda economize R$ 2.750.

 

 

 

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