Teste: Jeep Cherokee Limited

Avaliamos a versão topo de linha do utilitário esportivo americano


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Rodrigo Ribeiro
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- Com mais de 300 mil membros, segundo o último censo demográfico dos Estados Unidos, os Cherokee compõe atualmente a maior tribo de índios dos EUA. Estudiosos não sabem afirmar ao certo qual é a origem exata de seu nome, mas o consenso da maioria deles é que o nome Cherokee é derivado da palavra Cha-la-kee, que significa “aqueles que vivem nas montanhas” no dialeto Choctaw. Como ocorreu com a maior parte das tribos indígenas estadunidenses, os Cherokee foram obrigados a sair de suas moradas, sendo realocados em áreas mais próximas dos centros urbanos.

Porém o nome Cherokee também denomina um famoso utilitário esportivo criado pela Jeep em 1974. Assim como o povo indígena homônimo, o Cherokee foi se afastando de suas raízes off-road para ficar mais “civilizado”. A mudança gerou filhotes, como o Jeep Liberty, lançado em 2002. Por aqui o modelo chegou com o nome de Cherokee enquanto a versão maior é batizada como Grand Cherokee e acaba de ganhar mais uma versão, a Limited.

Com preço sugerido de R$ 129.900, a Limited custa R$ 12 mil a mais do que a Sport. Por esse valor agrega-se ao carro bancos dianteiros com aquecimento e ajuste elétrico com duas memórias, teto solar, sistema de som com disqueteira e Bluetooth, retrovisor interno eletrocrômico e apliques cromados pela carroceria.

Retilíneo
Com o estilo bem quadradão, o Cherokee garante imponência com suas medidas: são 4,49 m de comprimento, 1,84 m de largura e 1,80 m de altura. Os generosos volumes, pontuados por diversos cromados e apoiados em rodas de liga-leve de 17 polegadas, chamam a atenção na rua e lembram um visual mais rústico.

As linhas que parecem ter sido feitas apenas com um esquadro continuam por dentro, com o largo painel sendo dividido por cortes retos. Como ocorre do lado externo, o interior abre mão de sutilezas como ar-condicionado com acionamento por teclas e freio de mão elétrico. Como em boa parte dos Jeep, os mimos são abaixo da média para um modelo deste porte e preço. O ar-condicionado é digital, mas com acionamento por botões giratórios, enquanto o acionamento elétrico da tração integral e da reduzida é feita por um grande botão que ocupa quase metade do porta-treco ao lado do câmbio automático. O acabamento é apenas mediano, com vãos entre as peças e uso de plástico rígido.

O espaço para os ocupantes dos bancos dianteiros é amplo, mas o mesmo não se repete na segunda fileira de assentos. Apesar do assoalho plano e da boa largura, o entre-eixos de 2,69 m não reflete em mais espaço para os ocupantes do banco traseiro. Parte da culpa se deve ao espaço roubado pelo sistema de motor e transmissão integral.

No quesito segurança, o pacote que felizmente virou rotina para modelos acima dos R$ 100 mil: ABS, seis airbags, controles de tração, estabilidade e anti-capotagem. A concessão eletrônica também foi dada na hora de fazer a baliza, com sensores de estacionamento traseiros. Ajuda, mas poderia ser complementado com uma câmera de ré, item já disponível no Dodge Journey R/T, modelo do mesmo grupo.

Racional
O motor do Cherokee Limited é o mesmo da versão Sport, um V6 de 3,7 litros e 205 cv de potência. Os 32 kgfm de torque a 4.000 rpm dão conta de empurrar as 2,1 toneladas do modelo, mas as longas relações das quatro marchas do câmbio automático fazem com que o motor demore a subir de rotações. Com o giro acima das 3 mil rpm, o Cherokee Limited deslancha, com agilidade que chega a impressionar. Porém a direção hidráulica anestesiada e a suspensão macia ajudam a lembrar que andar e virar rápido não está entre as maiores aptidões deste Jeep.

Felizmente o desempenho mediano é condizente com seu consumo. Em rodagem urbana, com o ar-condicionado usado em 1/3 do tempo, o Cherokee Limited rodou 5,9 km com um litro de gasolina, segundo medições do WebMotors. Um número adequado para um motor de alta cilindrada em um veículo de grande porte.

Resumo: Questão de estilo
O Jeep Cherokee é um resquício dos “verdadeiros” jipes. Robusto, conta com placas de proteção por todo o assoalho, pneus todo-terreno, tração integral com reduzida e poucas aberturas ao luxo e conforto. Não tão bruto quanto o Wrangler, nem tão luxuoso quando o Grand Cherokee cuja nova geração chega em outubro ao Brasil, o Cherokee Limited se propõe a oferecer o básico: estilo rústico e sem frescuras.

Por essas razões, é injusto compará-lo diretamente aos rivais. Kia Sorento, Hyundai Santa Fe e Volvo XC60 apostam na qualidade de construção e abuso da eletrônica. O maior rival do Limited, na verdade, está em casa: por R$ 12 mil a menos, a versão Sport abre mão de itens dispensáveis e oferece um custo-benefício maior. Até porquê, para quem veio da montanha, banco de couro elétrico e teto-solar podem ser dispensados.

FICHA TÉCNICA – Jeep Cherokee Limited

Motor Seis cilindros em "V", 12 válvulas, 3.700 cm³
Posição Longitudinal, dianteiro
Potência 205 cv gasolina a 9.000 rpm
Torque 314 Nm / 32,0 kgfm gasolina a 6.000 rpm
Câmbio Automático com quatro marchas
Tração 4x4 com reduzida
Direção Por pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica
Rodas Dianteiras e traseiras em aro 17” de liga-leve
Pneus Dianteiros e traseiros 235/65 R17
Comprimento 4,49 m
Altura 1,80 m
Largura 1,84 m
Entre-eixos 2,69 m
Porta-malas 419 l
Peso em ordem de marcha 2.115 kg
Tanque 86 l
Suspensão Dianteira independente, tipo multibraço / traseira dependente, tipo eixo rígido
Freios Disco ventilado na dianteira e disco sólido na traseira
Preço R$ 129.900


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