Chevrolet Onix LT 2019

Sucesso do Onix condiz com o que ele entrega?

Best-seller da Chevrolet faz concorrência comer poeira, mas como explicar desempenho de vendas tão enfático?

8.5

Overview

Modelo mais bem-sucedido do mercado brasileiro entre desempenho e espaço razoáveis. Maior derrapada está no custo-benefício.


  • + Consumo de combustível
  • + Preços de seguro e revisão
  • + Central Multimídia
  • - Falta de ajustes para a direção
  • - Materiais de acabamento
  • - Central multimídia é opcional
 
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O fato de ter sido o melhor ano da história da indústria automobilística brasileira colocou em segundo plano outro marco ocorrido em 2012. O nascimento do Chevrolet Onix não causou tanto furor no Salão do Automóvel daquele ano (até porque outras dezenas de modelos ali foram lançados), mas, hoje, é possível ter clareza de que o hatch está fadado ao sucesso.

São muitos os carros com boa aceitação no País, mas nenhum deles chega sequer ao calcanhar do Onix em termos de mercado. Ele teve quase 100 mil emplacamentos a mais do que o segundo veículo mais vendido. Mais do que isso, se somarmos as vendas de Hyundai HB20 (101.385) com as do Ford Ka (99.029), ainda sim vemos o Chevrolet na frente, com 200.886 unidades comercializadas no acumulado de janeiro à primeira quinzena de 2018, segundo dados da associação das concessionárias (Fenabrave).

O curioso é que a especialidade do hatch, aqui avaliado na versão LT, é não ter nada de especial. Passa longe dele o carisma e simpatia do Fusca ou a tradição e solidez do Gol, únicos modelos a registrarem mais de 20 anos de liderança de mercado.

É verdade que os ícones da Volkswagen ganharam respeito e viraram peças dignas de cobiça após muito tempo de hegemonia. Embora viva o apogeu do quarto ano seguido de reinado absoluto, o Onix está longe de ser um sonho de consumo.

Pelo contrário. É comum ouvir em roda de amigos críticas em relação à segurança ou desempenho. Aliás, o compacto chegou a zerar nos testes de impacto do Latin Ncap. O fato fez até com que uma organização em prol dos direitos do consumidor pedisse a retirada do modelo das lojas. Após a polêmica, a GM reforçou a estrutura do carro que ganhou três estrelas para a proteção de adultos em uma nova bateria de avaliação.

No tocante ao motor, o burburinho gira em torno de o modelo ser o único da categoria a não abandonar o bloco de quatro cilindros. A concorrência adotou propulsores de três canecos, que já mostraram-se mais eficientes tanto em termos de desempenho, quanto de economia de combustível.

Arcaico. Será?

Não há indícios de que a Chevrolet cederá a esta mudança em uma nova geração do carro, prevista para 2019. Mas o fato é que, apesar de ser veterano e apresentar números comedidos, o motor SPE/4 1.0 de 8 válvulas não tem rendimento frustrante.

A potência de 78/80 cv a 6.400 rpm com gasolina e etanol, respectivamente, é capaz de proporcionar percursos sem dor de cabeça pela cidade. E olha que o ápice do torque de 9,5/9,8 kgf.m também não é chamativo, ainda mais por atingir a plenitude em elásticos 5.200 giros.

Na real, que ajuda muito a proporcionar um rodar honesto é o câmbio manual de seis velocidades. Com engates curtos e precisos, ele consegue gerenciar o extrair as qualidades do motor sem que ele fique berrando em rotações altas.

Na estrada as coisas mudam um pouco de figura, e o compacto tarda a embalar. Mas isso não é exclusividade do Onix, uma vez que qualquer 1.0 aspirado tem lá suas dificuldades.

O índice de consumo de combustível do Inmetro corrobora com a sensação de que o trem-de-força do Onix não está ultrapassado. Com nota “A” no comparativo da categoria, o compacto faz 8,8/12,9 km/l no perímetro urbano e 10,5/15,3 km/l nas rodovias, seguindo a ordem gasolina e etanol.

A viagem também é sossegada em termos de espaço, embora o carro não apresente números chamativos. O comprimento não chega a quatro metros, tendo 3,93 m. Isso é o suficiente para oferecer um entre-eixos razoável (2,53 m) sem comprometer o porta-malas de 280 litros. Parece pouco, mas ele é o bastante para carregar uma mala grande e duas médias.

 Interior do Onix tem acabamento bicolor
Legenda: Interior do Onix tem acabamento bicolor

O túnel central é semiplano, o que traz alívio ao passageiro central do banco traseiro. Haveria mais conforto caso o porta-copos posicionado atrás do freio de estacionamento não invadisse a parte de trás do carro. Mas o que pode ser incômodo é a altura de 1,47 m, que fica no limite do aceitável para quem tem estatura na casa de 1,75 m.

Por outro lado, agrega conforto e requinte ao modelo os bancos que tem revestimento em tecido, mas contam com algumas partes baseadas em um material que imita couro. São de bom gosto ainda algumas peças cinzas e cromadas que ajudam a proporcionar diversidade ao acabamento interno.

Só que a construção do console e das portas abusam do plástico rígido. Até mesmo o único tecido presente nas portas tem superfície áspera.

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Legenda: Painel de instrumentos com computador de bordo

Sem MyLink

Mas isso é apenas detalhe, mesmo considerando que a versão custa R$ 48.390. Problema maior são as ausências de retrovisores elétricos, regulagem da direção e faróis de neblina. A central multimídia MyLink é opcional em um pacote que sai por R$ 2.000.

O Chevrolet Onix LT sai de fábrica com ar-condicionado, direção elétrica, volante multifuncional, rádio, travas e vidros dianteiros elétricos, faróis halógenos, rodas de aço de 14 polegadas e computador de bordo com monitoramento da pressão dos pneus.

 

Em relação à segurança, há sistema Isofix para fixação de cadeirinhas infantis, cinto de segurança de três pontos e encosto de cabeça para todos os passageiros traseiros, alarme, e freios ABS com EBD (antitravamento com distribuição da força de frenagem).

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Legenda: Central multimídia MyLink é opcional
Crédito: Divulgação

Também pode ser considerado um item de segurança o sistema OnStar, que, além de oferecer serviços de concierge, traz ainda assistência 24 horas, rastreamento e botão de emergência que coloca o usuário em contato com uma central pública em caso de acidente (SAMU ou Corpo de Bombeiros, por exemplo). O serviço, no entanto, é opcional e pode ser contratado via assinatura mensal.

Ele tende a interferir no preço do seguro. Inclusive, o preço mais em conta de apólice encontrado no AutoCompara é de R$ 1.438,67.

Os preços de revisão também condizem com a realidade da categoria. Somados, os valores das seis primeiras revisões chegam a R$ 3.244.

Aliás, o pós-venda ajuda a compreender porque o Onix reina no mercado. Embora não seja melhor em nada, é bom em tudo. Apesar de não empolgar, o desempenho é suficiente para rodar tranquilamente na cidade, enquanto o espaço é satisfatório para famílias pequenas.  A solidez de mercado, o tamanho da rede de concessionárias Chevrolet e ainda o baixo índice de desvalorização são outros predicados que justificam o trono de campeão da indústria brasileira.

  • No Bolso8.7
  • Tecnologia8.8
  • Vida a bordo8.0
  • Desempenho8.3
  • Opinião do repórter8.5
  • + Consumo de combustível
  • + Preços de seguro e revisão
  • + Central Multimídia
  • - Falta de ajustes para a direção
  • - Materiais de acabamento
  • - Central multimídia é opcional
 
8.5

  • Lukas Kenji
  • Quando deixa um pouco de lado a carreira brilhante como piloto de Gran Turismo e Fórmula 1 (no Playstation), faz cobertura diária do setor automobilístico. Muscles cars e clássicos dos anos 1990 são as máquinas prediletas.
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